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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

DAS AUTO.

Anda uma pessoa a educar crianças para depois ser confrontada com este tipo de comportamentos.

A Volkswagen enganou 11 000 000, assim mesmo – com seis zeros -  de clientes e vários Estados por este mundo fora, isto para não falar nos prejuízos inerentes ao facto de, afinal, os veículos serem mais poluentes do que deveriam ser, ou mesmo totalmente poluentes, o que é ainda mais grave, a não ser que esta história do que é ou não poluente seja também uma conveniência deste ou daquele grupo económico, deste ou daquele lobby. Tudo é possível.

É que os universos paralelos onde nós, comuns mortais, não contamos para nada, existem mesmo. São universos onde tudo se passa de acordo com uma lógica  que nada tem a ver com aquela que pessoas como eu tentam explicar às crianças. Tudo se passa de acordo com a necessidade de manter em equilíbrio algo superior, transcendente mesmo, muito mais importante do que a corja de ignorantes que habita a base desta pirâmide onde o que realmente interessa está lá em cima, no alto, bem longe das nossas vistas e só desce cá abaixo quando alguém, por qualquer rebate de consciência ou por um interesse muito privado, bate com a língua nos dentes. Aí a coisa abana um bocadinho. Mas nada de demasiado sério.

Foi o que aconteceu com a Volkswagen que anda há anos a enganar o pessoal deliberadamente mas onde tudo corria bem, e poderia continuar a correr se não houvesse alguém, lá está, a espernear sabe Deus em prol de quê.

Não sei quem foi o parvalhão, ou parvalhona que se lembrou de pôr a boca no trombone porque agora quem vai pagar as favas são os suspeitos do costume.

O CEO já foi de carrinho com um “prémio” de despedida de 30 milhões de euros - 2,73 milhões por cada automóvel boicotado. Assim, sim, vale a pena ser vigarista. 

(Temos mesmo de repensar os valores que estamos a ensinar às crianças. Será que as estamos a preparar para o futuro?)

Mas tudo se vai compor porque a empresa, mais do que idónea, vai-se reestruturar. E se está a pensar que vão ser apuradas responsabilidade e punidos os responsáveis, é melhor pensar outra vez. 

Evidentemente vão rolar cabeças. Cabeças pequenas, de preferência. Talvez uma ou outra um pouco maiorzinha mas que não exija muito porque o grosso da coisa já foi com o CEO. 

Provavelmente vai-se falar em indemnizações mas os processos vão ser tão morosos que acabarão por cair no esquecimento. 

É preciso um plano para mostrar ao mundo que a Volkswagen assume os seus erros e, por isso, há que tratar dos 11 milhões de veículos “defeituosos” de forma a acalmar as hostes ou a vencê-las pelo cansaço. 

Pelo menos as tácticas já nós temos obrigação de conhecer. São sempre as mesmas...




terça-feira, 9 de junho de 2015

Ditos e Mexericos


Tenho em mim uma incapacidade de crítica às questões públicas que me deixa a oscilar entre a possibilidade de eu ser realmente ignorante, despersonalizada e indecisa, ou simplesmente incapaz de falar sobre aquilo que não conheço verdadeiramente e não gostar, de todo, de especulações baratas.

Não que não goste de mexericos, que gosto, de vez em quando. Mas no privado. Os mexericos fazem parte das coisas que se partilham com os amigos, na intimidade e na cumplicidade das amizades que se querem divertidas porque todos sabemos que não passam disso, de mexericos e que, provavelmente, estarão sempre demasiado longe da verdade que nem sequer entra nesta equação.

Mas expor publicamente a minha ignorância, mesmo que disfarçada de sabedoria, como agora se faz nas redes sociais onde toda a gente opina com certezas absolutas, não está na minha natureza.

Tempos houve em que admirei esse opinadores convictos acreditando que sabiam o que diziam. Mas acabei por perceber que, na verdade, as suas opiniões não passam de formas de extravasar o que lhes vai na alma – aquilo em que acreditam, aquilo em que querem acreditar e ou aquilo em que precisam de acreditar porque lhes acalma as frustrações. 

Com o tempo descobri que não é possível ter uma visão suficientemente global das coisas para poder opinar de forma verdadeiramente democrática, que é como quem diz – isenta.

Nenhum de nós tem o panorama todo. Por isso, as palavras que se vomitam não passam de opiniões mal fundamentadas por visões limitadíssimas das coisas. 

Não passam, ao fim e ao cabo, de verdades particulares, de realidades pessoais que podem, ou não, contagiar quem as ouve, dependendo da convicção com que são transmitidas.