Criamos os filhos para os dar à vida. Tentamos prepará-los para ela e sentimos orgulho quando os vemos capazes.
Não é que seja mau. Já passei por coisas verdadeiramente más. Sei distinguir. Esta é boa. Não é a primeira vez que passo por ela. É boa.
O meu filho anda por lá, embrenhado na selva a tratar de pumas e a aprender a construir esgotos numa aldeia que não tem água canalizada. Juntou-se a uma equipa de voluntários daquelas que acredita que pode fazer a diferença. E faz. É bom. É motivo de orgulho. E é orgulho aquilo que sinto.
Mas ando há duas semanas a fugir de limpar a casa, como se fosse incapaz de anular de uma só vez os vestígios que deixou. Como se em cada grão de pó eliminado, um pouco dele voasse também; como se em cada bocado de chão lavado os seus passos desaparecessem. Assim, não limpo. Vou limpando. Aos poucos. Hoje mais um bocadinho.
