quarta-feira, 7 de abril de 2010

Das ofertas e das procuras

Não há muitos anos atrás as coisas eram bem mais simples, mais fiáveis. Havia poucas escolhas, é certo. Mas o tempo que poderíamos despender a escolher, despendíamos, talvez, a criar. Agora as ofertas são muitas, o que é tentador e nos dá a ilusão de benefício. Se este servidor é caro, há sempre um outro mais barato. Se este não nos serve bem, ameaçamo-lo de mudança e, nesta espécie de guerrilha, ocupamos grande parte da nossa vida – a escolher a quem pagaremos o telefone; a quem compraremos as provisões; a quem pagaremos a electricidade, ou o gás, só falta a água; em que escola estudarão os nossos filhos; a que banco confiaremos o nosso dinheiro; que televisão nos entrará pela casa dentro…
Mas a verdade é que, com o número de ofertas, alargam-se as fileiras das promessas e promete-se aquilo que não se pode cumprir. Ou escondem-se fragilidades.
As pessoas do antigamente, aqueles que têm agora 70 e tantos anos, não estão preparadas para enfrentar um mundo onde não se pode acreditar cegamente em quem nos bate à porta, e assinam contratos porque a senhora era simpática e prometeu gastos menores, só ninguém se lembrou de perguntar – então e se avaria? quem arranja? quem paga? quanto paga?
Embandeiramos em arco com tanta promessa e enterramo-nos todos os dias, perdidos nos incumprimentos e nas letras miudinhas dos contratos que nunca lemos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

E é isto

Não chega trabalhar muito. É preciso fazê-lo com inteligência.
Um esforço cego e desordenado desgasta e raramente traz os proveitos que se julgam merecidos. Há que ordenar a vida; medir os esforços; equacionar as várias situações de forma a torná-las justamente rentáveis.
Há que ser inteligente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pois é...

Há dias em que são as máquinas que me desesperam.
Estou há uma semana à espera que o meu amigo das obras ponha o carro dele a andar para me despachar a casa. Já perdemos uma semana e tenho até ao fim do mês para me mudar.
O bendito haveria de avariar exactamente no primeiro dia de trabalho!
O computador também já deve ter previsto mudança e, com a ansiedade da pressa, transformou-se em mota! É insuportável! Só para não o ouvir, ligo-o e desligo-o um ror de vezes ao dia. Também não lhe deve dar muita saúde…
O candeeiro que me alumiava como deve de ser as noites de trabalho, também já era. Do tecto pendem os fios. Vamos lá a ver se tem arranjo ou se tenho de comprar outro.
A água da torneira arrasta com ela toda a ferrugem acumulada nos canos. É de tal forma que em dois anos já me furou duas caldeiras da máquina de café. Vamos lá a ver se não me furou qualquer coisa a mim também.
Enfim, já percebi que, umas mais outras menos, todas as máquinas têm de ir ao «médico» antes da mudança. Quanto mais não seja porque não quero que levem daqui qualquer má vibração. O melhor mesmo é irem à revisão, pode ser que venham de lá desinfectadas.

domingo, 4 de abril de 2010

E por falar de Páscoa...

Ao ler esta menina veio-me à lembrança uma cena a que assisti esta manhã e que me levou algum tempo a esquecer. Nesta minha cada vez mais premente necessidade de não me deixar derrubar, há coisas que prefiro esquecer. É uma defesa como qualquer outra.
Diz a CF que a capa do Público a chocou. E o caso não é para menos, as cada vez mais gritantes diferenças de direitos e condições só não chocam quem é de pedra. Mas o facto é que, quando o que nos choca está geograficamente distante, choca-nos naquele momento mas depois passa. Não é uma realidade com a qual tenhamos de conviver e, confortáveis como julgamos estar neste nosso mundinho, depressa esquecemos que todos os dias morrem milhares...com fome.
O pior é quando a nossa realidade ameaça desmoronar. Quando essa realidade longínqua que nos chega apenas através dos jornais ou de outras formas de comunicação, nos bate à porta. Aí é que a porta torce o rabo porque nas costas do vizinho vimos as nossas e todas as entranhas estremecem, mesmo as daqueles que são de pedra.
Pois eu hoje vi uma senhora, vestida com normalidade, limpa, de cabelo lavado (e estes pormenores são importantes), a vasculhar nos caixotes de lixo aqui da minha rua. Não, não vivo num bairro social, nada parecido com isso. Vivo até, e por enquanto, numa zona considerada cara. Pois a senhora andava aqui, mesmo por debaixo da minha varanda, a levantar tampas, a rasgar sacos, à procura...não sei de quê. Não abriu uma, nem duas. Foi seguindo rua fora, de cabeça baixa, timidamente, evitando dar nas vistas sem saber que eu, daqui de cima a observava. Numa das mãos levava um saco de plástico, não sei o que tinha dentro.

In Christus

Redescobri-me, esta Páscoa, muito mais cristã do que aquilo que me julgava ser.
Os meus olhos fogem-me para todas as histórias que rodeiam a Sua vida e os meus ouvidos têm-se deleitado com cânticos em Sua honra. E, pese embora o facto de sempre ter nutrido uma grande admiração e respeito por esta personagem da nossa História, não me lembro de ter sentido, durante tantos dias seguidos, a alma tão cheia da Sua presença.
Não sei se O compreendo, a Ele ou à Sua mensagem, tão completamente quanto seria desejável, mas sei que a maior parte de nós não o faz. E sei que para o fazer, mais do que pensar é preciso sentir. E para sentir, é preciso deixar de pensar. Talvez por isso mesmo a minha cabeça tenha estado algo parada nestes últimos dias.

sábado, 3 de abril de 2010

Estou há dois dias para escrever três páginas.
Levanto-me, sento-me. Leio mais qualquer coisa, levanto-me outra vez. Volto a sentar-me, vou até lá fora, acendo um cigarro. Venho para dentro, sento-me no computador (tudo isto com as palavras a bailarem-me na cabeça). Saio do computador e volto a sentar-me em frente aos livros e aos cadernos e aos textos, pego na caneta, suspiro e vou para o sofá. Acendo a televisão e digo, são só cinco minutos... e ando nisto há dia e meio (dia e meio porque hoje só contou a partir das quatro da tarde). E pronto, é isto. Não há meio de me resolver a vomitar a porcaria do texto!

Dizer que sinto vergonha, é pouco. Tristeza. Muita tristeza.

Eu tenho andado mais ou menos calada mas as notícias de hoje fizeram-me sentir que vivo num futuro deserto onde impera o quase caos.
Não há ninguém que se aproveite ou, melhor ainda, aqueles que existem não fazem outra coisa senão aproveitarem-se e aquele sonho muito antigo já, de descentralização, está praticamente morto.
Não há médicos porque a ordem dos médicos quer continuar a controlar o número de crias; todas as zonas que não estejam confinadas às cidades do Porto e de Lisboa estão a morrer devagar e o deserto de que há pouco tempo falou um qualquer ministro passará a ser uma realidade ainda que não situada onde ele o viu…
As vergonhas, se é que existem, andam bem escondidas, a não ser que se manifestem por os actos serem tão vastos que já andam na boca do mundo.
Cada vez se pedem mais sacrifícios a um povo que cada vez tem menos regalias e com tanta corrupção nem a dignidade nos restará.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Páscoa Feliz

Vim aqui para vos desejar uma Páscoa muito Feliz.
Gostaria de ter ilustrado a quadra mas as imagens que se encontram ou são de coelhinhos e cestos de ovos, ou da Ressurreição de Cristo. E o que é que esperavas? perguntarão vocês. Pois…nada mais do que isso, mas não me apeteceram nem umas nem outras.
Já agora aproveito para deixar aqui uma dica: Tentem ver televisão o menos possível. Especialmente notícias e coisas assim. Concentrem-se em acreditar que vamos para a frente. Não se deixem contagiar. Não deixem que o negativismo se entranhe.
E pronto. Divirtam-se; reúnam-se; comam folares e ninhos; encharquem-se em amêndoas. Mas, se tiverem de ver televisão, optem por aqueles filmes alusivos à quadra e muito muito muito, mas mesmo muito antigos, que sempre imprimem um espírito de esperança, muito mas mesmo muito mais necessário do que a negritude que as notícias nos trazem.
E não me venham cá com a história da necessidade de estar ao corrente das coisas! Olhem à vossa volta e estarão muito mais ao corrente do que engolindo aquilo que os telejornais querem que vocês engulam.
Páscoa Feliz

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Os bons; os maus e os assim assim

Entre um bom profissional com laivos de desonestidade e um menos bom, mas esforçado, honesto e transparente. Escolho o último.
Há pessoas a quem a competência, aquela que elas acreditam ter, sobe de tal forma à cabeça que tomam de assalto o trono de César, convencidos que são os senhores do mundo que tudo podem; convencidos de que aqueles que os rodeiam são idiotas passiveis de serem enganados e manipulados a seu bel-prazer.
Mas foi-me lançado aqui um pequeno desafio para que pudesse escrever um texto sobre as boas pessoas. Aquelas que ostentam uma cervical inteira; que não desviam o olhar; aquelas, enfim, em quem se pode confiar de olhos fechados. E elas existem, eu sei que sim. Contudo não posso afirmar que, aparte as pessoas com quem geralmente me dou, tenham cruzado a minha vida nestes últimos dias, pelo que se torna difícil esse pequeno desafio.
Por isso resolvi destacar aqui uma acção de extrema simpatia vinda de alguém inesperado.
Pois que hoje recebi bolos! E não foram uns bolos quaisquer. Não. Foram bolos feitos pelas mãos da mãe de quem mos ofereceu, assim, do nada. Ofereceu-mos porque sim. Tocou-me. Se calhar não me teria tocado se fossem uns bolos comprados na pastelaria da esquina. Mas os bolos feitos pela nossa mãe, e dos quais nos orgulhamos, não se dão assim ao desbarato, a qualquer um.
Bolos aparte, trata-se de um bom profissional em quem se pode confiar (não sei se de olhos fechados mas isso sou eu que já vou tendo alguma dificuldade em fechar os olhos….). São mais raros esses bons profissionais, mas também os há. Com bolos ou sem eles.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Gentinha

Para alguns de nós a escolha é possível. Pode-se ser bom ou mau consoante nos apetecer ou estivermos para aí virados. Mas para outros alguns, não.
Aqueles para quem a escolha é possível, sabem perfeitamente o que fazem, quando fazem e porque o fazem. Às vezes penalizam-se, outras não. Mas distinguem perfeitamente o bem do mal.
Para os outros a coisa já não pia assim. Vivem num mundo onde tudo é cinzento e, tal como o mundo em que vivem, são incapazes de mudar. Abrandam de vez em quando. Mas nunca mudam. Todos os actos são maus. Nasceram com a maldade entranhada na alma e não há nada a fazer. Tudo o que sentem é mau. São invejosos; arrogantes; prepotentes; provocadores; conflituosos; maldizentes…Maus.
Gente dessa precisa de praticar diariamente e dispara em qualquer direcção. Nos dias em que acordam com mais energia, disparam em todas as direcções.
Deve ser, com certeza, em dias desses, que alguns deles decidem vir espreitar o que há por aqui…
É gentinha que se alimenta da dureza e do desprezo por tudo quanto espelhe sentimentos mais nobres ou brandos. Gentinha que acredita que a grandeza está aí, no desprezo pelos fracos, sendo que «os fracos» são todos aqueles que sentem; se emocionam ou manifestam amor. Gentinha que escreve mal, que sabe pouco e que se sente tão frustrada que procura coisas que não gosta e não percebe só para se sentir maior do que aquilo que é, no desprezo que sente. Gentinha a quem os bons sentimentos incomodam mais do que uma praga de piolhos. Enfim…gentinha…

terça-feira, 30 de março de 2010

Venham a mim as criancinhas

Se Freud fosse vivo não hesitaria em dizer – Eu bem vos avisei!
Se Deus, na sua infinita bondade, nos deu a libido foi para a utilizarmos, caso contrário ter-nos-ia dado um aparelho reprodutor neutro, objectivo e funcional.
Desrespeitar a natureza humana é desrespeitar Deus. Desafiar a natureza humana é desafiá-Lo a Ele.
Casem-se os padres e acabe-se com esta vergonha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Mundo encolheu

A globalização; a comunicação; o avião e outras coisas acabadas, ou não, em ão, encolheram-no.
O Mundo encolheu para a humanidade mas aumentou consideravelmente para cada um de nós.
Passámos a ter acesso a quase tudo mas não temos mãos que cheguem.
Passámos a estar mais perto uns dos outros e vivemos cada vez mais afastados.
Podemos ver. Mas não podemos tocar.
O Mundo encolheu e cada um de nós, provavelmente, encolheu com ele.

domingo, 28 de março de 2010

Há sempre alguém

Vou somando os meus triunfos e as minhas frustrações. As minhas vitórias e as minhas derrotas.
Vou tentando fazer das derrotas vitórias e dizendo a mim a mesma aquilo que sempre dizemos quando precisamos de ir buscar força a qualquer lado – É o caminho que interessa, não o destino.
E, de lugar-comum em lugar-comum, vou-me apercebendo que na realidade nenhuma delas, nem as vitórias e nem as derrotas feitas vitórias, me interessam mais, me aquecem mais, me dão mais felicidade, do que o calor que vou recebendo em forma de companhia, de apoio, de ajuda e de incentivo, daqueles que me batem à porta, quase sem serem chamados, nas horas de necessidade.
Podemos até ser autónomos, mas nada na vida faz sentido quando lutamos só por nós. Nada faz sentido quando caminhamos sozinhos. E, na verdade, quem ama, quem gosta, quem sente, nunca está sozinho.
E, palavra puxa palavra, veio-me esta à ideia


quinta-feira, 25 de março de 2010

Das petições e dos salários

Anda por aí a circular uma petição para a redução dos salários da classe política – Ministros; deputados…
A ideia que eu tenho, aquilo que me escandaliza, não são os salários da classe política que tanto quanto sei, e sei muito pouco, nem sequer se equiparam àqueles de outros países. Tenho até por mim, e posso estar muito enganada, que a nossa classe política não é das mais bem pagas o que pode favorecer, e favorece, a corrupção.
Aquilo que me escandaliza são as reformas milionárias dos gestores que, após saída da classe política, encontram poleiros em Empresas Públicas por onde passam quase sem deixarem rasto ou chegarem sequer a aquecer cadeiras, apenas e só para encherem os bolsos. Isso sim, escandaliza-me.
Portanto, quando circular por aí uma petição contra os salários obscenos dos gestores públicos e contra as reformas e indemnizações absolutamente escandalosas, eu assino.
Quando circular por aí uma petição a exigir que aqueles que usufruem de salários impensáveis, como por exemplo os jogadores de futebol, sejam taxados na justa medida para que os desgraçados, que são a maioria que realmente trabalha, possam pagar menos e usufruir das mesmas regalias, eu assino.
Quando circular por aí uma petição que tire dos que têm realmente muito, para distribuir pelos que têm realmente pouco, eu assino.
Não espero, e nem concordo, que todos ganhemos o mesmo. Os salários, para serem justos, têm de ser diferenciados, já que os cargos também o são, bem como as responsabilidades. O que não posso aceitar é este abismo, este fosso que alguém cava, cada vez mais fundo, e que acabará por nos engolir a todos se não nos levantarmos a tempo.
É que não são os poucos que ganham muito que puxam esta carroça. São os muitos que ganham pouco que o fazem. E, atenção, cada vez estão mais fraquinhos…

Decidam-se...

Diz um spot publicitário ao BES, mais ou menos isto:
- Olá fofinha, vamos casar?
- Fofinha?! Casar?! Mas o senhor conhece-me de algum lado?!!
- Não. Mas isso não interessa. Casar traz muitas vantagens! O BES…. (e por aí fora…)
Isto não é bem uma transcrição – não sei se o termo é «fofinha» ou outra coisa qualquer, o que interessa aqui é a ideia.
Uma vez que esta ideia do casamento como um contrato financeiramente vantajoso para as partes envolvidas não é nova, de resto o que se pode considerar realmente nova é a ideia do casamento por amor (os nossos tetravós achá-la-iam, no mínimo, idiota), eu diria que estamos a andar para trás.
E eu que estava convencida que tínhamos evoluído! Com certeza contagiada pelo tempo em que cresci e em que se propagandeava o amor!...
Afinal, ao que parece, isso não interessa para nada. Mas então, se de um contrato se trata, a que propósito veio toda aquela polémica dos casamentos homossexuais?!!! Um contrato é um contrato, caramba! De resto eu até sugeriria que se acabasse com o termo «casamento» e se passasse a designar este «acordo» a dois, como – Sociedade. Uma Sociedade de Responsabilidade Partilhada – S.R.P.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Às vezes...

...pergunto a mim mesma como seria a humanidade se em vez de penalizarmos os erros, educacionalmente falando, valorizássemos o que está correcto.
Assim do tipo - Isto não está mal, mas para ficar mesmo bem só precisa de mais umas coisinhas.
Às vezes pergunto-me, Como estaríamos? Onde estaríamos? Quantas almas já desistiram por não acreditarem ser capazes?
Há dias recebi um mail jocoso em que se criticava este tipo de procedimento que alguns iluminados defendem hoje em dia. O problema é que a penalização do erro está de tal forma entranhada em nós que, não só tememos o caos se deixarmos de o fazer como, na maioria dos casos, nem sequer somos capazes. Afinal foi o que nos fizeram a nós. Como é que seremos capazes de nos abstrair disso e passar a fazer de forma diferente? Mas, e se tivesse sido sempre assim? desde o princípio, nas escolas? Será que seríamos hoje uma sociedade mais humana? mais evoluída? mais sábia? mais confiante? mais produtiva? mais útil?
Afinal de contas a penalização do erro é sempre uma crítica negativa. De facto, temos aprendido e ensinado pela negativa. Já pensaram na força que é precisa para superar esse negativismo? Já pensaram nas compensações que é preciso ter, daqueles que nos são próximos e acreditam em nós, para que possamos continuar a acreditar que somos capazes? Quem foi que inventou esta forma de educar?! Quem é que teve esta ideia brilhante? Alguém tomado pela inveja? pelo medo? ou simplesmente pela maldade?

domingo, 21 de março de 2010

A apologia do dinheiro

Durante séculos enfiaram na cabeça deste nosso povo que o dinheiro não compra a felicidade; felizes dos pobrezinhos e por aí fora… Convenceram-nos, à força de tanto repetir tanta mentira, que o dinheiro é até algo de sujo, de vergonhoso, de impuro!
O dinheiro não compra a felicidade pelo simples facto de ela não estar à venda!
Quem tem dinheiro come melhor; dorme melhor; vive melhor. Quem tem dinheiro não vai ao médico só quando está doente, vai antes de o estar. Quem tem dinheiro tem reunidas todas as condições para poder viver sossegado, sem se preocupar com o que há de mais comezinho. Pode, assim, dedicar-se calmamente a causas mais nobres. E, se quem tem dinheiro, não é feliz, então não o merece ter porque ele, o dinheiro, não compra a felicidade, mas cria condições para que ela exista, ao contrário dos desgraçados que passam fome ou comem pão a toda a hora!
O dinheiro não compra a felicidade mas tem nela a sua quota-parte que não é pequena. Se isso não é digno de um lugar relevante, então não sei o que o seja.
Por isso meus amigos e compatriotas, deixem-se de tretas e valorizem-no, desejem-no sem vergonha, abertamente. Desejem-no porque têm toda a legitimidade para o fazerem e só quem tem muito é que pode meter na cabeça de quem tem pouco esses disparates de que ele é isto e aquilo; que não faz falta; que não é importante; que não compra a felicidade, e nem a saúde ou o amor. Só a quem tem muito poderá interessar que um povo inteiro assim o sinta; assim se sinta – dele envergonhado.

Produção de fim-de-semana

Qualquer dia não sei estar sem fazer nada, eu! que tanta necessidade tenho de estar quieta e comigo! Bom, como os trabalhos para a faculdade são muitos e o meu tempo é pouco, aproveito o pouco que tenho livre para os ir adiantando, ou pondo em dia, conforme o caso.
Um dos trabalhos pedidos para Tecnologias Educativas era um «piqueno» vídeo que narrasse uma «piquena» história, com algum fim educativo. Uma vez que a história é minha e que a «fazedura» do vídeo é uma estreia absoluta, resolvi partilhar o resultado convosco.
Aqui fica A história de Cib, a esferográfica. Espero que gostem. (Se não o conseguirem visionar aqui, experimentem este atalho).

GoAnimate.com: A história de Cib, a esferográfica by Alda Couto

Like it? Create your own at GoAnimate.com. It's free and fun!