quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os verdugos desta nova Idade Média

De há cerca de duas ou três semanas a esta parte que cada vez que meto gasolina pago mais um bocadinho. Já vai praticamente no 1.50 € o litro do combustível do meu pequeno automóvel! Gostava de saber, dado que há tanta fome no mundo, quem é que eu ando a alimentar!
Na outra Idade Média, os verdugos dos senhores feudais invadiam as aldeias para extorquir aos pobres camponeses impostos impossíveis, mas davam a cara. A quem, como eu, gosta de espernear, era-lhe dado um alvo, concreto, definido, e a possibilidade de se armar contra.
Estes verdugos, desta nova Idade Média, escondem-se atrás uns dos outros; atrás das leis; atrás da ordem para a qual nós, que habitamos as bases, não contribuímos em nada a não ser na dócil concordância, e roubam tanto ou mais ainda, subtilmente, quase despercebidamente, todos os dias, mais um bocadinho.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cuidado com os limites

Os limites são traiçoeiros. Muitas vezes só os reconhecemos depois de os termos ultrapassado.
Há pouco um amigo perguntou-me se eu estava bem. Respondi que nem por isso, que estou extremamente cansada. E foi nesse momento que me apercebi que estou prestes a ultrapassar um...

Dia Mundial do Beijo

Pois, diz que hoje é o dia mundial do beijo.
Assim em jeito de comemoração não haverá por aí umas escolas itinerantes a ensinar os homens por este país fora? É que dava jeito...

Dava-me imenso jeito...

...ter dinheiro suficiente para desatar a esburacar paredes para enfiar fios e fazer nascer tomadas. Sempre gostava de saber porque é que num mundo em que tudo, ou quase tudo, é eléctrico as casas têm duas, no máximo três, tomadas em salas do tamanho de um comboio que têm de comportar televisão, playstation, box, computador, mais o módem e mais as colunas e mais os candeeiros e os aquecedores e o diabo a sete, e onde vou eu ligar isso tudo?! em duas tomadas?! hem?! E depois a porcaria do quadro eléctrico também não tem potência que chegue e uma pessoa pede aumento de potência e eles ainda são capazes de embirrar com as calhas que circundam as paredes. Palavra de honra que se eu pudesse, se tivesse tempo e dinheiro esburacava aquilo tudo, ou mandava esburacar que eu para abrir roços não sirvo, quando me ponho a abrir buracos são coisas como deve de ser, não são cá aqueles fiozinhos todos muito certinhos, mas se eu tivesse dinheiro e tempo provavelmente também não tinha comprado uma casa em segunda mão e não estava agora com estes problemas todos.
É por estas e por outras que o mundo é injusto porque é exactamente para quem não precisa que as coisas existem. Até o tempo e o dinheiro!
Pronto, já desabafei.
Mas nem por isso estou mais sossegada. Deve ser por prever que a seguir às tomadas e aos interruptores hão-de vir as janelas e os armários e a banheira e os....irra! porque é que isto não pode ser simples?! assim tipo, vou-me mudar, já me mudei?!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Da coragem

A coragem, tal como outras características humanas, usa túnicas de várias cores ainda que esteja habituada a ser identificada apenas quando se veste, por exemplo, de vermelho ou mesmo de negro.
É vermelha a coragem do forcado que enfrenta os cornos do touro; a do bombeiro que se lança no combate ao fogo; a do salvador que arrisca a própria vida para salvar uma outra; a do guerreiro que luta contra a tirania porque acredita na liberdade ou a da cobaia que arrisca a vida em prol da ciência.
É alaranjada a do peregrino que, despojado de tudo, mete pés aos caminhos do mundo; a do eremita que crê doar o seu sacrifício aos homens; a do benfeitor para quem o bem do próximo é sempre um bem maior.
É negra a coragem daqueles que vão para a guerra; negra a dos que perdem um filho e mesmo assim caminham; negra a de todos os que sofrem as mais terríveis privações e não desistem.
Mas também é coragem aquela que se veste de branco e que se dilui no meio da multidão. É coragem a força de todos aqueles, vulgares de Lineu, que quotidianamente se levantam e vão trabalhar porque acreditam que é esse o seu dever. É coragem a túnica branca que vestem aqueles que entendem ser sua obrigação manter esta ordem que todos nós temos vindo a construir ao longo dos séculos. É coragem aquela das mães e dos pais que criam sozinhos os filhos. É coragem esta capacidade de persistência dia após dia de seguir no caminho que se acredita recto; honesto e construtivo. Também isso é coragem.

A História tem destas coisas

E a expressão « Vi-me grego para cá chegar» volta a estar fundamentada.

domingo, 11 de abril de 2010

Mau carma uma ova!

A minha avó tinha um ditado que a minha mãe sempre repetiu – «Guarda o que não queres. Terás o que precisas».
Os valores mudaram consideravelmente e, em oposição ao ditado da minha avó, hoje apela-se ao desfazer. Desfaçam-se! Libertem-se! Abram espaço!
E nós, idiotas, desfazemo-nos com a maior das facilidades das coisas mais antigas como das mais recentes. Desfazemo-nos porque nos querem fazer acreditar que é preciso abrir espaço para o novo e que é mau carma acumular coisas e que quanto maiores forem os nossos espaços vazios mais possibilidades teremos de os voltar a encher porque estamos a enviar ao universo uma mensagem da abundância que na verdade não temos mas gostávamos de ter. Desfazemo-nos, enfim, para abrir portas, para criar possibilidades.
Mas quem é que nos enfiou isto na cabeça?! Não foram com certeza aqueles que defendem a reciclagem. Nem aqueles que defendem a urgência da diminuição do consumo. Obviamente.
A utilização que se passou a dar de valores como a espiritualidade, não é honesta e, muito menos, bem-intencionada. Parvos somos nós, a massa anónima, que ainda vamos nestas conversas!
Um outro ditado que a minha avó gostava de repetir – «Com papas e bolos se enganam os tolos.»
Pois eu teria feito bem melhor, nestes dois últimos anos, se lhe tivesse dado ouvidos. É que me desfiz de coisas que agora me dariam um jeitão!... e, ao contrário daquilo em que me querem fazer acreditar – não, não tenho dinheiro para comprar outras. E não, não consigo deixar de pensar que, se fossemos guardando ao longo da nossa vida, guardando e cuidando evidentemente, aquelas coisas que nos vão fazendo falta, haveria de chegar uma altura em que não precisaríamos de comprar praticamente nada.

Pedro Passos Coelho

É impressão minha ou a esta hora há uma série de partidos a quererem ter um?

O PSD é tipo Angola

«O PSD está unido na luta contra o PS», dizia Morais Sarmento. Já nem sei se disse «luta», se disse «guerra», espero que tenha sido «luta», sempre é mais suave. O que vão fazer quando a luta contra o PS acabar é que não sei. Angola também se uniu na luta contra Portugal e vejam o que aconteceu depois...

sábado, 10 de abril de 2010

Que venha...

Que venha o 7 de Maio. Que venha já que a Amazónia é coisa que me assusta e barcos a descerem rios que rasgam florestas, barcos com camas de rede onde vão descansando os aventureiros, só me trazem à memória o Apocalypse Now.
Que venha o 7 de Maio que antecipando me vejo já nas Chegadas do Aeroporto, de coração apertado mas por pouco tempo, por muito pouco tempo, porque o que vejo mesmo é o teu rosto e o teu corpo, que não é mais de menino mas de homem e que eu não abraço há tanto tanto tempo. Que venha o 7 de Maio...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O mal dele...

...era lixo! Exactamente - lixo. Pó; Cotão.
Abriu-se o bicho; tirou-se a placa gráfica que tem agarrada uma piquena ventoínha que, coitadita, não rodava por estar empastelada em cotão. É o que faz ter o desgraçado rente ao chão...
Limpou-se tudo tão bem limpinho que está mais silêncioso do que nunca e até as cores estão mais brilhantes! Parece novo!
Meus caros, já sabem - se o vosso computador começar a parecer-se com uma mota, limpem-no por dentro. Aspirem-no com cuidado. Varram-no com uma trincha daquelas mesmo peludas, e vão ver que ele deixa de se queixar. É que já o meu avô dizia: As máquinas têm sempre razão.
E pronto, estou tão contente que já não me apetece falar de coisas sérias. Amanhã há mais. Pode ser que me volte a inspiração.

Pois é: não dá...

Era minha intenção chegar aqui e falar da calma que é necessária para se conseguir fazer as 365000 coisas que há para fazer. Ou falar da importância de se ser dono e senhor de uma enorme capacidade de frustração. Mas não. Não consigo. Com o barulho infernizante que o meu computador faz e que um entendido já disse ser lixo metido na ventoinha da placa não sei de quê e que é só abrir e limpar, tiram-se os parafusos e pronto mas eu de parafusos cada vez percebo menos e até já nem sei muito bem se não terei perdido algum por aí, não consigo ficar o tempo exigido por temas tão importantes como a calma e a resistência à frustração. Eu sei que este blog é de antagonices que trata mas tudo tem os seus limites, e estar a escrever uma coisa quando o que me apetece mesmo é partir o bicho, é uma contradição que, até para mim, ultrapassa os limites do razoável. Pode ser que amanhã esteja mais calminho. Ou que eu me decida a agarrar nele para o levar ao doutor dos computadores.

Casa Pronta

Escritura marcada para o dia 26 de Março – Casa Pronta
26 de Março :
O Agente Imobiliário - Há um problema com o portal das finanças. Os impostos prévios que seriam pagos na escritura (Casa Pronta) terão de o ser antecipadamente.
Rumámos às finanças. Paguei.
Conservatória do Registo Predial – Presentes todas as partes envolvidas, incluindo representante Casa Pronta que, orgulhosa diz: Não se preocupe com mais nada. Nem pedido de Isenção; nem mudança de Morada Fiscal; nem transferência de propriedade. Tratamos de tudo a partir daqui.
9 de Abril:
Intenção: Transferência de contadores – água; luz; gás.
Portal das Finanças: Pedido de Caderneta Predial.
Ah, e tal, a casa não está dada como sua!
A partir daqui foram três horas ao telefone. Entre Casa Pronta; Conservatória e Finanças, foi um vaivém desgraçado, para chegar à conclusão que afinal a Casa Pronta até cumpriu, as Finanças é que parece que não perceberam e, como tal, despejam o veredicto: Tem de se deslocar com a máxima urgência à repartição da sua área de residência.
Casa Pronta, uma ova!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Das ofertas e das procuras

Não há muitos anos atrás as coisas eram bem mais simples, mais fiáveis. Havia poucas escolhas, é certo. Mas o tempo que poderíamos despender a escolher, despendíamos, talvez, a criar. Agora as ofertas são muitas, o que é tentador e nos dá a ilusão de benefício. Se este servidor é caro, há sempre um outro mais barato. Se este não nos serve bem, ameaçamo-lo de mudança e, nesta espécie de guerrilha, ocupamos grande parte da nossa vida – a escolher a quem pagaremos o telefone; a quem compraremos as provisões; a quem pagaremos a electricidade, ou o gás, só falta a água; em que escola estudarão os nossos filhos; a que banco confiaremos o nosso dinheiro; que televisão nos entrará pela casa dentro…
Mas a verdade é que, com o número de ofertas, alargam-se as fileiras das promessas e promete-se aquilo que não se pode cumprir. Ou escondem-se fragilidades.
As pessoas do antigamente, aqueles que têm agora 70 e tantos anos, não estão preparadas para enfrentar um mundo onde não se pode acreditar cegamente em quem nos bate à porta, e assinam contratos porque a senhora era simpática e prometeu gastos menores, só ninguém se lembrou de perguntar – então e se avaria? quem arranja? quem paga? quanto paga?
Embandeiramos em arco com tanta promessa e enterramo-nos todos os dias, perdidos nos incumprimentos e nas letras miudinhas dos contratos que nunca lemos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

E é isto

Não chega trabalhar muito. É preciso fazê-lo com inteligência.
Um esforço cego e desordenado desgasta e raramente traz os proveitos que se julgam merecidos. Há que ordenar a vida; medir os esforços; equacionar as várias situações de forma a torná-las justamente rentáveis.
Há que ser inteligente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pois é...

Há dias em que são as máquinas que me desesperam.
Estou há uma semana à espera que o meu amigo das obras ponha o carro dele a andar para me despachar a casa. Já perdemos uma semana e tenho até ao fim do mês para me mudar.
O bendito haveria de avariar exactamente no primeiro dia de trabalho!
O computador também já deve ter previsto mudança e, com a ansiedade da pressa, transformou-se em mota! É insuportável! Só para não o ouvir, ligo-o e desligo-o um ror de vezes ao dia. Também não lhe deve dar muita saúde…
O candeeiro que me alumiava como deve de ser as noites de trabalho, também já era. Do tecto pendem os fios. Vamos lá a ver se tem arranjo ou se tenho de comprar outro.
A água da torneira arrasta com ela toda a ferrugem acumulada nos canos. É de tal forma que em dois anos já me furou duas caldeiras da máquina de café. Vamos lá a ver se não me furou qualquer coisa a mim também.
Enfim, já percebi que, umas mais outras menos, todas as máquinas têm de ir ao «médico» antes da mudança. Quanto mais não seja porque não quero que levem daqui qualquer má vibração. O melhor mesmo é irem à revisão, pode ser que venham de lá desinfectadas.

domingo, 4 de abril de 2010

E por falar de Páscoa...

Ao ler esta menina veio-me à lembrança uma cena a que assisti esta manhã e que me levou algum tempo a esquecer. Nesta minha cada vez mais premente necessidade de não me deixar derrubar, há coisas que prefiro esquecer. É uma defesa como qualquer outra.
Diz a CF que a capa do Público a chocou. E o caso não é para menos, as cada vez mais gritantes diferenças de direitos e condições só não chocam quem é de pedra. Mas o facto é que, quando o que nos choca está geograficamente distante, choca-nos naquele momento mas depois passa. Não é uma realidade com a qual tenhamos de conviver e, confortáveis como julgamos estar neste nosso mundinho, depressa esquecemos que todos os dias morrem milhares...com fome.
O pior é quando a nossa realidade ameaça desmoronar. Quando essa realidade longínqua que nos chega apenas através dos jornais ou de outras formas de comunicação, nos bate à porta. Aí é que a porta torce o rabo porque nas costas do vizinho vimos as nossas e todas as entranhas estremecem, mesmo as daqueles que são de pedra.
Pois eu hoje vi uma senhora, vestida com normalidade, limpa, de cabelo lavado (e estes pormenores são importantes), a vasculhar nos caixotes de lixo aqui da minha rua. Não, não vivo num bairro social, nada parecido com isso. Vivo até, e por enquanto, numa zona considerada cara. Pois a senhora andava aqui, mesmo por debaixo da minha varanda, a levantar tampas, a rasgar sacos, à procura...não sei de quê. Não abriu uma, nem duas. Foi seguindo rua fora, de cabeça baixa, timidamente, evitando dar nas vistas sem saber que eu, daqui de cima a observava. Numa das mãos levava um saco de plástico, não sei o que tinha dentro.

In Christus

Redescobri-me, esta Páscoa, muito mais cristã do que aquilo que me julgava ser.
Os meus olhos fogem-me para todas as histórias que rodeiam a Sua vida e os meus ouvidos têm-se deleitado com cânticos em Sua honra. E, pese embora o facto de sempre ter nutrido uma grande admiração e respeito por esta personagem da nossa História, não me lembro de ter sentido, durante tantos dias seguidos, a alma tão cheia da Sua presença.
Não sei se O compreendo, a Ele ou à Sua mensagem, tão completamente quanto seria desejável, mas sei que a maior parte de nós não o faz. E sei que para o fazer, mais do que pensar é preciso sentir. E para sentir, é preciso deixar de pensar. Talvez por isso mesmo a minha cabeça tenha estado algo parada nestes últimos dias.

sábado, 3 de abril de 2010

Estou há dois dias para escrever três páginas.
Levanto-me, sento-me. Leio mais qualquer coisa, levanto-me outra vez. Volto a sentar-me, vou até lá fora, acendo um cigarro. Venho para dentro, sento-me no computador (tudo isto com as palavras a bailarem-me na cabeça). Saio do computador e volto a sentar-me em frente aos livros e aos cadernos e aos textos, pego na caneta, suspiro e vou para o sofá. Acendo a televisão e digo, são só cinco minutos... e ando nisto há dia e meio (dia e meio porque hoje só contou a partir das quatro da tarde). E pronto, é isto. Não há meio de me resolver a vomitar a porcaria do texto!

Dizer que sinto vergonha, é pouco. Tristeza. Muita tristeza.

Eu tenho andado mais ou menos calada mas as notícias de hoje fizeram-me sentir que vivo num futuro deserto onde impera o quase caos.
Não há ninguém que se aproveite ou, melhor ainda, aqueles que existem não fazem outra coisa senão aproveitarem-se e aquele sonho muito antigo já, de descentralização, está praticamente morto.
Não há médicos porque a ordem dos médicos quer continuar a controlar o número de crias; todas as zonas que não estejam confinadas às cidades do Porto e de Lisboa estão a morrer devagar e o deserto de que há pouco tempo falou um qualquer ministro passará a ser uma realidade ainda que não situada onde ele o viu…
As vergonhas, se é que existem, andam bem escondidas, a não ser que se manifestem por os actos serem tão vastos que já andam na boca do mundo.
Cada vez se pedem mais sacrifícios a um povo que cada vez tem menos regalias e com tanta corrupção nem a dignidade nos restará.