segunda-feira, 26 de abril de 2010


Despejar uma casa sozinha é cansativo e muito muito deprimente.
Já enchi 26 caixas e não há nenhuma divisão que possa dar por terminada...
Espero sinceramente que seja a minha última mudança, até porque vai ser um recomeço cheio de novidades. Mas isso fica para outro post.

domingo, 25 de abril de 2010

Pavlov, essa é que é essa!

Decerto será de estranhar esta resistência, que chega a ser física, ao encaixotamento que a mudança de casa exige.
É certo que, na última mudança que fiz, me vi obrigada a superar todas as minhas forças e momentos houve em que acreditei sucumbir à dor de me desfazer de uma vida inteira; de um projecto; de um futuro que dei como certo. Mas esta mudança nada tem a ver com isso. Ao contrário da anterior esta representa um passo na construção de uma estabilidade que acredito ser capaz de construir sozinha. Então porquê esta resistência? Porquê este aperto no estômago, estas vertigens sempre que levanto os olhos para os livros que vou ter de encaixotar?
Provavelmente Pavlov explicaria isto com os seus reflexos condicionados. De facto, e ao que parece, aprendemos mais depressa do que a nossa razão supõe. E é esta «inconsciência» do que se sabe que, não só obriga o nosso corpo a reagir como, e atenção a isso, nos pode induzir no erro de interpretarmos mal essa reacção.
Se eu, em vez de «ler» a forma como o meu corpo tem reagido à mudança como uma estranha aprendizagem feita por ele na mudança anterior, a ler como um aviso ou um alerta – estará lançada a confusão, com todas as dúvidas e todos os medos a causarem-me insónias para além daquelas que já me causam (estão mais brandas) a falta dos cigarros. Estarei a fazer bem? Será que estou no caminho certo? Será que tudo vai correr de forma positiva? São estas perguntas, de resto as mais estúpidas que se podem fazer porque raramente têm resposta e quando a têm ela não passa, ao fim e ao cabo, de suposições e desejos aos quais gostamos de chamar previsões e que nos dão, por períodos de tempo indeterminados, a falsa ilusão de controle, mas são estas as perguntas que me invadem o cérebro sempre que sinto o estômago a apertar, quando afinal e muito, mas muito provavelmente, ele aperta porque se lembra do sofrimento que foi, a última vez que se viu nestes apuros. Até porque, e isso é uma coisa que eu faço questão de ter bem presente, se se tratasse deste tipo de dúvidas então ele tinha-se apertado no dia da escritura e isso não aconteceu. Muito pelo contrário. Por isso vamos mas é a despachar isto que se faz tarde! Que é como quem diz, deixa-te mas é de merdas!

sábado, 24 de abril de 2010

Vidas virtuais

Resolvi parar num café cujo dono foi meu colega de escola. Embora não nos vejamos com muita frequência, muito pelo contrário – estamos anos sem nos vermos, o facto é que lá vamos sabendo um do outro, talvez até porque não há muito para saber, pelo menos do lado dele, já do meu, por isto ou por aquilo há sempre uma novidade para contar. Mas do lado dele, não. É como se a vida não andasse; como se aquela família estivesse suspensa no tempo. Dos quatro filhos, três ainda estão em casa e o café toma, ao casal, todo o tempo do mundo. Estou farto disto, desabafou ele, trabalhamos dezoito horas por dia para pagar as férias…
A mulher dele, com cara de poucos amigos, falou-me por cima do ombro, enfim, o ambiente estava pesado e eu tive pena do meu antigo colega que leva uma vida totalmente desprovida de sentido.
Neste entretanto entrou uma senhora cuja cara não me é estranha e eis que de repente a conversa muda para um registo completamente diferente. Os olhos dele recuperaram o antigo brilho e, de ataque em ataque, a expressão do seu rosto rejuvenescia. Compreendi que falavam de um jogo. Um jogo de computador. Mas faziam-no como se da vida se tratasse. As expressões; os termos; a seriedade e o entusiasmo, roubados à vida, existem agora no écran de um computador.
Eu sei que hoje em dia se passa muito tempo por aqui e sei também que a virtualidade é já uma realidade. Não sou inocente. Mas eu vivo sozinha. Isto distrai-me. Ainda assim, nunca dei por mim a discutir um jogo de computador como se da vida se tratasse! É triste. Saí de lá triste. Tanto mundo aí! Tanta vida para viver! Tanta gente com quem trocar sorrisos!
Mais uma vez sinto que fomos enganados. A vida não dá o que nos prometeram que daria; os planos são uma treta e o único plano que deve ser feito e realizado é aquele que nos permite desfrutar de cada passo; divertirmo-nos em cada esquina. Caso contrário, não vale a pena andar por cá.

Fumar Mata


E deixar de fumar dá tonturas; irritabilidade; insónias e falta de concentração.
Do mal o menos...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

No segredo dos deuses

Hoje, a tratar do Ernesto (o Ernesto é o canário), tive consciência de que sempre parti do princípio que o Ernesto é macho, quando não faço a mínima ideia se é macho ou fêmea.
Aposto em como ele também não e, a esta hora, acredita tanto como eu, ou mais ainda, que é macho. Que é macho, que é amarelo, que é pequenino e que é lindo; que canta muito bem e por aí adiante… É nisso que ele acredita e é isso que ele é, tudo aquilo que eu lhe digo que é – ele é.
Imaginem agora o que cada um de nós é! Provavelmente por isso, por sermos o que os outros desde sempre disseram que somos, é que somos todos muito parecidos senão iguais! Vai-se a ver e aquilo que cada um de nós é, se é que existe, e que nos poderá efectivamente diferenciar de todos os outros, está mais do que camuflado debaixo de tudo aquilo que, desde que nascemos, nos dizem que somos. A não ser que tenhamos tido a sorte da coincidência, isto é, que quando nos disseram, em pequenos, que éramos inteligentes, tenham acertado na muche!, aquilo que cada um de nós é permanecerá para sempre no segredo dos deuses. Isto se realmente existir, já se vê...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Aos poucos...



...tenho-me vindo a desligar da televisão.

Faz-me companhia às refeições. Ligo-a quando começo; desligo-a quando acabo. É rara a noite em que me sento a olhar para ela. É certo que tenho quase sempre trabalho para fazer mas, é certo também que há cada vez menos programas que me prendam a atenção.


Há um, apesar de tudo, que me tem mantido «agarrada». É uma série. E é a única que todas as semanas me lembra que hoje; ou ontem; ou anteontem, foi terça-feira. E nem é na televisão que a vejo!...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estou tão danada que o melhor é não dar nome a isto...

Correndo o risco de plagiar António Vieira – é tudo a comer! Ou, melhor ainda – é tudo a roubar! O raio que os parta a todos mais os impostos de selo; as inspecções; os serviços e a pata que os pôs a todos! Se um dia pudéssemos perder algum tempo a somar todas as merdelhices que pagamos sem saber para quê, disfarçadas de lei e camufladas de inevitabilidade, chegaríamos à conclusão que afinal a miséria de ordenados que temos até chegaria para qualquer coisa se não tivéssemos de a distribuir por este bando de abutres que paira permanentemente sobre as nossas cabeças.
O meu sonho, aquele sonho sonho, a minha grande ambição, é poder, um dia, cagar em absoluto nestas instituições todas; é ter um pedaço de terra onde possa fazer um furo à revelia dos mamões; onde instale placas e moinhos que me gerem a energia que preciso; é não precisar dos bancos para nada, nadinha, ter as minhas dívidas todas pagas e guardar o dinheiro como se fazia antigamente, debaixo do colchão; dentro de um frasco; à sombra da árvore – em todo o lado menos no banco. O meu sonho é poder, um dia, espetar-lhes, com toda a convicção, o dedo do meio e mandá-los a todos àquela parte. Puta que os pariu!

Há muito tempo que não me surpreendiam!

Há pouco, um senhor que me estendia uma caixa de jardineira de lulas suspendeu o gesto o tempo suficiente para o meu olhar encontrar o dele e vaticinou:
- Que tudo isto se transforme em saúde.
E sorriu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Encontrei o meu metrónomo

Dei comigo a cantarolar isto, assobiar não que não sei, mas tenho pena.

A vida tem destas coisas

Dou comigo a acumular cestos de roupa à espera de ferro que nunca há-de vir, tal como a minha filha. E dou comigo a vasculhar, todas as manhãs, nesses mesmos cestos tal como o meu filho. E o que eu embirrava com isso!
Ontem no meio de um certo desespero resolvi parar o cérebro e nessa paragem realizei que tudo, rigorosamente tudo aquilo a que me propus foi escolha minha. A compra de casa, foi escolha minha; uma licenciatura tardia, foi escolha minha; a Empresa, foi escolha minha. Poderia ter feito outras escolhas. Poderia ter optado por algo mais simples, mais básico, e muito mais desinteressante.
Foi escolha minha. É escolha minha. Em qualquer momento posso escolher outra coisa qualquer. Nem sabem o descanso que isso dá!...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não consigo

A sério. Não estou a conseguir. São coisa de mais. Parece que todos os pássaros do mundo resolveram c....... em cima de mim! Não dá!
Desde que me levanto até que me deito pareço uma idiota a rezar pelos cantos - Isto é preciso é ter calma. Muita calma. Vai correr tudo bem.
E ando nisto há alguns dias e já está quase. Quase, quase. Quem me dera puder dizer que depois tiro férias...

domingo, 18 de abril de 2010

Agora sim, começou a dança...

Acabaram de voar cá de casa todos os candeeiros de tecto, estou portanto à média luz quando não na escuridão. Um dos quartos já está sem alternativa. A sensação é a de que abriu a época do campista.
Entretanto agarrei-me com unhas e dentes à Estatística mas não tenho a certeza se servirá para alguma coisa. Mesmo agarradinha, passei estas duas últimas horas a falar alto e a esticar os braços para amparar os candeeiros.
E foi este o dia que me escolheu para eu deixar de fumar. Digo, que me escolheu, porque não fui eu que escolhi coisa nenhuma, foi a noite de ontem que, à traição, me deixou sem cigarros e eu, como sou preguiçosa e preciso de estudar (já se percebeu), entendi que não haveria de sair de casa para comprar fosse o que fosse.
Vamos lá a ver como me aguento…

Me, me, me...

Quando, por qualquer motivo, nos zangamos com um amigo, ou com uma amiga, daqueles mesmo queridos e próximos, sentimos o coração apertado e na cabeça uma voz que repete, exaustivamente, tudo o que ao longo dos anos fizemos por ele, ou por ela. Os momentos em que esse amigo ou amiga beneficiou do privilégio da nossa amizade passam-nos em modo contínuo pelo cérebro, over and over again. Ingrato, nem sabe a sorte que tem tido! é uma das possíveis frases que no meio de tantas outras nos perseguem até a crise, naturalmente, se desvanecer.
Raramente, quase nunca, bem…nunca, os nossos pensamentos se debruçam sobre os momentos em que directa ou indirectamente beneficiámos dessa amizade. Nunca, porque o momento em que isso começa a acontecer é o mesmo em que a zanga se começa a esvair.
Quando atravessamos na vida fases de assoberbamento de tarefas, afazeres ou prazos para cumprir, raramente pensamos nos afazeres, nas tarefas ou prazos para cumprir, dos outros, por muito queridos que eles nos sejam, quer-se lá saber! os nossos prazos são, sem sombra de dúvida, muito mais apertados; as nossas urgências muito mais prementes, ainda que a razão nos diga que se calhar não, mas isso não interessa para nada, o coração é que sente e ele está chateado e pronto.
Tudo isto é a prova provada da gigantesca dificuldade que temos, todos nós, de nos colocarmos na posição do outro. Isso é tudo muito bonito mas é quando a vida do outro está complicada mas a nossa flui, calma e pacificamente, sem stresses ou dissabores. Aí sim, somos capazes de nos encher de compreensão, altruísmo e boa vizinhança. Agora se não for esse o caso, temos pena mas o meu é sempre sempre, mais urgente do que o teu… a minha desgraça é sempre sempre muito maior do que a tua e o meu azar!... Desse nem se fala.
Já alguma vez vos aconteceu perceberem de repente, a meio de uma conversa, que fazem parte de um concurso em que o vencedor é aquele que mais sofre? aquele que tem mais dores, e mais graves; aquele que mais desgraças tem para contar?! Ridículo, não é?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Deus escreve direito por linhas tortas

Há alturas em que esta afirmação faz todo o sentido e aquelas em que não faz se calhar é porque a nossa visão é pequena e não alcança.
Foram quatro pneus novos. O acidente provocado ontem pelo motar que me rasgou o pneu traseiro levou-me hoje ao senhor dos pneus. O plano era passar os dianteiros para trás e comprar dois para a frente. É assim que costumo fazer. O problema é que aquele outro, o dianteiro, que me caiu no buraco não há um mês, estava num estado tão lastimoso, ele e a jante, que se o carro me fugia era só por ele e se não tive um acidente maior, daqueles que se tem quando à chuva um pneu rebenta, exactamente no momento em que atrasada se «corre» daqui para ali, só pode ter sido Deus.
Obrigada portanto ao senhor da mota porque a Deus já agradeci.
Queixamo-nos amiúde das coisas, sem sabermos se o seu acontecimento não estará a evitar um mal maior.

Da vitimização, ou não...

Se formos a ver bem, a vitimização é uma coisa relativamente simples. Todos nós temos razões de queixa. Todos nós podemos, se quisermos e estivermos para aí virados, chorar as nossas desgraças; lamentar os nossos esforços; carpir sobre os nossos azares; sofrer, enfim, as injustiças do mundo e até de Deus e darmos, assim, realce a todas as mágoas.

Se quisermos, e estivermos para aí virados…

Mas também se quisermos e estivermos para aí virados, podemos agradecer toda a nossa sorte; alegrarmo-nos com todas as nossas conquistas; regozijarmo-nos com os nossos esforços; fortalecermo-nos com os nossos percalços e, sobretudo, chamar-lhes isso mesmo – percalços.

Podemos. Se quisermos e estivermos para aí virados.

Talvez por isso se veja por aí gente sem nada a não ser dor; gente curvada pela vida, a sorrir e a agradecer o sol que espreita, olhe ali, não vê?! naquela nesga! E gente que trabalha e tem um salário, todos os meses; gente que respira saúde; gente que estuda; que escolhe; que luta, porque pode e porque quer, num lamento diário de não aguento mais isto; num choro sufocado de ninguém me quer, ninguém me dá atenção, ninguém me dá valor. Talvez por isso…

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Faz hoje anos o mais novo elemento da família. Parabéns a ele.

Faz hoje anos o meu sobrinho.
Nasceu há nove. Num domingo de Páscoa. Quando já todos suspirávamos por ele.
Vive indeciso entre o português e o holandês. Bem, talvez não tão indeciso assim mas que se esforça por falar a língua do seu pai disso eu não tenho dúvidas, ainda que precise de começar no número um sempre que quer traduzir para português um número qualquer. Mas já responde para além dos «sins» e «nãos», o que é já uma vitória. Principalmente para nós que, daqui de tão longe, gostamos de lhe ouvir a voz.
É giro que se farta. Quando era mais pequeno tinha tanta graça que o comparávamos a um desenho animado. Agora, mais crescidinho, não gosta desse tipo de comparações e nem sempre vai à bola com as brincadeiras dos primos, tão mais crescidos do que ele.
Faz anos hoje e eu gostava de o ter aqui para o poder abraçar mas a vida é mesmo assim. Agora só lá mais para o fim do ano. Ainda assim aqui fica, bem registado, o meu desejo de uma vida longa e tão feliz, mas tão feliz que o seu rosto, quando envelhecer, envelheça a sorrir. Que a saúde e a fortuna lhe batam sempre à porta e que, mais ano menos ano, queira vir até cá, passar connosco umas férias de Verão.

E vão dois...

no espaço de quê? um mês? mais coisa menos coisa.
Desta feita estava eu sossegadinha na fila de trânsito, quando um motociclista muito mas mesmo muito apressado me abalroou o pneu traseiro. Fez-lhe um lenho a toda a largura, obrigou-me a sujar, outra vez, as mãos e pior do que isso, forçou-me a mais um gasto extraordinário que é tudo o que eu, neste momento, menos preciso.
Não lhe desejo que o dele rebente porque isso seria, provavelmente, fatal. Mas que lhe dê uma dor de barriga daquelas insuportáveis que nos obrigam a repensar os nossos actos; daquelas que nos vergam enquanto murmuramos, meu Deus que fiz eu para merecer isto! isso desejo-lhe, e mais qualquer coisita se possível que o estupor nem se dignou a parar e viu muito bem o que fez só teve foi a sorte de não ter caído. Raios o partam.

Batem leve, levemente...

Dizia, hoje de manhã, uma senhora velhotinha ao jornalista da RTP1:
- Fazia um barulho! Era assim: UUUUUU!!!!! Parecia um pequeno tornado!
- E não era? - perguntou o jornalista.
- Eu acho que sim - respondeu ela com um grande sorriso.