domingo, 16 de maio de 2010

Oportunidades

A Santa Casa da Misericórdia oferece quatrocentos e tal euros e mais 70% da pensão às famílias que se dispuserem a tomar conta dos seus velhotes. No caso de se tratar de alguém com problemas de saúde, a mensalidade pode ir até aos 800 euros.
É, sem dúvida, uma medida bem intencionada e, à semelhança do que se faz com adolescentes problemáticos, pode ser uma grande ajuda, quer para as famílias quer para os idosos que não a têm. Só espero é que a Santa Casa disponha de Assistentes Sociais competentes e diligentes, que visitem essas famílias com regularidade, porque não faltará gente a tentar aproveitar a oportunidade para subir os rendimentos familiares e velhos mal tratados é o que há mais por aí...

sábado, 15 de maio de 2010

Não quero crescer

Não me dêem escolhas, não quero escolher, escolher dá trabalho e ansiedade e medo. Tira-me do sossego. Escolham por mim.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

«O barato sai caro» ou como a sovinice engole o dinheiro

Ultimamente sempre que tento «poupar» acabo a gastar o dobro ou mais ainda.
Com esta idade já deveria saber que «poupar» significa «não gastar senão naquilo que realmente se precisa», mas não, estupidamente tenho insistido em poupar nos preços e nos materiais. Os tiros têm-me saído todos pela culatra.
Numa atitude do mais sovina que há, mergulho lentes diárias em soro, só porque, na minha estreita cabeça, «diário» será sempre um período de 24 horas, portanto é natural que possam ser usadas por dois períodos distintos, ou três, até perfazerem as tais 24 horas. Resultado? Desfazem-se nos olhos e gasto mais do dobro em médicos, medicamentos e um mal estar sem medida. Bem feito!
Preciso de um gravador. Tenho uma entrevista para fazer. Uma entrevista cujo guião está pronto há muito e até segunda-feira tenho de a ter transcrita, categorizada e de conteúdo analisado. Corro a comprar um gravador que dê para o computador mas...o mais baratinho que houver e mais pequenino também, que tralha já eu tenho muita e insisto em carregá-la dia-a-dia, nos ombros. Depois de algumas diligências mais ou menos tortuosas alguém me encontra alguém para entrevistar. Rejubilo. Entrevisto. Cerca de meia hora de conversa interessante e útil. Ficou gravada? Ficou. Ouve-se? NÃO! Ruído! Só ruído! e lá ao fundo, muito ao fundo, duas pequeníssimas vozes, quase inaudíveis, sussurram tudo aquilo que eu terei de escrever.
Das duas uma, ou deito tudo fora; vou comprar outro e tento, novamente, encontrar um novo entrevistado. Ou tento, penosamente, escutar, e escutar é a palavra certa, as vozes que se escondem atrás de tanto ruído.
Palavra de honra que já não me apanha mais, a sovinice.

Já tinha saudades...

...destas tertúlias em que três amigos se juntam e que apesar das diferenças, se unem no carinho e na música.
Aqui ficam dois dos melhores poemas que este país alguma vez produziu, na minha modesta opinião, evidentemente.
Já tinha saudades, do bem que me fazem estes momentos que cada vez são menos e que forçosamente terão de voltar a ser mais.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ainda a p... da lente

Desta vez deu direito a infecção, Hospital e oftalmologista arrancado de casa fora de horas.
Raios partam as lentes! Agora, para castigo, ficam 8 dias sem sair da caixa.
E eu, vou andar de duas em duas horas a deitar gotas no olho. Mas para que se saiba, não desisto. Não desisto, que sou teimosa que nem um burro. Para a semana volto à carga.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O dia hoje...

...seria quase perfeito se uma puta de uma lente não se tivesse esmigalhado dentro do meu olho esquerdo e por lá não tivessem ficado os restos...
Se os óculos não fossem tão incómodos já tinha desistido disto. É que volta não volta é esta merda! É que só me apetece dizer asneiras!

Da importância da palavra dita

Para certas pessoas as palavras são pormenores de somenos importância e aquilo que se disse ontem já não conta para nada porque as circunstâncias alteraram-se e, portanto, também as palavras.
São pessoas que vivem ao sabor das circunstâncias. Controladas pela vida, circulam tipo bolas de ping-pong, direccionadas pelas «circunstâncias».
Para esse tipo de pessoas aqui fica um alerta: A vida já tem na sua mão o suficiente, que nos aparece em forma de imprevisto ou inesperado. Se cada um de nós não tentar segurar as rédeas da sua própria vida, arrisca-se a que a vida lhe fuja e que, assim de repente, ela deixe completamente de lhe pertencer, sendo que passa a ser a pessoa a pertencer à vida e não o contrário.
Para além disso, o cumprimento da palavra dita é fundamental para a confiança que os outros depositam em nós, e nós mesmos em nós mesmos evidentemente. Saber que podemos contar connosco e saber que os outros sabem que o podem fazer também, ajuda a facilitar este percurso já de si tão complicado.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Incapacidades

Na impossibilidade de me transformar neste











Estou a transformar-me neste

Fazer jus ao nome aqui do burgo

O que dizer de uma pessoa que reconhece todos os erros e graves pecados da Igreja; de alguém que vê neste Papa um olhar algo diabólico, mas que depois, quando na televisão olha aquela multidão e a recepção e a solidariedade e os ajuntamentos, fica com um nó na garganta e, comovida, prende uma ou outra lágrima traiçoeira?
O que dizer?! Eu pecador me confesso?...ou, Estou a ficar velha?...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

SLB

Ok, não é todos os dias que um clube se sagra campeão. Mas tanto festejo não será indício de, Nem quero acreditar que aconteceu! Como foi possível?!...

domingo, 9 de maio de 2010

É a falta de silêncio...

...a falta de silêncio e de sossego, é o pior de tudo! Preciso disso como de pão p'rá boca e não sei como é que me vou adaptar a esta ausência. Preciso de reaprender a concentrar-me no meio do movimento e do ruído.
A vida é feita de hábitos e os hábitos de adaptações. Não existem circunstâncias perfeitas, há que criá-las. Difíceis são os meios tempos. Aqueles que vivem ali, no limbo. Nem pretos nem brancos.
As aulas que perdi; os trabalhos que atrasei; as tarefas que adiei, dificilmente os recupero mas, o verdadeiramente importante é não me centrar demasiado nisso - tira-me a força; baralha-me o cérebro e imobiliza-me. Há que retomar as coisas no ponto em que estão e logo se vê. É isso que vou fazer.
Isso, e descansar.

sábado, 8 de maio de 2010

Felicidade...

...é estar rodeada dos meus. Nasci para isso. Qualquer separação me é dolorosa.

Dos livros

O que me fascina nos livros é a capacidade que têm de me dizer, por um lado, Este é o nome daquilo que vês e, por outro, Olha lá, aposto que nunca tinhas visto isto assim. E há momentos, fracções de segundo, em que vejo o real. As mais das vezes, vivo na ilusão do que a luz me mostra, a da realidade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Resiliência

As palavras são como os casacos – adaptam-se às modas. Se eu utilizar a palavra «resiliência» numa conversa com a minha mãe, ou com qualquer pessoa da idade dela, o mais certo é surgir a pergunta – O que é isso?!

O próprio dicionário começa por definir «resiliência» relativamente aos materiais - «energia potencial acumulada por unidade de volume de uma substância elástica, quando deformada elasticamente» [in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, (2009) p.1381], e só a última designação, a figurativa, se refere ao ser humano. Contudo, hoje em dia, esta palavra tem lutado para tirar do anonimato o seu significado figurativo - «capacidade de defesa e recuperação de uma pessoa perante factores ou condições adversos.» (idem, ibidem). Se isto se deve a um aumento de condições adversas ou a uma maior preocupação em evitar estados de incapacidade mental, não sei. Mas uma coisa é certa, nunca tinha ouvido, ou lido, tanto esta palavra como agora.

Associada ao «stress», ela fecha a porta da nossa transformação em elásticos. Mas, atenção – elásticos capazes de esticar e retornar, quando largados, à sua forma inicial. Para tal, há que saber o limite do elástico e há ainda que ter em atenção a forma como este é largado (não vá embater em algo ou alguém). Assim, estimados terráqueos, desejo-vos uma excelente elasticidade e uma ainda maior resiliência.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

E agora...


...vou ali ver se me despacho para ir ao aeroporto buscar o meu filhote que lá deixei no dia 1 de Fevereiro. Ah, pois é!...

Regresso ao passado

Ao fim de trinta anos voltamos a partilhar casa. Ontem, quando cheguei, já cá os tinha, sentadinhos na mesa da sala, a jantar. Gostei de os ver. O pior mesmo são os hábitos que se vão adquirindo ao longo da vida. As mulheres do antigamente que se educaram para servir. Para servir os homens. E educaram-se mal, elas e eles.
Teimoso que só ele, o meu pai insiste em recusar todos os artifícios, hoje em dia tão comuns, que permitem uma vida mais simples e ajudam tanto quem precisa como quem tem de ajudar. Comprei uma prancha para a banheira – não a quer; comprei uma pega para se agarrar – usa o toalheiro, e a minha mãe, velhota que está, é que tem de estar de braços no ar para o ensaboar. Já lhe disse que não é por ele, é por ela, e só assim ele aceita que a prancha se monte amanhã e que outra pega se compre porque uma só serve para entrar, não serve para sair.
A televisão a gritar novelas nocturnas é outra coisa de que vai ter de se desabituar a não ser que endoideça eu. Portanto, já está montada uma mais pequena no quarto para onde ele pode ir ensurdecer com os disparates novelescos e dar descanso à minha mãe que anda há anos a aguentar o que não gosta.
Mimado, isso sim, é o que ele tem sido, o que vale é que me parece que tem bom feitio e lá vai sorrindo às contrariedades, mas uma coisa é certa – é ele quem mais vai sentir esta mudança, que em vez de uma agora tem duas mulheres a rodeá-lo, e uma delas é tão teimosa como ele.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Quanto mais velho pior...

A vida aproxima-nos de uns e afasta-nos de outros. Ou somos nós.
O que fazia sentido ontem, hoje já não faz. Gente que conhecemos, e ou mudou ou fomos nós, cuja companhia nos agradava e agora já não.
As pessoas tendem a refinar com a idade. Pequenas chamas, que ardem ténues, ganham dimensão ao longo dos anos e é quase possível, agora que já vivi uma boa maquia deles, adivinhar o que lá vem.
Pena que sejam precisos também alguns anos para aprendermos isto. Evitar-se-iam alguns constrangimentos se, jovens ainda, soubéssemos que esses pequenos nadas que nos incomodam pontualmente, um dia se transformarão em quase tudo, que incomoda permanentemente.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rescaldo

Esta terça acordou segunda, transformou-se em si mesma e agora está outra vez a andar para trás...
Quando, de afogadilho, me desunho para acabar qualquer coisa, fico tão esgotada que o mais sensato seria tirar uns diazitos de férias só para me consolar com a visão da obra pronta, refastelada no sofá sem me mexer. Mas acontece que os dias de férias, se é que se podem chamar assim, foram gastos naquilo que me esgotou. E estou tão esgotada, mas tão esgotada que a minha resistência a qualquer contrariedade está reduzida, sei lá, para aí a um terço vá...ou a um quarto. E quando espero, e quando preciso, MESMO, que tudo corra de feição, o carro começa a guinchar e cá para mim é um rolamento e mais qualquer coisa que estremece quando travo, coitado está velhote e eu abusei dele que carregou que nem um burro, agora toma lá o que é bom para tosse.
Mas a casinha está bem catita e já não dormia tão bem faz tempo, o silêncio é uma bênção, sem camionetas, sem carros a passar durante a noite, sem vizinhos aos gritos, sem cães a ladrar. Só se ouve o canto dos pássaros e quando me sento na varanda tenho horizonte, e algumas árvores, e crianças a brincar no jardim ao sábado, e gente a jogar ténis, pode-se ficar horas ali, só a olhar...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A casa está pronta

Os dados estão lançados. Passei o fim-de-semana a despejar caixas, a arrumar e a limpar e está tudo preparado, à excepção de pequeníssimos pormenores, para receber os meus novos companheiros.
É verdade, vou partilhar a casa. Com quem? Com os meus pais.
A vida é assim, uma espiral que se confunde com círculo. Foi com eles que comecei e é comigo que conto que eles acabem. A idade já começou a pesar faz tempo, as alternativas foram analisadas em família e esta foi a solução que mais agradou a todos e a mim parece-me muitíssimo bem. As vantagens são múltiplas e ultrapassam, creio eu, uma ou outra desvantagem que possa surgir e que se prevê. Vou desfrutar de companhia, ter alguém que me espera quando abro a porta e eles vão sentir-se, com certeza, mais apoiados, porque isto de andar a correr de um lado para o outro sempre que algo acontece é muito cansativo.
Podem mudar quando quiserem. A casa está ponta.

domingo, 2 de maio de 2010

Dia da mãe

Hoje é dia de todas as mães e eu vim aqui para lhes desejar um coração suficientemente forte para deixar os filhos voar quando a altura chega, e uma alma suficientemente generosa para os colocar, a eles, em primeiro lugar.
Neste momento está toda a gente a pensar que isso é o apanágio de todas as mães. Pois não é. O apanágio da generalidade das mães é fugir à dor que sentem quando têm de castigar um filho, por isso não castigam, e evitar o terror de os deixar crescer e aprender sozinhos, por isso não deixam.
Por detrás da superprotecção mora um egoísmo disfarçado que na verdade serve mais a mãe do que o filho.
Por isso mães de Portugal, força aí e muito amor do verdadeiro, daquele que põe realmente em primeiro lugar o outro; daquele que só uma mãe é capaz de sentir.