segunda-feira, 31 de maio de 2010

Alguém lhe perguntou alguma coisa?!

A crítica é um bichinho que nos mói a todos. É tipo vício. Mais ou menos fundamentada, menos, na maior parte dos casos, grita-nos aos ouvidos sempre que presenciamos algo que não é do nosso agrado ou não condiz com as nossas expectativas.
Todos gostaríamos de ver o mundo à nossa maneira; de olhar para os outros e vê-los como nós, ou não. Ainda há quem ame o diferente; quem se aborreça com a normalização, quem se entusiasme sempre que vê ou ouve algo pela primeira vez. Mas não são muitos.
Depois há os artistas. Aqueles que são capazes de reciclar de forma mais ou menos original. Reciclar, porque criar, ninguém cria. Teria de se partir do nada e ainda não chegámos lá... Recicla-se, portanto, o mais originalmente possível. E por original entende-se, muitas vezes, a repescagem de coisas muito antigas. Quanto mais antigas, melhor – mais esquecidas estão... Importam-se, portanto, ideias; modas e gostos num suposto pioneirismo e originalidade. Se for preciso volta-se à Antiguidade Clássica, não seria a primeira vez…
Os restantes, os que não são artistas mas gostavam de ser, batem palmas e seguem-nos, convencidos que têm ideias próprias e gostos genuínos. Como cada vez há mais «artistas», o resultado é «cada cabeça, cada sentença», e passa-se, amiúdas vezes ou sempre que nos cruzamos com pessoas a quem o «bicho da crítica» mói mais do que aos outros, por situações em que os extremos não se tocam, isto é, somos magros quando «deveríamos» ser gordos; gordos quando «deveríamos» ser magros; morenos quando «deveríamos» ser loiros e loiros quando «deveríamos» ser morenos. Enfim, aquilo que deveríamos, talvez, era ter a consciência da manipulação a que estamos, todos, artistas incluídos, sujeitos diariamente. É que dessa manipulação não nos podemos livrar, mas ter consciência dela seria já um passo atrás que evitaria cairmos no abismo do convencimento de que somos detentores da verdade quando na verdade somos meros transmissores e seguidores desta ou daquela verdade vinda não se sabe bem donde mas não, seguramente, das nossas únicas e individuais cabeças.

domingo, 30 de maio de 2010

Ele há cada invenção!!!

Quem inventou estas fitas, deveria ter inventado também uma caneta especial. É que é suposto o que lá se escreve ir cheio de boas vibrações e tal e tal, mas o esforço é tanto, a letra sai tão repisada e retorcida que a tendência é para se abreviar o discurso porque já nos doem os braços, um porque se cola à caneta como se não houvesse amanhã e o outro porque agarra o pano que tende a escorregar por tudo quanto é sítio.
A ver se alguém se lembra de inventar a canetita, sim? Uma que seja vendida em conjunto com as fitas. Eu é que não percebo nada de canetas, porque pode muito bem ser uma oportunidade de negócio...

sábado, 29 de maio de 2010

E já agora...

...gostava de saber quanto é que deslizou dos cofres de um certo ginásio para os da GNR aqui do burgo para ter sido possível transformar-se durante uma tarde inteira um campo de ténis em discoteca que até os vidros vibraram e como é que eu vou fazer o exame de Estatística alguém me diga. E se tiverem dificuldade em respirar ponham vocês as vírgulas. Hoje estou assim, com a paciência nos limites.

Há dias...

Não tenho poder de encaixe.
Não suporto faltas de respeito; invasões de privacidade; abusos de poder. Não suporto a corrupção nem a mentira. Não suporto a vigarice. A falta de educação dá-me vómitos, a ignorância arrepia-me.
E é por isso que há dias em que só me apetece mudar de país. Há dias em que a desilusão me vence; em que olho o nosso povo e só vejo gente fraca, gente pobre, gente pequenina, e burra e ignorante (e não estou a falar de dinheiro, nem de poder de compra, nem de fome…). Gente que não presta.
Há dias em que só me apetece fazer as malas e zarpar.

O estado não é «pessoa» de bem

A Segurança Social não é «pessoa» de bem. E como a Segurança Social pertence ao Estado, o Estado não é «pessoa» de bem.
Recebi ontem uma notificação de dívida à Segurança Social, relativa à Empresa.
Se há coisa que nós fazemos questão é de não dever nada a ninguém. O montante era, para uma Empresa pequena como a nossa e que tinha acabado de entregar uma boa maquia relativa ao IVA, desconfortável.
Não tínhamos pago, diziam eles, o primeiro mês de actividade.
Vai de remexer em papéis, brancas como a cal e de pernas a tremer, vai de puxar dos dossiers. E lá estava! O famigerado documento. E pago! Então o que é que aconteceu?
Aconteceu que nos enganámos na introdução do mês de referência e, em vez de Agosto, pusemos Setembro.
O que a Segurança Social não viu foi que, de Setembro, tinha dois pagamentos! Nenhuma pessoa de bem esconde o que recebeu a mais e protesta pelo que recebeu a menos mas, mais grave do que isso, muito mais grave, foi o facto de ter andado, esta honorável entidade, a emitir declarações em como não tínhamos dívidas nenhumas, durante todos este meses em que nos andavam a cobrar juros de mora sem nós sabermos.
Pois é verdade, a Segurança Social emitiu, para entregarmos ao banco, três declarações em como estava tudo nos conformes e em dia e, por trás, ia acumulando juros por um suposto pagamento em atraso.
Foderam-se, que nós não devemos nada!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mourinho

Os senhores do Barcelona têm aquela ideia romântica da «luta pela camisola» e querem acreditar que o Mourinho, enquanto lá esteve, teve mais o Barcelona no coração do que os outros clubes por onde tem passado.
Mas pessoas como o Mourinho criam e «descriam» laços com a facilidade de quem tem o objectivo de mostrar ao mundo quem manda. Cada vez que um jogador, treinado por ele, levanta uma taça, não é a equipa que ganha – é ele.
A disputa é com ele. É contra ele que os outros jogam. E quando chora, chora por este ou por aquele particular, não chora pela camisola. A camisola a ele, provavelmente, nada lhe diz. Pelo menos não lhe dirá com certeza tanto como os euros de que já não precisa. São tantos!...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As obrigações não existem

Cada um é livre de fazer ou cumprir o que muito bem lhe aprouver. Não são as obrigações que nos movem mas os valores e a ordem em que os temos arrumados dentro de nós.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dia de Aniversário

Faz hoje anos que nasci. Nem muitos, nem poucos, mas mais de metade. Pelo menos é o que espero. Se tiver que ser eterna que o seja no coração de alguns. E nas prateleiras, também gostava de o ser nas prateleiras, nas lombadas dos livros e nas páginas que vou escrevendo, ou que ainda hei de escrever se chegar a ter tempo para isso, evidentemente.
Das minhas mãos já voaram, logo de manhãzinha, uma tampa de panela e uma chávena de café.
Convencida que os percalços se concentraram nestes pequenos nadas, joguei no totoloto e no euromilhões. Boa sorte para mim.
Cheguei a pensar em fazer um balanço mas seria demasiado exaustivo e, se há coisas que vale a pena recordar, outras o melhor é nem nos lembrarmos delas. Que a vida comece hoje e que a sorte me entre pela porta adentro, são os meus votos. A quem quer que leia isto e tenha esse poder, pode começar pelo retorno, acrescido de seis zeros, do meu mais recente investimento na Santa Casa da Misericórdia. Obrigadinha, sim?

terça-feira, 25 de maio de 2010

O mundo dos ricos e dos poderosos

Organizámos, a minha sócia e eu, uma Colónia de Férias para os meses de Julho e Agosto. O programa é ambicioso. Decidimos que não nos limitaríamos a levar as crianças à praia e a fechá-las uma tarde inteira entre as mesmas paredes, por isso levá-las-emos a todos os lugares possíveis: parques; museus; espaços de divertimento e de faz-de-conta...
A organização está feita. E bem feita. O problema agora é como passar a mensagem. Sem dinheiro para anúncios televisivos ou mesmo radiofónicos, valemo-nos dos nossos braços e da nossa imaginação. Temos consciência que o programa que elaborámos ultrapassa os bolsos da maioria dos pais dos meninos que frequentam o nosso Centro, pelo que se impõe chegar perto dos mais abastados.
Como diz Eulália Barros num texto que li há pouco tempo, eu ainda não vivi tudo mas já tenho muita coisa para contar e posso afirmar que há poucos mundos que me são estranhos. Continuo, no entanto, a ser uma pessoa voluntariosa e a acreditar que não me caem os pergaminhos na lama quando me movo de cima para baixo. Decidi, portanto, munir-me de alguns folhetos e plantar-me à porta de um dos mais conceituados colégios lisboetas, alguns minutos antes das oito da manhã.
Não foi apenas a chuva, que em protesto caiu copiosamente, que me fez desistir, foi um certo agravamento de humilhação que ela trouxe consigo. É que uma coisa é receber olhares de alto e «não obrigado, os meus filhos vão para a Colónia XPTO», com o sol a brilhar; outra é recebê-los de guarda-chuva na mão debaixo de um quase dilúvio.
E assim, a minha ideia de que há gente a quem faria, talvez, algum bem, cair do pedestal, saiu reforçada.
Mais tarde, junto à hora de almoço, uma simpática professora incentivou-me a ir falar com a directora do dito colégio. «Diga que vai da minha parte». E fui. E disse. Bem recomendada, claro que fui recebida mas a resposta foi não. Não. Apesar de fecharem em Agosto; apesar de não terem Colónia de Férias, cumprem escrupulosamente um princípio ancestral: Não divulgar internamente nada que não seja da sua própria lavra. «Bem vê», dizia-me a honorável directora, simpática sem dúvida, «não podemos abrir nenhuma excepção porque se o fizéssemos a si, teríamos de o fazer a toda a gente que nos bate à porta.» Compreendo. Compreendo que quando a escolha é entre o sim e o não, é porque o critério anda pelas ruas da amargura; e compreendo que um estabelecimento que está garantido; que existe há anos com um prestigio inabalável e que, mesmo nos tempos que correm, não corre riscos nenhuns, quando se recusa a divulgar internamente seja o que for que parta de terceiros, sem sequer tentar averiguar da validade, seriedade e competência desses terceiros, na verdade o que está a fazer é a fechar portas, a negar ajudas, a ser sovina, elitista e tudo aquilo que é contrário à política que a família que o gere apregoa e que o nome que tem defende. Ser moderno é ser aberto. Ser socialista é ser do povo, é apoiar os mais fracos, é dar força a quem precisa. Ou deveria ser...
Portanto, e mais uma vez, estamos por nossa conta e risco neste mundo do salve-se quem puder.
E como derrubar não é vencer, amanhã estarei, provavelmente, a pregar numa outra freguesia.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Comparações

Eu sou um pouco como o Chandler*, às vezes falo de mais e acabo por ser inconveniente.
Mas sou boa pessoa.
* Personagem da série Friends

domingo, 23 de maio de 2010

Tudo se encaixou...

…de forma harmoniosa.
Com cedências de ambas as partes, tudo se encaixou.
Parece que agora sim, acabaram as mudanças.

sábado, 22 de maio de 2010

Ainda em mudanças...

Chegaram hoje as últimas caixas; uma arca negra e alguns quadros.
São cheiros que se misturam; estilos que se acomodam. O novo e o velho, lado a lado. É preciso mestria.
Se há peças que ficam bem, outras, como a arca, ficam-se pelo singelo papel de «mal (quase) necessário». Há circunstâncias em que o necessário serve o coração e quando o coração está cansado há que conservar o «necessário» não vá ele sofrer de desgosto. Fica-se com a arca, portanto. E, de tão grande que é, não deu trabalho nenhum a escolher o «onde» - não passou do hall de entrada.
Quanto às caixas – abrem-se amanhã, e logo se vê…

Upgrades

O facto de ter os meus pais a viver comigo traz os meus filhos de arrasto.

Agora, dizem eles, é uma casa de família e já há que comer para além do salmão e dos iogurtes de soja.

Quando se vive sozinho compra-se aquilo que se come e pouco mais. Faz-se o mínimo por falta de tempo e os imprevistos sofrem a contradição de terem de ser programados. Hoje voltei à praça. Vamos ser 5 à mesa. Só se perdeu o terraço. Aquele terraço onde se assavam sardinhas. Ganhou-se mais, muito mais.

O meu pai comprou canteiros que dispôs pela varanda para colmatar a falta que o jardim lhe faz. Já não vê tanta televisão como via e dá passeios matutinos pelos campos. Anda feliz.

A minha mãe está mais calma, sente-se apoiada e libertou-se de uma série de tarefas que a cansavam. Diz constantemente que se sente muito melhor.

Só me falta agora a mim, ser capaz de alicerçar o mais solidamente possível esta vida que não anda sem o vil metal e rezar para que tudo corra bem, para que todos os projectos se cumpram e possamos,enfim, viver em paz.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Há dias assim

Há dias em que vacilo entre a exaustão e o incómodo, quase ansiedade, que me causa o dever não cumprido. O corpo pede-me um pouco de descanso e a cabeça e o coração param na urgência de andar para frente, de tomar medidas, de não parar para não morrer.
Os sinais vêm de todo o lado, é o estômago que se aperta, o coração que dispara, a cabeça que dói ao mesmo tempo que os olhos se fecham e os membros entorpecem, de calor e de cansaço.
Perspectivo o Verão já preparado, já agendado, mas na incerteza, sempre na incerteza e no medo que a incerteza trás. Ilusório ou não, é um medo que se esvai quando me mexo, quando faço, quando resolvo, ou acho que sim.
É por isso que enquanto estou parada, enquanto obedeço ao cansaço, o meu coração não descansa. Mas não é no cansaço que se resolvem coisas, que se abordam pessoas, que se tomam decisões. Porque neste mundo o cansaço, o medo e as incertezas confundem-se com incapacidades. Cheiram-se à distância. É preciso respirar fundo, dormir uma noite bem dormida, erguer a cabeça e lutar.
Amanhã será outro dia. Hoje, vou descansar.

Da estupidez e outras limitações

Que a estupidez, só por si, já dá uma trabalheira do caraças, imaginem quando se decide juntar ao sofisma; à incapacidade de integração e à falta de confiança!...
Não há compreensão que lhe valha, nem paciência que aguente.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

«Antes a morte que tal sorte!»

A miséria aterroriza-me. Qualquer tipo de miséria – a moral; a intelectual:; a física; a económica. Aterrorizam-me.
Vivem todos lado a lado. Partilham cama; mesa; casa; bairro.
Oxalá houvesse um limite para a miséria humana! Mas os limites não existem senão impostos por nós.
Se alguma vez ela vos bater à porta, tenha que cara tiver, não a abram. Tranquem as janelas.
As misérias são como as pestes – quando damos por nós estamos infestados.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

E se?...

E se, de repente, todas as profissões passassem a usufruir de um salário condigno? Não é nada de extraordinário! Ao fim e ao cabo todas são igualmente necessárias.
E se, de repente, um qualquer sistema avaliativo, verdadeiramente honesto e imparcial, tivesse a capacidade de detectar as aptidões de cada um de nós?
E se, de repente, se montasse um sistema capacitado para as desenvolver?
Quantos jardineiros não se transformariam em engenheiros? Quantos engenheiros, não passariam à jardinagem? Hem?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Calor

Já lá vai o tempo em eu gostava de verões muito quentes.
O calor em demasia frita-me o cérebro e adormece-me o corpo, luxos aos quais não me posso entregar...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não os posso deixar sozinhos!

Sai uma pessoa de manhãzinha para trabalhar e quando chega a casa, o pai caiu; a mãe fechou o carro com a chave lá dentro, e deu um jeito à perna (que entretanto já está boa); e mais uma série de peripécias de que se riem porque têm sentido de humor, mesmo com a cabeça partida e o cansaço de um dia cheio de aventuras.

domingo, 16 de maio de 2010

O Memorial do Convento e o roubo das «vontades»

Quem leu O Memorial do Convento sabe da recolha de «vontades» que Blimunda empreendeu em prol de uma causa maior – fazer voar a «Passarola» do Padre Bartolomeu de Gusmão.
Haverá maldade maior do que esta de recolher as vontades alheias, se a vontade do padre não era suficiente então talvez a Passarola não devesse ter sido construída. A quantos corpos roubou ela as vontades nunca se saberá, mas que as vontades dos portugueses andam pelas ruas da amargura lá isso andam.
Como pode um país andar para frente sem vontades férreas?! Não pode. E a culpa só pode ser da Blimunda que as roubou.