domingo, 11 de julho de 2010

Trabalhar ao domingo é muito chato. Principalmente com este sol, depois de uma caldeirada e de dois copos de vinho...

sábado, 10 de julho de 2010

Não gosto de sentir raiva, revolta, ódio mesmo, seja por quem for ou pelo que for, mas é isso que estou a sentir neste momento, o meu coração está cheio de ressentimento e, a partir de hoje, há duas ou três pessoas que é bom que não se cruzem comigo porque quando isso acontecer não vai ser bonito.
O que vale é que isto passa que eu não sou de alimentar maus sentimentos. Não é por nada, é só porque é a mim que fazem mal...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E pronto

Tem-me passado pela cabeça que um dia destes aparece-me um adulto à frente e eu não saberei o que dizer. Ando a leste, a viver num mundo de fantasia e de brincadeira, com luas que moram nas varandas, e amigos imaginários. Se não me ponho a pau ainda me esqueço da realidade, já dou por mim a rir com aquilo a que, por hábito e falta de humor, se dá o nome de «coisas sérias».
Entretanto, hoje ao almoço, os meus olhos passearam pelas notícias e fiquei a saber que no Cacém uma fábrica vai fechar e deixar 15.000 trabalhadores na rua, e que o Ministério Público retirou a queixa que tinha, de associação criminosa, contra Mário Machado. Resolvi, assim, olhar para as crianças e manter-me, enquanto me for permitido, no mundo delas. É muito mais divertido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Museu da Electricidade...

...é muita giro!
Claro que toda a gente já deve saber isto, ou quase toda. Mas eu não sabia. É o preço de andar o ano todo sem tempo nem para respirar...Mas hoje levámos lá os miúdos e divertimo-nos, se bem que houve momentos em que me pareceu que eu estava a gostar daquilo mais do que eles. Estou a brincar, eles gostaram muito daquela parte em que podem mexer em tudo e as luzes acendem...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Esclarecimento

Não, não fui de férias. Mas tenho ido à praia todos os dias (hoje foi dia de piscina). Tenho um fardo de palha na cabeça, que é o que acontece ao meu cabelo quando só vê água salgada; sol e cloro; dores musculares como não tinha…sei lá, há vinte anos pr’aí; e descobri que, na verdade, já não sou mãe, sou avó. Não que os meus filhos tenham tido filhos, isso ainda não aconteceu com alguma pena minha diga-se de passagem, mas porque a minha alma é já de avó. Senão vejamos: pergunto sempre aos meninos o que é que querem fazer, ou onde é que querem ir; se um deles diz que não gosta da comida a minha reacção mais imediata é – vamos lá a ver o que é que se pode arranjar para substituir isto; se um deles amua fico preocupadíssima a pensar que algo não está bem; deixei de identificar as manhas e corro sempre que me chamam; se vão para a água, seja no mar ou na piscina (excepto na dos pequeninos, também era melhor…), vou a correr e não arredo pé, deixo que me molhem, que se pendurem em mim, enfim, uma avó…
É claro que a contrapartida é chegar a casa tão derreada, mas tão derreada, que nem forças tenho para ligar o computador e há dois ou três dias que nem para o correio olhava. O resultado são 57 mails…que não vou ler. Faz de conta que estou de férias.

domingo, 4 de julho de 2010

Da dor de não poder Ser

São muito marcantes e dolorosos os estigmas que a sociedade imprime a certas pessoas, nomeadamente aos homossexuais. As alterações nas leis são um começo mas não o suficiente para a sua aceitação no seio de uma sociedade que, na verdade, os teme, não sei bem porquê.
Tenho dois amigos que se amam. São um casal em toda a acepção da palavra; tiveram a felicidade de se encontrar depois de tantos anos de sofrimento, porque esconder quem realmente somos ao longo de uma vida causa sofrimento, e que, apesar de todas as leis, se vêem obrigados a manter o seu anonimato até que a coragem de mandar tudo às urtigas os tome, já que, de facto, quem não aceita este ou aquele por via das suas opções íntimas não merece o epíteto de amigo. Contudo, o seu maior receio prende-se com a profissão de cada um; Se nos descobrem, dizem, corremos o risco de despedimento, de ostracismo.
Não durará muito mais, digo eu, espero eu, que é já tempo de sair desta mediocridade, desta desumanidade, deste atraso civilizacional; desta subjugação à educação judaico-cristã que muito, ou tudo, contribuiu para as frustrações do mundo e, mais grave ainda, para as suas taras.
No que à sexualidade diz respeito, temos tudo misturado na nossa cabeça e não raro associamos pedofilia com homossexualidade quando, atrever-me-ei a dizer, a pedofilia grassa mais entre heterossexuais do que entre homossexuais e, essa sim, é uma tara, uma doença perigosa porque causadora de danos irreversiveis.
A homossexualidade é uma condição que pode existir no seio da mais séria, da mais humana, da mais competente e da melhor das pessoas. A homossexualidade, como a heterossexualidade, só a cada um diz respeito e é tempo de nos libertarmos de falsos valores e de fazermos uma introspecçãozinha acerca do porquê de tanto medo. Porque raio é que há quem se sinta ameaçado?!...

sábado, 3 de julho de 2010

Memórias

Objectos são objectos e valem o que valem, por isso mesmo podem valer muito e tornar mais difícil a separação quando a hora chega.
Sou daquelas que acredita que quando um objecto passa connosco muitos momentos e muita vida, agarra vibrações e marcas indeléveis que, se estão ou não nos materiais não me interessa, mas estão seguramente na minha memória que é acordada cada vez que o revê.
Mesas e cadeiras de madeira, maciças e pesadas, que me acompanharam durante tantos anos; em cima das quais li e revi tantas obras, na sombra do meu jardim ou no silêncio do meu escritório, levaram com eles esses momentos e hoje, se por acaso os revejo, revejo uma parte de mim que, quer eu queira quer não, permanece com eles.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Num carrocel

A vida sucede-se, os acontecimentos atropelam-se de forma mais ou menos intensa, mas estão aí para os vivermos, de forma mais ou menos intensa.
O que ontem foi verdade, hoje deixou de o ser e para quem, como eu, se entusiasma, ela, a vida, assemelha-se muitas vezes a um carrocel.
Podemos escolher sentir o vento a levantar-nos os cabelos, ou sentir o estômago às voltas. Eu escolho os dois, conforme as circunstâncias.
Neste momento é o orgulho que me faz sorrir. O orgulho de ter, afinal, conseguido vencer etapas que julgava perdidas ou, no melhor dos casos, gravemente danificadas. Acabei o ano académico, sem precisar de recorrer à segunda fase dos exames, com média de 14 e consegui, neste segundo semestre, em que mudei de casa e faltei às aulas semanas a fio, um 19 de nota final que me deixou inchada de orgulho; as crianças que ameaçaram não vir neste início de Julho, afinal vieram e, de ontem para hoje, cresceram em número; a aceitação de uma criança diferente das outras, com problemas difíceis de lidar, fez-nos temer esta aventura que é levá-las para praia todos os dias, e para o parque, e para as brincadeiras que os façam felizes, porque se não sorrirem nós também não sorriremos, esse medo não deu frutos e dissipou-se no sucesso do primeiro dia que foi o de ontem; um incidente que considero grave e que existiu em consequência de um quase extremo cansaço e da aceitação de prazos demasiado apertados pôs em risco um trabalho que amo e faço há vários anos, não só pôs em risco como me fez balançar na crença das minhas capacidades, que isto de capacidades próprias nem sempre a consciência acerta, mas tudo se compôs porque afinal, tal como já tive oportunidade de dizer aqui, sou eu que sou mais exigente comigo e tendo a castigar-me mais do que mereço, ainda bem que quem me vê de fora não é assim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Há dias felizes

Dias em que tudo corre de feição; em que as notícias são boas; em que os eléctricos que chegaram a ameaçar descarrilar, entram nos eixos.
Há dias felizes. E hoje foi um desses dias.

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Ontem estive por aqui. Fui rezar. Rezar à minha maneira que eu pouco ou nada sei dos rituais da Santa Igreja. Na verdade o que me comove são as Igrejas antigas. Frescas. Silenciosas.
Valeram pois os dez minutos que assim passei, em silêncio e em paz na Catedral sem missa. Comoveram-me bem mais do que os quatro padres que falaram alternadamente na Capela das Aparições, seguidos pelos devotos que, conhecedores da coisa, lá iam acrescentando às vozes daqueles, as suas. Mecânicas. monótonas. Não me tocaram a alma. Nem as vozes nem as figuras dos padres das quais não me consegui abstrair nem deixar de me indagar por que diabo estariam quatro padres a fazer o trabalho de um...
Mas rezei e estive em paz. Em paz e em muito boa companhia. Que mais se pode pedir?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Hoje...

...estou oca. Incapaz. Vazia de vontades; de pensamentos; de energia.

Hoje não me peçam nada; não me perguntem nada. Não saberia responder. Hoje só quero ficar assim - vazia.

Hoje é dia de não ser.

domingo, 27 de junho de 2010

Ter juizo

A vida exige muita coisa. Exige empenho; exige dedicação; exige amor e entusiasmo; exige alguma inteligência e sorte também, mas exige, acima de tudo, muito juízo.
Perder a cabeça não é tão raro nem tão difícil quanto se possa imaginar. Não depende sequer da idade; tampouco da experiência. Basta um pequeno deslize, estar vivo e gostar de estar, as solicitações são tantas que, quando se dá por isso, já se mudou o rumo; já se enveredou por estranhos caminhos. Estranhos pela ausência de normalidade e estranhos por serem desconhecidos e, quando não se conhece a terra que se pisa, é bem mais difícil encontrar o caminho de volta.
Ter juízo, portanto, é fundamental. Conhecer os próprios limites; saber o que se pode e o que não se pode, ou não se deve. Nunca perder o rumo, eis um dos segredos para levar o barco a bom porto – nunca perder o rumo.

sábado, 26 de junho de 2010

Banalidades

Não tenho jeito nenhum para pinturas, mas a minha filha, que é alérgica a pés, virou-se para mim no outro dia e disse, E pintar as unhitas dos pés, hum?
Desde esse dia parece que apanhei o vírus e cada vez que me via ao espelho evitava olhar para os pés. Em contrapartida passei a reparar nos pés de tudo quanto é mulher. A minha filha tem razão. Sempre é outro decoro.
Assim lá me decidi a comprar verniz. Vermelho, claro (não é vermelho claro, é vermelho, claro), e estou há perto de duas horas de volta da pintura. Já gastei mais «diluente» do que tinta; os dedos ficaram um pouco rosados mas tenho fé que com as lavagens isto vá ao sítio. Tirando isso, o resultado não está mau de todo. Agora tenho as unhas dos pés a condizer com os óculos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Corações ao alto

Foi assim que decidi acabar uma semana a transbordar de promessas e desilusões, assim, umas a seguir às outras, sem dar tréguas, porque a vida é feita de escolhas e eu escolhi deitar fora coisas que me prejudicam, que me fazem mal, como o medo ou a preocupação, que não trazem vantagens nenhumas, antes pelo contrário.
Corações ao alto, pois. Que é lá, no alto, que devem estar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Constatações

Há momentos em que foge de mim toda a capacidade de comunicação, como se, na previsibilidade das intenções alheias, a desilusão e o aborrecimento a substituíssem, e emudeço; gaguejo; perco a vontade e o à-vontade e fujo para não me denunciar, convencida que os outros, como eu, me adivinham os pensamentos e esquecendo que, na verdade, eles estão muito mais concentrados e preocupados com os deles do que com os meus.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Houve tempos em que a minha mãe costumava dizer que eu era muito complicada.
Não era. Não sou. Gosto é de pensar e durante muitos anos pensei que todas as pessoas eram assim.

Vários olhares

Há sempre várias formas de se olhar as coisas.
Onde uns vêem tristeza, outros vêem contrariedade, dificuldade na cedência.
Abdicarmos de postos e bens é, talvez, um dos grandes objectivos desta nossa curta passagem. Aprender o desapego é o primeiro passo para o altruísmo. Libertarmo-nos de nós, das nossas vontades particulares, para nos focarmos nos outros, nas suas necessidades, é crescermos para uma causa maior.
A minha mãe fez isso há trinta e seis anos. O meu pai está a aprender agora. Vamos lá a ver se consegue…

Estou triste

A velhice é uma condição difícil de aceitar, pelo menos para algumas pessoas. Outras haverá, com certeza, que a recebem com gratidão e em paz. Talvez aquelas que levaram uma vida plena. Que se sentem realizadas. Mas para aqueles que, como o meu pai, passaram uma grande parte da sua vida carregando uma invalidez, a velhice é um peso mais. Mais um desprazer.
Não sei que faça para o animar. E sofro por o ver assim, tão triste. Com a perna que responde cada vez menos; com o braço que já pouco levanta; com a face que já não sabe bem se deixou de sentir agora ou se já não sente há trinta e seis anos. Nada deseja; nada o entusiasma, a não ser, por vezes, a nossa companhia. O facto de ter mudado de ambiente não o deixou feliz. Perdeu uma rotina e não me parece que esteja a conseguir encontrar substituta.
Quem me dera poder consertar o mundo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Certezas

Há-de chegar o dia em que não precisarei dos Bancos para nada.

Do poder e do seu exercício

É ténue a fronteira entre o exercício do poder e o seu abuso. De facto, muitas vezes, o simples exercício do dito é, só por si e já, um abuso. Aqueles que o granjearam honesta e valorosamente, raramente dele fazem uso. São os outros, os inseguros que amiúde se escondem por detrás da presunção e do pedantismo, que sentem necessidade de o fazer – os ignorantes, porque é, grosso modo, a ignorância que gera estas qualidades: a presunção, a altivez e o pedantismo.