sábado, 31 de julho de 2010

Das férias

Férias férias, daquelas a sério em que se fazem as malas e se zarpa daqui pelo menos durante uma semana, há muito tempo que não tenho. Eu! Que noutras épocas chegava a apanhar aviões três ou quatro vezes por ano!
Ainda assim tenho conseguido ir para fora cá dentro, nem que seja durante um fim-de-semana prolongado, como fiz o ano passado, e isso já dá para carregar um pouco as baterias que chegam a esta altura do ano e estão tão gastas que trabalham aos solavancos ameaçando parar a qualquer momento se eu não for aproveitando um bocadinho ou outro para as alimentar, num liga-desliga que lá as vai enganando, mas que não dura quase nada.
Este ano está ameaçado por um nonstop que me tem parecido, apesar da aparente inevitabilidade, pouco inteligente. É que apesar da vontade ser soberana, neste caso o que gera a vontade não é um amor transcendente pelo que se faz, mas uma suposta necessidade que pode deitar tudo a perder se acabar em esgotamento físico antes da entrada no novo ano lectivo.
Assim, aguento mais um mesinho e, nas primeiras semanas de Setembro, hei-de arranjar maneira de ir pregar para outra freguesia, nem que seja só por uns dias ou então, há falta de melhor, deixo-me dormir «até vir a mulher da fava rica» que já não consigo suportar o som do despertador às seis e meia da manhã a chatear-me o juízo on and on and on
Enfim, ou uma coisa ou outra. Mas que tenho de ter uns diazinhos de férias, tenho.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio


Lembro-me dele miúdo, tal como eu que a diferença de idades é mínima. Na época corria o boato que era filho do Engº Sousa Veloso e que, só por isso, aparecia na televisão. Dantes, como agora, as pessoas eram mazinhas e se agora é comum, por via das novelas, apareceram crianças a representar, quando éramos miúdos nem tanto. Logo, se uma aparecia, tinha de ser filha de alguém já conhecido...

Nunca achei grande piada às Conversas da Treta mas vi mais do que uma vez a peça Arte. Confesso que sempre gostei mais do José Pedro Gomes. António Feio lembra-me a vida, é tudo. Até na morte, me lembra a vida - a minha. É um raio de uma doença esta! São raros aqueles que ela poupa e, quanto às idades, anda sempre pelas mesmas...mais coisa menos coisa.

Que descanse em paz. Creio que o fará. Teve tempo e espírito para se preparar...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estou tão cansada, tão cansada, tão cansada, que a única coisa que consigo dizer, ou mesmo pensar, é esta - estou mesmo muito cansada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Inconveniências

A não ser que se mude de terra; de nome e de profissão, o risco de nos cruzarmos com fantasmas do passado existe, o que é bom porque é a grande oportunidade de testarmos até que ponto o passado está ou não resolvido e, caso esteja, se muito; pouco ou assim assim…
Gente que fez parte de cenários que caíram; que participou em realidades que tiveram o seu fim, são como barómetros que nos ajudam a calcular até que ponto é que o passado ainda mexe connosco. E não interessa sequer se a mudança foi para melhor ou para pior, até porque isso não é linear – se numas coisas piorou, noutras com certeza que melhorou que nada é perfeito.
Contudo, algo é absolutamente imprescindível – é que essas pessoas nos revejam no nosso melhor. Se estão anos sem nos ver, têm de nos rever num dia de glamour. Já basta o facto de estarmos mais velhos; mais pobres; mais gordos.
Ora, um encontro à saída da piscina, de cabelo apanhado e cara lavada, NÃO é o ideal!…

Acordo Ortográfico

Calhou-me em sorte a primeira revisão de acordo com o Acordo Ortográfico.

Não vou mentir. Fez-me um bocado de confusão ver «ótimo» escrito sem «p»; «ato» sem «c» ou «exceto» sem «p», tanto mais que, neste último, eu sou daquelas que pronuncia o «p» - ex-ce-p-to – agora já não…

Contudo, e contra todos aqueles que dizem ser contra o Acordo, parece-me absolutamente lógico, natural, próprio de todas as línguas vivas, que caiam certas letras e certos acentos. Toda a evolução linguística é feita no sentido da economia, de caracteres, perdão - carateres evidentemente. Se este tipo de Acordo não existisse, ainda escreveríamos «farmácia» com «ph» e, quais Camões, estaríamos ainda a usar, em muitas circunstâncias de que agora não me recordo mas existiram acreditem, três «c» em vez dos dois que temos vindo a usar até agora e que, em certas palavras, passarão para um apenas.

Ora digam lá se, nesta vida de correria, não dá jeito escrever o mesmo com menos caracteres?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tomem lá que já almoçaram...

foi o que pareceu dizer o Primeiro Ministro na comunicação ao país.
Mas uma comunicação ao país não é suposto ter a ver com o país?!...

Eu sei que o tema já chateia, mas...

Haverá algum lugar no mundo em que o sol brilhe, todo o ano, durante o dia e em que a chuva caia à noite para regar os campos? em que as temperaturas oscilem entre os 25 e os 30 graus? em que as flores nunca sequem e nem a relva? em que uma brisa primaveril deslize constantemente e em que o ar seja mais leve?
Qualquer informação sobre a localização de um lugar assim terá o meu eterno agradecimento.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Shiuuu


Quando a coisa é mesmo boa convém manter a cabeça fria e não embandeirar em arco, como dizia a minha avó...

Começar o dia...

... a ver as trombas do Alberto João de chapelinho de palha na cabeça; a ouvir as bacoradas do Paulo Portas no meio da feira e saber que mais de metade do orçamento que a Segurança Social tem para reformas vitalícias já voou para os políticos cujas reformas tiveram um aumento de 14% relativamente ao ano passado, não é fixe. De facto, não é mesmo nada fixe!
Valha-me a Colónia de Férias que me vai arrastar para a praia. Com o calor que está é um excelente sítio para se passar a manhã. Pode ser que me esqueça que ando a trabalhar para alimentar estes gajos...

domingo, 25 de julho de 2010

Das vantagens da idade

A idade tem-me trazido, até à data, mais vantagens do que desvantagens.
Andei anos, muitos, a lutar com um estranho medo que me impedia de resolver pela negativa certas relações que, na verdade, nenhum bem me faziam mas que eu teimava em manter, vá lá saber-se porquê. Sempre que, por qualquer motivo, me deparava com a necessidade de me afirmar e de mandar àquela parte esta ou aquela pessoa, era um pesadelo que me tirava o sonho noites a fio e me ocupava o pensamento durante os dias em que ele me fazia tanta falta para outras coisas bem mais vantajosas. Desde a necessidade de despedir a mulher-a-dias até ao corte com um amigo que afinal não era, iam dias, às vezes meses, de preparação até já não ser possível encarar o dito e as coisas se resolverem por exaustão e abandono.
Quando me libertei desse medo, precisei de refrear todas as angústias guardadas ao longo dos anos e dizer a mim a mesma que passar do oito ao oitenta não é solução para nada e que há que discernir das razões de parte a parte.
Hoje estou mais calma, muito mais calma, e determinada. Enfim em paz comigo mesma, não me custa desligar do que não me interessa ainda que uma certa tristeza não deixe de se instalar, mas por pouco tempo. Se já não é o que antes foi, há que encarar a realidade e tomar medidas. Não deixo de ponderar acerca das minhas razões – há sempre a possibilidade de estar a ver a coisa de um ângulo errado – mas quando tenho razão não há quem ma tire e deixei de ter saco para más criações, burrices ou, o pior de tudo, o mais alarmante – a estupidez. E, se em tempos idos, senti necessidade de «recuperar» aqueles que eu, na minha extraordinária imodéstia, considerava «recuperáveis»; hoje acredito que cada um sabe de si, que cada um tem, com certeza, o seu próprio caminho que não me cabe a mim determinar.
Por isso, se não serve, que seja feliz. Sigam o vosso caminho, que eu seguirei o meu. Até porque quanto mais tempo aguentamos certas situações, menos hipóteses temos de nos cruzar com outros que até podem, quiçá, andar a passear pelos mesmos trilhos que nós…

sábado, 24 de julho de 2010

Das repetições

Há quem diga que tudo aquilo que nos acontece, seja bom ou mau, tem um propósito, uma finalidade que, mais cedo ou mais tarde, nos trará benefícios, sejam eles de que natureza forem.

«Deus escreve direito por linhas tortas» é, talvez, o ditado popular mais relevante dessa antiga tomada de consciência em relação à forma como a vida se processa.

Para quem acredita que Deus habita em cada um de nós é mais difícil a exoneração da responsabilidade própria nas escolhas que se fazem. Ainda assim, muitas delas são feitas inconscientemente, como se o nosso inconsciente tivesse um poder de alcance misteriosamente superior - o espírito sabe mais do que a mente, creio ser já uma verdade pois não há boca de onde não se oiça, pela menos uma vez na vida, que dormindo sobre certos assuntos a solução nos surgirá, como se, para tal, nos bastasse apagá-los, temporariamente, da dita.

Tudo tem, assim, uma lógica muito própria - um propósito que verte a nosso favor. Contudo, de pouco nos serve esse «instinto» que nos empurra para certas decisões se nunca chegarmos a compreender o objectivo do caminho a que cada decisão nos leva.

Pensar sobre o que nos acontece, porque é que nos acontece e onde nos leva exactamente o caminho que escolhemos ou o que é que o nosso espírito espera de tal decisão, é primordial, sob a pena de ficarmos agarrados indefinidamente a decisões que nos param no tempo e nos obrigam a ver uma e outra vez os mesmos episódios de certos filmes que já púnhamos de parte, não fosse a nossa, às vezes escassa, visão.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sou só eu?!

Sou só eu a achar que crianças de 4 anos a dançarem em calções de banho (eles) e bikini (elas), ao som de músicas sensuais, com movimentos pélvicos, é um espectáculo degradante?!
Sou só eu a achar que há educadores/as que deveriam ter ido para o circo amestrar lulus?!
Sou só eu a achar que pais que compram aos filhos de 10 anos revistas de anedotas para adultos deveriam ser castrados? impedidos de exercerem esta tão exigente profissão?!
É por estas e por outras, algumas bem piores, que depois nos deparamos com crianças horrorosas - porque que as há, há -, mal-educadas, com uma linguagem mais própria de adultos ou até, muitas vezes, nem de adultos decentes..., que falam de coisas que não sabem, que se metem em coisas que não devem, em vez de serem, apenas, crianças.
Eu gosto de crianças. Gosto muito até. Mas de vez em quando aparecerem-me uns híbridos que me obrigam a um esforço suplementar e que soltam a fera que há em mim. Hoje não estrangulei um porque não calhou. Se fosse meu levava tanta lambada!
Mas, também, se fosse meu provavelmente não tinha chegado ao ponto a que chegou...digo eu...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Da lei da morte

A gente nasce, luta e morre.
Para aqueles que, como eu, acreditam na existência do espírito, o único propósito lógico será o do crescimento espiritual. Tudo o que cá deixamos, quer a nível material quer afectivo, é com os outros que fica, quando fica, em memória que é, quase sempre, temporária. Mesmo aqueles que «através de obras valerosas se vão da lei da morte libertando», mais cedo ou mais tarde cairão no esquecimento, até voltarem a ser, como o foram os antigos, rebuscados. E isso nem sempre acontece.
Assim, fico-me com o propósito do crescimento espiritual já que é o único que para mim faz sentido. Recordo-me, portanto, amiúde, de que morrerei. E, não sabendo como nunca se sabe quando tal acontecerá, é talvez importante estar para isso preparada em qualquer momento, não vá ela surpreender-me e eu andar, depois, para aí perdida sem eira nem beira…

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Numa quase desistência

São cada vez mais os momentos em que pareço não ter nada para dizer. E não é que não tenha mas tudo me parece supérfluo e superficial, como se as palavras perdessem o sentido face aos acontecimentos ou, se não o sentido, pelo menos a força.
Ou é isso ou a surdez alheia que me cala num «não vale a pena».

terça-feira, 20 de julho de 2010

Das batalhas

É bem certo que as coisas são aquilo que se acredita que são e por muito que tentem demover-nos os milagres acontecem quando quem tenta não é bem-sucedido.
Mantermo-nos firmes nas nossas convicções, visualizando o sucesso e não acreditando noutra coisa que não seja o sucesso, chamá-lo-á e os muros não cairão.
As batalhas são ganhas por aqueles que se acreditam vencedores e não pelos exércitos mais numerosos. Que o digam os Castelhanos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Regresso a Sizalinda

É muito mau! É tudo mau! Mas que raio de voz é aquela que dobra, e se não dobra parece que o faz, o mulato mais pequeno?! Que guião é aquele meu Deus?! Tudo lento, tudo forçado, tudo mole!! Diálogos sem substância nenhuma, pertenças recriações de uma época de guerra que mais parecem anedotas!
Será que o «Conta-me Como Foi» foi a única coisa que se fez de jeito neste país?!

Das caras e das expressões

Nos círculos sociais existem, para mim, três tipos de pessoas: as que julgo conhecer; as que sei quem são; e aquelas de quem tenho uma vaga ideia (geralmente fisiológica). Ontem fui de tal forma surpreendida por uma «sei quem são» que decidi abrir uma subcategoria – a das que julgo saber quem são.
Se a forma como nos relacionamos tem sempre alguma graça, a forma como nos vemos uns aos outros tem mais graça ainda. Criamos estereótipos, ou eles já estão criados – provavelmente já estarão – e vamos, ao longo da vida, enfiando lá para dentro as várias pessoas com quem nos vamos cruzando convencidos que sabemos o que estamos a fazer. Ontem tive a sensação que seria mais sensato classificar, se é de classificar que se trata, as pessoas pelas expressões que carregam no rosto do que por aquilo que elas dizem ou pela forma como manifestam o carácter que, normalmente, não querem revelar.
Os rostos revelam, quando se julgam não observados, o que na realidade vai na alma de cada um. Ele há rostos profundamente tristes, que parecem encerrar profundas perdas; há rostos profundamente plásticos que já se habituaram tanto a esconder o que sentem e o que são que agem como se estivessem permanentemente a ser observados; há rostos agressivos, desafiadores, de quem necessita de provar não se sabe bem o quê; há rostos felizes, alegres, de quem ou não tem ou soube deitar para trás das costas os infortúnios, nem que fosse só por um bocadinho…; há rostos profundamente opacos, ébrios, quase perdidos; e há rostos que emanam uma paz e uma tranquilidade incomuns. Ele há rostos para todos os gostos e olhares para todas as almas que, foi o que me pareceu ontem no meio de mais de cinquenta pessoas, dizem mais do que as bocas quando falam.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Epá! Que Chatice!

Esqueci-me de jogar no euromilhões!!!

Da rotina

A rotina é uma guilhotina que paira sobre as nossas cabeças e cuja corda não precisa de carrasco para ser cortada, qualquer um de nós o pode fazer; qualquer percalço, acidente ou contrariedade. Não há amor, seja a gente ou a ocupação, que lhe resista – a rotina acaba, mais cedo ou mais tarde, com a maior das paixões.
É bastante comum olharmos as vidas alheias e dizermos para os nossos botões, que aquilo sim, é vida, quem nos dera…Mas a verdade é que todos ou quase todos fazemos isso, pelo que só o que é dos outros ou aquilo que já passou é que é bom, sem percebermos que, na verdade, é só porque foge à rotina, à nossa rotina.
Há que reinventar o dia-a-dia e, para isso, nem sempre são necessárias medidas drásticas ou modificações concretas. Muitas vezes basta pensarmos. Pensarmos no que nos aborrecia quando estávamos como já não estamos. Pensarmos quão mal nos sentíamos em momentos que já passaram, em situações que já não são. Esta é uma forma, como qualquer outra, de nos irmos sentindo gratos pelo que temos agora, porque é esse sentimento de gratidão que nos traz felicidade, e não as coisas que acontecem ou deixam de acontecer.