quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Carta ao Ministro das Finanças ou O País dos Mamões

Exmo. Senhor Ministro das Finanças,
Tomei conhecimento através da Comunicação Social que o Governo indemniza certas Empresas que, tendo sido concebidas para um determinado número de utentes, estão a funcionar, vá lá saber-se porquê, a meio gás. Soube também que estas indemnizações são calculadas a partir do número de utentes previsto inicialmente e o número que, na verdade, a empresa consegue angariar.
Ora a minha Empresa foi projectada para receber cerca de cem utentes mas, infelizmente, ainda só conseguimos cinquenta pelo que venho por este meio, junto de V. Exa., reclamar a minha quota-parte de indemnização.
Não o vou maçar com a descrição das inúmeras providências que já tomei para resolver a situação; das dores de cabeça que tenho tido; das noites de insónias; das faltas de ar… Mas não posso deixar de manifestar o meu desagrado perante a falta de informação! Soubesse eu da existência, da possibilidade, de um contrato desta natureza e não me teria preocupado como me preocupei; não me teria esforçado como me esforcei; não teria, em suma, posto em causa a minha saúde, física e mental.
Assim, agradeço desde já toda a celeridade na resolução deste problema, que não é só meu é de todos já que as Empresas são o sal de Portugal, e digo «sal» no sentido figurado evidentemente – naquele sentido em que o Padre António Vieira a ele se referiu, e apresento os meus melhores cumprimentos certa de que, esta noite, dormirei muito mais descansada.

De V. Exa.
Atenciosamente
Esta sua criada

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Da ordem das coisas. Da ordem da vida.

Questionava-me há dias sobre esta ordem, um tanto ridícula, que o Homem imprimiu ao Mundo e à vida. Tentei imaginar uma outra qualquer, onde o trabalho não fosse tão essencial; onde as trocas não exigissem moeda…sei lá, qualquer outra coisa até, que ainda ninguém foi capaz de inventar ou de que ninguém se lembrou mas que nos trouxesse mais felizes, mais descansados, mais virados para nós mesmos – a Humanidade.
É que se formos a ver bem o Homem sustenta-se com as coisas mais disparatadas, como se o único propósito fosse o movimento, quer de bens quer de braços. Como se, na verdade, não fossemos capazes de estar parados e inventássemos coisas que não adiantam nem atrasam mas nos trazem distraídos, ocupados, vem-me muitas vezes à ideia a imagem daquele que sobe a montanha a empurrar um pedregulho gigante para depois o deixar rebolar por ela abaixo para que o possa empurrar outra e outra vez. Mas, a verdade, é que é disso que precisamos. Precisamos dessa ilusão de utilidade activa. Um ser parado é um ser inútil.
Não sei quem é que nos meteu essa na cabeça! Não sei até se foi alguém ou se já nascemos assim! Mas olho para certas pessoas, como a minha mãe por exemplo, e vejo que a sua luta consiste na manutenção da actividade. O prolongamento da sua vida sustenta-se no facto de ser necessária fazendo e cuidando de coisas e de outros. Sem isso, a vida deixaria de ter propósito. Talvez nos falte aprender que para sermos úteis não temos, necessariamente, de andar activos, e muito menos de criar necessidades e, com elas, preocupações, que na verdade podem, muito bem, não existir.
Será tarde, certamente, para mudarmos as coisas a não ser a partir daquilo que já temos. Estamos demasiado embrenhados nesta ordem, qualquer outra que venha será apenas um sucedâneo desta. Mas se tivéssemos de começar do zero o que faríamos?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Evolução, ou de como eu comecei a compreender o poder alienante do futebol

Há alguns anos atrás eu não era propriamente uma adepta de futebol. Isto para não dizer que não lhe achava gracinha nenhuma e que, cada vez que olhava um jogo, via negócio; interesses…enfim, tudo menos desporto.
Hoje já não sinto nada disso, principalmente se se tratar de jogos de selecção. Aperta-se-me a garganta quando oiço o hino; vibro com cada aproximação à baliza e salto cada vez que a bola entra, na deles evidentemente.
Hoje vejo uma selecção jogar e parece-me uma nobre forma de batalha; um levantar de cabeças, que andam baixas, todas elas, à pala da crise.
Hoje vejo uma selecção e creio, durante uns escassos 90 minutos, que tudo está bem, que os Homens são fortes e que a vitória, mesma que seja a deles, será sempre nossa.

Ultimamente...

...oscilo entre o stress que me tira o sono e me deixa exausta e um estado meio catatónico que me dá algum descanso mas me baixa os braços.
Não sei qual deles o melhor...
Acho que me estou a transformar numa bipolar!

Afinal voltaram!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mas que raio de altura para a RTP1 ter um colapso!!!

Então cala-se assim um ex-presidente?!!
O que é que terá acontecido na Aula Magna para deixar o país inteiro à espera, quase de esperança perdida, para acabar de ver isto?

De um momento para o outro...

...os orçamentos das famílias baixam, as necessidades mantêm-se e, consequentemente, os problemas aumentam.
Andamos todos a tentear o possível na esperança de mantermos as mesmas soluções a preços mais baixos, sem compreendermos que, baixando os preços, baixam também as possibilidades de quem os cobra; sem nos lembrarmos que quem vende também compra e, das duas uma, ou baixamos todos as calças ou não baixa ninguém. É que não pode ser andarem uns de cu à mostra e outros de calças de veludo!
Há uns tempos dizia-se de certas pessoas que queriam galinha gorda por preço magro. Agora acho que já ninguém quer galinha gorda - o que realmente as pessoas querem é continuar a comer galinha, mas como o dinheiro que têm para a pagar vai sendo menos, ou temem que seja e poupam-se a gastá-lo..., querem a galinha mais barata. O que é legítimo dadas as circunstâncias. Mas, convenhamos que não é assim muito inteligente! É que quanto mais barata for a galinha, menos dinheiro fica para quem a vende e mais baratas ainda terão de ser as outras coisas todas. Já pensaram nisso?! Se calhar vale mais, em vez de duas galinhas comprar só uma mas comprá-la pelo preço justo. Não sei, digo eu...Outra coisa que me parece valer também a pena, só assim para ver se conseguimos não transformar isto num verdadeiro pandemónio, é fazermos tudo o que pudermos para enfrentar o terror e não desatarmos para aí, quem pode e tem evidentemente (e não são assim tão poucos), a aferrolhar como se não houvesse amanhã! É que assim, dessa maneira, não haverá mesmo! Sabem porquê? Porque o dinheiro fez-se para circular. Não circula - é o pandemónio! e - adeus Amanhã!

sábado, 9 de outubro de 2010

Diz-se que...

...a vida não é feita de escolhos mas de escolhas. A merda toda é que há certas escolhas que exigem escolhos e uma pessoa não pode fazer nada contra isso...

Acho que já falei disto aqui, mas pronto...

A vida encarrega-se de nos ensinar aquilo que nenhuma escola ou livro nos ensina. E não é pela quantidade, porque se um mesmo tipo de coisa nos vai acontecendo uma e outra vez é porque a aprendizagem com certeza não foi bem feita à primeira e nem à segunda…mas é pela variedade de obstáculos que nos vai colocando pelo caminho.
Assim, são aqueles que mais obstáculos enfrentam que mais aprendem. Quer queiram quer não. Os outros, aqueles para quem a vida é suave, ou é porque já nada têm para aprender ou porque ainda não estão preparados para tal. Mas que ela nos ensina a todos, ensina. Seja agora ou mais tarde, na próxima ronda…eu como acho que já aprendi umas coisitas, gostava que o resto ficasse para a próxima ronda, se faz favor.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do Senso Comum

Tem algum jeito que, sendo eu sapateiro, decida desatar a dar conselhos ao meu vizinho carpinteiro?! – Ah! e tal…você veja lá! Quando serrar tenha cuidado com os dedos! Olhe que a madeira tem farpas!..
E não será natural que o carpinteiro, nestas circunstâncias, me mande dar uma curva e me diga – Meta-se mas é na sua vida que você percebe é de sapatos que para madeiras estou cá eu?!
E o que é que se pode pensar de um sapateiro que, perante uma reacção destas se sinta ofendido e ainda diga com desprezo – Pois, você é que sabe tudo!...
Mas isto não é senso comum?! O cada um saber do seu métier; o não se dar conselhos sem que nos peçam?! Isto não é senso comum?! Isto não faz parte daquelas coisas que toda a gente sabe que é assim mesmo que não se saiba porquê?!
Ou há certos homens que ainda vivem num mundo em que as mulheres, coitadas, nunca sabem verdadeiramente nada de coisa nenhuma, e se sentem na obrigação de as «ajudar»?!! É que se é isso, convém que acordem para a vida; se olhem ao espelho com olhos de ver e tenham mas é juízo. É que se continuam com essa predisposição tosca; saloia; provinciana, eu sei lá… sujeitam-se a ouvir o que não gostam.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Um pouco de calmaria

Devagar vou tirando do caminho os obstáculos. Devagar como quem separa trigo e joio. E a vida vai-se reajustando mais uma vez e, mais uma vez, eu me perco na esperança de um dia ela ser, só ser; suavemente, sem grandes percalços, sem grandes agitações...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Da (des)educação judaico-cristã

Há momentos em que a realidade me atinge de forma tão feroz que tudo em mim se crispa.
Mulheres de outros tempos, educadas para a obediência e para a submissão. Ontem dos pais, hoje dos maridos. Mulheres que não sabem, não sentem, que têm direitos. Que se culpabilizam por sentimentos humanos de cansaço e saturação e, por se culpabilizarem, não agem – nem sabem como! Vêem-se vítimas das circunstâncias e sentem-se na obrigação de aguentar o mais firme que podem, carregando até ao fim a cruz que não pediram, que não desejaram, que nem sonharam sequer.
E, quando o cansaço vence, sucumbem porque nada mais há a fazer senão sucumbir. Qualquer solução que lhes seja apresentada é uma agrilhoada de culpa insuportável de aguentar. Zangam-se para dentro porque lhes ensinaram que não se podem zangar para fora.
É nestas alturas que dou graças a Deus, passo a contradição, de já não impingirmos às nossas crianças a filha da puta (porque só uma filha da puta castra desta maneira) da educação judaico-cristã.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a Anarquia!

Faz cem anos a República! Se sair ao Manoel de Oliveira durará, talvez, mais três ou quatro, quiçá cinco…duvido que muitos mais.
Há quem lhe chame a terceira. Outros há que afirmam que não senhor, que é a segunda já que o Estado Novo lhe contrariou todas as regras. Segunda ou terceira tanto faz.
Reis e Rainhas; Ditadores ou Presidentes e Primeiros-ministros têm servido e mantido os povos pequeninos, de gente ignorante e tacanha que pouco se tem esforçado por crescer e continua a precisar de quem dela tome conta. E é para isso que servem todas essas figurinhas – para tomarem conta de nós; para tomarem decisões por nós; para serem progenitores até ao fim e nos manterem nessa doce ilusão de que não precisamos de crescer, nem de nos responsabilizarmos por actos que, afinal, não são nossos mas deles.
Eduquem-se os povos; responsabilizem-se os cidadãos; cortem-se os cordões umbilicais e deixaremos de precisar de manda-chuvas.
Nem Monarquia; nem República! Está na hora de nos prepararmos para a Anarquia – a mais elevada forma de governação! Aquela que é, realmente, a governação de e para todos.
VIVA A ANARQUIA! VIVA!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De como o rádio matou o carro

Agora que a senhora aqui do lado já desligou o frenesim brasileiro, já vos posso contar como tudo aconteceu:
Há uma série de anos atrás, eu nasci...
Há uma série de anos atrás o rádio do meu carro (sim, é velhote), decidiu stressar sem motivo aparente e, quando eu o ligava, as estações sucediam-se ininterruptamente, como loucas, e o som, esse, nem ao longe... Levei-o ao mecânico que me disse que o rádio não tinha nada, para além de uma qualquer loucura, e que bastava desligar a bateria e voltar a ligá-la que o tipinho fazia reset; pedia-me o código e voilá! música no ar!
Como sou boa de aprender, quando passados mais uns anos (sim, é verdade, o carrito é velhote mesmo), aconteceu a mesma coisa, eu não fui de modas - desliguei-lhe a bateria; voltei a ligá-la; introduzi o código no rádio e resolvi, sozinha, a questão.
Anteontem, depois de ter passado quinze dias no mecânico que me levou o couro e parte do cabelo (felizmente tenho muito porque senão tinha ficado careca...), o rádio voltou a endoidar. Na altura não tinha chave que servisse na bateria e estacionei-o à porta de casa na promessa que, assim que saísse, desligava a porcaria da bateria.
Foi hoje de manhã. Mas, na pressa de chegar a Lisboa não deu para o fazer à porta de casa. Como o trânsito parecia de domingo cheguei suficientemente cedo para o fazer no parque de estacionamento da faculdade e, com a ajuda do jardineiro, lá desligámos a coisa.
Funcionou! Tal como de costume, o rádio ressuscitou. Alegria das alegrias! Ainda estive um bocadinho lá sentada, de sorriso estúpido nos lábios, a ouvir uma música qualquer, até ao momento em que o jardineiro disse - ponha-o lá a trabalhar.
Pimba! O rádio matou o carro! Tive de chamar o reboque! E por mais que o mecânico me diga que não tem nada uma coisa a ver com a outra, o facto é que o carro ainda trabalharia se não fosse o rádio...

Eu e a música

Não gosto de andar no carro sem música. Aborrece-me. No entanto, quando estou a trabalhar preciso de silêncio. Ao que parece o universo deve ter percebido tudo ao contrário porque, se o rádio do carro avariou, este aqui da senhora do lado não pára de gritar em brasileiro e eu, com tanta coisa que me tem acontecido ultimamente, estou prestes a entrar em órbita! Se isso acontecer quem se vai ver às aranhas é a senhora que gosta de dar música (brasileira) ao desbarato.

domingo, 3 de outubro de 2010

Ao homem cá da casa não lhe invejo a sorte, que vive rodeado de mulheres que só lêem lêem e ele, coitado, quer é ver televisão...

Do amor livre, esse grande hipócrita

Acho uma graça do caraças (estou a ser irónica) a esses gajos que andam por aí, na maioria tipos da minha geração, a apregoar a liberdade no amor quando o que na verdade fazem é fingir que são muçulmanos mas sem as chatices que esta religião exige a qualquer homem que queira ter mais de uma mulher, i.e., sustentá-las financeiramente já que, de resto, é essa a raiz de tal tradição: há mais mulheres que homens; as mulheres não trabalham; logo, um homem que é rico ostenta a sua riqueza, sustentando tantas quantas puder…
Mas não! O que estes ocidentais na verdade querem é divertir-se o mais que puderem sem terem de se chatear. Assim, dizem à boca cheia que a forma mais honesta de vida é aquela em que, se se «amam» duas; três ou mesmo quatro, ao mesmo tempo, então distribuem-se quecas que são, evidentemente, a manifestação mais eloquente da promiscuidade e pouco ou nada têm a ver com amor, que estes tipos nem sabem, na verdade, o que isso é.
Depois há mulheres que vão na conversa. Umas porque se estão nas tintas para eles ou para outros quaisquer e o que querem realmente, tal como eles, é irem satisfazendo uma necessidade que, quer queiramos quer não, é fisiológica. Outras porque se apaixonam por estas mentes «espantosamente diferentes» e no fundo, lá muito no fundo, alimentam a esperança de serem elas a ficar, um dia, com eles para sempre… (evidentemente que essas são as que mais sofrem quando verificam que este tipo de gajos não ama ninguém e o que realmente lhe interessa é ir passando uns momentos agradáveis, de preferência com corpos mais jovens do que os deles…)
Amor livre, my ass, estes gajos sabem lá o que é o amor!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Parabéns ao meu filhote

que faz hoje 23 anos e que sonha alto e muito.
Sempre que um filho faz anos é inevitável a lembrança do dia em que nasceu, como é inevitável uma certa nostalgia pela distância que nos separa dos melhores momentos da vida, porque não há, nem haverá nunca, outros iguais.
Parabéns meu muito querido, que todos os teus sonhos se concretizarão, disso não tenho dúvidas, apesar de aos olhos de alguns a tua busca soar a inconstância, eu diria que és um homem deste tempo - um homem multifacetado, capaz de atender às mais diversas e estranhas formas de vida. E se há quem não veja um fio condutor nas tuas escolhas, eu vejo; e sei que serás dos poucos capaz de responder às exigências desta era em que vivemos e está, outra vez, prestes a sofrer profundas mudanças.
Que esta nova etapa não te desiluda como te desiludem, tantas vezes, as pessoas de quem esperas sempre mais e melhor. Há caminhos, meu amor, que se fazem solitários mas que a dada altura do percurso se enchem de gente feliz.
E feliz, e orgulhosa, é o que eu sou cada vez que te vejo e oiço.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Obrigada

Por muito complicada que seja a vida, que às vezes é, ela é sempre mais simples quando não estamos sozinhos, quando temos à nossa volta gente que nos quer bem e que está pronta a ajudar nas horas de maior sufoco. Quanto é que isso vale? Tudo! Mais do que qualquer ouro; mais do que qualquer fortuna. Tudo. E eu sou rica.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Da influência dos ânimos

Em tempos difíceis como este, parece que os ânimos oscilam entre o pessimismo e o optimismo.
No meio costumava estar a normalidade, mas deve-se ter cansado e fugiu para a esperança que pelos vistos é mesmo verde, daquele verde de que se alimentam certos animais... daí que não se encontre em lado nenhum, nem a esperança e nem a normalidade.
De resto a esperança alberga tudo o que é bom e rejeita tudo o que é mau. Por ausência de egoísmo alguma coisa tem de ficar para o medo…
Mas o mais estranho, no meio disto tudo, é a forma como os ânimos influenciam os acontecimentos. Ontem não foi um dia fácil. Nem fácil nem agradável no que diz respeito a tudo o que pode influenciar o ânimo. Por consequência a noite foi de pesadelos e o despertar de hoje… enfim, nem vale a pena comentar… a questão é que tudo empanou como se o país tivesse sido assolado, de repente, por uma epidemia qualquer que lhe tolheu os mecanismos e, enquanto eu jazia, transida de pânico, agarrada ao volante do automóvel, todos os outros condutores sofreram, na certa, do mesmo mal e, pelas nove e tal da manhã, as filas de trânsito acumularam-se sem razão aparentemente objectiva.
E, voltando ao mais estranho dos estranhos, tudo se aliviou no momento em que a erva da esperança, a tal que de vez em quando é manjar de certos animais, voltou a despontar viçosa mas quebradiça, que os tempos, como já disse, são suficientemente difíceis para que ela não se aguente firme e hirta.
Chamem-me doida, mas que o ânimo influencia grandemente os acontecimentos reais, influencia. Pode até não mudar o âmago, mas muda o superficial e isso é, muitas vezes, o suficiente para se arranjar as forças necessárias para, senão mudar, pelo menos chocalhar o que é vital.
Trabalhem-se os ânimos e pode ser que se consiga alguma coisa no meio desta embrulhada que é o nosso incertíssimo futuro. Alguma razão os brasileiros hão-de ter quando apregoam os benefícios do espírito positivo, ao fim e ao cabo é um povo que percebe bem o que são dificuldades...