terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cansada de mim

Ando cansada de mim. Tanto mais agora que o contacto com os meus pares tende a escassear. Só me tenho a mim e pouco mais. Sem desprestígio para aqueles que me acompanham mas com quem não estou, evidentemente, todos os dias a toda a hora.
Deixei de ir às aulas. Teve de ser, diz a vida. A puta da vida, desculpem a expressão mas não há outra, pelo menos para já e para mim. Os dias passo-os rodeada de crianças mas não tanto como gostaria, não tanto quanto preciso...; e de mim. De mim, que ando cabisbaixa; desiludida; amargurada. De mim a quem nem o sol arranca uma alegria. De mim.
E eu que até sou, ou costumava ser, optimista, vejo-me a lutar constantemente contra a negritude que teima em cercar-me a alma!
Não sei que faça! Queria que isto desaparecesse e não sei que faça para que desapareça. Queria voltar a sentir-me segura; inteira; confiante. Queria que esta espécie de tristeza, esta estranha tristeza, desaparecesse. Era o que eu queria. É o que eu quero.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chama-se controle...

Ultimamente tenho reparado na dificuldade que certas pessoas têm em escolher; em dizer, alto e bom som, aquilo que querem. Principalmente no seio dos mais antigos.
Mas, mais do que isso, aflige-me o alimento que outros dão a essa incapacidade, decidindo por eles.
Não acredito, nunca acreditei, no estúpido ditado «Burro velho não aprende línguas». Pode ser até que não aprenda línguas dado que há uma idade própria para tal. Mas este ditado, como todos os outros, extrapola para o geral e é nisso que não acredito. Pessoas a quem nunca foi dada a liberdade de escolha, naturalmente anulam-se e esperam que escolham por elas. Nunca é tarde para crescer e crescer passa por sabermos o que queremos e não queremos. Passa pela assunção das nossas escolhas e pela sua responsabilidade e, acima de tudo, passa por esse sentimento único de liberdade; de responsabilidade; de autonomia. Alimentar esta incapacidade é alimentar dependências; é impedir a autonomia e a liberdade. E é, sobretudo, uma intromissão na vontade alheia a que ninguém tem direito.

domingo, 31 de outubro de 2010

Giboiar

Um velho amigo atirou-me, pela primeira vez e há muito tempo, com este termo «giboiar», numa tarde chuvosa de domingo, para me dizer o que estava a fazer em casa àquela hora.
Hoje sou eu que giboio e sabe-me bem. Leio o que me apetece e dormito pelo meio; oiço o vento lá fora e aconchego-me no meu espaço cheio de luz apesar das nuvens que deambulam por esse céu.
Há muito tempo que não tinha um dia assim. Será talvez por isso, por falta de hábito, que, de vez em quando, a meio de um sonho estremeço como estremece o ladrão quando é apanhado! Como se o tempo na verdade não me pertencesse! Como se o estivesse a roubar sabe-se lá a quem!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010



Não sei se serei o cavalo se a árvore. Nem sei se me cansarei, um dia, mais do que aquilo que já estou, ou se ele, o vento, acabará por me derrubar. Mas é assim que me sinto - Running against the wind...
Em dias como o de hoje penalizo-me por não ter comprado um Jeep.
Ou um barco...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Azar

Falar com os olhos e não ter medo do que se diz, tem as suas vantagens, principalmente em situações em que existe apenas um visado.
Não sei se uma certa loucura já se instalou entre nós ou se sempre cá esteve e fui eu que não dei por isso. O facto é que ando com azar no que diz respeito a consultórios médicos, eu, que só os frequento uma vez por ano que é quando dou conta de tudo o que há para dar e fico despachadinha desta deambulação pelas capelinhas dos especialistas!
Ontem foi a vez da oftalmologista, de quem gosto muito e por quem tenho uma grande consideração (só por isso é que não abri a boca, note-se).
Então não é que a meio da consulta um dos colegas da dita entra pelo consultório adentro e, como se eu não existisse, desata a falar sobre o fim-de-semana, a fazer perguntas e à espera que a colega lhe responda entre máquinas e medições de tensões oculares! Não é que o animal, que não tem outro nome, não se calava, não se ia embora e não deixava a outra trabalhar! Não é que foi preciso eu parar e fixar o meu olhar no dele para ele perceber, (perceber, e não «tomar consciência» que este tipo de gente não toma consciência de nada), que o melhor seria pôr-se a mexer?!
Desconfio bem que Deontologia foi uma cadeira à qual muitos se esquivaram, afinal não é com ela que se abrem barrigas; se tiram dentes ou se curam cancros…daí que pode muito bem passar para segundo plano, a gente copia ou faz isto à rasquinha que depois logo se vê…
Ou é isso ou então há uma grande necessidade, diria mesmo - urgência, em rever as matérias dessa cadeira em particular, se calhar estão desactualizadas, se calhar remontam ao Estado Novo…

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ainda o Acordo Ortográfico

As publicações infanto-juvenis já vêm de acordo com o Acordo, o que faz todo o sentido. De resto já tive oportunidade de expressar aqui a minha opinião relativamente a este assunto.
Contudo, e como disse na altura, num dos comentários ao meu post, esta menina, a supressão do acento da terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo do verbo Parar faz uma confusão danada!
Não me queixo de mais nada, mas da falta deste acento, sim!
Ontem, altas horas da noite, deparo com a seguinte frase: « ...mas ela não para para pensar...»! Eu parei! A primeira reacção foi tirar um dos «para» - estava a mais, pensei eu - e espetar-lhe com uma vírgula: ...mas ela não, para pensar... Voltei a trás e não fazia sentido! Foi quando percebi!...
Pode até ser uma questão de hábito. Mas que faz confusão, faz. Para além de que fica feio! Olha uma pessoa explicar isto a um estrangeiro que queira aprender português!...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

De como pode ser terapêutica uma ida ao médico

Temendo a aproximação de uma ligeira depressão, apressei-me a marcar uma consulta de Psiquiatria.
Assim que entrei no consultório julguei ter entrado num quarto onde alguém, dormindo, corria o risco de apneia de tal forma era ruidosa a sua respiração! Obeso naquilo que me parece o limite da obesidade, o senhor respirava a contragosto, num esforço incomodativo e perturbador. Agarrado a uma caneta de onde sobressaiam unhas roídas para lá do sabugo e peles levantadas até se ver sangue, não me olhou sequer! Ao cabo de duas perguntas, desatou a escrever e, quando se preparava para me responder à, creio que única, pergunta que lhe fiz, um telefone tocou! O senhor deitou a mão a um dos bolsos do casaco de onde tirou uma pequena bolsa, de feltro verde bandeira. Na pequena aba, as quinas. Não era aquele que estava a tocar – pousou-o suavemente na secretária, ao seu lado, e meteu a mão na outra algibeira de onde tirou uma outra bolsinha, igual à primeira mas, desta feita, vermelha! Falou entusiasticamente ao telefone, desligou, pousou a bolsinha ao lado da que lá estava - uma bandeira portuguesa passou a marcar presença naquele consultório, e voltou à escrita. E o que escrevia o senhor?! Uma receita que comportava injecções e três espécies de comprimidos! Quando o indaguei sobre os efeitos, respondeu-me que eram antidepressivos.
E foi assim que, sem me conhecer; sem saber fosse o que fosse da minha história ou mesmo dos meus sintomas, este senhor decidiu que eu precisava de me encharcar em medicamentos!
Saí de lá convencidíssima que estou em muito, mas muito melhor estado do que ele, coitado!...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

El gran casino europeo from ATTAC.TV on Vimeo.

«Cheio de medo e assustado...»

Caem corpos à minha volta. Não são corpos, ainda. São ensaios de corpos, ensaios de quedas. Ensaios de quem sabe ou teme que, se ainda não caiu, cairá.
Hesito em usar palavras negras, termos caóticos, dramáticos. Fazem-me mal. Fazem-nos mal. Mas têm o condão de nos acordar, e o cerco adensa-se e é isto que vejo: gente aflita; gente em pânico! gente que não compreende porque é que de repente corre o risco de não ter que comer; de não ter casa!
Hesito em usar palavras negras, termos caóticos, dramáticos. Mas até quando é que nos vamos esconder atrás de um falso optimismo? E como iremos nós, portugueses, viver mais esta privação? De braços caídos e olhar submisso? de almas conformadas? Durante quanto tempo? É que, em média, costumamos aguentar cerca de 50 anos...

Tristeza...

...por favor vai-te embora, que nem a luz do Sol te afugentou!
Tens até ao fim do dia para te pirares.

domingo, 24 de outubro de 2010

À geração dos trinta que nunca tive por rasca. Ao André Valentim Almeida e ao documentário «Uma na Bravo outra na Ditadura»

Posso estar enganada mas parece-me que entre os 30 e os 40, mais precisamente quando se entra nos 30, as pessoas tendem a fazer balanços à laia de despedida que é para o que servem os 10 anos que os separam dos entas.
Inevitavelmente esses balanços visam as vitórias e as derrotas; as responsabilidades e as oportunidades, ganhas ou perdidas. E, nesse arrastar de razões e des-razões, vem sempre à baila a geração anterior, aquela que nos legou isto e aquilo, de bom e de mau, quase sempre de pouco… nunca, aos olhos dos filhos, os pais fizeram o suficiente muito pelo contrário, fizeram merda pela certa porque senão eles estariam muito melhor do que estão.
Eu estava quase a bater nos entas, faltariam talvez três ou quatro anos, quando decidi «cobrar» da minha mãe o que «havia para cobrar»; desprestigiar o mais possível a geração que me antecedeu olhando-os como incapazes e ignorantes, uma cambada de carneiros!...e por aí fora que, logo a seguir, se o arrependimento matasse eu tinha caído naquela hora sem ter tempo de dizer ai! Ainda não tinha acabado de «despejar» o que me ia na alma e já um nó no peito ameaça parar-me o coração.
É claro que, antes de mim, já eles, os meus progenitores e outros como eles tinham, se não feito, pelo menos sentido e pensado o mesmo em relação àqueles que os trouxeram ao mundo e os educaram. É mesmo assim, se assim não fosse seria sinal de inexistência de evolução e de crescimento, seja lá isso o que for…
Mas vem isto a propósito de uma série de zunzuns que para aí andam e que visam a minha geração, já que foi ela que deu à luz as criancinhas que nasceram encostadas ao 25 de Abril ou alguns anos depois, enfim, a geração dos que dobraram agora a barreira dos 30.
Meus queridos, se vocês se sentem defraudados imaginem nós! Imaginem aqueles que foram educados desde a mais tenra infância numa verdade incontestável para depois e de repente, a meio da juventude, lhes dizerem que afinal era tudo mentira!
Mas há uma coisa que eu percebo perfeitamente. É que nós já tivemos o nosso protagonismo, afinal de contas vivemos uma revolução!... Agora chegou a hora do vosso. Falem sobre vós; contem a vossa História; insultem e apontem dedos mas, fundamentalmente, olhem à vossa volta com olhos de ver e deliciem-se com a oportunidade que têm de mostrarem o que valem. Esta é a época da consolidação ou da ruptura e são vocês que a têm, ou podem ter, na mão. Vocês são hoje mais velhos do que eu era aquando do 25 de Abril! Mexam-se. Mudem! Endireitem esta merda. E não me venham cá dizer que estamos agora a empurrar para cima de vocês a merda que fizemos! Fizemos o que fomos capazes de fazer e foi, sem dúvida, mais do que aquilo que nos legaram a nós! Façam o mesmo na certeza de que, ainda assim, hão-de ouvir das gerações vindouras o mesmo que nós e outros antes de nós.
Se me piquei?! Piquei-me sim senhor! Não se nota?!

sábado, 23 de outubro de 2010

O complexo raciocínio nacional

Tenho à minha frente o Nº x de uma revista cultural cujo tema é Arte e Design. A revista é composta de vários artigos, uns mais longos do que outros, de autores nacionais e estrangeiros. A minha missão é a de a rever.
Os artigos traduzidos, dos autores estrangeiros, são claros, directos, entendíveis até para um leigo que de Arte e Design nada saiba. Alguns até têm o condão de prender o leitor mais curioso.
Pois bem, vamos para os nacionais! Atenção que ainda não acabei o trabalho, podendo, por isso, estar a generalizar injustamente mas, até agora, como são os artigos escritos pelos autores portugueses?
* Carregados (mas carregados ao ponto de ser obrigatório ter ao lado a página das notas já que elas se sucedem umas às outras!), de referências a autores estrangeiros. Do estilo: Fulano diz isto; sicrano diz aquilo e o beltrano então! Nem se fala! (mas fala-se…). É como se não tivessem opinião própria ou, simplesmente, não a quisessem dar e gastam páginas e páginas a enunciar o que os outros disseram.
* E fazem-no numa linguagem de bradar aos céus; num intrincado de termos e frases que parecem existir só para nos confundir ou para esconder o pouco que sabe o autor sobre a «coisa»…
* Last but not least como diriam os nossos amigos britânicos, numa completa ignorância no que à acentuação diz respeito! Atenção que não se trata de ausência de acentuação. Trata-se de acentuação deficiente…
Que tal acrescentarmos à já demasiado extensa lista de disciplinas e matérias (algumas com um francamente baixo nível de utilidade) uma que ensinasse os portugueses a serem Práticos; Directos e Objectivos? Se gostam de pensar, pensem, mas pensem com objectividade, racionalizem os pensamentos, estruturem-nos, não divaguem que para divagar temos os rios, os montes e os pôr-do-sol que são tão lindos! E as paixões também… tanta coisa com a qual podemos e devemos divagar, não lhes parece?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E se parássemos um bocadinho para pensar?

Talvez a maior diferença entre cada um de nós esteja na forma como se «adapta» às constantes mudanças que o Homem, talvez pelo seu crescente número, tem vindo a produzir ao longo dos tempos.
E digo « talvez pelo seu crescente número», porque acredito que, na verdade, ninguém gosta de mudanças e que todos nós seríamos mais felizes se elas não se fizessem sentir de uma forma tão dramática e tão constante.
Há mesmo quem defenda que a sociedade não gosta, nem anseia por elas. Ora se a sociedade não gosta e nem anseia por elas, cada um de nós, que compomos essa mesma sociedade, também não pode gostar ou ansiar. Ansiamos, isso sim, pela estabilidade e pelo sossego.
Então, porque é que não paramos para pensar?! É que cada vez mais produzimos, e nos produzimos, seres sociais e cada vez mais nos afastamos da nossa individualidade; da nossa privacidade; daquilo que somos e que nos compõe como seres únicos e particulares. Cada vez mais aceitamos que sejam «outros» a determinar as nossas necessidades, divorciando-nos da responsabilidade de sermos felizes. Cada vez mais aceitamos que sejam «os outros» a ditar as regras do nosso bem-estar e da forma como caminhamos no nosso dia-a-dia!
Cada vez mais nos entregamos e nos afastamos de nós mesmos, até adoecermos sem compreender porquê; até deixarmos de existir; até nos tornarmos transparentes, simples números numa tabela estatística.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Alegoria

Hoje tirei de cima do móvel alguns valores que escondi dentro de um armário.
Não que desconfie da empregada de limpeza ou que ela alguma vez me tenha dado motivos para tal. Mas porque entendo que não tenho o direito de tentar seja quem for.
É claro que exibir valores não é a mesma coisa que expô-los com um cartaz onde se escreve: Leve o que quiser. Cada peça custar-lhe-á um ano de trabalho.
Neste caso a pessoa faria contas e, com os olhos a brilhar perante a possibilidade de usar algo com que nunca sonhou, aceitaria o acordo.
Entretanto, por via de uma má gestão, eu entraria em recessão e exigir-lhe-ia não um, mas dois anos de trabalho gratuito. A coitada, que fez contas a um ano, espernearia e considerar-se-ia enganada e eu, do alto de toda a minha sabedoria e de todo o meu poder, responder-lhe-ia:
- A responsabilidade é sua! Não tivesse aceitado a oferta!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Das biografias

Tenho um preconceito, estúpido, com biografias.
Sempre que me aparece uma, seja sob a forma de filme ou de livro, a primeira reacção é de rejeição.
Isto, provavelmente, daria um excelente tema para ser analisado no divã do psicanalista, se eu tivesse um. É que, ultrapassada a rejeição, acabo sempre por concluir que as biografias podem ser óptimas conselheiras.
Não são só as crianças que aprendem com os exemplos - somos todos nós, e um bom exemplo de vida é sempre uma fonte inesgotável de energia já que, por muito díspar que seja a vida do outro, acabamos sempre por encontrar, aqui e ali, nem que seja à lupa..., paralelismos ou semelhanças que nos deixam a dizer de nós para nós: Estás a ver?! Estás a ver?! Assim é que é! Tudo é possível! Se ele(a) conseguiu, eu também consigo!
Isto para não falar das lágrimas que acabam sempre por correr, não pelo outro evidentemente, mas por nós mesmos quando acreditamos «sentir exactamente o mesmo que ele(a)».
Excelente terapia, as biografias...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dos lucros de certas Empresas e da sua desigual repartição

Os privilegiados deste país não se reconhecem como tal. Presos ao seu umbigo sentem que trabalharam toda a vida, e não duvido que o tenham feito; que estudaram mais do que os outros, e não duvido que o tenham feito; e que, portanto, têm direito à disparidade de ganhos existente entre eles e «os outros».
Esquecem-se, contudo, que sem «os outros» não os poderiam ter obtido e esquecem-se ainda que se no fim de cada ano distribuíssem os lucros das empresas de uma forma mais equitativa, provavelmente teriam trabalhadores mais empenhados, mais felizes e mais dispostos a produzir mais, aumentando, dessa forma, a possibilidade de competir com os mercados internacionais, objectivo que tanto ambicionam e tão necessário é, pelos vistos, à nossa salvação.
Esquecem-se que, se sempre o tivessem feito, se calhar não estávamos como estamos. Esquecem-se que se, mesmo a reboque da crise mundial, estivéssemos como estamos hoje, talvez até pudessem agora baixar os salários – os «dos outros» e os deles evidentemente, porque provavelmente os trabalhadores estariam mais dispostos aos tais sacrifícios que agora lhes são pedidos porque teriam sempre no seu horizonte a justa repartição dos lucros a que estariam, justamente, habituados.
Mas acima de tudo esquecem-se que, se estudaram mais do que «os outros» e se chegaram onde chegaram, ainda que trabalhando, é porque já eram, à partida, privilegiados. Porque num país como o nosso as oportunidades, se não são ainda hoje, não foram de todo, durante muitos anos, iguais e que, se eles trabalham muito, há «outros» que trabalham, suam e sofrem muito mais, e que talvez seja por isso que a produtividade é o que é.
Ao invés de nos dizerem que é necessário produzir mais para depois distribuir os lucros de forma equitativa, distribuam-nos primeiro. Talvez a produtividade cresça.
A uma sociedade que estava habituada a ter tão pouco e a quem fizeram acreditar que podia ter quase tudo, não podem agora tirar esse «quase tudo» sob pena de transformar este pequeno país num grande manicómio.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Preparem-se...

...para começar a pagar o oxigénio que respiram. Já estivemos mais longe de andar com um aparelhómetro qualquer agarrado ao corpo que meça os litros de oxigénio que respiramos e pimba - quem respirar mais, paga mais.

Criatividade e jogo de cintura

Com as surpresas que há por aí, não vale a pena fazerem-se grandes planos - geralmente saem furados e perde-se demasiada energia a tentar encaixar o planeado em cenários que já nada têm a ver com os anteriores. E para quem acredita que «assentou», desengane-se - a vida só acaba quando fechamos os olhos de vez. O melhor mesmo é ser criativo e ter jogo de cintura, muito jogo de cintura, para chegar ao fim mais inteiro do que se estava à partida. Se não mais inteiro, pelo menos não demasiado quebrado.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu apito!

Vá lá saber-se porquê, mas apito! Apito quando entro e apito quando saio de qualquer loja ou supermercado, e hoje passei pela vergonha de virem atrás de mim para me conferirem a factura. É claro que estava certa. Por enquanto...
A menina, cheia de boa vontade, voltou a passar tudo pela máquina para desmagnetizar, mas o facto é que eu continuei a apitar! E, apitando, voltei a entrar noutra loja. E quando de lá saí assustei-me com a estridência do apito!
Cá para mim alguém me enfiou um chip qualquer sem eu dar por isso...