terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ver, escutar e dizer

Se víssemos tudo aquilo que olhamos; escutássemos tudo aquilo que ouvimos e pesássemos todas as palavras que dizemos, provavelmente não nos aguentaríamos vivos muito tempo – cansar-nos-íamos.
Há, realmente, muita coisa que não vale a pena ser vista e muita que não vale a pena ser escutada.
Mas não me parece difícil pesarmos todas as palavras que dizemos, ou, pelo menos, a maior parte delas. É que há também muita coisa que não vale a pena ser dita…

domingo, 28 de novembro de 2010

Hoje



Conhecemos o novo membro da família - o meu «neto», Ramone de Sousa. Como podem ver ele sentiu-se muito bem cá em casa e até nos deixou tratar dos enfeites de Natal! É um cão muito bem comportado.

sábado, 27 de novembro de 2010

A falta de memória e a figura de urso (neste caso, de ursa)

Eis que entro no recinto! Mais do que atrasada, espreito por uma frincha. O meu amigo já está há uma hora de pé, em frente a uma tela onde passa um powerpoint. Hesito; ele pára tudo, manda-me entrar; abraça-me como de costume e aponta uma cadeira. Penso que me está a indicar um lugar vago mas não, está a apontar para uma pessoa. Olho essa pessoa e reconheço-lhe o olhar. Tudo, na sua cara, me é familiar. Instintivamente dirigi-me a ela e dou-lhe dois beijinhos. Ela faz-me uma grande festa e eu sento-me atrás, comprometida por ter interrompido a apresentação e confusa por não fazer a mínima ideia de quem é a pessoa que acabo de cumprimentar.
Pouco tempo depois toda a gente se levanta. Cumprimento uma série de pessoas e aproveito para acertar pormenores de uma parceria com um dos presentes, sempre de olhos postos na pessoa que cumprimentei à entrada e de cabeça às voltas a tentar lembrar-me de quem será! Ela dirige-se a mim, apresenta-me o filho e o marido e pergunta-me por uma quantidade de gente comum. E sicrana? E beltrana? E como foi que nunca mais nos vimos? E eu ia respondendo… a medo não fosse meter água pelo caminho. E meti! A dada altura ponho-a a viver num lugar que nunca foi. Meia engasgada, corrijo o disparate. Ela dá-me o telefone que eu anoto, sem nome…
Despercebidamente agarro o meu amigo por um braço e segredo-lhe ao ouvido: Como é que se chama aquela pessoa que me indicaste? Ele responde e eu fico na mesma. Mesmo assim faço o meu papel até ao momento em que dou com os dois a comentarem a morte de um amigo comum de outros tempos e pergunto-me o que é que ela tem a ver com esse que já morreu. A minha memória não responde e eu despeço-me, frustrada.
Assim que me sento no carro vejo-a há 30 e tal anos atrás: pequena; muito morena; com aqueles olhos inconfundíveis! À memória vêm-me momentos únicos que a ligam, indelevelmente, a mim; ao que morreu; e a todos os outros por quem perguntou.
O meu coração disparou. Agarrei no telefone e gritei para o bucal: Ó mulher! Só agora é que se me fez luz!
Assim que desliguei liguei para a sicrana: Epá! Tu lembras-te da…? Então não é que…!
São estas, principalmente, as alturas em que tenho consciência da idade e do tempo que já passou.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Das saudades que não tenho

Um destes dias recebi um mail, daqueles que circulam por aí, a falar de Saudades. Falava de saudades disto e daquilo, de tudo e mais alguma coisa. Saudades do passado e do futuro. Saudades de quem não vive o presente e deixa a vida passar sem lhe dar grande importância por ter, provavelmente, os olhos permanentemente postos no amanhã que nunca chega porque já cá está.
Não me identifiquei com ele, pelo menos no momento em que o li.
É claro que há coisas, momentos talvez, das quais tenho saudades, às vezes. Provavelmente quando sinto a falta de outras. Mas desde que tenho memória de mim que vivo tudo de uma forma tão intensa que não é possível sentir essas saudades tão gerais e tão empedernidas. Desde que me conheço que ponho em tudo o que faço um entusiasmo tão desgarrado que pouco resta de mim para depois. E quando caio, levo tempo a levantar-me porque até as quedas são profundas. Tudo é profundo. E de tal forma que nos entretantos fico sem forças para sentir o que quer que seja.
Talvez por isso precise tanto de momentos de vazio. E talvez por isso, também, não me aventure em grandes voos. Provavelmente queimaria as asas no sol ou morreria de ataque cardíaco.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Perigo da Austeridade (e prometo que, pelo menos hoje, não chateio mais ninguém com isto)


Andei para aqui às voltas com o raio do vídeo para ver se o minguava mas não consegui. As minhas desculpas. Podem sempre fazer duplo clic e vão directos para o Youtube. Se quiserem comentar, façam-no no post anterior, já percebi que, com estas gingajogas todas, os comentários desapareceram...

Do Fosso entre Ricos e Pobres ou As Causas da Crise

Agora é que eles descobriram a pólvora!
Aquilo que toda a gente já sabe, passa a ser verdade quando é dito pelos tipos do FMI... e sai nos jornais, evidentemente...aqui.

Um pedaço de terra

Há uns anos atrás, quando comecei a pensar em vender a minha casa, poisaram-me os olhos, e a vontade, num hectare de terra lá para os lados do Alandroal. Tinha uma série de oliveiras, duas ou três pereiras, poço e sítio de casa. Não tinha luz mas o que eu queria mesmo era ficar independente da EDP; da Companhia das Águas e dos supermercados, por isso fiz uma proposta ao vendedor, ele aceitou e eu assinei o contrato de promessa, que me dava um ano para vender a minha casa e acabar de liquidar o terreno.
A casa não se vendeu. Perdi o dinheiro e a terra.
Na época vários amigos me alertaram para a loucura da minha decisão. O que iria eu fazer, sozinha, para lá do mundo, isolada de tudo e de quase todos!... Um chegou mesmo a dizer que não me bastaria comprar um cão, que teria de ter uma espingarda. Talvez a casa não se tenha vendido por isso mesmo. Talvez eu tenha, em determinado momento do percurso, ficado com medo. Talvez tenha recuado na minha decisão e tenha tratado mal cada potencial comprador que me ia batendo à porta.
Hoje creio que foi o melhor que me aconteceu. Creio, sinceramente, que não estava preparada, como ainda não estou e não sei se virei a estar, para deitar tudo para trás das costas, sozinha. Mas, não estando sozinha, penso muitas vezes nesse sonho, ainda vivo, de ter um pedaço de terra, de me auto-sustentar, de me independentizar, o mais que me for possível, deste sistema que nos suga o corpo e, tantas vezes, a alma.
Hoje, ao que parece, há muito mais gente a pensar assim. As permaculturas, as hortas e os jardins comestíveis, os regressos à terra e os abandonos da cidade, proliferam. Hoje, essa minha ideia, não parece tão disparatada.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Esta greve e a luta de classes

Há pessoas para quem a luta de classes é uma forma de estar na vida. Assim, tipo, uma segunda profissão. Sendo que a primeira lhes alimenta o bolso e a segunda, a consciência.
A luta de classes existe como uma necessidade criada pela própria sociedade mas que a alimenta, como todas as necessidades criadas por ela. Numa sociedade que se preze têm de existir lutas de classes; centros de desintoxicação; organizações sem fins lucrativos; polícias e outras coisas assim, daquelas que só existem porque existe o outro extremo. E tanto um lado como outro, que aliás se alimentam mutuamente, são alimentados e até estimulados e incentivados, pela ordem vigente.
É claro que era suposto aqueles que lutam pela defesa dos mais desprotegidos e pelos seus próprios direitos, não estarem aqui incluídos nesta lista porque se eles, REALMENTE, lutassem, esta lista, provavelmente, nem sequer existiria.
O problema é que eles lutam sossegaditos. Lutam nas horas livres; lutam mas não querem abdicar daqueles prazeres que esta sociedade de vícios; injustiça e desigualdade lhes vai dando. Não querem abdicar dos rebuçados!
Afinal que raio de luta é essa?! Que Governo é que cede perante este tipo de luta? Quem é que acredita que as pessoas andam, realmente, insatisfeitas?!
Eu não!...
Dizem os sindicatos que houve uma adesão de três milhões. Somos dez. Não chega a metade! Desses 3 milhões quantos é que não foram trabalhar por não ter transporte?! Quantos não compareceram no local de trabalho por não terem onde deixar os filhos?!
Uma professora ficou, sozinha, ostentando um cartaz à porta da escola onde lecciona e lamentando que os colegas não estivessem ali com ela. Pois…ficaram em casa…
Quais foram as conquistas deste «dia de férias»? O que vai mudar depois desta «greve geral sem precedentes»? Quem lucrou com isto? Quem perdeu?
Provavelmente lucraram os sindicatos. Ah! e os candidatos à Presidência da República que aproveitaram para fazer campanha… Perderam, com certeza, os mais pobres. Os que dependem dos transportes públicos; os que ficaram à porta dos Hospitais públicos porque não têm meios para recorrerem aos privados.
É claro que toda a gente sabe que quando há luta sofrem mais as bases. Mas então que a luta seja renhida! Que seja uma luta! Que seja uma guerra! Que não se descanse enquanto não houver justiça! É isso que se espera daqueles que dedicam a sua vida à defesa dos mais fragilizados. Onde estiveram as manifestações?! Onde se meteu toda a gente?!
Ah! é verdade! A Praça da Figueira estava cheia (também não é preciso muito) de gente para assistir ao espectáculo!...E que tal? O José Mário Branco esteve bem?

Da Greve Geral

A greve é uma arma legítima e poderosa em qualquer Estado que se diz democrático. É um bater de pé; um dizer – Não trabalho nestas condições; um parar tudo.
Quando imagino uma greve vejo sempre os trabalhadores às portas dos seus locais de trabalho, de pé, de braços cruzados, marcando uma posição sem se demoverem enquanto as suas reivindicações não foram satisfeitas. Uma greve assim, pode durar um dia, dois ou três…o tempo que for preciso para se alcançar aquilo que se crê justo e necessário.
Hoje, neste país, é Feriado! Os «grevistas» ficaram na cama a dormir e à tarde, por volta das cinco horas, alguns deles rumarão a Lisboa para assistir a um espectáculo de música onde cantores de intervenção, como José Mário Branco, cantarão cantigas de outros tempos. Todos passarão um bom bocado. Será um dia de festa!
E porque não?! Afinal para a semana também será feriado, precisamente na 4ª Feira; e, para a outra, também. Significa isto que teremos três semaninhas maravilhosas em que se trabalhará/produzirá, quatro dias por semana, o que é suficiente para um país que tanto produz e que está tão rico que não sabe o que fazer ao dinheiro!
Já agora podíamos tirar férias, todos! Assim como assim, estamos a precisar…
A única chatice é que, com todos em casa a dormir, os blindados não terão qualquer préstimo. A não ser, lá está, como estátuas no Terreiro do Paço.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Não sei se hei-de rir se chorar...

Chegaram ontem os blindados encomendados para proteger a cimeira da NATO dos possíveis ataques deste povo de guerreiros que somos nós.
Estou muito mais descansada. É que apesar da cimeira já ter terminado, nunca se sabe até que ponto os blindados não vão dar jeito…afinal amanhã temos uma greve geral...
Depois disso...quem sabe não ficariam bem no Terreiro do Paço! Aquilo está tão vazio...
Se entretanto se achar que não, podemos sempre tentar vendê-los aos Coreanos. E, já agora, pode ser que eles também venham a precisar de um ou dois submarinos...

Humanidades

Tudo aquilo que fazemos, todas as nossas acções, são em proveito próprio.
Seja para aplacar culpas, acalmar o ego ou por simples vaidade, são sempre em proveito próprio.
O altruísmo é a característica de quem encontra, na felicidade e no bem dos outros, a sua própria.
A inveja é a característica de quem encontra, na desgraça alheia, o seu alimento.
Ter consciência disto é sermos capazes de nos conhecer e de nos enfrentar.
Ninguém evolui escondendo, atrás das rosas, os espinhos dos caules. Sabermos porquê e para quê fazemos nós determinadas coisas ou temos determinado tipo de atitude é fundamental para que, se for caso disso, possamos mudar. Andarmos a ser bonzinhos só para ganhar o reino dos céus não nos servirá de nada. É bom quem é bom, é mau quem é mau – e as duas espécies existem, acreditem.
Não são apenas as nossas acções que nos mudam mas a descoberta dessa alegria interior que vem da alegria do outro. Se não a descobrirmos dentro de nós, então é porque ela não existe. Existirá outra coisa qualquer.
Desenganem-se aqueles que pensam que serão salvos, amados e honrados, porque se esforçam para ser bonzinhos. Mais cedo ou mais tarde, consciente ou inconscientemente, reclamarão os dividendos só porque não foram capazes de os cobrar de imediato com a alegria que lhes podiam ter dado as suas boas acções.
Sacrifícios são coisas que não existem. Desculpas esfarrapadas de quem não tem ou não teve força para seguir o seu próprio caminho e se deixou ficar encostado, aconchegado e quentinho. Sempre que me vêm falar de sacrifícios com voz chorosa e arrependida eriçam-se-me os cabelos, até onde não os tenho, e penso cá para mim: Pronto! Chegou a hora da cobrança...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ainda está para nascer o gajo, ou gaja, que invente um tubo de cola verdadeiramente eficaz e funcional!
Se a cola cola, o tubo não deita! Se o tubo deita, a cola não cola e quando a cola cola e o tubo deita, só se pode usar uma vez porque fica impróprio para consumo a não ser que se ande a colar este mundo e o outro antes que a porcaria da cola entupa a saída do tubo!
Isto para não falar do estado em que os dedos ficam e mais o papel quando se passam os dedos por ele para ver se colou ou não! Olha-se para o trabalho pronto e está uma verdadeira javardice com o envelope preto dos dedos que ficaram pretos, vá lá saber-se porquê!...
Ó senhores que fazem tubos de cola, lá por o volume de correspondência ter diminuído por via dos mails, não quer dizer que tenha parado! E não me venham cá com o argumento de que os envelopes trazem cola porque toda a gente sabe que a cola que os envelopes trazem não cola nem o menino Jesus!...

E se levassem os cãezinhos a cagar à vossa porta, hem?!

Com tantas leis e extorsões em forma de impostos, não há uma porcaria de uma multa pesada para quem abandona animais e/ou excrementos dos mesmos na via pública!!

Das acções e reacções

Complicadas as relações entre as pessoas. É muito mais fácil relacionarmo-nos com animais, tipo canários, ou peixes dentro de aquários que não dão mais trabalho do que aquele de lhes ir deitando, de vez em quando, uns pozinhos de perlimpimpim. Já as pessoas dão uma trabalheira! Ou porque não sabem o que dizem; ou porque não dizem o que pensam; ou porque o que pensam não presta; ou porque nem sequer pensam…
Eu tenho o estúpido hábito de reagir primeiro e pensar depois. Ninguém me pode acusar de não me debruçar sobre mim mesma. Faço-o como poucos, devo dizer. Vejo e revejo as acções; as reacções; os porquês e os devias…mas depois. Primeiro reajo. E que a mostarda não me chegue ao nariz que eu tenho mau feitio…
Estou-me pouco importando para as intenções. Não tenho capacidade, tempo ou mesmo disposição para tentar perscrutar no fundo dos olhos de cada um qual a intenção que o move. A mim o que me desperta são as acções. Se agem – eu reajo. Se agem bem – reajo bem; se agem mal – reajo mal. Neste campo estou mais próxima dos animais…é depois, no sossego do meu lar interior, que me torno gente e sou capaz de ver o que há para ver e mesmo além.
A boa notícia é que aprendo sempre qualquer coisa e cresço. A má é que se a razão estiver deste lado é uma grande chatice…

domingo, 21 de novembro de 2010

Parabéns ao pai

Hoje foi dia de anos cá em casa. 78! Não que seja uma idade redonda, que não é, mas é domingo - dia de fácil ajuntamento familiar - e a partir de certa idade (não sei ao certo qual) todos os anos pesam no que à importância diz respeito. Portanto, aproveitou-se a ocasião para um ensaio natalício. Cabem todos, não cabem; há mesa, não há; e cadeiras...essas tiveram de as trazer que o número reduziu-se com as mudanças. E com as mudanças, duas nos últimos dois anos, perdeu-se muita coisa de vista. Umas foram dadas, outras não e só se dá pela falta quando voltam a ser necessárias. Passar de uma casa grande para outra infíma e depois para uma média faz com que se lamentem certas perdas - que jeito que davam agora e até já há sítio para elas...
Mas até aí ainda a coisa vai que não me é extraordinariamente difícil aceitar que abri mão de coisas, mas que fui eu que a abri...O que me custa aceitar e me deixa para aqui a remoer os dentes daquela raivinha miúda, são aquelas coisas, como por exemplo uma toalha de mesa - a única capaz de tapar uma mesa para doze pessoas, que veio de terras distantes e que, pelos vistos, se perdeu para aí por um caminho qualquer, ela e os guardanapos e tudo, porque eu não me lembro de me ter desfeito dela e nem sequer me vejo capaz disso.
É que fico mesmo danada quando perco qualquer coisa! Mas o pai está feliz, e isso é que importa.
É claro que se a toalha não tivesse desaparecido o dia tinha sido quase perfeito...

sábado, 20 de novembro de 2010

Roupas e acessórios

Não vou dizer que a parte estética não pesa. Pesa. Mas não é determinante.
É claro que não compro peça com a qual não me goste de ver, mas posso muito bem recusar uma paixão se ela não responder às minhas necessidades.
Talvez por isso me surpreenda com os – Que giro!! Onde é que compraste? – É que o sentido prático acaba por abafar a visão estética da coisa e transformar os olhos com que as vejo. A verdade é que compro o que preciso, quando preciso e, às vezes, nem isso…Não gosto de ir às compras e se uma indumentária me ocupa ou entusiasma é só porque é necessária para aquele jantar que, esse sim, é capaz de prender toda a minha atenção e euforia.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não me comprometam...

Falar muito e não dizer nada é, infelizmente, apanágio português. Fundamentalmente das classes dominantes, quer políticas quer económicas.
Nos dias que correm já não há saco para rodeios. Frontalidade precisa-se! O português é uma língua rica. Mais que capaz de chamar as vacas pelos nomes! Então porque é que toda a gente percebeu perfeitamente o que Hilllary Clinton disse e ninguém compreendeu o texto do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros?!
«Acordo bilateral» foi o termo que sobressaiu do pequeno discurso do senhor, assim como quem diz – Será o que vocês quiserem que nós ainda não tivemos tempo para pensar nisso…

Paralelismos

Portugal está de olhos postos no ecrã, curioso com a chegada de tantas estrelas. Uma se destaca – Barack Obama.
Há qualquer coisa neste líder da maior economia mundial, por enquanto…, que nos prende. Pode ser a simpatia, a juventude, a simplicidade. E os olhos seguem o Air Force One e as Bestas, tentando adivinhar em qual delas estará o Homem. Por momentos somos transportados além-fronteiras e o sonho de voar mais alto lá se alimenta, devagar, destes enganos que nos vão dando.
Não sou anti-NATO. Considero uma ameaça o extremismo islâmico e entendo que o mundo livre, mesmo que não seja tão livre quanto isso, deve ter meios para se defender – com unhas e dentes se for preciso.
Mas no meio de tudo isto o que sinto são saudades. Saudades das viagens. Saudades dos teatros londrinos; do circo em Zurique; do gelo dos Alpes. Saudades dos concertos vienenses e das marionetas em Salzburg. Saudades das viagens.
Não da época. Mas das viagens.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desejos

Eu, que ultimamente pouco mais tenho feito senão queixar-me das sucessivas mudanças da vida, desejando paz, sossego e estabilidade, dou comigo a desejar uma reviravolta nesta ordem de coisas. Mais – dou comigo a sentir que isto não vai lá sem ela. A reviravolta.
E não é só em relação à minha vida que falo, que essa só precisa de se adaptar às novas circunstâncias. Falo, precisamente, das novas circunstâncias que exigem adaptações, se é que existem adaptações que se encaixem…
E se há momentos em que acredito que estou a viver uma época conturbada que o tempo se encarregará de endireitar, fazendo com que tudo volte ao mesmo; outros há em que pressinto que vivo numa época conturbada que não se endireitará sem profundas mudanças, e que essas mudanças não passam pelas costumeiras revoluções mas por verdadeiros fins – assim a rondar o caos – que permitirão novos começos.
O que mais me assusta é o desejo que sinto cá no fundo (e já esteve mais fundo…) de fim, de caos, de novos – mas mesmo novinhos em folha – recomeços. É que já não acredito em nada. Sobretudo, não acredito em paninhos quentes, em tapa-buracos, em remendos. Acredito, isso sim, na urgência de enterrar bem fundo o que está podre e na urgência de chamarmos toda a criatividade que conseguirmos de forma a que, à semelhança da construção de um Novo Mundo, se inventem novas ordens, quer sociais, quer económicas, quer, sobretudo, políticas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O primeiro, e o último!

Esta expressão é geralmente utilizada quando a experiência é tão má que não se pretende repetir – Foi a primeira e a última vez! Nunca mais me meto noutra! – ou quando, tratando-se, por exemplo, de namoro, se casa com o primeiro e se fica até ao fim sem conhecer mais nenhum (esta última hipótese é cada vez mais rara como se sabe e está, definitivamente, fora de moda há já largos anos).
No entanto existem fenómenos estranhos que permitem que esta expressão seja utilizada num outro contexto. Imagine-se alguém que, depois dos cinquenta, resolve reatar relações com o primeiro namorado que teve aos 13 ou 14! E que, ao cabo de uma vida cheia de peripécias, tentativas e falhas, chega à conclusão que é ali que a paz mora e que, embora não seja de todo possível afiançar que será o último já que ao futuro, tirando o Michael G. Fox, ainda ninguém viajou, sinceramente deseja que a coisa se mantenha – que o primeiro seja o último! Tem a sua graça! Já para não falar nas teorias que podem nascer de tamanho acaso. Se é de acaso que se trata, evidentemente…