terça-feira, 13 de agosto de 2013

Pais e filhos

Os filhos são uma benção. Os pais, às vezes, uma chatice, um fardo até, quando não crescem o suficiente para saberem quando chegou a altura de se absterem. Não quer isto dizer que não se amem. Amam-se, claro. Amam-se tanto que lhes é dado o terrível poder da chantagem emocional e da atribuição de culpa.
 
Somos inteiramente dependentes dos nossos progenitores enquanto não crescemos, e tanto tempo levamos a crescer que desenvolvemos neles o vício da dependência. Poucos são capazes de prescindir dela e fazer como os índios do antigo continente - retirarem-se para dar lugar à descendência.
 
Essa é, quer se queira quer não, a maior dor de ser pai ou mãe. Essa é a maior responsabilidade do cargo – a capacidade de nos anularmos, de nos mantermos em standby apenas para aquilo que for preciso e mediante solicitação dos interessados, para que os nossos filhos possam crescer em liberdade, seguir o seu caminho sem qualquer espécie de culpa, sabendo que estão no trilho certo porque é o deles e que apenas deles depende a decisão de ficar,  ir,  virar à esquerda ou à direita.
 
Durante séculos impingiram-nos mentiras. Está na altura de mostrarmos que somos homenzinhos. Está na altura de crescer. Significa isto que está na altura de pensarmos nos nossos pais e no nosso sentimento por eles, sempre que pensarmos nos nossos filhos, para que possamos concentrar-nos no possível sentimento que os nossos filhos têm por nós e não naquele que nós nutrimos por eles. É que não são a mesma coisa. Não são a mesma coisa.

domingo, 11 de agosto de 2013

Ser avó

Não, não vejo a minha filha quando nasceu, ou o meu filho. Nem tão pouco me vejo a mim, à minha mãe ou ao meu pai que apenas imagino através de imagens a preto e branco pouco nítidas e cada vez  mais envelhecidas. Não vejo os avós, os tios ou os primos. Vejo-a a ela, em toda a sua particularidade. A ela, um ser único cheio de personalidade, sem pruridos nas exigências e perfeita na sua compleição física. A ela, linda porque é também um pedacinho meu e linda porque acredito que o será muito para além do que já é – se os nossos são os mais bonitos nem sempre é porque realmente o sejam mas porque nos transportam com eles e mal seria se não fossemos capazes de lhes ver a beleza.
 
Vejo-a a ela, e amo-a tanto quanto amo os meus filhos porque não sou capaz de medir um amor que é incondicional e o meu amor por eles é isso – incondicional.
 
Tenho o peito a transbordar graças a eles. Graças a ela, neste momento e, se alguma coisa me entristece ou zanga, penso nela e tudo se compõe – o mundo volta a ser um local maravilhoso onde acontecem coisas maravilhosas. Não sei o que é ser avó, mas sei que se me pedissem eu poderia ficar todo o dia junto a ela sem me cansar e que não me custa nada entregá-la nos braços dos que a conceberam porque é esse o seu papel e essa a minha sabedoria – não preciso dela para a amar, como não preciso dos meus filhos – amo-os. Estejam onde estiverem, estarão sempre comigo e eu com eles. Talvez seja isto ser avó.
 
Amália
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Querida Amália

Nasceu hoje. Às seis e pouco da manhã. Ainda não a vi senão em fotografia, mas, quando a olho, o coração transborda de falta de espaço. Não há alegria maior do que esta de ver nascer uma criança que é nossa também. Não há alegria maior.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O tempo. O que é isso? o tempo?

Estou prestes a ser avó. É mais hora menos hora e o meu estado altera-se, assim – progredindo, avançando no tempo e no espaço como se estes existissem verdadeiramente, como se fossem reais. Há bem pouco tinha dezasseis anos e o sol de Fevereiro brilhava. Lembro-me perfeitamente – as plantas do jardim refletiam a luz. As folhas grandes e grossas dos jarros encadearam-me quando abri o portão e entrei, antecipando o sabor do doce de tomate feito há dois dias. Um copo de leite fresco, sem açúcar, e uma carcaça a transbordar de doce de tomate…
Não havia ninguém em casa nesse dia. E nem nos dias que se lhe seguiram.
Como cheguei até aqui? Que força é esta que me tem empurrado ao encontro da vida?
Estou prestes a ser avó e, neste momento, não imagino alegria maior.
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Em defesa do reino vegetal

"Não como cadáveres". Já não é a primeira nem a segunda pessoa de quem oiço esta frase, sempre dita com um ar sobranceiro e carregada da mesma importância com que se diria que matar é crime. Claro que é. Toda a gente sabe isso. Mas, por enquanto, só é crime matar seres que não fazem parte da cadeia alimentar de qualquer animal saudável e bem intencionado.
 
Mas o que me parece importante deixar claro é que a frase que certos vegetarianos gostam de ostentar com aquele ar de quem se distingue fortemente do mais comum dos mortais, não faz sentido nenhum.
 
Primeiro, porque um cadáver, para o ser, tem de estar inteiro ou quase inteiro, portanto para comermos cadáveres teríamos de ter a vaca na mesa, ou o porco ou o carneiro...quanto às galinhas, patos e peixes, se não gostam de comer cadáveres basta cortá-los às postas e está o problema resolvido.
 
Em segundo lugar as plantas, ainda que não pertencendo ao reino animal, são seres vivos. Aliás, algumas delas até são carnívoras, mas isso não faz mal porque como apanham os alimentos vivos, não comem cadáveres.
 
Eu já estive na presença de uma planta que se encolhia cada vez que eu lhe tocava. Numa reação tão imediata como qualquer ser do reino animal. Portanto, se não comem cadáveres, não podem pôr no prato cenouras, batatas, cebolas ou mesmo tomates, inteiros.
 
Sabem que há um estudo, muito antigo e pouco divulgado, que afirma que uma planta ligada a um sensor é capaz de identificar, por exemplo, um assassino se o assassínio tiver ocorrido na sua presença? Ah! pois é! Ó senhores do “não como cadáveres”.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

J.J. Cale

Ligavam-nos músicas como Cocaine ou After Midnight que ouviamos muitos decibéis acima do recomendável ainda antes de entrarmos no recinto do 2001, no Autódromo do Estoril. Não tinha rosto porque não eram dele as performances. Só tinha nome. À época não existiam computadores e os poucos canais de televisão, nacionais como eram, não transmitiam essas músicas malucas que a malta nova gostava de ouvir. Ficávamo-nos, assim, com as fotos que conseguiamos encontrar em revistas como “Salut les Copains”, que nem todos liam porque não trazia uma palavra em português e o francês era, à semelhança do que continua a ser para muita gente, uma dor de cabeça - não para mim, registe-se -, ou pelas capas dos álbuns onde se exibiam os músicos mas não os compositores. Esses eram nomes, e o dele ficou na memória por ter sido muito bem escolhido. Quem o fez sabia da poda.
 
Ora um nome sem rosto, principalmente um nome que cria sons como os que vibram no mais profundo de nós, facilmente se transforma num mito. São os rostos que nos humanizam. Um homem sem rosto pode muito bem ser um deus.
 
Morreu no sábado, aos 74 anos. A sua foto circula agora pela Internet, exibindo toda a sua humanidade. E foi a olhar para essa humanidade que me comovi com uma das suas mais dignificantes características – a humildade. Aqui está um homem, pensei eu, que viveu para nos enriquecer, sempre, ou quase sempre, escondido atrás dos panos que separam os bastidores das luzes da ribalta, e foi feliz.
 
J.J. Cale, aqui.

sábado, 27 de julho de 2013

Já dizia Sartre - O Inferno são os outros

Cada vez há mais pessoas sedentas de protagonismo. Eu existo; Eu conto; Eu tenho uma palavra a dar e essa palavra é importante.
 
E pode até ser. Pode até ser. Mas só a necessidade desse reconhecimento tira-lhe a importância. Só essa incapacidade de autovalorização tira-lhe a importância. Essa exigência daquilo que é dos outros tira-lhe essa importância.
 
Cansam-me as pessoas que directa ou indirectamente me exigem atenção e reconhecimento. Quem sou eu para importar?! Ninguém! A minha opinião não interessa nada. Só é importante para mim, para mais ninguém. Os outros terão as deles e é com elas que devem viver. Com elas e com a certeza de que cada um tem as suas e de que todas, sem excepção, devem ser respeitadas.
 
Odeio dependências. Odeio mesmo. Odeio toda a fraqueza que se esconde atrás da frustração, do exibicionismo, da presunção e do ataque. Odeio. Odeio toda a fraqueza que se esconde atrás das queixas, dos lamentos e da maledicência. Odeio. Odeio gente que não sabe crescer.
 

Pronto. Talvez odiar seja uma palavra demasiado forte. Agora, que já a escrevi tantas vezes, reconheço que sim. Sei lá eu odiar!
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

O respeitinho é muito bonito

Gostamos de acreditar que lemos para ficar mais informados mas, na verdade, lemos apenas o que nos interessa, que é como quem diz – lemos tudo o que podemos para corroborar aquilo que acreditamos saber já.
 
E isto acontece principalmente a quem estudou. Não, não me baseio em nenhum estudo. Aliás, nem sei se há estudos sobre o tema. Baseio-me naquilo que vejo à minha volta, que não é menos do que aquilo que outros, com a mesma idade que eu, já viram também e, por muito que isso moa certas pessoas, vale tanto ou mais do que as leituras que fiz e continuo a fazer.
O que separa a experiência pessoal de certos estudos é a ausência de registo, de submissão às estatísticas e de aprovação oficial. De resto, depende apenas da intensidade com que cada um vive e das voltas que a vida vai dando – a uns mais do que a outros. Desprezar esse conhecimento só pode ser ou inveja ou ignorância.
Estou em crer que o ser humano tem um limite de armazenamento que, uma vez atingido, faz com que passemos a recusar o novo que vem dos outros, salvaguardando assim um pequeno espaço para as surpresas que a vida nos vai pregando pelo caminho.
É óbvio que tudo isto não impede que continuemos a querer acreditar que a nossa experiência, conhecimento e sabedoria ultrapassam grandemente os do vizinho do lado quando no fundo, cá bem no fundo, sabemos que quanto mais agitamos a bandeira do eu é que sei mais revelamos as nossas incertezas e uma necessidade primordial de sermos aceites e respeitados, sobretudo, respeitados.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fresquinho e brejeiro (proibido a intelectuais)


Do alto da minha rua
Vejo a rua onde ele mora
E quando  passa um navio
Sei que a sua alma chora
 
Foi com mágoa que partiu
Para terra tão distante
Foi com mágoa que assumiu
O estatuto de emigrante
 
Mas a vida é mesmo assim
Quem sabe até faz sentido
Quer a terra de cada um
Não seja um sonho perdido
 
E se a terra onde se nasce
Não sabe cuidar de nós
Que a alma não descanse
Enquanto não tiver voz.

domingo, 21 de julho de 2013

Dos sonhos, das guerras e da inocência

Existe no sonhador uma certa inocência que permite aos destruidores de sonhos  tomar nas suas próprias mãos o poder da realização ou não realização dos mesmos.
 
Não basta sonhar para que as coisas aconteçam. Não é verdade que “sempre que um homem sonha o mundo pula e avança” e muito menos verdade é que isso aconteça com a mesma facilidade com que uma bola, colorida ou não, se deixa manipular pelas mãos seja de quem for.
 
Não é que não goste do poema. Muito pelo contrário – sei-o de cor e sempre que posso canto-o a plenos plumões. Acreditar na possibildade do sonho é ainda maior do que sonhar e os poetas têm esse poder – o de nos fazer acreditar na possibilidade dos sonhos.
 
Contudo, para quem quer mesmo transformar sonhos em realidade, é bom que saiba que só o poderá fazer se os seus sonhos coincidirem com os interesses dos controladores de sonhos, individuos que existem longe, muito longe, do alcance das comuns vistas e que têm o poder de matar todo e qualquer sonho que se interponha entre eles, os seus interesses egónicos e as suas crenças mesquinhas.
 
Assim, convém empenharmo-nos a ensinar às nossas crianças o Bem. Ensinar-lhes todas as vantagens e extrema importância do Bem. Porque é dentro desse Bem que mora a vergonha que impede, por exemplo, a corrupção e é dentro desse Bem que mora o Amor por tudo o que existe e o prazer de sentir que à nossa volta todos, ou quase todos, são felizes.
 
Desta forma, talvez daqui a muitos anos tenhamos colocado lá em cima, no lugar dos controladores de sonhos, gente que não precisa de provar, nem a si nem a ninguém, o seu poder de controlar mas antes a sua capacidade de Amar e espalhar esse Amor pelo mundo.
 
De outra forma, tudo o que se fizer de pouco ou nada servirá. Muitas guerras são perdidas por tácticas erróneas e aquelas que movimentam muita gente não têm segredos para um inimigo que é exímio em guerra de guerrilha.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Crescer

é basicamente libertarmo-nos, independentizarmo-nos, autonomizarmo-nos.
 
Pelo menos para mim.
 
A maturidade passa pela transformação do eu preciso para o eu amo; do eu preciso para o eu estou porque gosto de estar, porque isso me dá prazer.
 
A libertação, o desapego de tudo aquilo que não poderemos nunca levar connosco, é fundamental para um verdadeiro crescimento e, dado que não é fácil, é raro. A maior parte de nós faz o percurso inverso – vai-se agarrando cada vez mais à terra, mesmo sabendo que está por cá provisoriamente -, e arranja como justificação para essa incapacidade de libertação, a necessidade de deixar legado, esquecendo-se que a maior parte das vezes, se não todas, os filhos desprezam o que lhes é deixado, por preferirem, tal como os seus antecessores, viver a sua própria vida e acumular as suas próprias merdas.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pedro Bidarra - Filhos do 25 de Abril

Duras estas palavras do Pedro Bidarra. Esta é a minha geração e sei que há excepões. Conheço-as. São elas que confirmam a regra. Mas de uma coisa o Pedro se esqueceu - quem decretou as passagens administrativas não foram os estudantes, foram os professores e os responsáveis da altura - os velhos que ele quer ressuscitar e que cresceram num regime pequeno e mesquinho, fechado ao resto do mundo e que, por isso mesmo, fizeram uma revolução mas não souberam cuidar dos filhos adolescentes que, sem qualquer tipo de preparação, ficaram por sua conta e risco, ao sabor da tão sonhada liberdade.
 
Nenhuma geração existe separada da anterior. Não vale a pena, por isso, responsabilizar uns sem responsabilizar os outros. Somos todos responsáveis seja lá por o que for.
 
O percurso, o nosso - de todos -, é feito por todos e é com ele que vamos aprendendo - com as vitórias e com os erros. Responsabilizarmo-nos a nós directamente, pode parecer uma atitude de consciência, mas não passa de um desvario em tudo igual ao sacudir a água do capote.
 
Ter consciência da realidade é compreender o papel de todos no processo. Ver os papéis separados é falta de humildade ou falsa humildade, o que vai dar no mesmo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O que é isso - preparar os filhos para o amanhã?!

Uma criança nasce num determinado contexto socio-cultural. Os pais, porque a amam, tudo fazem para que ela se insira nesse contexto e tenha sucesso. Empurram-na, apoiam-na, incentivam-na... É esse o dever dos pais.
 
Contudo, só serão bem sucedidos se o contexto socio-cultural se mantiver mais ou menos inalterável. Mas se ele mudar, se ele mudar radicalmente, lá se vai a integração, lá se vai  o sucesso, lá se vão as ferramentas tão apropriadas ao contexto anterior.
 
E a verdade é que nunca sabemos o que vai acontecer. Não quer isto dizer que não devamos preparar as nossas crianças, muito pelo contrário – temos o dever, num mundo que muda a toda a hora, como este em que vivemos, de as preparar para o improvável, para aquilo que ainda não é mas pode vir a ser, para os preparar, dentro dos possíveis, para quase tudo.

Estar vivo nem sempre é o contrário de estar morto

Habituaram-nos a pensar a vida como uma obrigação, um tem de ser, uma coisa que nos acontece e que temos de cumprir com sacrifício, esforço e espírito de cruzada e acreditar, apesar de tudo, que fomos abençoados só pelo facto de termos nascido como se tivéssemos feito muito mal a alguém e agora estivéssemos a  pagar por isso.
 
Nunca consegui engolir essa história. Ainda que seja obrigada a reconhecer que ela vive entranhada em mim e condiciona certos dias, certos momentos.
 
Curiosamente, condiciona-os muitas vezes pela negativa. Eu explico. Sou tão contrária ao sacrifício que sempre que me disponho a fazer qualquer coisa, não porque goste mas porque aprecio os resultados do depois e não tenho dinheiro para pagar a quem o faça, fico com o mesmo humor dos sacrifícios e das contrariedades apesar de o meu coração se sentir feliz com os resultados.
 
Ontem montei dois móveis e pendurei dez quadros. De dia para dia, e desde que entrei de férias, a casa está a compor-se, a deixar de parecer um acampamento cheio de caixotes e de coisas por fazer, para passar a ser um lar que dá vontade de cuidar. Até já me apetece regar as plantas! É verdade, nem as plantas mereciam a minha compaixão tal era a desarmonia! Não me dou bem com desarrumação. Não gosto de viver no caos. Gosto de ter as coisas no seu lugar e dá-me um prazer imenso vê-las cuidadas à minha volta e isso, só por si, deveria ser motivo de alegria e o suficiente para me aliviar o semblante que durante todo o processo se deixa pesar julgando ser sacrifício o que não passa de opção, escolha consciente e voluntária.
 
E não o são todas e sempre?
 
Não, nem todas são conscientes e muito menos voluntárias. Montámos uma máquina que não trabalha sem nós e quisemos acreditar que somos nós que não funcionamos sem ela. E como ela é, na verdade, contrária à nossa natureza – que nos impele à liberdade, ao desprendimento e à preguiça -,  resolvemos mudar, teoricamente, a tal natureza e espalhámos por aí que somos seres predestinados ao sacrifício e à dor.
 
Assim, à excepção de uma meia dúzia de sortudos que podem pagar a quem de direito para arrumar o seu pequeno mundinho. Os outros, como eu, suam as estopinhas para o fazer. Mas uma coisa é certa – o gozo que eu hoje sinto quando olho para os móveis e para as paredes, eles desconhecem.
 
E posto isto, estou quase a chegar à conclusão que afinal os sacrifícios valem a pena. Foi assim que nos enganaram. Se eu tivesse podido, já tinha as coisas mais que prontas e a esta hora estava, com certeza, a fazer algo muito mais interessante e a sentir-me ainda mais feliz, que isto de estar vivo tem que se lhe diga – sem os mínimos, na minha opinião, não vale a pena.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O que me apeteceu e o que não me apeteceu

O que é que vais fazer hoje? Perguntou ele antes de sair. O que me apetecer, respondi com a mesma convicção com que se afirma que, naquele momento, se está com sede.
 
De facto tudo indicaria que sim que, tendo o dia por minha conta, dele faria o que muito bem me aprouvesse. Em parte assim aconteceu, noutra não e cheguei aqui, praticamente ao fim do dito, com um rol de cumprimentos de meter inveja a um vulgar dia de trabalho.

 
É pena que exista uma fdp de uma regra que sempre me acompanhou, pelo menos desde que me lembro – um dia que começa bem, nem sempre acaba da mesma forma. Muito pelo contrário.

 
E se hoje me levantei cheia de energia e de vontade. Deitar-me-ei, por certo, com uma disposição bem diferente.

 
Amanhã, deixo-me ficar a fazer, só, o que me apetecer.

 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Do Pessimismo

Sem dúvida uma perspectiva diferente de ver a vida. Mas não é disso que se precisa? de perspectivas diferentes?
 
Esta está com muita graça e, apesar da existência de um ou outro argumento menos sólido e da dúvida sobre aquilo que a sustém - eu preciso de perceber a base de todas as teorias. Sem isso não sou capaz de as corroborar. Trata-se daquela minha mania da importância da dualidade e da subsequente crença na existência de um Bem e de um Mal maiores que disputam a hegemonia aqui e ali (o ali fica ao vosso critério) e que, tanto um como outro, utilizam tácticas muitas vezes contrárias a si mesmos. Afinal é uma mania como outra qualquer. Apesar de disto, dizia eu, contribui em muito para algo que considero fundamental - a capacidade de distinguir o que é, daquilo que parece ser.
 
E posta que está esta introdução, fiquem-se com o discurso que vale a pena.
 
 

sábado, 6 de julho de 2013

Respirar de alívio, o tanas!

E pronto, digam lá que não sentiram um certo alívio na reposição do normal e até lhes passou pela cabeça que do mal o menos e que até talvez quem sabe as coisas estivessem a andar e mais vale ficarem lá eles do que gerar uma crise política que como se viu num único dia vai dar cabo disto tudo por causa dos tais mercados? Hem?!
 
O meu companheiro está a construir uns canteiros elevados aqui no quintal. O que já está pronto é para uma pequena horta (quando tiver hortículas, prometo fotos) e o outro, que ainda está em construção, vai transformar um dos cantos do quintal numa espiral de aromáticas. Só o nome é convidativo! É claro que vamos ter de arranjar manobras de diversão que tanto podem passar pela criação de um ambiente equilibrado onde, por exempo, aves insectívoras façam os seus ninhos para nos comerem as moscas e as lagartas que eventualmente nos possam visitar. Como podemos tentar resolver todos os problemas com a exposição de espantalhos e esperar que todos os seres indesejáveis se assustem na sua presença.
 
Mas nem sempre os espantalhos são eficazes. Nem toda a gente se assusta assim e, mais cedo ou mais tarde, os rabos que ficam de fora deixam-nos a pensar nas coisas.
 
Por exemplo. Ontem noticiou-se o encerramente da Maternidade Alfredo da Costa.
 
Ora, a minha neta está a pensar nascer lá porque, para além de estar sempre cheia e de já termos reservado espaço para ela, a MAC está equipada com a melhor tecnologia que por aí se vê.
 
Então, por que carga de água vai chegar?! Vamos lá pensar um bocadinho! Quem beneficia com o seu encerramento? O Hospital D. Estefânia que nem lhe chega aos calcanhares?! Claro que não! Os privados! Ora bem! Os privados!
 
E, meus caros, é isso que nos andam a fazer, a tentar eliminar tudo aquilo a que temos direito – porque o conquistámos. Exactamente. Conquistámos. E quem tem comido a sopa que nos querem enfiar pela garganta abaixo de que temos andado a viver acima das nossas possibilidades, espreite aqui, ou noutro sítio qualquer, porque o problema prende-se com manipulação de massas através de informação tendenciosa.
 
Bom, seja como for, eu quero que a minha neta nasça na MAC e farei todo o ruído que puder para que isso aconteça.
 
Já agora, deixo aqui registada uma outra dúvida que me tem assolado. Das tretas, truques e enganos com que nos tentam manipular, a gente lá se vai apercebendo de um ou de outro. Mas que truques, tretas e enganos tem quem de direito vendido aos nossos, e aos dos outros, supostos governantes? – e digo supostos porque já estamos todos carecas de perceber que não passam de meros espantalhos pregados na horta para nos assustar. Será que o fim do mundo está próximo e lhes prometeram lugar na poucas naves que, escondidas, os levarão para um novo mundo?!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ana Drago e Raquel Varela, ou vice versa, tanto faz

Numa altura em que quase todos os políticos me causam náuseas, estas duas mulheres têm-se destacado. No bom sentido, evidentemente. Quando as oiço sinto que talvez haja esperança, que, num futuro, não sei se próximo se longínquo, pode ser que isto se endireite. Pode ser que elas não se corrompam. Pode ser que consigam singrar.
Esta:

E esta: E, já agora, oiçam-na aqui.

Os sovinas das notas

Não, não são notas de música e muito menos daquelas com que se compram as bananas, e todas as outras coisas que gostamos, ou gostaríamos, de comprar. São notas classificatórias estas de que vos falo, e os sovinas são alguns dos velhos professores que acreditam que ficam mais pobres se as derem e nem sequer percebem que, ao guardá-las para si, estão a limitar a concorrência dos nossos jovens às universidades internacionais.
 
Eu explico. Por exemplo, alguns dos professores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mais conhecido por ISCSP – outra coisa que não se compreende muito bem já que custa tanto a pronunciar -, principalmente na licenciatura em Ciências Políticas, acham que 14 é uma nota extraordinária. Tão extraordinária que dá direito a bolsa de mérito!! E quem não acredita pode ir lá espreitar. Estão lá os nomes daqueles que, tendo terminado a licenciatura com média de 14, foram agraciados com uma bolsa de mérito.
 
Ora, meus senhores, 14 é um cocó de uma nota em qualquer cidade europeia. Se querem ver os nossos jovens a frequentar mestrados nas melhores universidades da Europa, têm de ser menos sovinas. Até porque, se alguém merece bolsa de mérito, merece um 18 ou um 19.
 
Mas…espera! Se calhar não querem! Tu queres ver que é isso! Os fulanos não querem ver os nossos jovens nas melhores universidades da Europa porque eles também estão vendedores de mestrados! Tão queridos estes tugas! Depois de formados até podem andar à procura de um trabalhinho qualquer lá fora. Pode até ser a servir à mesa. Mas, para gastar em mestrado que o façam por cá.
 
Outra coisa que não deixa de ser curiosa é o facto de se tratar de política e de políticos. Sim, porque muitos do professores do referido Instituto, que é público para quem não sabe, são tipos que estão, ou já estiveram, ligados ao governo - a este ou a outro qualquer. E correm por aí vários boatos que esta gente não é de fiar, que coça para dentro, que tem enchido os bolsos à nossa custa. Enfim...da fama não se livram e quando uma pessoa que, como eu, que sabe tão pouco disto, se põe a pensar, surge-lhe logo um quadro duvidoso, nada favorável às boas intenções e seriedade dos referidos.
 
Contudo, e por muita maldade que circule por aí, a vida segue o seu próprio rumo e muitos dos nossos jovens, quer vocês queiram, quer não, estão determinados a procurar reconhecimento e mérito por outras paragens. Paragens mais fiáveis, mais sérias, mais isentas de interesses próprios e, mesmo que não consigam entrar, como gostariam, nas universidades de topo, entram noutras e piram-se daqui para fora.