A vida é breve.
Mas é sobretudo frágil.
Talvez nos devêssemos lembrar disso mais amiúde. Mesmo aqueles que se julgam eternos perecerão. Porque ninguém é eterno. Por mais anos que se viva, um dia perecemos. Todos nós. Ninguém é eterno.
E uma prova de que a vida é breve é que uma grande maioria de nós, senão todos, chega ao fim da vida com coisas por fazer, por compreender, por aprender...
E uma prova de que a vida é frágil é o facto da morte não escolher idades.
Hoje fui ao funeral de um menino que vi crescer.
Aqueles que vemos crescer são eternos meninos.
Talvez devêssemos olhar mais amiúde para o outro. Só para termos a certeza de que não está a sofrer. De que não precisa de ajuda, porque, se precisar, provavelmente não vai pedir.
Quantos de nós pedem ajuda quando precisam? E quantos se fecham na sua concha, na sua lástima, para não incomodar, para não se diminuírem ainda mais do que os pobres, fracos, incapazes que veem refletidos nos olhos alheios.
Há, neste mundo muita gente em sofrimento. Atrever-me-ia a dizer que mais do que em outra época qualquer.
Muitos jovens não encontram propósito ou força para superar tantos obstáculos e contrariedades.
Muitos velhos lutam para serem vistos porque a verdade é que a idade os vai desfocando aos olhos de um mundo que luta para sobreviver.

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