Cada
vez que oiço, ou leio, alguém defender aquilo em que acredita, acho que essa
pessoa está cheia de razão. Se eu acreditasse no que ela acredita, também eu
defenderia assim a minha posição – com toda a certeza absoluta posta nas
palavras. Com toda a convicção.
E é por
isso mesmo que a minha opinião sobre as coisas se vai desvanecendo,
desvanecendo…até quase desaparecer para o mundo por falta de argumentos –
porque as ideias só existem quando há argumentos para as defender -, e fica a
opinião guardada cá dentro de mim, com toda a convicção de que qualquer
discussão será estéril porque a verdade é que vivemos fechados nas nossas
verdades e só a experiência, aquela vivida de corpo e alma, nos pode demover. Nada
mais.
Ando
assim com a política.
Oiço o
meu filho defender veementemente o neoliberalismo, convencido de que não existe
no mundo regime mais capaz de trazer justiça e tratar todos por igual, e
acredito nele. Acredito que ele tem razão. Acredito que ele defende aquilo em
que acredita porque vê o mundo com os olhos dele. Acredito na sua convicção e
na sua boa fé e, por isso mesmo, qualquer discussão sobre o assunto
transformar-se-ia numa experiência estéril.
Depois oiço
a minha filha, mais inclinada para a esquerda, revoltada com o país onde vive. Desiludida
com tantas promessas logradas. Revoltada com um mundo onde imperam as
injustiças, onde os poderosos, que são menos do que poucos, têm a coragem de
exibir os seus galões – ganhos à custa sabe Deus de quê! – perante gente que
morre à míngua. À míngua de justiça, à míngua de saúde, à míngua de cultura, à
míngua de conhecimento e, tantas vezes, à míngua de comida, de condições
básicas de saneamento, de amor, de carinho, de apoio, de companhia…de trabalho.
E compreendo-a tão bem! Meu Deus, como a compreendo!
E
depois, e este depois é o mais importante de todos, vejo-os defenderem pessoas
e partidos, e tremo porque me parece que essas pessoas e esses partidos não têm
as mesmas preocupações que os meus filhos. Porque se as tivessem. Se essas
pessoas e esses partidos acreditassem, como os meus filhos querem acreditar que eles acreditam, que muito mais
importante do que a satisfação das suas necessidades pessoais, sejam lá elas
quais forem, é o bem estar do país – de todos os cidadãos do país -,
juntavam-se todos, esqueciam os partidos e lutavam, juntos, para nos tirarem
deste buraco onde nos forem enterrando ao longo dos últimos 40 anos.
Se
estas pessoas em quem os meus filhos querem acreditar – e eu também -, fossem
pessoas em quem se pode confiar, juntar-se-iam
em torno deste governo que está feito e governariam, com todos os poderes que
ao parlamento são dados e com um único móbil – o bem estar deste povo que está
cansado de míngua e o progresso deste país que já merece melhor sorte.
Governariam.
Com os olhos postos em nós que estamos aqui e que carregamos às costas este
país que já conta com 870 anos. Governariam. E deixavam-se de merdas de machos
que lutam por um território, por ideias, por poder. Governariam. Juntos. E
cagavam de muito alto nos partidos que defendem. Não que os largassem. Mas podiam
deixá-los em banho Maria, porque nós agora precisamos mesmo é que trabalhem.
1 comentário:
Defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de realidade!...
AbraçO
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