quinta-feira, 30 de julho de 2026

Joana Marques e os influencers

 




Os influencers, experts em coisa nenhuma, têm crescido exponencialmente na nossa sociedade - e por nossa não me refiro apenas à nacional, apesar de ser essa, em particular, que me interessa. Afinal de contas é nela que vivo.

São, grosso modo, jovens e, por vezes, nem tão jovens, que assumem uma atitude de conhecedores de temas que nunca estudaram, nunca aprofundaram e dos quais, na verdade, pouco ou nada sabem, que tratam como quem trata o que é mundano em conversas de café, assumindo uma atitude sobranceira que, por si só, vai convencendo todos aqueles que são demasiado preguiçosos para pensar - habituados que estão a fazer scroll e desabituados que estão de ler mais do que meia dúzia de linhas que são já, para muitos, uma autêntica canseira!

Depois há certos comediantes, dotados e trabalhadores, que prestam o serviço público de os expor. Sem realmente serem ofensivos, expõem, de forma inteligente, o ridículo que sai das bocas de muitos desses influenciadores (e o facto de o serem, o facto de realmente influenciarem, só mostra o nível de desconhecimento - para não chamar ignorância - de uma razoável franja da nossa sociedade).

Uma dessas comediantes que admiro profundamente é a Joana Marques.

A Joana é inteligente, muito trabalhadora - faz pesquisa, não fala de cor - e naturalmente dotada para fazer rir. A Joana lembra-me Gil Vicente, o nosso primeiro dramaturgo que expunha na corte o ridículo da sociedade da época e que tinha um lema: 

castigat ridendo mores - rindo se corrigem os costumes.

Não faço ideia do que é que as pessoas do século XVII diziam sobre Gil Vicente e as suas peças de teatro, mas sei o que é que as pessoas que não gostam da Joana Marques dizem dela. E é triste. É triste porque todas as retaliações que surgem a público são ofensas diretas à figura da comediante: porque é baixa, porque é gorda...

É claro que estas pessoas, ignorantes como são e incapazes de se autoanalisarem, não compreendem que este tipo de retaliação só confirma a pobreza, a pequenez, a insignificância em que os seus pequenos cérebros vivem.

Gostar ou não gostar seja de quem for, seja do que for, é mais do que natural - é perfeitamente legítimo. Tenho amigas que não gostam da Joana Marques porque ela lhes fere a sensibilidade e isso é absolutamente legítimo. Nunca ouvi das suas bocas nenhuma ofensa. 

Agredir verbalmente alguém que diz o que não gostamos de ouvir é, também, uma forma de legitimação do que foi dito. 

É caso para se fazer aquela pergunta brejeira: "Serviu-te a carapuça?"






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