sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Um Astro Desconhecido

Na minha varanda, a sudeste da Lua, está um astro grande de mais para ser uma estrela, brilhante de mais para ser planeta. Interrogava-me eu sobre o seu nome quando uma outra estrela, esta cadente, atravessou o imaginário eixo que une Lua e Astro. O meu coração, de repente, desatou a palpitar.
Alguém me sabe dizer que nome tem este astro? Que estrela é esta? Se será um planeta e, se sim, será Vénus? É que não é a primeira vez que o vejo no céu e já me disseram que podia ser Vénus. Mas com tanta luz?!
Gosto de ver em tudo sinais. Acredito que se os virmos talvez se tornem realidade.
Sinais ou não, foi um lindo momento. A Lua; o Astro e a Estrela Cadente a atravessar, determinada, o eixo imaginário que os une.
Um lindo momento...

Será possível parar a vida?

Se ficarmos muito sossegados, quietos, imóveis, reduziremos as hipóteses das coisas correrem mal?
Ou será que mesmo sem nós a vida não pára e amanhã, quando acordarmos, verificaremos que apesar de nada termos feito, ou precisamente por isso, a merda se acumulou?

Conhecer os Outros - Conhecermo-nos a Nós

Já lhes aconteceu colocar os outros num determinado pedestal e depois chegarem à conclusão de que estão no pedestal errado?
Por vezes distanciamo-nos dos outros porque achamos que estamos demasiado longe deles. Sem darmos por isso fechamo-nos numa redoma e impossibilitamos qualquer aproximação por nos julgarmos imerecedores. Por medo do ridículo. Por falta de confiança, em nós.
Assim que abrimos os olhos e os vemos, a eles, vemo-nos a nós também.
Pode até ser um lugar comum mas não sei de melhor forma de conhecimento do que aquela de nos re-conhecermos nos outros.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cultura de cauda

Estão enganados os que pensam que a cultura vem apenas dos livros que se lêem, das escolas que se frequentam, dos espectáculos a que se assiste.
A cultura vem, em catadupa, das vivências que se têm, das viagens que se fazem, dos conhecimentos que se cruzam.
Se fizéssemos um inquérito ficaríamos surpreendidos com o número de pessoas que nunca se afastaram mais de meia dúzia de quilómetros do local onde cresceram.
Se fizéssemos um outro inquérito ficaríamos ainda mais surpreendidos com o número de crianças que nunca viajaram. Que só sabem da existência de outros lugares pela televisão ou pelos livros da escola. Que nunca cheiraram outras terras. Nunca sentiram outros ventos. Nunca provaram outras iguarias. Nunca passearam noutros passeios.
São outras realidades que nos abrem os horizontes, que nos afastam do provincianismo. E é "de pequenino que se torce o pepino".
Não criar condições para que as nossas crianças possam "sair de casa" é adiar a cultura.
E uma cultura adiada marchará sempre na retaguarda. E, como todos nós sabemos, à retaguarda fica a cauda.
Teremos, portanto, uma cultura de cauda.

Primeiras Impressões de um Ano Novinho Em Folha

Entrei o ano a comer muito bem e a beber melhor ainda em lugares até então desconhecidos (por muito que se conheça nunca se conhece tudo) que recomendo. A saber:
A Travessa, no antigo convento das Bernardas na Madragoa.
A Toca do Javali, em Sintra.
Quanto à chuva que não deu tréguas vejo-a como um excelente augúrio. Primeiro porque a água é e sempre será uma forma de purificação. Leva o que não presta e lava o que está sujo, dando ao pequeno novo ano um ar limpinho e aprazível. Depois porque dá à quadra aquela vontade de recolhimento que lhe fica bem, e a Sintra um ar tão diáfamo que a obriga a transcender-se na sua beleza, se é que isso é possível...
Depois de tanta comezaina sinto-me em paz, comigo e com o mundo. Só espero que esta paz perdure ainda que as comezainas tenham, porque têm, de ser dispensadas...
Mais uma vez: Um Feliz 2009.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009

Por todo o lado oiço dizer o quão difícil será este novo ano que se aproxima a passos largos. Quem sou eu para desdizer tal coisa?!
Por isso aqui ficam os meus votos:

Que saibamos manter toda a paz interior necessária para vencer qualquer adversidade.
Que a saúde não nos falte.
E que tenhamos muita, muita sorte.


Um Excelente 2009 para todos.

Até para o ano.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Carta Aberta a Fernando Dacosta

Caríssimo Senhor,
Antes de mais um muito obrigada pel'Os Mal Amados. Há muito tempo que um livro não me levava do princípio ao fim quase sem respirar.
No início temi que a minha motivação se prendesse com algum saudosismo, alguma nostalgia. Depressa percebi que afinal se prendia com as revelações e com o efeito que elas sempre têm - uma certa abertura de consciência; o ressurgir de verdades abafadas; a vitória sobre o medo de pensar.
Vivemos num mundo tão globalmente denso e povoado que nada do que foi se poderá repetir. Nem o bom, nem o mau. O planeta mudará de côr e com ele o próprio universo. Cabe aos excelsos guardiões da História a tarefa da memória, pois sem ela não há futuro.
Se alguns de vós foram esquecidos, é só porque chegaram a ter voz. O Fernando faz parte, ainda, de uma geração a quem foi permitido ter voz, uma voz clara, consciente, verdadeira e nobre. Sobretudo nobre. Para as gerações que se lhe seguiram já tudo "pia mais fino". Nem a nobreza e nem a consciência fazem parte dos interesses das massas. Valham-nos os blogues que serão, estou certa, preciosas fontes para a História a escrever. Será através deles, de todos estes anónimos, que a História será escrita. Será em torno deles que os nossos vindouros tentarão compreender estas novas indumentárias de mais uma Idade Média.
Que Deus lhe dê forças, a si e a mais meia dúzia, se tanto, para que, antes de partirem, possam ir sussurando (porque gritar será difícil), o tanto que sabem. Que possam continuar a dar voz aos verdadeiramente visionários que se foram. Que as vossas obras perdurem no tempo.
Ámen.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Blue Moon

Um dia hei-de cantar isto.
E há-de ser verdade.

Diário de bordo

29 de Dezembro de 2008, 19.19 h
Hoje o mar esteve agitado durante a tarde. Foi, com certeza, esse motivo que levou ao desnorteio de 3 dos marinheiros encarregues das contas e do registo dos víveres. Fui obrigado, como comandante da embarcação, a puxar dos meus galões de forma a repor a ordem. Momentos houve em que temi que se amotinassem. As ondas levantavam o casco mais alto do que o suportavel e a chuva não deu tréguas. Não há nervos que resistam a este tipo de intempéries.
Graças a Deus que a nortada acabou por sossegar e os marujos levaram as suas tarefas a bom porto, salvo seja.
Faltam 3 dias para o fim do ano. Vamos lá a ver se, até lá, avistamos terra...

O que nos afasta

Os homens não gostam das mulheres. Talvez já tenham gostado, não sei. Mas agora não gostam. Exceptuando as filhas. Essas são, na sua maioria, verdadeiramente amadas pelos pais, talvez porque são a prova provada da sua virilidade incontestável.
Antigamente a doçura, a submissão e a ignorância das mulheres faziam-nas amadas. Eram seres frágeis, a proteger. Seres que a toda a hora testemunhavam a força, a capacidade, a virilidade do homem. Por sua vez elas amavam também. Apaixonavam-se pela protecção que recebiam e pela tranquilidade que ela lhes dava. Acreditavam na superioridade dos seus companheiros, na sua magnificiência, na sua sabedoria. Entregavam-lhes as suas vidas e quando, por qualquer motivo, se sentiam ludibriadas, tinham medo de o expressar e guardavam o seu descontentamento, a sua desilusão, até ao sufoco.
Hoje são os homens que se sentem ludibriados. Perdidos entre a imagem ainda fresca, afinal um século não é nada, da mulher dócil e submissa; carinhosa e compreensiva e esta, da mulher exigente e lutadora, mais capaz que muitos deles. Esta, da mulher que não confirma a todo o momento a sua extraordinária virilidade, se é que a confirma alguma vez.
A partir do momento em que a humanidade compreendeu o papel que o homem desempenha na procriação, carregou sobre o sexo masculino uma responsabilidade que extravasa, muitas vezes, a sua competência. Até a sua vontade. Deu-se ao sexo uma importância primordial, creio que com Freud a encabeçar a dita, e agora todos nós sofremos com esta incapacidade de comunicarmos uns com os outros, de nos conhecermos, de nos darmos, de confiarmos, de nos amarmos.

Um país cheio de sol - parte II

Um dia mau é aquele em que acontecem coisas más. Um dia bom é aquele em que não acontece nada de mau.
Porque se algo de bom realmente acontece nem se fala nisso, não vá o diabo tecê-las...
Somos viciados em sofrimento. Morremos de saudades como se tivessemos vivido, numa outra vida qualquer, aventuras tão extraordinárias que, embora tenhamos consciência de que nada na vida se repete, procuramos incansavelmente reviver. Reproduzindo-as. Repetindo-as. Se não elas quaisquer fantasmas delas.
Devemos ter vivido situações tão extremas que não conseguimos dissociar o prazer da dor. Tornámo-nos algo masoquistas. Precisamos da desgraça para nos sentirmos vivos. Precisamos tanto dela que ela acaba por vir. Devagar, dissimulada, mesquinha, porque são as pequenas desgraças do dia-a-dia que nos alimentam e não aquelas catástrofes que vemos, pela televisão, devassar outros lugares. Essas não as chamamos por medo que venham e depois não teríamos mais motivos para sermos, mesquinhamente, infelizes.

Um país cheio de sol

Como é que um país cheio de sol, com uma luz como há poucos, gerou um povo tão cinzento?
De onde nos vem tanta tristeza? Tanta ausência de alegria!
As crianças arrastam-se para as escolas. Os adultos para o trabalho. Se algum entusiasmo se sente, pela manhã, ele não está no trabalho em si mas nas pessoas que lá vamos encontrar. Sei de alguém, uma só, que chorava nas férias porque sentia saudades de sítio onde trabalhava. Na verdade sentia saudades do chefe por quem se tinha apaixonado.
Não conseguimos encontrar alegria em nada que façamos. Não conseguimos encontrar recompensa.
Pagamos pelos bens essenciais tanto quanto os outros mas usufruímos de salários que envergonham qualquer um. Nada nos resta que possamos usar em nosso proveito. Sentimo-nos parte de uma engrenagem sem sentido. Lutamos hoje. Para quê? Para podermos continuar a lutar amanhã.
- A vida é uma luta - já diziam os avós, e os avós dos avós e continuamos nós a dizer o mesmo.
Talvez ela deixe de ser uma luta quando deixarmos de o afirmar. Quando nos recusarmos a que seja.
Talvez que sejamos um povo que precisa de algum individualismo. Talvez que sejamos um povo que se perde nas massas. Talvez que devessemos olhar para cada um de nós, para cada uma das nossas crianças e tentar perceber o que nos faria, o que as faria, felizes. Completas. Realizadas.
Como é que uma geração de gente cinzenta pode entusiasmar as camadas mais jovens sem lhes transmitir este cinzentismo? Como iremos nós quebrar esta merda desta corrente?
Quantos de nós responde, quando lhe perguntam como vai?, com um sorriso nos lábios, com um olhar verdadeiro - estou bem, está tudo muito bem.
O olhar é sempre triste. A voz acabrunhada. Cá vamos, puxando a carroça...
Que carroça? Desde quando a vida é uma carroça?! Mas isto faz algum sentido?! O que raio andamos cá a fazer? Então e aquela obrigação que dizem termos, de sermos felizes?!
Depois admiram-se que andemos todos doentes e que as depressões abundem nesta terra de tanto sol e tanta luz...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Feiticeiro, precisa-se

Devolva-se a coragem ao Leão.
O cérebro ao Espantalho.
O coração ao Homem de Lata.
Leve-se a Dorothy de volta a casa
Tragam o Feiticeiro.
Feiticeiro, precisa-se.
Viage-se até Oz.
(e onde raio fica Oz?!)

Que nome se dá?

Que nome se dá a um amor que se deixa estragar?
Pequeno?
Não!
Inseguro.

O meu filho

O meu filho que ao contrário
Da irmã foi planeado
E aos santos invocado
É ainda muito jovem
Mas o esforço que ele faz
P´ra deixar de ser rapaz
Faz já dele quase um homem

É feito de boa cepa
E coragem não lhe falta
Tem uma boa cabeça
E raramente se exalta

Às vezes vacila na escolha
Do caminho por onde ir
Às vezes perde-se um pouco
Às vezes treme a sorrir

Mas tem já sabedoria
Coisa rara nesta idade
E cativa a simpatia
Com grande facilidade

Luta com as contradições
Que vivem dentro de si
Mal sabe ele que ao vencê-las
Outras virão mesmo assim

O meu filho é grande e lindo
Tem um coração de ouro
Uma alma nobre e rica
Será sempre o meu tesouro

Podem dizer que não prestam
Estes versos que lhe dou
Mas os versos têm dias
Nem sempre saem formosos
Às vezes soam vadios
E no amor são pirosos...

Fujo

Fujo.
Fujo sempre que as pernas me tremem.
Fujo para não cair.

Interrogações, mais do que esclarecimentos...

Haverá ainda alguém que acredite no amor?
Haverá ainda alguém que lute por ele?
Deixámos de acreditar no amor ou, simplesmente, deixámos de o identificar?
Ou deixámos de lutar por ele porque o secundarizámos?
Ainda não há muito tempo morria-se de amor.
Ou não?
Ou será que se morria de impossibilidade?
Hoje tudo é possível, ou quase tudo, por isso já ninguém morre de amor.
Vai-se morrendo...

O Tédio

Se tivesse de eleger um número Um na lista de inimigos a abater, provavelmente elegiria o Tédio.
Traiçoeiro como só ele, vai minando o dia-a-dia sorrateiramente, disfarçadamente, criando esperanças vãs de que na próxima esquina surgirá, claro que surgirá, algo de realmente empolgante, algo de novo, algo acabado de nascer e, quando damos por nós, já não é a sua ausência que nos empurra, não é, porque ele lá está, sentado ao nosso lado, é antes a esperança que ele morra, a esperança que nasça algo que o mate. Nem que seja por mais uns anos.
Meu Deus! Onde é que se consegue arranjar "combustível" para aguentar isto por mais tantos anos quantos aqueles que a esperança média de vida, sempre a crescer, nos promete? Por favor não deixes que o meu falecido avô me contagie. Ficávam-se-me os cabelos em pé sempre que o ouvia dizer: -Já vi tudo o que há para ver.
Coitado, nunca percebeu que não era a falta de novidades, que na verdade abundam neste mundo "em perpétuo movimento". Era talvez a falta de imaginação. A falta de paciência.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Celibato

O celibato vicia-nos tanto quanto a partilha.
Andamos uma quantidade de anos a partilhar a vida com um outro. Habituamo-nos a caminhar a quatro pernas e, de repente, um qualquer imprevisto deixa-nos coxos.
Levamos algum tempo, muito tempo, a reaprender a caminhar sozinhos. A maior parte das vezes, com o passar do tempo, acabamos por gostar ou por nos adaptar de tal maneira que nos fechamos na nossa concha e, mesmo que cá no fundo queiramos voltar a partilhar, esquecemos como. Deixámos de coxear e quatro pernas incomodam-nos, atrapalham-nos, desamparam-nos, deixam-nos coxos...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Como ainda não sei adicionar videos ou imagens alusivas à quadra, não terei outro remédio senão escrever os meus votos.
É um facto que os votos, virando um pouco mais para a direita ou um pouco mais para a esquerda, se não são todos iguais são, francamente, parecidos, o que os torna monótonos e exige muito mais de quem pretende marcar uma diferençazinha, o que não é o meu caso. Gosto dos votos habituais e estou-me nas tintas para a monotonia.
É claro que ficaríamos todos muito felizes se hoje, no céu, se reunissem todas as estrelas avisadoras dos acontecimentos mais importantes de todas as religiões e que esse milagre obrigasse toda a gente a parar e trouxesse para a realidade aquele episódio da guerra do Raul Solnado.
Mas como nada disso vai acontecer, desejo-vos uma noite de Paz e que, pelo menos nas vossas cozinhas, o stress da consoada não dê cabo da harmonia. Que todas as famílias possam comungar e que a noite seja tal que a sua memória perdure por tempo indefinido de forma a dar às pessoas a vontade inabalável de voltar a sentir toda essa comunhão.
FELIZ NATAL