Junto às árvores tenho necessidade de lhes tocar como se, com esse toque, as pudesse adivinhar. Não sei, quase nunca, como se chamam. Às vezes, nem para que servem. Só sei que as admiro.
Junto aos livros acontece a mesma coisa, essa necessidade de lhes tocar, de os abrir, de ouvir tudo o que têm para me dizer.
Hoje tive o privilégio de passar o dia em casa de um coleccionador. Hoje foi tu cá tu lá com as primeiras edições de autores como Teixeira de Pascoaes, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Malhoa, Mário de Sá Carneiro, João de Deus…e tantos tantos outros. Foi tu cá tu lá com manuscritos que eu nem sabia que existiam; com cartas trocadas por gente que não conheci e tenho pena.
Hoje tive na mão a 1ª Edição da 1ª Carta Constitucional Portuguesa, e fiquei a saber que os bigodes eram tão importantes que se fabricaram chávenas de chá especiais para aqueles que os ostentavam.
Aqui ficam alguns testemunhos que me deram água pela barba, que não tenho, para os colocar aqui de uma forma mais ou menos decente.
Contas do Funeral da Rainha D. Maria


