Todos nós somos antagónicos. Todos procuramos, incessantemente, dentro e fora de nós. Todos somos múltiplos. Neste espaço, é a minha multiplicidade que se manifesta.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Eu sei que o tema já chateia, mas...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Shiuuu
Começar o dia...
domingo, 25 de julho de 2010
Das vantagens da idade
Andei anos, muitos, a lutar com um estranho medo que me impedia de resolver pela negativa certas relações que, na verdade, nenhum bem me faziam mas que eu teimava em manter, vá lá saber-se porquê. Sempre que, por qualquer motivo, me deparava com a necessidade de me afirmar e de mandar àquela parte esta ou aquela pessoa, era um pesadelo que me tirava o sonho noites a fio e me ocupava o pensamento durante os dias em que ele me fazia tanta falta para outras coisas bem mais vantajosas. Desde a necessidade de despedir a mulher-a-dias até ao corte com um amigo que afinal não era, iam dias, às vezes meses, de preparação até já não ser possível encarar o dito e as coisas se resolverem por exaustão e abandono.
Quando me libertei desse medo, precisei de refrear todas as angústias guardadas ao longo dos anos e dizer a mim a mesma que passar do oito ao oitenta não é solução para nada e que há que discernir das razões de parte a parte.
Hoje estou mais calma, muito mais calma, e determinada. Enfim em paz comigo mesma, não me custa desligar do que não me interessa ainda que uma certa tristeza não deixe de se instalar, mas por pouco tempo. Se já não é o que antes foi, há que encarar a realidade e tomar medidas. Não deixo de ponderar acerca das minhas razões – há sempre a possibilidade de estar a ver a coisa de um ângulo errado – mas quando tenho razão não há quem ma tire e deixei de ter saco para más criações, burrices ou, o pior de tudo, o mais alarmante – a estupidez. E, se em tempos idos, senti necessidade de «recuperar» aqueles que eu, na minha extraordinária imodéstia, considerava «recuperáveis»; hoje acredito que cada um sabe de si, que cada um tem, com certeza, o seu próprio caminho que não me cabe a mim determinar.
sábado, 24 de julho de 2010
Das repetições
«Deus escreve direito por linhas tortas» é, talvez, o ditado popular mais relevante dessa antiga tomada de consciência em relação à forma como a vida se processa.
Para quem acredita que Deus habita em cada um de nós é mais difícil a exoneração da responsabilidade própria nas escolhas que se fazem. Ainda assim, muitas delas são feitas inconscientemente, como se o nosso inconsciente tivesse um poder de alcance misteriosamente superior - o espírito sabe mais do que a mente, creio ser já uma verdade pois não há boca de onde não se oiça, pela menos uma vez na vida, que dormindo sobre certos assuntos a solução nos surgirá, como se, para tal, nos bastasse apagá-los, temporariamente, da dita.
Tudo tem, assim, uma lógica muito própria - um propósito que verte a nosso favor. Contudo, de pouco nos serve esse «instinto» que nos empurra para certas decisões se nunca chegarmos a compreender o objectivo do caminho a que cada decisão nos leva.
Pensar sobre o que nos acontece, porque é que nos acontece e onde nos leva exactamente o caminho que escolhemos ou o que é que o nosso espírito espera de tal decisão, é primordial, sob a pena de ficarmos agarrados indefinidamente a decisões que nos param no tempo e nos obrigam a ver uma e outra vez os mesmos episódios de certos filmes que já púnhamos de parte, não fosse a nossa, às vezes escassa, visão.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Sou só eu?!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Da lei da morte
Para aqueles que, como eu, acreditam na existência do espírito, o único propósito lógico será o do crescimento espiritual. Tudo o que cá deixamos, quer a nível material quer afectivo, é com os outros que fica, quando fica, em memória que é, quase sempre, temporária. Mesmo aqueles que «através de obras valerosas se vão da lei da morte libertando», mais cedo ou mais tarde cairão no esquecimento, até voltarem a ser, como o foram os antigos, rebuscados. E isso nem sempre acontece.
Assim, fico-me com o propósito do crescimento espiritual já que é o único que para mim faz sentido. Recordo-me, portanto, amiúde, de que morrerei. E, não sabendo como nunca se sabe quando tal acontecerá, é talvez importante estar para isso preparada em qualquer momento, não vá ela surpreender-me e eu andar, depois, para aí perdida sem eira nem beira…
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Numa quase desistência
Ou é isso ou a surdez alheia que me cala num «não vale a pena».
terça-feira, 20 de julho de 2010
Das batalhas
Mantermo-nos firmes nas nossas convicções, visualizando o sucesso e não acreditando noutra coisa que não seja o sucesso, chamá-lo-á e os muros não cairão.
As batalhas são ganhas por aqueles que se acreditam vencedores e não pelos exércitos mais numerosos. Que o digam os Castelhanos.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Palavras de Ordem
domingo, 18 de julho de 2010
Regresso a Sizalinda
Das caras e das expressões
Se a forma como nos relacionamos tem sempre alguma graça, a forma como nos vemos uns aos outros tem mais graça ainda. Criamos estereótipos, ou eles já estão criados – provavelmente já estarão – e vamos, ao longo da vida, enfiando lá para dentro as várias pessoas com quem nos vamos cruzando convencidos que sabemos o que estamos a fazer. Ontem tive a sensação que seria mais sensato classificar, se é de classificar que se trata, as pessoas pelas expressões que carregam no rosto do que por aquilo que elas dizem ou pela forma como manifestam o carácter que, normalmente, não querem revelar.
Os rostos revelam, quando se julgam não observados, o que na realidade vai na alma de cada um. Ele há rostos profundamente tristes, que parecem encerrar profundas perdas; há rostos profundamente plásticos que já se habituaram tanto a esconder o que sentem e o que são que agem como se estivessem permanentemente a ser observados; há rostos agressivos, desafiadores, de quem necessita de provar não se sabe bem o quê; há rostos felizes, alegres, de quem ou não tem ou soube deitar para trás das costas os infortúnios, nem que fosse só por um bocadinho…; há rostos profundamente opacos, ébrios, quase perdidos; e há rostos que emanam uma paz e uma tranquilidade incomuns. Ele há rostos para todos os gostos e olhares para todas as almas que, foi o que me pareceu ontem no meio de mais de cinquenta pessoas, dizem mais do que as bocas quando falam.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Da rotina
É bastante comum olharmos as vidas alheias e dizermos para os nossos botões, que aquilo sim, é vida, quem nos dera…Mas a verdade é que todos ou quase todos fazemos isso, pelo que só o que é dos outros ou aquilo que já passou é que é bom, sem percebermos que, na verdade, é só porque foge à rotina, à nossa rotina.
Há que reinventar o dia-a-dia e, para isso, nem sempre são necessárias medidas drásticas ou modificações concretas. Muitas vezes basta pensarmos. Pensarmos no que nos aborrecia quando estávamos como já não estamos. Pensarmos quão mal nos sentíamos em momentos que já passaram, em situações que já não são. Esta é uma forma, como qualquer outra, de nos irmos sentindo gratos pelo que temos agora, porque é esse sentimento de gratidão que nos traz felicidade, e não as coisas que acontecem ou deixam de acontecer.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Dos pais e dos filhos
Quando eles nascem são motivo de tanto orgulho e trampolins para tanto crescimento que julgamos poder manter para sempre uma relação de amor e devoção de parte a parte. Mas a verdade é que chega sempre um momento em que a devoção desvanece, a deles, não a nossa. Um momento em que se tornam críticos e em que acreditam que o mundo é um lugar bem diferente daquele que os pais habitam. Perde-se, deles, a admiração e essa perda dói. Dói porque, de repente, sentimos que todo o esforço foi em vão porque não é reconhecido, e não tem de ser. Eles querem lá saber se sacrificámos isto ou aquilo por eles; se nos esforçámos muito ou pouco; se aquilo que têm e de que desfrutam é devido a mais ou menos esforço. Não querem, nem têm de querer, saber. Só mais tarde, muito mais tarde, quando a vida lhes entrar pela porta adentro; quando os filhos deles nascerem e eles estiverem, por sua vez, no nosso lugar, só então, se aperceberão daquilo que não se aperceberam antes.
Há sempre uma altura em que os filhos desiludem os pais e os pais desiludem os filhos e, nessas alturas, há pais que sentem uma enorme vontade de sair porta fora; de virar costas e dizer – desenrasquem-se; fiquem por vossa conta e vão ver como elas mordem… Mas este sentimento não é fruto de amor, mas de amor-próprio; não existe por vontade de educar, mas por uma estranha espécie de vingança, do tipo – não me reconheces o valor; talvez o faças se deixares de me ter.
É por isso que, nessas alturas, se deve respirar fundo, encher o peito de ar e mostrar de que fibra somos feitos. É nesses alturas que os filhos nos dão, verdadeiramente, a oportunidade de crescer, de provar que somos adultos inteiros, responsáveis, conscientes, e que o nosso amor por eles é incondicional. É precisamente nessas alturas que devemos estar, discretamente, mais presentes do que nunca.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
A Guerra de Joaquim Furtado
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Patriota?
Se quando estou longe sinto saudades e acho que em lugar nenhum do mundo há praias como as nossas, isto não é ser patriota?
Se fico ofendida quando um estrangeiro não conhece ou mal diz o meu país, isso não é ser patriota?
Se apesar de ler perfeitamente em Francês; Inglês ou Castelhano, prefiro fazê-lo na minha língua, isso não é ser patriota?
Se o meu peito incha de orgulho quando leio Camões ou Pessoa, isso não é ser patriota?
Então porque é que uma patriota como eu está tão cansada deste país onde nasceu?!
É tudo a roubar!
Trabalhei, em 1979, cerca de dois anos na Holanda. Trabalhava doze horas por dia, seis dias por semana. Nunca me senti explorada; roubada; abusada.
Neste país, desde os Bancos que funcionam como o melhor mata-borrão, não fosse hoje o dinheiro mera tinta num papel, até à Segurança Social que, reconhecendo o erro em que ocorreu, continua a exigir o pagamento de juros de uma mora que nunca existiu, é tudo a roubar!
Trabalha-se com fé e vontade, acreditando que se vai longe, para um país que nos puxa constantemente para trás por uma corda feita de incompetências, vigarices e abuso de quem mais precisa.
Puta que os pariu a todos!
domingo, 11 de julho de 2010
Waca Waca
Quem realizou este vídeo sabia que o Mundial ia acabar assim - a ser jogado por animais.
Cá por mim dava a taça aos alemães, pelo menos protagonizaram, e ganharam, um jogo muito mais bonito do que esta final.
