domingo, 21 de novembro de 2010

Parabéns ao pai

Hoje foi dia de anos cá em casa. 78! Não que seja uma idade redonda, que não é, mas é domingo - dia de fácil ajuntamento familiar - e a partir de certa idade (não sei ao certo qual) todos os anos pesam no que à importância diz respeito. Portanto, aproveitou-se a ocasião para um ensaio natalício. Cabem todos, não cabem; há mesa, não há; e cadeiras...essas tiveram de as trazer que o número reduziu-se com as mudanças. E com as mudanças, duas nos últimos dois anos, perdeu-se muita coisa de vista. Umas foram dadas, outras não e só se dá pela falta quando voltam a ser necessárias. Passar de uma casa grande para outra infíma e depois para uma média faz com que se lamentem certas perdas - que jeito que davam agora e até já há sítio para elas...
Mas até aí ainda a coisa vai que não me é extraordinariamente difícil aceitar que abri mão de coisas, mas que fui eu que a abri...O que me custa aceitar e me deixa para aqui a remoer os dentes daquela raivinha miúda, são aquelas coisas, como por exemplo uma toalha de mesa - a única capaz de tapar uma mesa para doze pessoas, que veio de terras distantes e que, pelos vistos, se perdeu para aí por um caminho qualquer, ela e os guardanapos e tudo, porque eu não me lembro de me ter desfeito dela e nem sequer me vejo capaz disso.
É que fico mesmo danada quando perco qualquer coisa! Mas o pai está feliz, e isso é que importa.
É claro que se a toalha não tivesse desaparecido o dia tinha sido quase perfeito...

sábado, 20 de novembro de 2010

Roupas e acessórios

Não vou dizer que a parte estética não pesa. Pesa. Mas não é determinante.
É claro que não compro peça com a qual não me goste de ver, mas posso muito bem recusar uma paixão se ela não responder às minhas necessidades.
Talvez por isso me surpreenda com os – Que giro!! Onde é que compraste? – É que o sentido prático acaba por abafar a visão estética da coisa e transformar os olhos com que as vejo. A verdade é que compro o que preciso, quando preciso e, às vezes, nem isso…Não gosto de ir às compras e se uma indumentária me ocupa ou entusiasma é só porque é necessária para aquele jantar que, esse sim, é capaz de prender toda a minha atenção e euforia.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não me comprometam...

Falar muito e não dizer nada é, infelizmente, apanágio português. Fundamentalmente das classes dominantes, quer políticas quer económicas.
Nos dias que correm já não há saco para rodeios. Frontalidade precisa-se! O português é uma língua rica. Mais que capaz de chamar as vacas pelos nomes! Então porque é que toda a gente percebeu perfeitamente o que Hilllary Clinton disse e ninguém compreendeu o texto do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros?!
«Acordo bilateral» foi o termo que sobressaiu do pequeno discurso do senhor, assim como quem diz – Será o que vocês quiserem que nós ainda não tivemos tempo para pensar nisso…

Paralelismos

Portugal está de olhos postos no ecrã, curioso com a chegada de tantas estrelas. Uma se destaca – Barack Obama.
Há qualquer coisa neste líder da maior economia mundial, por enquanto…, que nos prende. Pode ser a simpatia, a juventude, a simplicidade. E os olhos seguem o Air Force One e as Bestas, tentando adivinhar em qual delas estará o Homem. Por momentos somos transportados além-fronteiras e o sonho de voar mais alto lá se alimenta, devagar, destes enganos que nos vão dando.
Não sou anti-NATO. Considero uma ameaça o extremismo islâmico e entendo que o mundo livre, mesmo que não seja tão livre quanto isso, deve ter meios para se defender – com unhas e dentes se for preciso.
Mas no meio de tudo isto o que sinto são saudades. Saudades das viagens. Saudades dos teatros londrinos; do circo em Zurique; do gelo dos Alpes. Saudades dos concertos vienenses e das marionetas em Salzburg. Saudades das viagens.
Não da época. Mas das viagens.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desejos

Eu, que ultimamente pouco mais tenho feito senão queixar-me das sucessivas mudanças da vida, desejando paz, sossego e estabilidade, dou comigo a desejar uma reviravolta nesta ordem de coisas. Mais – dou comigo a sentir que isto não vai lá sem ela. A reviravolta.
E não é só em relação à minha vida que falo, que essa só precisa de se adaptar às novas circunstâncias. Falo, precisamente, das novas circunstâncias que exigem adaptações, se é que existem adaptações que se encaixem…
E se há momentos em que acredito que estou a viver uma época conturbada que o tempo se encarregará de endireitar, fazendo com que tudo volte ao mesmo; outros há em que pressinto que vivo numa época conturbada que não se endireitará sem profundas mudanças, e que essas mudanças não passam pelas costumeiras revoluções mas por verdadeiros fins – assim a rondar o caos – que permitirão novos começos.
O que mais me assusta é o desejo que sinto cá no fundo (e já esteve mais fundo…) de fim, de caos, de novos – mas mesmo novinhos em folha – recomeços. É que já não acredito em nada. Sobretudo, não acredito em paninhos quentes, em tapa-buracos, em remendos. Acredito, isso sim, na urgência de enterrar bem fundo o que está podre e na urgência de chamarmos toda a criatividade que conseguirmos de forma a que, à semelhança da construção de um Novo Mundo, se inventem novas ordens, quer sociais, quer económicas, quer, sobretudo, políticas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O primeiro, e o último!

Esta expressão é geralmente utilizada quando a experiência é tão má que não se pretende repetir – Foi a primeira e a última vez! Nunca mais me meto noutra! – ou quando, tratando-se, por exemplo, de namoro, se casa com o primeiro e se fica até ao fim sem conhecer mais nenhum (esta última hipótese é cada vez mais rara como se sabe e está, definitivamente, fora de moda há já largos anos).
No entanto existem fenómenos estranhos que permitem que esta expressão seja utilizada num outro contexto. Imagine-se alguém que, depois dos cinquenta, resolve reatar relações com o primeiro namorado que teve aos 13 ou 14! E que, ao cabo de uma vida cheia de peripécias, tentativas e falhas, chega à conclusão que é ali que a paz mora e que, embora não seja de todo possível afiançar que será o último já que ao futuro, tirando o Michael G. Fox, ainda ninguém viajou, sinceramente deseja que a coisa se mantenha – que o primeiro seja o último! Tem a sua graça! Já para não falar nas teorias que podem nascer de tamanho acaso. Se é de acaso que se trata, evidentemente…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Antiguidades

O carro da minha mãe não tem direcção assistida. Ela tem 78 anos e uma força de braços que a mim me escapa em absoluto. Tem também uma grande aversão a todos os «novos» caminhos, pelo que só circula pelos mais antigos, que são também os mais estreitos; os mais desgastados e, por conseguinte, os mais difíceis e perigosos, não para a vida mas para a chapa. Não para ela, que prefere ver os carros de frente a senti-los a passar a velocidades «alucinantes». Depender dela para ir à injecção e para vir para o trabalho tem-se revelado um exercício de paciência e compreensão, sem igual.
Hoje foi preciso meter gasolina. Fiquei dentro do automóvel a sorrir para as caras de caso dos condutores obrigados a grandes manobras para conseguirem aceder à bomba da frente. É que ela deixou a traseira do carro a meio metro de distância…Mas vê-la a rodar aquele volante, num esforço quase titânico é, acreditem, motivo de orgulho. Quanto ao resto, é só uma questão de se sair de casa com tempo…

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O fruto proibido...

Se é já tantas vezes complicado conseguir que os dedos encontrem as teclas certas à velocidade do pensamento quando se escreve com as duas mãos, contar apenas com uma e ainda por cima a esquerda, para quem, como eu, é dextro, transforma um pequeno texto num exercício de estilo e agilidade fora do comum.
É sem dúvida útil se eu quiser aproveitar para imaginar as dificuldades de alguém que tem o azar de ficar aleijado para o resto da vida. Mesmo assim, só posso mesmo imaginar uma vez que a certeza de que durará apenas alguns dias me acompanha sempre. Contudo, deixo aqui a minha homenagem a todos aqueles a quem azares desse tipo batem à porta porque não é fácil, apesar de não ser de todo impossível, a adaptação permanente a uma circunstância extraordinária, e esta nem é das piores…
Mas nem era nada disto que eu queria escrever. Na verdade nem sei bem sobre o que queria escrever, senão sobre uma amálgama de ideias difusas já que me encontro, ou pelo menos me sinto, privada de um normal funcionamento e, portanto, tudo o que realmente quero é escrever, seja lá aquilo que for, porque o que importa é que o faça e me prove que o posso fazer – juntar, no ecrã, letra a letra, formar palavras e depois frases, é tudo o que me apetece, tal e qual a vontade quase incontrolável de fazer exactamente aquilo que não se pode ou não se deve, mas de que se não é capaz de prescindir. Creio ser isto a teimosia.
E neste momento estarão vocês a pensar – que culpa tenho eu?; Que tenho eu a ver com isso?! Nada, na verdade. A não ser que se identifiquem com este tipo de teimosia…

sábado, 13 de novembro de 2010

À canhota

A boa notícia é que tenho o ombro impecável - sem calcinações ou desgaste.
A má notícia é que tenho o tendão todo lixado.
Pode ser que me safe em três ou quatro dias. Até lá ando a treinar a mão esquerda que isto nunca se sabe...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Anna Karénina


Para quem estiver interessado em ler ou reler Tolstoi, recomendo esta edição de Anna Karénina, editada pela Relógio d'Água, com posfácio de Nabokov.
Não se deixem intimidar, nem pelo número de páginas, nem pelas, por vezes exaustivas, descrições do autor. Levem o tempo que for preciso mas não deixem de o ler - vale mesmo a pena e, no final, não descurem o posfácio. Não direi que é tão importante quanto a obra, mas completa-a. É sempre uma mais valia sabermos de um autor por um seu conterrâneo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

«Não há Bela sem senão»...

... e outras frases do género, ganha todo o sentido naquelas ocasiões em que é óbvia a proporcionalidade directa entre o bom e o mau.
Eu explico: Quanto maior for uma coisa, maior é a sua ausência.
O vazio que por cá fica, sempre que os meus filhos por cá passam, é tão grande quanto foi a alegria de os ter por cá.
E como não existe medida para isto, só posso dizer que o vazio é absoluto.

Transparência, precisa-se

Não sei se é falta de coragem, se de outra coisa qualquer, o que leva certas pessoas a não manifestarem o seu desagrado relativamente a determinadas situações. O resultado é o incumprimento. Mais cedo ou mais tarde falham os compromissos porque andam insatisfeitos mas não tiveram a coragem de expor as suas razões ou de tentar mudar as condições que, inicialmente, aceitaram.
Não há desculpa para a falta de frontalidade. Se têm medo comprem um cão ou consultem um psicanalista. A vida já é suficientemente complicada para se complicar ainda mais com os sapos que se engolem e não se chegam a vomitar. Nada funciona numa base de insatisfação e contrariedade.
Gente que à minha frente é toda salamaleques e que depois me deixa na merda não merece a minha consideração. Ainda se eu fosse assim…mas não sou! sou frontal; sincera; desbocada às vezes, confesso. Mas quem lida comigo sabe com o que pode contar e sabe que não ando com «cartas escondidas nas mangas». Quanto mais não seja, por solidariedade paguem-me com a mesma moeda.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pormenores

É disso que o amor é feito – de momentos, de pormenores, de pequenos detalhes que por qualquer razão o inspiram e o tornam tão profundo que qualquer palavra o ofende.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É isto a Liberdade

Sentir-me refém da vida é mais de meio caminho andado para me sentir profundamente infeliz e eu não nasci para sofrer e é isso que sinto, sempre que a vida decide mudar.
Uma coisa são aquelas mudanças programadas, voluntárias, que têm como objectivo a melhoria, pelo menos é o que se espera, da própria vida; outra são as mudanças desestabilizadoras que baralham a ordem das coisas e fazem com que a base de sustentação mude de tal forma que deixam de ter cabimento, nessa nova ordem, os procedimentos anteriormente adequados.
O que me interessa a mim, o que nos interessa a nós, andar a remar contra a maré?!
O que faz um marinheiro quando o vento muda? Vira as velas, com certeza, e aproveita o vento o melhor que pode, sempre com os olhos postos no destino que escolheu. O meu é ser feliz e só o não sou quando me sinto refém do vento. Há que estudar muito bem as circunstâncias, bem como os instrumentos de que se pode dispor, para se poder voltar a navegar a favor da maré. É a isso que me tenho dedicado nos últimos dias - a estudar as circunstâncias; os instrumentos; as possibilidades e só isso, só esse exercício, já é o suficiente para me sentir melhor. Posso até chegar à conclusão que não, que não é o que quero, que não me satisfaz, mas saber que as hipóteses existem, que estão lá e que posso dispor delas, é mais de meio caminho andado para ser feliz.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Algum sossego

A confusão e o desarrumo transtornam-me. Seja ela interna ou externa. No meio da confusão perco o norte; perco o controlo e o rumo da vida e uma vida sem rumo é como um buraco negro. De tal forma negro que fico sem saber se é muito ou pouco profundo. Assim, passo a depender do meu estado de espírito – se for optimista, o buraco é pouco fundo; se for pessimista, é imenso!...
Oscilo então entre a angústia do precipício e a esperança do pequeno salto. E, nos entretantos, lá vou conseguindo pensar. E é enquanto penso que vou pondo alguma ordem nas coisas e acabo por retomar, pelo menos assim parece, o tal controlo sobre a vida. E sossego.
Infelizmente todas as mudanças trazem desarrumação e, infelizmente também, a minha vida parece ser feita delas, das mudanças. Têm sido tão constantes, tão sequenciais ou mesmo simultâneas, que chega a ser para mim um mistério esta minha capacidade de voltar a pôr ordem na desordem…

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Trabalho no pátio das cantigas! Já faltou mais para ver a Beatriz Costa e o Vasco Santana a desfilar na marcha do S. António...

E pronto...

...acabou a época dos exames de rotina. O cancro não quer nada comigo, e nem as outras coisas esquisitas. Saúde tenho, falta-me o dinheiro. E, sim, quero as duas coisas e muito mais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cansada de mim

Ando cansada de mim. Tanto mais agora que o contacto com os meus pares tende a escassear. Só me tenho a mim e pouco mais. Sem desprestígio para aqueles que me acompanham mas com quem não estou, evidentemente, todos os dias a toda a hora.
Deixei de ir às aulas. Teve de ser, diz a vida. A puta da vida, desculpem a expressão mas não há outra, pelo menos para já e para mim. Os dias passo-os rodeada de crianças mas não tanto como gostaria, não tanto quanto preciso...; e de mim. De mim, que ando cabisbaixa; desiludida; amargurada. De mim a quem nem o sol arranca uma alegria. De mim.
E eu que até sou, ou costumava ser, optimista, vejo-me a lutar constantemente contra a negritude que teima em cercar-me a alma!
Não sei que faça! Queria que isto desaparecesse e não sei que faça para que desapareça. Queria voltar a sentir-me segura; inteira; confiante. Queria que esta espécie de tristeza, esta estranha tristeza, desaparecesse. Era o que eu queria. É o que eu quero.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chama-se controle...

Ultimamente tenho reparado na dificuldade que certas pessoas têm em escolher; em dizer, alto e bom som, aquilo que querem. Principalmente no seio dos mais antigos.
Mas, mais do que isso, aflige-me o alimento que outros dão a essa incapacidade, decidindo por eles.
Não acredito, nunca acreditei, no estúpido ditado «Burro velho não aprende línguas». Pode ser até que não aprenda línguas dado que há uma idade própria para tal. Mas este ditado, como todos os outros, extrapola para o geral e é nisso que não acredito. Pessoas a quem nunca foi dada a liberdade de escolha, naturalmente anulam-se e esperam que escolham por elas. Nunca é tarde para crescer e crescer passa por sabermos o que queremos e não queremos. Passa pela assunção das nossas escolhas e pela sua responsabilidade e, acima de tudo, passa por esse sentimento único de liberdade; de responsabilidade; de autonomia. Alimentar esta incapacidade é alimentar dependências; é impedir a autonomia e a liberdade. E é, sobretudo, uma intromissão na vontade alheia a que ninguém tem direito.