Este ano, vá lá saber-se porquê, tudo o que eu pudesse dizer para além disto me pareceria supérfluo. Feliz Natal.
Todos nós somos antagónicos. Todos procuramos, incessantemente, dentro e fora de nós. Todos somos múltiplos. Neste espaço, é a minha multiplicidade que se manifesta.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Vamos lá a ver se é desta...
De vez em quando dá-me para desafiar o instinto. Agarro-me à razão, compilo todos os factos e sigo-a, ainda que o instinto me continue a azucrinar o aparelho digestivo gritando que há algo que não bate certo.
Vamos lá a ver se é desta que o desgraçado se engana…
Vamos lá a ver se é desta que o desgraçado se engana…
Raposa
Eu sou como a raposa da fábula. Quando as uvas estão demasiado altas, digo que estão verdes, que não prestam...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
De volta ao estado de graça
Ora bem - criar filhos não é nada fácil, que não é. Exige uma grande capacidade de sofrimento e um grande poder de abnegação, que é como quem diz – esquecermo-nos de nós para nos centrarmos, única e exclusivamente, neles.
Assim, sempre que tivermos de os contrariar, contrariamos e aguentamos firme a dor de os ver contrariados. Nem que tenhamos de nos enrolar sobre nós mesmos como quem se agarra ao estômago quando ele, insuportavelmente, dói.
Pouco importa o que nos custa a nós. O que importa é o que lhes vai custar a eles, mais tarde, a nossa incapacidade de sofrimento.
Sempre ouvi dizer que é preferível que chorem quando são pequenos do que mais tarde, depois de adultos…
Assim, sempre que tivermos de os contrariar, contrariamos e aguentamos firme a dor de os ver contrariados. Nem que tenhamos de nos enrolar sobre nós mesmos como quem se agarra ao estômago quando ele, insuportavelmente, dói.
Pouco importa o que nos custa a nós. O que importa é o que lhes vai custar a eles, mais tarde, a nossa incapacidade de sofrimento.
Sempre ouvi dizer que é preferível que chorem quando são pequenos do que mais tarde, depois de adultos…
....
Irrita-me a ignorância e, sobretudo, transtorna-me a incapacidade de educação de certos pais!
Ó gente! Um compromisso é um compromisso! Um programa é um programa! Existe como um todo. Não se inscreve uma criança para um programa de três dias para depois permitir que ela decida se vai ou não e quando!
Ah! E tal!...ele hoje prefere ir para ali.
Mas o que é isto?! Ele é que manda?! E não se percebe que ao aceitar este tipo de comportamento se está a dizer às crianças que os compromissos não valem nada?! Que não faz mal saltar por cima deles?!
Depois surpreendemo-nos com homens que dizem uma coisa e fazem outra! Pois pudera! Foi assim que foram habituados!
Ó gente! Um compromisso é um compromisso! Um programa é um programa! Existe como um todo. Não se inscreve uma criança para um programa de três dias para depois permitir que ela decida se vai ou não e quando!
Ah! E tal!...ele hoje prefere ir para ali.
Mas o que é isto?! Ele é que manda?! E não se percebe que ao aceitar este tipo de comportamento se está a dizer às crianças que os compromissos não valem nada?! Que não faz mal saltar por cima deles?!
Depois surpreendemo-nos com homens que dizem uma coisa e fazem outra! Pois pudera! Foi assim que foram habituados!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Objectivos para 2011
Encher o meu coração de amor; os bolsos de dinheiro e o corpo de saúde.
Vou amar tudo e todos; vou andar em estado de graça. Vou trabalhar nisso todos os dias – olhar para tudo e ver o belo e o bom. Dá trabalho. Um trabalho que é mais do que diário, é horário. Mas já o comecei e estou a conseguir. Quando chegar a 2011 serei uma expert na matéria. Atrás disso virá o resto, por arrasto – os bolsos encher-se-ão de dinheiro e o corpo de saúde.
O mais difícil vai ser deixar de fumar. Provavelmente terá de esperar uns meses. Mas far-se-á.
Vou amar tudo e todos; vou andar em estado de graça. Vou trabalhar nisso todos os dias – olhar para tudo e ver o belo e o bom. Dá trabalho. Um trabalho que é mais do que diário, é horário. Mas já o comecei e estou a conseguir. Quando chegar a 2011 serei uma expert na matéria. Atrás disso virá o resto, por arrasto – os bolsos encher-se-ão de dinheiro e o corpo de saúde.
O mais difícil vai ser deixar de fumar. Provavelmente terá de esperar uns meses. Mas far-se-á.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Bem me queria parecer...
Diz aqui que tenho mais cinco anos do que era suposto!!
Parece que «vivo de mais»!...
Parece que «vivo de mais»!...
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Vamos lá perceber isto...
Quando eu andava na escola primária as festas de Natal eram um must; uma excitação, como se vivêssemos o ano inteiro para aquilo. A vida parava e nós atropelávamo-nos por uma cadeira. Nem todos faziam parte do elenco teatral mas toda a gente participava, nem que fosse apenas no coro ou como figurante.
Hoje os putos vão à escola de manhã só para não terem falta e fogem para casa. É uma seca! dizem eles da festa da escola. Uma seca!...
Relatividades
Dizia o meu irmão há cerca de dois dias:
- Aqui (numa ilha do Mar do Norte) o dia está lindo! O sol brilha e estão 3 graus ACIMA DE ZERO!! UAU!!! QUE FELICIDADE!!!!
Pois aqui está um frio de rachar! Estão 11 graus positivos! Brrrr.......
Dos filhos e enteados
Quando acabei de escrever o meu primeiro romance, há uns bons anos atrás, imprimi uma série de cadernos que enviei para tudo quanto era editora.
Nos meses que se seguiram fui recebendo cartas: “Obrigado, mas…”; “Lamentamos que…”. Até que um dia o telefone tocou e uma voz do outro lado do fio se fez anunciar como representante de uma grande editora, das maiores à época e agora, ainda. Perguntou-me Quem eu era! Ninguém, respondi, apenas alguém que escreveu um livro e gostava de o ver editado. Mas pertence à família de…? - insistia a criatura. Não, não pertenço. Gostámos do livro. Entraremos em contacto consigo.
E isso bastou-me. Esperei…em vão. Passaram alguns anos. Tirei o livro da gaveta e revi o que tinha escrito, cortei aqui e ali, acrescentei acolá e voltei a enviá-lo para uma série de editoras. Passados uns meses recebi um outro telefonema. Uma pequena editora estava interessada. O livro foi para as prateleiras.
Mas a editora era, e é, francamente pequena. De parcos recursos não divulgou, não publicitou, não teve poder de negociação perante os livreiros, e o livro, que durante os primeiros dias teve honras de destaque em FNACs e Bertrands, acabou escondido nas prateleiras; invisível no meio de tantos outros.
Ainda assim esta pequena editora entusiasmou-se com o segundo e repetiu a proeza. Mas, fosse eu filha de fulano ou íntima de sicrano e seria hoje uma conhecida escritora, a viver, apenas e só, das vendas dos livros. E pouco importa se escrevo bem ou mal – seria. Porque é assim que a selecção é feita neste país e, nos entretantos, lá vão aparecendo, por sorte, aqueles que até merecem…
Nos meses que se seguiram fui recebendo cartas: “Obrigado, mas…”; “Lamentamos que…”. Até que um dia o telefone tocou e uma voz do outro lado do fio se fez anunciar como representante de uma grande editora, das maiores à época e agora, ainda. Perguntou-me Quem eu era! Ninguém, respondi, apenas alguém que escreveu um livro e gostava de o ver editado. Mas pertence à família de…? - insistia a criatura. Não, não pertenço. Gostámos do livro. Entraremos em contacto consigo.
E isso bastou-me. Esperei…em vão. Passaram alguns anos. Tirei o livro da gaveta e revi o que tinha escrito, cortei aqui e ali, acrescentei acolá e voltei a enviá-lo para uma série de editoras. Passados uns meses recebi um outro telefonema. Uma pequena editora estava interessada. O livro foi para as prateleiras.
Mas a editora era, e é, francamente pequena. De parcos recursos não divulgou, não publicitou, não teve poder de negociação perante os livreiros, e o livro, que durante os primeiros dias teve honras de destaque em FNACs e Bertrands, acabou escondido nas prateleiras; invisível no meio de tantos outros.
Ainda assim esta pequena editora entusiasmou-se com o segundo e repetiu a proeza. Mas, fosse eu filha de fulano ou íntima de sicrano e seria hoje uma conhecida escritora, a viver, apenas e só, das vendas dos livros. E pouco importa se escrevo bem ou mal – seria. Porque é assim que a selecção é feita neste país e, nos entretantos, lá vão aparecendo, por sorte, aqueles que até merecem…
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Reencontros
Éramos três. Dois rapazes, uma rapariga. Dois brancos, um preto. Inseparáveis. Nos primeiros anos do liceu, para onde ia um, íamos todos. Magros, brincávamos com as nossas parecenças. Gostávamos de dizer que, embora não fossemos irmãos, tínhamos sido feitos com o mesmo molde.
Fomos crescendo; começaram os namoros; fomo-nos afastando até que eu voei para a Holanda e, pouco tempo depois, um deles também. Eu voltei, ele ficou. Perdemos o contacto. Lembro-me dele muitas vezes e, em conjunto com um outro amigo que não o primeiro, esse nunca mais o vi, procurámo-lo no Facebook mas nada, nem sombra! Houve momentos em que nos passou o pior pela cabeça…
Há coisa de dois ou três dias, numa bomba de gasolina, um condutor duma carrinha deu-me passagem. Não me olhou mas eu olhei-o – era um do trio, o branco, o que ficou por cá! Ainda lhe fiz sinal mas, como eu não aproveitei a oportunidade de passagem, ele desapareceu no meio do trânsito. Deu para ver que está bem. E gordo!
Hoje, esse outro amigo que comigo lembra o que não voltou, ligou-me para me dizer que o I. estava cá!
Andei de beco em beco para me lembrar da morada da família. Passaram mais de vinte anos! Encontrei a mãe e, numa outra casa que não a dela, o filho.
Abraçámo-nos de lágrimas nos olhos. Está bem. Muito bem. E, tal como o outro – bastante maior! Gostei tanto de o rever!
Fomos crescendo; começaram os namoros; fomo-nos afastando até que eu voei para a Holanda e, pouco tempo depois, um deles também. Eu voltei, ele ficou. Perdemos o contacto. Lembro-me dele muitas vezes e, em conjunto com um outro amigo que não o primeiro, esse nunca mais o vi, procurámo-lo no Facebook mas nada, nem sombra! Houve momentos em que nos passou o pior pela cabeça…
Há coisa de dois ou três dias, numa bomba de gasolina, um condutor duma carrinha deu-me passagem. Não me olhou mas eu olhei-o – era um do trio, o branco, o que ficou por cá! Ainda lhe fiz sinal mas, como eu não aproveitei a oportunidade de passagem, ele desapareceu no meio do trânsito. Deu para ver que está bem. E gordo!
Hoje, esse outro amigo que comigo lembra o que não voltou, ligou-me para me dizer que o I. estava cá!
Andei de beco em beco para me lembrar da morada da família. Passaram mais de vinte anos! Encontrei a mãe e, numa outra casa que não a dela, o filho.
Abraçámo-nos de lágrimas nos olhos. Está bem. Muito bem. E, tal como o outro – bastante maior! Gostei tanto de o rever!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Particularidades
Sou daquelas pessoas a quem o Verão ilumina e o Inverno envelhece.
Para quem não sabe a quantas anda, que me olhe. Transporto comigo as estações como composições da alma e, no meio de tudo isto, é imperativo que deixe de fumar.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
E pronto, é isto...
Estou muito cansada, sem inspiração e a sentir-me estúpida porque, mais uma vez, me armei em Madre Teresa...
domingo, 12 de dezembro de 2010
Encontros
Um dia destes faço uma compilação de disparates e enganos. Tenho para dar e vender.
Ontem fui conhecer esta menina. E para todos aqueles que gostam muito de dizer mal da Internet, esqueçam, trata-se de uma ferramenta que, como todas as outras, tem de ser bem utilizada e as vantagens podem ser, e são, inúmeras. Mas como eu dizia, fui conhecer a CF. Já nos lemos uma à outra vai para dois anos e as pessoas vão-se conhecendo e reconhecendo naquilo que escrevem e lêem, por isso decidimos encontrarmo-nos e jantar.
Ela veio de longe e, como quem vem de longe chega sempre primeiro, vá lá saber-se porquê!..., chegou primeiro do que eu. Pelo telefone trocámos marcas e cores de viaturas e foi com a marca e a cor, do carro dela, na cabeça que entrei disparada no parque de estacionamento. Não foi difícil avistar o dito - a cor; a marca; o modelo - luzes acesas e uma menina lá dentro. Estacionei mesmo ao lado e saí disparada direita a ela que entretanto também saiu para me receber. Dois beijinhos, isto não se faz a ninguém - esperar meia-hora, disse eu em tom de desculpa quando a vejo perplexa a fixar-me e me pergunta pela R.! Mas quem é a R?! pergunto eu e ficámos a olhar uma para a outra - isto deve ser engano!...
A CF, dentro de um outro carro assistia à cena convencida que eu não era eu mas uma outra qualquer que tinha ido ter com aquela que esperava, sentada, num carro igual ao dela.
Na verdade não nos conhecemos ontem, porque já nos conhecíamos. Apenas tratámos de encaixar as imagens que fomos construindo, na realidade das nossas figuras. Acabou por ser um encontro a três já que fomos ouvir este menino tocar. E como a nossa maior riqueza é constituída pelas pessoas com quem nos cruzamos, a minha vida ficou um bocadinho mais rica.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A geração do silêncio
A minha geração não esteve, nunca, autorizada a contar aos pais aquilo que fazia – as bebedeiras que apanhava; as experiências malucas; os namoros às escondidas…Não havia comunicação que permitisse isso nem mesmo depois de adultos. Os pais da minha geração não estavam, nem estão, preparados para saber pormenores do crescimento dos filhos ou da sua vida íntima.
Mais tarde, a tendência de muitos foi quebrar o mais que pudesse essa barreira, com os filhos. Eu caí, muitas vezes, em exageros de confidencialidade, numa sede de proximidade que faltou com a geração anterior. Essa sede foi criticada, e as confidências, ou desabafos, mortos à nascença – os filhos não são, não podem ser diziam eles e muito bem, confidentes dos pais. Pelo menos enquanto não se tornarem verdadeiramente adultos.
Tiveram contudo o privilégio de poder confessar o que muito bem entendessem confessar, e nunca sofreram, pelo menos uma grande parte deles, dessa distância feita de ignorância e secretismo. Hoje, mercê deste fenómeno de comunicação global que é a internet, todos os pais podem, se quiserem, saber o que os filhos fazem, fizeram; deixam ou deixaram de fazer – basta ir ao Facebook.
Quanto a nós, lá vamos deixando, de vez em quando, escorrer qualquer coisita mas o hábito faz o monge e há coisas que permanecerão secretas para todo o sempre. Coisas que, uma vez caladas, caladas para sempre.
Assim, a minha geração é, costumo eu dizer por graça, a geração do queijo e do fiambre. A geração entalada entre duas sem ter podido, na verdade, confidenciar com nenhuma. A geração do silêncio.
Mais tarde, a tendência de muitos foi quebrar o mais que pudesse essa barreira, com os filhos. Eu caí, muitas vezes, em exageros de confidencialidade, numa sede de proximidade que faltou com a geração anterior. Essa sede foi criticada, e as confidências, ou desabafos, mortos à nascença – os filhos não são, não podem ser diziam eles e muito bem, confidentes dos pais. Pelo menos enquanto não se tornarem verdadeiramente adultos.
Tiveram contudo o privilégio de poder confessar o que muito bem entendessem confessar, e nunca sofreram, pelo menos uma grande parte deles, dessa distância feita de ignorância e secretismo. Hoje, mercê deste fenómeno de comunicação global que é a internet, todos os pais podem, se quiserem, saber o que os filhos fazem, fizeram; deixam ou deixaram de fazer – basta ir ao Facebook.
Quanto a nós, lá vamos deixando, de vez em quando, escorrer qualquer coisita mas o hábito faz o monge e há coisas que permanecerão secretas para todo o sempre. Coisas que, uma vez caladas, caladas para sempre.
Assim, a minha geração é, costumo eu dizer por graça, a geração do queijo e do fiambre. A geração entalada entre duas sem ter podido, na verdade, confidenciar com nenhuma. A geração do silêncio.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Quanto terão eles pago...
...às duas senhoras para dizerem que o fundador da WikiLeaks as tinha molestado?
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