Todos nós somos antagónicos. Todos procuramos, incessantemente, dentro e fora de nós. Todos somos múltiplos. Neste espaço, é a minha multiplicidade que se manifesta.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Um mundo à medida de cada um
Uma das coisas mais difíceis de digerir é o facto de o mundo não ser como o idealizamos, ou achamos que deve ser. Os outros não agirem como nós achamos que devem agir; não pensarem como nós achamos que devem pensar, não serem, enfim, quem nós gostaríamos que fossem.
Nunca é. Nunca são.
Levamos anos para aceitar isso! Anos para deixar de sentir essa raiva interior, essa revolta, essa vontade maior de “endireitar” tudo e todos. Anos para deixar de gritar e blasfemar. Anos para deixarmos de nos chatear com aquilo que o mundo é, e anos para perceber que nem o mundo nem os outros seriam perfeitos se fossem como nós gostaríamos, ou melhor – achávamos que deveriam ser.
Depois disso é mais simples. E mais rápido, também. Depois disso é só aprender a gostar do mundo e dos outros tal como são. Eventualmente pode acontecer que o mundo e os outros, com o tempo, se aproximem consideravelmente das nossas expectativas.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Inspiração
Guardá-la pr’a mim
sem te ter nunca falado
(ou quase nunca)
saber de ti
como o mar sabe da espuma
e as folhas do vento
Esperar-te e não ter medo
saber-te aqui
num prelúdio de amor
por instinto anunciado
Não vacilar na certeza
e antever a grandeza
de um presente enamorado
Querer-te.
Chamar-te pelo nome.
E ter-te a meu lado.
Imagem: A Espera - Óleo de Helena Lobato
Das redes sociais
Tão dispares as realidades quanto o são os lugares. E pese embora o facto das redes sociais unirem o mundo, o certo é que a sua contribuição para a mobilidade social é ainda tímida.
Repositórios extraordinários, permitem a cada um a manutenção daquilo que acredita ser os seus interesses. E é assim que certos miúdos, de certos meios, mergulham em acontecimentos e notícias que os puxam ainda mais para o núcleo comezinho, e tantas vezes pobre, das suas realidades culturais.
Damos demasiado valor à insignificância e demasiado crédito àqueles que esmiúçam a insignificância.
Diz O Segredo que é fácil, basta pedir e acreditar que já se recebeu.
Dizem os intelectuais que O Segredo é um disparate.
Diz a minha experiência que O Segredo não é disparate nenhum e que fácil é o tanas!
Não é disparate nenhum conseguir-se o que se quer, quando realmente se quer, i.e., quando se quer MESMO, as coisas acontecem. O difícil está em saber-se o que se quer e em ter-se a força necessária para se acreditar quando tudo à nossa volta nos diz o contrário.
Desde cedo que sei melhor o que não quero do que aquilo que quero. Até que ponto é que estando focada no que não quero me acontecem, now and then, coisas aborrecidas, não sei. Mas é possível.
A realidade muda conforme o lugar para onde se escolha dirigir o olhar. A dificuldade maior está em não nos deixarmos envolver por uma realidade não escolhida.
Tenho feito algum esforço, ultimamente, para me focar no que quero sendo que aquilo que quero é bom para mim e, portanto, me faz sentir bem. E é aí que está o busílis da questão: Sentir-me bem nem sempre é fácil e, mais difícil ainda, é sentir-me SEMPRE bem. As noites e as manhãs são o pior, como se uma triste e negra (não leda) realidade (e não madrugada) esperasse à esquina do meu endormecimento para me atacar sem dó nem piedade. E não é fixe, como diria a minha filha – não é fixe.
Assim dedico, nos dias que correm, um esforço por vezes titânico à concentração no bem-estar sabendo, como sei, que o movimento é de dentro para fora e não de fora para dentro. Umas vezes sou bem-sucedida, outras não.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Carta a S. Pedro #2 (tanto quanto me lembro...)
Querido S. Pedro,
Gostaria sinceramente que tivesses em consideração o facto de todos nós, à pala da crise e de todas as merdas que ela acarreta, andarmos instáveis; nervosos; indecisos; pouco confiantes no futuro… medrosos enfim, sem saber o que fazer; que posição tomar…neste momento estão-se-me a esgotar os adjectivos – o meu vocabulário é limitado, mas isso é uma coisa que tu já sabes porque sempre que me dirijo a ti é para dizer a mesma coisa: Tem lá atenção ao estado do tempo, se não te importas.
Desta vez, porém, aproveito para te chamar a atenção para uma realidade que talvez tenhas descurado, mais por hábito do que por despeito, estou certa disso. Toda esta argumentação vai no sentido de te fazer ver que a carga começa a ser maior do que o burro porque suportar a instabilidade atmosférica não é pêra doce se durar muito tempo, mas em conjunto com outras instabilidades como as que acabei de referir pode levar um cidadão, ou cidadã que para o caso tanto faz, à loucura.
Assim, por favor esclarece-me que tempo pensas tu fornecer durante este mês de Setembro. Podemos contar com mais uns dias de praia? Não podemos e o melhor mesmo é começar a pensar no edredão que as noites já começam a esfriar? Vai chover? Não vai chover? É para andar de alças ou é melhor começar a substituir os trapos? Enfim, preciso de respostas para estas perguntas que até podem, à primeira vista, parecer supérfluas mas não são.
Já agora aproveito para te dar a conhecer os meus desejos. Então é assim: Se fosse possível ter manhãs de Verão; tardes de Primavera e noites chuvosas, eu agradecia. Penso até que agradeceríamos praticamente todos e tu passarias a ser, não tenhas dúvida, muito mais venerado.
Sempre tua,
Euzinha
Processo
Primeiro perdi a vontade de ler os outros. Pouco depois a vontade de me ler a mim e um pouco mais tarde a de escrever acabou por seguir o mesmo caminho. É que quanto mais a lia, mais fúteis, incompletas e redundantes me pareciam todas as palavras. E foi assim que emudeci.
domingo, 11 de setembro de 2011
À Junta de Freguesia da Charneca da Caparica
Não sou contra as iniciativas especialmente se visarem actividades lúdico-didácticas, desportos e outros entreténs ditos saudáveis, que quanto mais se ocuparem as gentes, miúdas e graúdas, mais fácil será a manutenção da ordem. Mas cuidado! Cuidado! Não se faça transparecer a intenção no meio da acção! Refiro-me àquela que na verdade se está nas tintas para a arraia-miúda e que o que lhe interessa mesmo é sobrelevar os seus feitos e dizer à boca cheia: “Estou aqui e fiz isto. Olhem para mim e pensem bem em quem votar nas próximas eleições.” Atenção! não se esqueçam estes senhores que o público, e mesmo aqueles que nem isso chegam a ser porque se deixam ficar por casa; porque decidem por mais interessantes paragens ou porque simplesmente não estão nem aí, é sempre em maior número do que os participantes – mesmo contando com quem só finge participar quando se passeia de um lado para o outro, fazendo vento e não produzindo nada. São em maior número meus senhores! É preciso, portanto, pensar bem neles quando se organizam estes eventos que fecham estradas, acessos e caminhos, encurralando as gentes! É que há quem não goste, mesmo nada, de se sentir encurralado.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Nevoeiro
Sou uma besta. Deixei passar o Julho e o Agosto sem pôr os pés na praia.
Não que tivesse estado um Verão inesquecível, que não esteve, mas houve bons dias de praia, e eu em vez de os aproveitar estatuifiquei-me a carpir mágoas, desgraças e infortúnios, convencida que me estavam vedados todos os momentos de descanso e lazer – quem é que merece descanso quando tudo à volta se desmorona?!
Foi ela, a velha, recôndita e lúgubre vontade de me penalizar, dentro da máxima – mea culpa, mea maxime culpa, a responsável pela miséria de vida que levei durante estes dois meses. Quem é que, em seu perfeito juízo e a viver a três minutos das melhores praias do país, se deixa ficar em casa?!
Agora, resolvidas que estão as situações mais prementes, prometida que está a bem-aventurança, despertou-me a realidade de um ano inteiro sem sol, sem banhos de mar, sem passeios, sem iodo e sem vitamina D que é como quem diz, sem paliativos para as dores disto e daquilo - os ossos a protestarem! os tendões a protestarem e a tristeza a acomodar-se na quantidade de meses que ainda nos separam da próxima oportunidade…e rumei à praia na quarta-feira fazendo contas de cabeça a três diazinhos, assim seguidos, que é melhor do que nada.
Hoje a bandeira vermelha exibia-se mais pela falta de visibilidade do que pelas correntes, que o mar até nem estava bravo, e dizia-me o arrumador, pouco depois das dez da manhã - Isto vai levantar! - O senhor acha?! – Eu não acho! Eu tenho a certeza!
Foi a acreditar nas palavras deste entendido que, perdida num cenário sebastiânico e de pernas imersas numa água quase morna, passei a manhã à espera do sol. Esse, lá continuou mascarado, mesmo à minha frente, de pálido círculo escondido por detrás do nevoeiro.
Cerca das onze e meia começou a levantar-se uma brisa que obrigou a humidade a entranhar-se nos ossos, mas nem eles nem os tendões, que me têm azucrinado o juízo ultimamente, me agradeceram, por isso ainda não era meio-dia quando decidi subir a falésia.
Cá a cima já o nevoeiro tinha chegado. Resta saber se continua a subir ou se se espalha. Se subir pode ser que ainda seja uma boa tarde de praia. Eu… vou trabalhar.
domingo, 4 de setembro de 2011
Lástima
Percebo-a bem – o cansaço tomou-lhe conta do amor. Mas não deixo de me encarquilhar por dentro sempre que a oiço dizer que não sabe, não percebe nada do que ele diz. Não é imediata a descodificação dos sinais mas basta alguma boa vontade, daquela que no meio do amor passa silenciosa, para se manter uma conversa que pode até ser interessante. Ele não tem mais problemas de compreensão e de memória que aqueles que nasceram por ali, à volta do tempo que foi também o dele, muito pelo contrário – quem tiver um bocadinho dessa paciência que vem com a boa vontade, depressa se aperceberá que está a falar com alguém que está bem vivo e não é parvo.
O cansaço tomou-lhe conta do amor e é pena. Por ele, e por ela também.
Da inércia e do medo
A inércia não está dependente apenas das leis da física. Ela existe em tudo o que é movimento, até no movimento provocado pelo decorrer da própria vida.
Ficamos presos a uma situação, por um período que pode ser maior ou menor, consoante a intensidade exercida por essa mesma situação na nossa vida, mesmo depois de ela terminar.
Na passagem de uma situação boa para uma situação má, levamos algum tempo a adaptar a nossa forma de estar à nova situação e há até quem chame Negação a esse tipo de comportamento. Eu prefiro chamar-lhe Inércia.
Não é diferente quando se passa de uma situação sofrível para uma consideravelmente melhor. Leva-se também algum tempo a “digerir” a nova situação. E é em grande parte por esta semelhança que eu prefiro chamar-lhe Inércia a chamar-lhe Negação. Quem, em seu perfeito juízo, negaria uma situação boa em detrimento de uma menos boa?!
Quem me tem acompanhado, ao longo destes dois anos e alguns meses, sabe que a minha vida, como provavelmente a vida de tanta gente, é um poço de mudanças – umas para melhor, outras para pior mas isso é coisa que só se sabe quando passa a tal inércia e eu adapto o meu estado de espírito à minha nova vida, cercando-me de medos ou libertando-me deles, ainda que temporariamente.
Uma coisa é certa – à medida que as experiências se acumulam e as situações se ultrapassam, o medo vai tendo cada vez mais dificuldade em ocupar certos espaços. Ainda assim o energúmeno arranja sempre maneira de entrar.
Eu estou hoje a dar início ao movimento contrário, pelo que estou numa de gozar este momento vedado ao medo. Tenciono prolongá-lo o mais que puder e tenciono, sobretudo, aproveitá-lo para construir algo que possa servir de barreira intransponível ao endemoninhado, porque se há coisa que vale a pena combater é o Medo.
Amigos para sempre. Ou talvez não...
Houve tempos em que o amor e o sexo viviam assim como que separados, não completamente apartados mas numa relação que às vezes sim outra vezes não.
Com o passar dos anos foram-se aproximando. Cada vez era mais difícil um viver sem o outro e ambos abrandaram o passo, não tiveram outro remédio, porque nem sempre é fácil um encontro entre estes dois.
Agora há um que se recusa a sair de casa sem a companhia do outro. Por vezes a amor ainda sai, não lhe faz grande transtorno a ausência do companheiro – é bastante independente. Já o sexo…
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Um desabafo. O meu.
Venho. Espreito. Clico aqui e ali só pelo prazer de clicar como aqueles que se estendem pelos maples de comando na mão e olham apáticos para as imagens sem som que deslizam pelo écran. Nem leio o que outros escrevem! Nem sei se procuro ou não algo que me desperte, que me libere deste amorfismo macarrónico feito mais de saturação do que de cansaço. Quem tem protocolos a cumprir acaba necessariamente a desprezar a falsa ordem das coisas. Como é que nos deixámos enredar em gigantescas teias repletas de ávidas aranhas?! Quando é que isso aconteceu?
Fica-nos a consolação do orgulho de não termos sucumbido. Ainda.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Ter muito é quase a mesma coisa que não ter nada no que toca a material contável – não do que se conta em forma de números mas daquele que se conta em forma de letras.
Calo-me quando não tenho nada para dizer e calo-me quando o que tenho é tanto, mas tanto! que me entope toda e qualquer veia criativa.
Por estes dias tenho andado entupida.
sábado, 27 de agosto de 2011
Preciso de gente tranquila
Preciso de gente tranquila. Gente “de bem com a vida”. Gente que olha o horizonte, sentada em poltrona de verga e de copo na mão goza a brisa da tarde e olha o pôr-do-sol sem vacilar um segundo na certeza de que tudo está bem, de que tudo vai bem e que a vida é bela.
Preciso de gente tranquila. Gente que me mostre que é possível, sem me atirar em cara o meu fracasso. Gente sem arrogância nenhuma. Gente que sabe o peso das circunstâncias e que por isso agradece as suas. Preciso de gente tranquila.
Gente que me alivie um pouco esta carga que já não sei se foi ou não por mim chamada.
Preciso de gente tranquila.
Gente sem medo. Gente de coragem. Gente que caminhe determinada pela vida.
Tranquilamente.
Preciso de gente tranquila.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Mentecaptos
Não sou contra a ambição, nem contra a exigência de qualidade, muito pelo contrário. Não sou contra a incessante procura do belo. Muito pelo contrário.
Mas sou contra a extravagância; o novo-riquismo e a ostentação.
Sou contra torneiras de ouro quando um terço, pelo menos, da população mundial passa fome.
Sou contra cintos de segurança banhados a ouro. Sou contra todas as extravagâncias que não servem nada nem ninguém – nem mesmo a beleza - a não ser o desperdício! E o não saber mais o que fazer de tanto!
Não passa pela cabeça destes mentecaptos salvar a humanidade, e quando digo salvar é salvar mesmo, em vez de se entreterem a forrar a merda dos cintos com o único metal que vale, nos dias que correm, qualquer coisita?! Se não sabem o que fazer ao ouro, não faltam para aí alternativas!
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Desperdícios
Desperdiçamos energias sempre que nos irritamos. Desperdiçamos energias sempre que envidamos todos os esforços para contagiar a opinião alheia e desperdiçamos energias sempre que nos adiantamos no discurso, pressupondo realidades que podem muito bem não o ser.
Hoje vi-me aflita para me libertar de um senhor muito bem-intencionado que me chamou a atenção para o facto de eu ter parado o carro num lugar para deficientes, e “que ele está mesmo aí, não se demora nada e depois chama o reboque…” e eu a tentar interrompê-lo só para lhe dizer que não, que não estava estacionada, só parada e vou ali àquele prédio, está a ver, o da esquina, levantar uma coisa na portaria, volto já já, não chega a um minuto, e ele nada – e patati patata… e nunca mais se calava, fui obrigada a virar-lhe as costas mas o homem não se calou! Sempre a explicar o que eu já estava cansada de entender! Cumpri a missão no espaço de duas palavras! Cansou-se a ele. Cansou-me a mim. Deixei-o a falar sozinho.
Ao fechar da porta, ainda ouvi: “é que depois rebocam-lhe o carro, está a ver?!...”
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Vamos vivendo e convivendo na nossa multiplicidade, tentando, sempre que possível, aproximarmo-nos da imagem que guardamos de nós, mas não somos sempre os mesmos – não somos.
Somos A para o Manel e B para a Maria – somos pais; irmãos; primos; filhos e enteados; amigos; conhecidos; colegas de trabalho… um nunca mais acabar de papéis – os públicos e os privados. E é no encontro destas duas espécies que, por vezes, a porca torce o rabo.
Lembram-se daquelas festas para as quais somos convidados porque conhecemos o anfitrião e depois deparamos com um mar de gente que nunca vimos na vida? Procuramos desesperadamente a meia dúzia que sabe quem somos para nela nos refugiarmos, caso contrário tremem-nos as mãos e o suor ameaça dar-nos cabo da maquilhagem.
O Facebook pode ser uma festa parecida com essa. Depende, evidentemente das pessoas que escolhemos para aceder à nossa sala privada. No entanto, é inevitável que acabamos por reunir uma mão cheia de gente de diferentes proveniências – gente que conhecemos na infância; gente que conhecemos depois; gente da escola; da faculdade; do emprego…família, evidentemente – a família está lá sempre; e os amigos dos filhos; e aqueles que, não tendo ainda atingido o estatuto de amigos são meros conhecidos…há de tudo nessa sala que pelo facto de ser virtual não deixa de ser uma sala.
Então, o nosso comportamento tem necessariamente de ser aquele que adoptaríamos na tal festa – apenas com a ressalva do isolamento – no facebook não é prático, nem correcto, isolarmo-nos em grupinhos fechados correndo o sério risco de ofendermos, desnecessariamente, quem não merece ser ofendido. Portanto, é o lugar ideal para darmos o melhor de nós, aproximando-nos o mais possível, se não daquilo que já somos, daquilo que somos, com certeza, capazes de ser.
sábado, 20 de agosto de 2011
“Prognósticos só depois do jogo” ou a teoria do caos
Isto vai ser uma desgraceira só! O euro vai acabar! Volta o escudo, e a miséria não vai ter limites! As pessoas não vão ter dinheiro para pagar as casas! Nem compradas, nem alugadas, nem o c********** É o fim do mundo!
Em cuecas, diriam os meus pais há umas dezenas de anos atrás.
Na boca destes profetas da desgraça o melhor mesmo é tratarmos já de arrumar as botas porque não sobreviveremos ao que aí vem e, a fazê-lo, será debaixo das pontes a comer restos. E o que acontecerá às casas?, pergunto eu. Ficam vazias, ao abandono, a acumularem degradação tal e qual as contas que quando não se pagam acumulam juros de mora? O que acontece aos ricos quando todos os outros deixarem de consumir? Será que se aguentam mutuamente, numa economia fechada onde os bens circulam ali, e só ali? Quem é que já foi ao futuro? Em que altura funcionaram rigorosamente as previsões? Que papel desempenhamos nós nesse futuro que se avizinha tão negro?
Pela parte que me toca recuso-me a baixar os braços, da mesma forma que me recuso a ter medo até porque me sinto incapaz de ver tanta negridão, antes pelo contrário – vejo alguma luz na possibilidade de o meu futuro ser construído por mim com as decisões que for sendo capaz de tomar à medida que as circunstâncias assim o exigirem, sem medos, mas sobretudo sem me deixar envolver naquilo que é o mais perigoso patamar de todos os processos de crise – a lei da sobrevivência. Desumaniza-nos e a desumanização, a existir, será o escorrega mais íngreme e, por isso mesmo, mais rápido, para o caos e para a desgraceira que alguns gostam de apregoar.
Mantenhamos pois as cabeças frias, unamo-nos e não nos esqueçamos nunca de que somos gente e que ser gente significa amar o próximo, ampará-lo, considerá-lo sempre parte da solução e não parte do problema. Significa ser íntegro, moral, justo e digno e significa, sobretudo, ser capaz de não embarcar na vergonhosa “lei” do “salve-se quem puder”. Tanto quanto sei, e mesmo que seja pouco é qualquer coisita, os proveitos que essa lei pode trazer são sempre demasiado efémeros quando não ilusórios. “A união faz a força” é, e sempre foi, uma verdade muito maior.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
E pimba! Hoje é que foi.
Talvez haja sinais, quem sabe. Talvez certos acontecimentos mais não sejam que sinais. O certo é que hoje não fui abalroada mas abalroei. A coisa andava a prometer e hoje cumpriu-se na curva da estrada, no vira à esquerda – zumba. Quando vi já estava em cima. Já não havia nada a fazer a não ser encolher-me e esperar que a coisa não fosse demasiado séria. Não foi. O meu ficou praticamente na mesma que entre os pára-choques rijos como cornos e as inúmeras riscadelas que se diluem na idade, nem dá para se notar – é mais risco, menos risco. O outro coitado, ou a outra neste caso, já não pode dizer o mesmo e, como não parou, deixou que eu lhe varresse o lateral – da dianteira à traseira – sem sair do mesmo lugar, que é como quem diz, eu parei e ela não e foi no que deu – uma participação à companhia de seguros com a qual fechei negociações há pouco mais de um mês por me fazer um preço mais em conta. Ora toma lá que tantos anos sem sinistros é de mais e a vingança serve-se fria – cá para mim isto foi mezinha da companhia anterior, Querias pagar menos?! É no que dá! Agora levas com o agravamento que até andas de lado!.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

