sábado, 31 de janeiro de 2009

O Ouro Azul

Quando viu o filme Diamantes de Sangue, o meu filho virou-se para mim e disse:
- Nunca, em toda a minha vida, hei-de comprar um anel de diamantes.
Nessa altura ainda não se falava do Coltan.
Mais conhecido por Ouro Azul, o Colton é um minério extraído e comercializado muito ao “jeito” do Diamante.
Nas minas do Ruwanda e de um outro país africano do qual não retive o nome, morrem todos os dias crianças soterradas.
À semelhança do meu filho poderíamos todos dizer – nunca comprarei nada que tenha esse minério. O problema é que o Colton é utilizado em todas as novas tecnologias. Desde os telemóveis, às playstations, passando pelos computadores e pelas novas televisões, frigoríficos e sabe-se lá o que mais.
Há quem acredite que as coisas mudarão. Que a pressão internacional exercida pelas organizações humanitárias e pro-humanitárias, acabará por dar os seus frutos e todo o processo de extracção e comercialização mudará.
Quando? Não se sabe. Levará, como se diz, “o seu tempo”.
Até lá crianças continuarão a morrer e, estou convicta, se não nas minas num outro lado qualquer. Porque é hábito neste mundo. Quando se consegue eliminar um tipo de cancro, logo outro surge em seu lugar.
Não é, de todo, possível mudar o Mundo. Apenas se pode i-lo mudando. Por isso sugiro que concentremos grande parte do nosso esforço na tentativa de nos mudarmos a nós mesmos. Porque sermos capazes de nos mudar sem nos desintegrarmos socialmente, já é, por si, um grande feito.

Tenho estado a pensar...

Tenho estado a pensar que nós não nos apaixonamos pelos corpos. Nem pelos espíritos. Apaixonamo-nos pelas almas.
Sentimo-nos atraídos pelos corpos e fascinamo-nos com os espíritos. Mas a paixão, aquela que leva ao amor que nunca mais acaba, essa vem da identificação das almas. Nem mais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Histórias de Amor

Pus-me a ver um filme – Here on Earth e dei comigo a chorar que nem uma Madalena!
E nem é que o filme seja nada por aí além. Não é. Mas é uma história de amor e, ao contrário daquilo que deve ser uma história de amor, acaba mal.
Dois jovens apaixonam-se. São bons os actores porque se sente o amor entre eles. Só os parvos dos personagens é que não cedem. Enfim, leva-se o filme quase todo à espera que eles vejam o que nós já estamos cansados de ver. Talvez não à espera que vejam, porque eles até viram, que aceitem…enfim. Leva-se grande parte do filme nisto e, quando por fim o amor sai cá para fora, ela morre! Ela MORRE! Que coisa mais vulgar! Em Hollywood é o prato do dia. Qualquer filmezito tem este percurso com este desfecho.
Parva sou eu que acabo sempre a chorar! Mas porque é que ela morre?! Porque é que hão-de matar sempre um dos personagens exactamente quando tudo poderia ficar tão bonito?!
A minha filha, quando era pequena, dizia muitas vezes – Quando eu mandar…(faço isto e aquilo).
Pois quando eu mandar, as histórias de amor hão-de acabar sempre bem.

Stand By Me - Parece-me apropriado ...

Da Infidelidade

Disseram-me há pouco tempo que a infidelidade já não constituía crime num casamento.
Fiquei surpreendida e resolvi investigar. Encontrei no Portal do Cidadão um conjunto de deveres que continuam a existir num contrato de casamento e a fidelidade é um deles.
Fiquei aliviada. Fiquei aliviada porque se a infidelidade passasse a ser consentida então para quê casar? Um casamento não é, ao contrário do que se diz por aí, um contrato. Para estabelecer um contrato entre duas pessoas então constitui-se uma sociedade, uma empresa, que tem cláusulas que nunca mais acaba. Um casamento é uma assumpção. É a declaração pública de um amor. E, se não é, deveria ser. E a infidelidade é, sem dúvida, uma traição destrutiva.
É verdade que se um cônjuge procura uma outra ligação é porque não está feliz com a que tem. Também pode ser pelo facto de ter uma natureza poligâmica. Isso existe. O meu conselho, para pessoas dessa natureza, é que não casem, nunca.
Se não está bem com o que tem porque não diz?! Porque não fala?! Porque é que há-de estraçalhar o coração do outro? É que as coisas até podem não andar bem, mas que direito é que existe na destruição do outro? É que é isso que a traição faz, destrói. E depois é preciso uma eternidade para o outro voltar a viver de novo.
Quem atraiçoa na verdade o que faz é roubar tempo de vida àquele a quem, um dia, jurou amar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O culpado disto tudo é o aquecimento global

Estou prestes a chegar à conclusão que afinal o que se passou este ano, o que causou realmente esta crise, foi uma terrível enxurrada provocada, provavelmente, por chuvas torrenciais que terão caído durante a noite sem que nos apercebêssemos.
Todos os dias há novidades, todos os dias se desenterram cadáveres que, obviamente, não foram enterrados ontem. Parece que esta gente não tem feito outra coisa que não seja meter dinheiro ao bolso há anos, qui ça há séculos! Têm andado por aí de falcatrua em falcatrua, enterrando as falcatruas até não haver mais espaço e é por isso que elas agora estão todas a vir à tona. Por isso e por causa da chuva, claro.
Do caso Freeport nem vale a pena falar já que, tratando-se da nova novela dos meios de comunicação social, é fácil andarmos mais ou menos a par daquilo que ainda não se sabe muito bem o que é. Até os Ingleses têm uma cassete qualquer muito ao estilo – toma lá que é para aprenderes, lá por não termos conseguido fazer nada com o caso da M…não quer dizer que sejamos incompetentes.
Depois há a outra novela que, porque já começou há mais tempo, foi brutalmente retirada do horário nobre. Refiro-me ao caso BPN e às tricas entre António Marta e Dias Loureiro.
A espreitar anda o BPP, parece que, coitado, está ameaçado de inviabilidade por causa de um crime qualquer. O que é estranhííííssimo.
Diz-se ainda que o crescimento económico mundial não era tão lento desde há 60 anos. Deve ter sido quando houve a outra crise.
No meio de tudo isto há duas coisas perante as quais os Portugueses devem sentir orgulho.
Uma é que parece que a Aerosoles afinal é viável. Pessoalmente fico muito feliz porque sou cliente.
A outra é aquele caso de enriquecimento à conta de depósitos alheios que deixou, salvo erro no Reino Unido, muita gente com uma mão à frente e outra atrás. Ao que parece trata-se de um esquema em pirâmide, muito semelhante ao da nossa dona Branca. Depois venham para cá dizer que não fazemos nada de novo. Pois se até já nos imitam…
Agora, preocupante, preocupante é a praga dos pinheiros que já entrou pela Estremadura adentro.
O que me leva a supor que afinal de contas tudo isto por que estamos a passar mais não é do que uma crise causada pelo aquecimento global. Chuvas tão fortes que desenterram cadáveres; pragas que ameaçam o desaparecimento dos pinheiros… tudo isto cheira a catástrofe natural.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pensar com olhos

Eu sou uma pessoa racional.
Não que esteja na minha natureza. Não está. Toda a vida fui acusada de ser demasiado emotiva. Em alguns momentos, confesso que com razão. Há que estabelecer um equilíbrio entre a emotividade e o racionalismo.
Foi a necessidade de me compreender, de compreender os meus impulsos, de me conhecer, que me ensinou a pensar. Não faço disso um cavalo de batalha. Penso quando é preciso. Quando não é preciso, sinto.
E hoje estou como Alberto Caeiro, a pensar com olhos.

As surpresas que a vida nos reserva

Quem pensa que a vida já não surpreende ou não tem nada para dar, não sabe nada da vida.
Ela pode surpreender-nos em qualquer momento. Digo-o eu que já tenho a minha quota-parte e fui surpreendida.
Quem pensa que a vida só pode surpreender pela negativa, não sabe nada da vida. Digo-o eu, que já tenho a minha quota-parte e, pela positiva, fui surpreendida.
A esperança é um estado de espírito ao qual não devemos virar as costas porque, mais cedo ou mais tarde, a recompensa surge.
Acreditar é preciso.
Eu hoje estou feliz.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Inspirem-se

O Amor (esse grande vadio)

Muita coisa se tem dito, nestes últimos dias por esta blogosfera, sobre o amor.
Tem-se falado dele como se de uma entidade se tratasse. Uns, mais crentes e enamorados, defendem, agora que estão enamorados, que se deve deixar sempre uma porta entreaberta para ele poder entrar, caso apareça, já se vê.
Outros deixaram de acreditar nele, não propriamente na sua existência, mas na sua vinda.
Existe, sim senhor, só que não é para mim. Pela minha porta ele não entrará.
Eu própria oscilo muitas vezes entre um e outro sentir, mesmo não estando apaixonada vai para uma eternidade.
Hoje, pus-me a pensar nisso e resolvi fazer uma retrospectiva até ao último momento em que ele entrou pela minha porta dentro. Andei para trás. Andei. Andei. E…nada. Nunca mais lá chegava.
Não que não o tenha tido na minha vida. Nada disso. Só que não me lembro de vez nenhuma em que ele me tenha entrado pela porta ou sequer batido.
O que me lembro, isso sim, é de o sentir vivo dentro de mim.
Cá para mim o amor não entra pela porta. Nasce cá dentro e sai por ela.
Portanto pessoas, gente, criaturas, aquilo que há a fazer é cultivá-lo, a ele, ao amor, dentro de cada um, regá-lo bem regado, cuidar dele, espalhá-lo por aí.
Porque é nesse momento, no momento em que ele já existe bem vivo dentro de nós que esse outro, esse que se espera quase que eternamente, irrompe pela porta encostada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Muitos Parabéns Meu Querido

O meu irmão faz hoje 47 anos.
Crescemos juntos, eu e ele. Ainda me lembro da gravidez da minha mãe. Lembro-me de um vizinho que sempre que me via me perguntava se o bebé já tinha chegado para ele o ir buscar. Lembro-me da aflição em que isso me punha. Pensar que alguém mo pudesse tirar. Lembro-me de dormirmos no mesmo quarto. Lembro-me de o ver em pé, agarrado às grades azuis da sua pequena cama. Lembro-me das sestas a que a nossa mãe nos obrigava. Lembro-me de uma queda feia que ele deu e dos meus pés mal pousarem no chão porque não se podia fazer barulho quando saiu do hospital. Lembro-me das batalhas que fazíamos com pequenos soldados de plástico. Lembro-me de um prego que ele espetou num calcanhar quando usava ainda aquelas pequenas sandálias de criança que deixam os calcanhares desprotegidos.
Lembro-me de o ver subir mais alto do que um autocarro quando foi atropelado, mesmo ali, à minha frente.
Tenho ainda muito presente a sua figura de rapaz de 13 anos sentado num corredor de hospital, encostado a uma parede desfeito em lágrimas quando o nosso pai adoeceu.
Lembro-me da sua primeira bebedeira.
Ainda sinto um aperto no coração quando recordo o seu debilitado caminhar para me receber numa enfermaria do hospital onde ele próprio foi internado de urgência.
Mas, sobretudo, lembro-me da forma como sempre estivemos ao lado um do outro. Da forma como sempre nos defendemos. Do medo que ele tinha quando, nos passeios de família, olhava para trás e não me via. Lembro-me das brigas que tínhamos e do horror que sentíamos se algum de nós acabasse castigado por causa delas. De todos os Natais que passámos juntos, das confidencias, dos segredos que guardámos. Do amor que sempre sentimos um pelo outro. E do orgulho que sentimos hoje, por termos ultrapassado tanta coisa. Por termos, cada um à sua maneira, vencido.
Tenho bem presentes as saudades que senti quando ele partiu para a Holanda, e a alegria que sentimos quando eu lá cheguei.
Lembro-me do apartamento que partilhámos num Inverno rigorosíssimo e da caravana onde passámos a viver quando chegou o Verão.
Ele ficou por lá. Eu voltei em 1980. Não há distância que nos afaste um do outro. Vimo-nos todos os anos. Falamos quase todas as semanas.
Por todas as aventuras e desventuras por que passámos, por tudo aquilo que continuamos a partilhar, se um dia eu voltar a nascer, é a ele que quero ter como irmão.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Hoje apetece-me complicar

Assim que nascemos começamos a viver segundo os padrões dos que já cá estão.
Crescemos aprendendo as regras impostas por uma sociedade na qual não tivemos, ainda, qualquer tipo de participação.
Transmitem-nos constantemente lemas de vida, frases feitas, fazendo-nos crer que são verdades absolutas.
Delimitam-nos o caminho e só avançamos realmente quando começamos a ouvir a nossa própria voz.
A maior parte de nós nem sequer a chega a ouvir e, aqueles que a ouvem, ouvem-na deturpada porque ela é, muitas vezes, a voz da revolta e da rebeldia. Não a nossa.
Essa, ficou para sempre amordaçada, ou nem sequer chegou a nascer porque pensar com a própria cabeça tem um preço, muitas vezes, inalcançável.
Em que momento da nossa vida passamos a ser nós? Em que momento, se é que ele existe, deixamos de ser o eco de todos os outros que não souberam pensar ou que, simplesmente, tiveram medo de o fazer?
Em que momento deixámos de nos deixar conduzir e passámos a andar pelo nosso próprio pé?
E que preço se paga por isso?
Quanto nos custa a individualidade, a independência?
De que forma podemos ser fiéis a nós mesmos, fiéis de verdade, e continuar a fazer parte desta sociedade que nos julga a toda a hora, que nos avalia constantemente?
Quem nos consente a espontaneidade? Quem é que realmente nos aceita como somos? E, quem somos nós? Será que esta curta passagem é tempo suficiente para nos descobrirmos?
Será que existe nesta sociedade que ao longo de tantos séculos temos vindo a construir um lugar para aqueles que a têm construído?
Onde ficamos nós, os Homens, no meio disto tudo?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Desilusões

"Só se desilude quem se iludiu."
Esta é uma frase que faz parte, talvez, do nosso imaginário e que eu própria já repeti para mim e para outros, muitas vezes.
Se a repito para me proteger ou se realmente acredito nela, é uma questão à qual não sei responder.
Provavelmente ambos os motivos serão válidos.
É certo que muitas vezes nos iludimos com pessoas ou com coisas, porque queremos acreditar que elas existem. Porque precisamos de acreditar que sim.
Mas quantas vezes, também, somos capazes de iludir os demais?
Quantas vezes necessitamos ou queremos tanto captar a sua atenção que, consciente ou inconscientemente, espelhamos uma realidade que, não estando separada da verdade, a exagera?
Quantas vezes, até sem darmos conta, mostramos aos outros o que de melhor há em nós incobrindo o menos bom que todos temos?
Quantas vezes não somos responsáveis pelas desilusões alheias?
Eu sei que já me iludi muitas vezes e que sofri a consequente desilusão. E sei também que já fui iludida e, por consequência, desiludida. Talvez seja por isso que não me canso de repetir:
- Só se desilude quem tem ilusões...

O Ano do Boi

Os Chineses começaram hoje as celebrações da saída do Ano do Rato e da entrada no Ano do Boi, que se fará, com pompa e circunstância, na próxima segunda-feira, dia 26.
Dizem os entendidos que será um ano frutífero, já que se colherá o que se semear. O Boi é um animal de trabalho, paciente e generoso, desde que não o espicassem, evidentemente. Zangado pode ser um problema.
É, portanto, o momento de nos agarrarmos ao trabalhinho e de cultivarmos as nossas relações pessoais e amorosas. De evitarmos conflitos. De estimarmos todos os que nos rodeiam e de trabalharmos como se não houvesse amanhã. (Como se isso fosse algo de extraordinário!...)
Entretanto este fim-de-semana, dizem eles - os entendidos, viver-se-á a angústia da mudança. Experienciar-se-ão todos os perigos inerentes às passagens, aos nascimentos e às mortes (ou vice-versa).
Feitas as contas é uma pena que o Boi só venha agora, já que nos tinha dado imenso jeito neste ano que passou, onde o estupor do Rato parece ter dado cabo da vida de muita gente.
Viva o Boi!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Já que de dores se fala hoje, fiquem com Katie Melua. Ela é que sabe - It's only pain...

Há dias assim

Há dias em que tudo parece correr mal.
Acorda-se com uma dor de cabeça daquelas que parecem ter lá estado toda a noite e só não demos por ela porque estavamos a dormir e, má como só ela, só se manifesta quando os olhos se abrem, como que a dizer - estou aqui, preciso da tua atenção.
Fecham-se os olhos logo a seguir só para não a vermos, mas a cabra, no segundo em que os olhos se voltam a abrir, martiriza-nos com mais força ainda, absolutamente decidida a marcar presença.
Logo a seguir, com a cabeça a estoirar, discute-se com o filho por questões, convenhamos, de somenos importância e, como se isso não bastasse, deparamo-nos com um dia em que todos parecem estar parecidos connosco - com vontade de estar em todo o lado menos naquele em que têm de estar.
Há dias assim.
E o que é curioso é que parecem existir em simultâneo, abrangendo um número considerável de gente o que não ajuda absolutamente nada.
Vai-se a ver e é em dias como este que certas guerras começam...

Os avisos que o corpo nos dá

Há momentos em que a vida faz questão de nos lembrar a dimensão da nossa fragilidade e a facilidade com que se está e se deixa de estar, assim, de um momento para o outro.
O coração sufoca-nos por décimos de segundo. Dentro da nossa cabeça um nevoeiro denso impede-nos de ver. É esse mesmo nevoeiro que, de repente, foge, deixando um vazio em que tudo à nossa volta gira como um carrocel em fim de viagem.
São esses os momentos que nos obrigam a parar para depois voltar a andar, só que mais devagar.
A noção exacta de que o nosso corpo pode, de um momento para o outro, dizer basta, é suficiente para nos abrandar por um período de tempo, maior para uns, menor para outros, mas sempre compreendido entre as re-lembranças do corpo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tirania

A tirania vive ao nosso lado e, às vezes, nem damos por ela.
Crianças que tiranizam os pais; os irmãos; os educadores.
Educadores que tiranizam os educandos.
Pais que tiranizam os filhos.
Namorados que tiranizam as namoradas.
Namoradas que tiranizam os namorados.
Maridos que tiranizam as mulheres.
E mulheres que tiranizam os maridos.
Se lhe abrirmos as portas ela toma conta de nós sem sequer a percebermos.
Se consentirmos ela vive connosco até ao fim da nossa vida.
Se tivermos o azar de crescer com ela, procurá-la-emos sempre em todos aqueles que se cruzam connosco porque, sem ela, não sabemos viver.
Com ela e por ela, nunca nos chegaremos a conhecer.
Há até quem viva subjugado, acreditando que vive em liberdade.

De Mais

Este post é dirigido a todos aqueles que insistem em escrever demais, demasiadas vezes.
Criaturas, sempre que quiserem dizer que algo existe em demasia terão de escrever de mais.
Demais é sinónimo de os outros, os restantes.
Por exemplo - Quem fala de mais arrisca-se a cansar os demais.
É que não custa nada e o português agradece.

Carpe diem

Esta expressão, recentemente recuperada do vocabulário latino, poderia pressupor indícios de, à semelhança do período renascentista, uma vontade de olhar para trás e refazer os nossos valores com base naqueles de antigamente.
Só que, na verdade, não se sabe em que contexto os Romanos a utilizavam, nem com que fim.
Carpe diem poderia muito bem significar, Levantem-se com o Sol; cumpram todas as vossas obrigações sociais e políticas; regressem a casa; dediquem toda a vossa atenção ao/à companheiro/a e aos filhos e deitem-se em paz com a vossa consciência.
Poderia muito bem significar isto.
Mas o que nós, recentemente, adoptámos não foi a expressão latina usada pelos Romanos. Foi antes a expressão latina usada pelos intérpretes do filme O Clube dos Poetas Mortos. E essa expressão, nesse filme, significa, Libertem-se de todas as convenções e façam aquilo que a vossa alma mandar, já que estão a crescer e precisam de aprender, aproveitem todos os dias desta fase da vossa vida.
O que está na moda e é confortável, julgamos nós, é o não me comprometa, depois logo se vê.
Nas relações afectivas, quando se pergunta ao outro - Quem somos? Para onde vamos?
É quase certo que nos responde - Não te preocupes com isso. Logo se vê. Vamos viver um dia de cada vez.
Não me comprometam! Pois se eu não me comprometo, quem são vocês para me comprometerem?!
E de descompromisso em descompromisso vamos Carpe diem, esquecendo-nos de que a vida, na verdade, não nos leva a lado nenhum, antes temos de ser nós a levá-la.
A não ser, é claro, que façamos questão de nos juntar ao batalhão de solitários que cresce por aí todos os dias.