sexta-feira, 4 de setembro de 2009

São os espanhóis, são os espanholitos... (ou, de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos...)

Quando Filipe I, II de Espanha, ocupou o trono de Portugal no dia 17 de Abril de 1581, assinou um documento com cerca de onze alíneas em que jurava respeitar as liberdades, privilégios, usos e costumes da monarquia portuguesa; em que garantia que títulos de cidades e vilas seriam concedidos apenas a portugueses, o comércio da Índia e da Guiné seria feito apenas por portugueses, e por aí adiante…

Parece que a coisa não correu mal enquanto ele foi vivo, o pior foram os seus sucessores, principalmente o último, Filipe III, de Portugal, já se vê. Esse esteve-se bem nas tintas para as promessas do antecessor e decidiu que resolveria os problemas que tinha em casa (Espanha) à custa dos vizinhos (nós).

Ele há portugueses que defendem a indexação, defendem uma Península Ibérica una, como se isso fosse possível, como se falássemos todos a mesma linguagem… porque não falamos, porque mesmo que isso acontecesse, e eu espero que nunca venha a acontecer, dificilmente seríamos unos como não o são, assim por além, os Catalães, por exemplo, e os Castelhanos e isto para não falar dos Bascos, evidentemente…

Políticas à parte, ele há muitas formas de domínio e nós neste momento temos vários meios de comunicação social nas mãos deles, e os meios de comunicação social são agentes de grande poder, e os espanhóis, verdade seja dita, estão-se bem nas tintas para nós e a prova é que *um deles cancelou o Jornal Nacional da TVI e correu com a Manuela Moura Guedes, de quem eu até nem gosto, note-se, mas fê-lo na pior altura, acendeu um rastilho e esteve-se absolutamente nas tintas para as repercussões. Ele quer lá saber das nossas eleições! Ele nem vota cá!

* aqui.

O amor e as pressões

Eu acho que ninguém gosta de ser pressionado, mas todos tendemos a pressionar quando o nosso parceiro é daqueles que respira liberdade e pouca apetência para os compromissos imediatos.

Li há pouco num destes blogs aqui ao lado, que os homens não gostam de pressão. Creio que as mulheres também não. A pressa é inimiga da perfeição, sempre ouvi dizer isto e creio que é verdade. Correr desenfreadamente numa relação dá ao outro a sensação de desespero e gera uma ansiedade da qual todos nós tendemos a fugir.

Mas se é assim com as relações afectivas o caso não muda muito no que diz respeito às outras vertentes da vida. Veja-se, por exemplo, a abismal diferença entre um prato cozinhado à pressa, e um outro cozinhado com amor e carinho, em lume brando. É certo que nesta correria de vida que todos ou quase todos levamos, poucos são os que os distinguem, aos pratos, mas que a diferença é abismal, é, e se não somos já capazes de a confirmar é só porque perdemos qualidades; e se em cada relação procuramos urgentemente um poiso confortável, convencidos que amamos desmedidamente, é porque perdemos o dom da paciência num mundo onde tudo é industrial e onde as coisas artesanais deixaram de ter sentido ainda que todos saibamos que são superiores em qualidade.

Quando numa relação os ritmos são diferentes, e são-o quase sempre, há que respeitar o ritmo mais lento. Se é para chegarem a algum lado convém que um espere pelo outro e não o queira levar a reboque porque ninguém gosta de andar a reboque a não ser, é claro, que um deles seja cego…

Então hoje não nos vemos?!, quando nos vimos já no dia anterior, ou Onde é que andas?!, de meia em meia hora, é meio caminho andado para o fracasso. Quem quer respirar a dois não pode tapar o ar ao parceiro ou correrá o risco de ficar a respirar sozinho. O velho lema que diz que quando dois se amam passam a ser um, é falso e pernicioso. Quando duas pessoas se amam, passam a ser três – eu; tu e nós, porque o respeito é muito bonito e, como disse uma vez Saramago – mais tem quem ama do que ama quem tem…

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Carlos Porfírio


Hoje é um dia muito especial para este meu amigo que vai lançar o seu segundo romance.

Desejo-lhe toda a sorte do mundo, já que neste ramo não basta saber escrever, de facto às vezes é até secundário como o provam tantas obras que para aí andam a vender que nem umas malucas, é preciso ter-se sorte. Sorte com a editora e a forma como distribui as obras e sorte com os livreiros na forma como a dispõem. Se se tratasse de alguém já conhecido na praça não precisaria dela, mas não sendo o caso – Sorte, meu amigo que bem mereces.

Eu tive o privilégio da revisão e devo dizer que a evolução do primeiro romance para este segundo, sendo que existe um pelo meio que ele mantém na gaveta (desculpa-me a indiscrição, mas estas coisas são importantes), é extraordinária.

Num misto de suspense e conflito humano muito bem conseguido, é um livro que se lê de uma assentada e que nos chega a tirar o fôlego na recta final.

Caídos da Mesma Árvore vai ser apresentado pela Lídia Jorge, hoje, pelas 19h no restaurante do piso 7 do El Corte Inglês. A entrada é livre, não requer convite, pelo que pode aparecer quem quiser. Por isso, ide…ide…

Santana Lopes - O seu a seu dono


Ontem tive oportunidade de ver e ouvir Pedro Santana Lopes no 5 Para a Meia-Noite.
Este senhor diz mais quando fala do que quando escreve. Gostei da Lisboa com que sonha. A ideia de transformar o Terreiro do Paço numa larga praça do, e para o público, cheia de esplanadas e de vida, é, com certeza, o sonho de todos nós. Jardins, venham eles e quanto aos túneis, ninguém pode negar a sua utilidade.
Ontem, mais uma vez, ficou provada a injustiça das etiquetas que sem darmos por isso vamos colando em quem nos rodeia sem lhes darmos, muitas vezes, oportunidade de nos mostrarem quem realmente são ou em quem se tornaram. Ontem, mais uma vez, ficou provado que as pessoas mudam e mudam, muitas vezes, para melhor.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Teoria da Conspiração

Quando a hipótese de pandemia do vírus H1N1 começou a tomar conta dos noticiários, o meu filho dizia à boca cheia, não acredito em nada disso! isso são esquemas que as farmacêuticas inventam para vender medicamentos.
Não acreditar na existência de uma doença que é real e que pode ser mortal só pode mesmo vir de um jovem invencível como o são todos os jovens. Contudo, a ideia subjacente não tem nada de disparatado, é até bastante provável e pouco, muito pouco, original.
Que as doenças são um mal necessário, não para quem as tem evidentemente, mas para quem delas faz fortunas, é sabido, tal como é sabido que a mutabilidade e a adaptabilidade dos vírus são um facto.
Que a verdade, a ser conhecida, só o será daqui a muitos e muitos anos, também é um facto, duvidoso até, já que a própria História encerra segredos que ficarão para sempre por desvendar.
Fica portanto ao critério de cada um avaliar a possibilidade desta "verdade" que pode, muito bem, vir a servir de base para um argumento cinematográfico se, entretanto, não for bem abafada por quem de direito, ou não.
Por mim, se isso acontecer, "o abafo", o desaparecimento repentino deste pequeno vídeo, ficarei com a pulga atrás da orelha. Não que isso faça qualquer diferença já que o mais que posso fazer é coçar...

Chegou o momento da verdade

Aquele em que vou ser crucificada.

Ontem à noite não vi a Grande Entrevista. Não vi ontem, mas vi hoje de manhã, tal é a maravilha da técnica! Pois ao ver e ouvir o nosso Primeiro-ministro o ditado popular que me veio à cabeça foi: “Os cães ladram e a caravana passa…”, sendo que não lhe vejo quaisquer semelhanças com os nossos amigos caninos.

Não tenho preferências partidárias, nunca tive. Sou até bastante adversa a filiações, sejam elas de que tipo forem, religiosas; futebolísticas ou partidárias. Gosto de desfrutar da liberdade de escolha e escolho conforme os candidatos me inspirem, ou não, confiança. Cada caso é um caso, cada eleição uma eleição.

Não tenho paciência para ler exaustivamente os programas dos partidos antes de cada uma e canso-me quase sempre nos debates intermináveis em que eles se digladiam uns aos outros. Vou ouvindo daqui e dali, ou melhor – vou escutando, e sigo o que o coração e o bom senso me mandam. Não sou uma analista política, nem tenho pretensões a tal, mas não posso ignorar a confiança que este Governo me inspira, pela modernidade, pelo arrojamento, pela atitude positiva e pela força. Haverá sempre lugar a críticas, evidentemente, e espero que a oposição tenha a força do equilíbrio e a sensatez do interesse verdadeiramente público, mas é neles que vou votar.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vícios Hollywoodescos, e não só...

Eu sei que não devo confundir os actores com as personagens e, provavelmente, nem vice versa, mas não me conformo quando de repente, assim do nada, pelo menos para os meus olhos que nada conhecem dos bastidores de Hollywood, os personagens mudam de actores.
Uma pessoa habitua-se a ver x a fazer de y e de um dia para o outro o y aparece a ser representado por um t qualquer. Muda o actor, muda o carisma do personagem e, por muito que quem vem atrás tente, o personagem nunca mais será o mesmo e só é aceite pela imposição, porque não há outro remédio e uma pessoa vai-se habituando. É quase o mesmo como quando se está apaixonado e o objecto da nossa paixão sai de cena e outro entra para o seu lugar. Já viram o tempo que será necessário para uma pessoa se apaixonar outra vez se é que se apaixonará?!
A Daphne do Frasier; o ex da Ex; o Cupido!, aliás ou me engano muito ou estes dois últimos eram um e o mesmo actor, todos mudados! O que é que aconteceu aos primeiros, aos que deram alma às personagens? Adoeceram? Se foi esse o caso porque é que não se muda o script e eles não fazem uma viagenzita por dois ou três episódios e depois voltam, já recompostos? É porque morrer não devem ter morrido senão nós saberíamos, não é?
Na volta apareceu-lhes outra coisa qualquer a representar mais dinheiro ou então, isso é o mais certo, deram entrada numa qualquer clínica de desintoxicação por período indeterminado… Os vícios vêm até daqueles que menos se espera!

E assim se começa um mês...


Está a saber-me bem este pequeno mês de Setembro. Esta brisa mais fresca; este céu de algodão; esta paz de finalmente foram-se embora os turistas; este voltar a ter lugar para estacionar o carro à porta de casa…Está a saber-me bem este pequeno mês de Setembro. E depois, esta seria a semana dos consertos. Hoje iria consertar um dente, sexta irei consertar uma outra coisa um pouco mais complicada mas simples ainda assim e, afinal, o dente não precisava de conserto, o sorriso ficou mais branco e o tempo até nem custou muito a passar naquela cadeira onde sofro sempre mais do que os outros. Estou a gostar deste pequeno mês de Setembro, por ter chegado tão carregado de bons augúrios.