quarta-feira, 31 de março de 2010

Gentinha

Para alguns de nós a escolha é possível. Pode-se ser bom ou mau consoante nos apetecer ou estivermos para aí virados. Mas para outros alguns, não.
Aqueles para quem a escolha é possível, sabem perfeitamente o que fazem, quando fazem e porque o fazem. Às vezes penalizam-se, outras não. Mas distinguem perfeitamente o bem do mal.
Para os outros a coisa já não pia assim. Vivem num mundo onde tudo é cinzento e, tal como o mundo em que vivem, são incapazes de mudar. Abrandam de vez em quando. Mas nunca mudam. Todos os actos são maus. Nasceram com a maldade entranhada na alma e não há nada a fazer. Tudo o que sentem é mau. São invejosos; arrogantes; prepotentes; provocadores; conflituosos; maldizentes…Maus.
Gente dessa precisa de praticar diariamente e dispara em qualquer direcção. Nos dias em que acordam com mais energia, disparam em todas as direcções.
Deve ser, com certeza, em dias desses, que alguns deles decidem vir espreitar o que há por aqui…
É gentinha que se alimenta da dureza e do desprezo por tudo quanto espelhe sentimentos mais nobres ou brandos. Gentinha que acredita que a grandeza está aí, no desprezo pelos fracos, sendo que «os fracos» são todos aqueles que sentem; se emocionam ou manifestam amor. Gentinha que escreve mal, que sabe pouco e que se sente tão frustrada que procura coisas que não gosta e não percebe só para se sentir maior do que aquilo que é, no desprezo que sente. Gentinha a quem os bons sentimentos incomodam mais do que uma praga de piolhos. Enfim…gentinha…

terça-feira, 30 de março de 2010

Venham a mim as criancinhas

Se Freud fosse vivo não hesitaria em dizer – Eu bem vos avisei!
Se Deus, na sua infinita bondade, nos deu a libido foi para a utilizarmos, caso contrário ter-nos-ia dado um aparelho reprodutor neutro, objectivo e funcional.
Desrespeitar a natureza humana é desrespeitar Deus. Desafiar a natureza humana é desafiá-Lo a Ele.
Casem-se os padres e acabe-se com esta vergonha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Mundo encolheu

A globalização; a comunicação; o avião e outras coisas acabadas, ou não, em ão, encolheram-no.
O Mundo encolheu para a humanidade mas aumentou consideravelmente para cada um de nós.
Passámos a ter acesso a quase tudo mas não temos mãos que cheguem.
Passámos a estar mais perto uns dos outros e vivemos cada vez mais afastados.
Podemos ver. Mas não podemos tocar.
O Mundo encolheu e cada um de nós, provavelmente, encolheu com ele.

domingo, 28 de março de 2010

Há sempre alguém

Vou somando os meus triunfos e as minhas frustrações. As minhas vitórias e as minhas derrotas.
Vou tentando fazer das derrotas vitórias e dizendo a mim a mesma aquilo que sempre dizemos quando precisamos de ir buscar força a qualquer lado – É o caminho que interessa, não o destino.
E, de lugar-comum em lugar-comum, vou-me apercebendo que na realidade nenhuma delas, nem as vitórias e nem as derrotas feitas vitórias, me interessam mais, me aquecem mais, me dão mais felicidade, do que o calor que vou recebendo em forma de companhia, de apoio, de ajuda e de incentivo, daqueles que me batem à porta, quase sem serem chamados, nas horas de necessidade.
Podemos até ser autónomos, mas nada na vida faz sentido quando lutamos só por nós. Nada faz sentido quando caminhamos sozinhos. E, na verdade, quem ama, quem gosta, quem sente, nunca está sozinho.
E, palavra puxa palavra, veio-me esta à ideia


quinta-feira, 25 de março de 2010

Das petições e dos salários

Anda por aí a circular uma petição para a redução dos salários da classe política – Ministros; deputados…
A ideia que eu tenho, aquilo que me escandaliza, não são os salários da classe política que tanto quanto sei, e sei muito pouco, nem sequer se equiparam àqueles de outros países. Tenho até por mim, e posso estar muito enganada, que a nossa classe política não é das mais bem pagas o que pode favorecer, e favorece, a corrupção.
Aquilo que me escandaliza são as reformas milionárias dos gestores que, após saída da classe política, encontram poleiros em Empresas Públicas por onde passam quase sem deixarem rasto ou chegarem sequer a aquecer cadeiras, apenas e só para encherem os bolsos. Isso sim, escandaliza-me.
Portanto, quando circular por aí uma petição contra os salários obscenos dos gestores públicos e contra as reformas e indemnizações absolutamente escandalosas, eu assino.
Quando circular por aí uma petição a exigir que aqueles que usufruem de salários impensáveis, como por exemplo os jogadores de futebol, sejam taxados na justa medida para que os desgraçados, que são a maioria que realmente trabalha, possam pagar menos e usufruir das mesmas regalias, eu assino.
Quando circular por aí uma petição que tire dos que têm realmente muito, para distribuir pelos que têm realmente pouco, eu assino.
Não espero, e nem concordo, que todos ganhemos o mesmo. Os salários, para serem justos, têm de ser diferenciados, já que os cargos também o são, bem como as responsabilidades. O que não posso aceitar é este abismo, este fosso que alguém cava, cada vez mais fundo, e que acabará por nos engolir a todos se não nos levantarmos a tempo.
É que não são os poucos que ganham muito que puxam esta carroça. São os muitos que ganham pouco que o fazem. E, atenção, cada vez estão mais fraquinhos…

Decidam-se...

Diz um spot publicitário ao BES, mais ou menos isto:
- Olá fofinha, vamos casar?
- Fofinha?! Casar?! Mas o senhor conhece-me de algum lado?!!
- Não. Mas isso não interessa. Casar traz muitas vantagens! O BES…. (e por aí fora…)
Isto não é bem uma transcrição – não sei se o termo é «fofinha» ou outra coisa qualquer, o que interessa aqui é a ideia.
Uma vez que esta ideia do casamento como um contrato financeiramente vantajoso para as partes envolvidas não é nova, de resto o que se pode considerar realmente nova é a ideia do casamento por amor (os nossos tetravós achá-la-iam, no mínimo, idiota), eu diria que estamos a andar para trás.
E eu que estava convencida que tínhamos evoluído! Com certeza contagiada pelo tempo em que cresci e em que se propagandeava o amor!...
Afinal, ao que parece, isso não interessa para nada. Mas então, se de um contrato se trata, a que propósito veio toda aquela polémica dos casamentos homossexuais?!!! Um contrato é um contrato, caramba! De resto eu até sugeriria que se acabasse com o termo «casamento» e se passasse a designar este «acordo» a dois, como – Sociedade. Uma Sociedade de Responsabilidade Partilhada – S.R.P.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Às vezes...

...pergunto a mim mesma como seria a humanidade se em vez de penalizarmos os erros, educacionalmente falando, valorizássemos o que está correcto.
Assim do tipo - Isto não está mal, mas para ficar mesmo bem só precisa de mais umas coisinhas.
Às vezes pergunto-me, Como estaríamos? Onde estaríamos? Quantas almas já desistiram por não acreditarem ser capazes?
Há dias recebi um mail jocoso em que se criticava este tipo de procedimento que alguns iluminados defendem hoje em dia. O problema é que a penalização do erro está de tal forma entranhada em nós que, não só tememos o caos se deixarmos de o fazer como, na maioria dos casos, nem sequer somos capazes. Afinal foi o que nos fizeram a nós. Como é que seremos capazes de nos abstrair disso e passar a fazer de forma diferente? Mas, e se tivesse sido sempre assim? desde o princípio, nas escolas? Será que seríamos hoje uma sociedade mais humana? mais evoluída? mais sábia? mais confiante? mais produtiva? mais útil?
Afinal de contas a penalização do erro é sempre uma crítica negativa. De facto, temos aprendido e ensinado pela negativa. Já pensaram na força que é precisa para superar esse negativismo? Já pensaram nas compensações que é preciso ter, daqueles que nos são próximos e acreditam em nós, para que possamos continuar a acreditar que somos capazes? Quem foi que inventou esta forma de educar?! Quem é que teve esta ideia brilhante? Alguém tomado pela inveja? pelo medo? ou simplesmente pela maldade?

domingo, 21 de março de 2010

A apologia do dinheiro

Durante séculos enfiaram na cabeça deste nosso povo que o dinheiro não compra a felicidade; felizes dos pobrezinhos e por aí fora… Convenceram-nos, à força de tanto repetir tanta mentira, que o dinheiro é até algo de sujo, de vergonhoso, de impuro!
O dinheiro não compra a felicidade pelo simples facto de ela não estar à venda!
Quem tem dinheiro come melhor; dorme melhor; vive melhor. Quem tem dinheiro não vai ao médico só quando está doente, vai antes de o estar. Quem tem dinheiro tem reunidas todas as condições para poder viver sossegado, sem se preocupar com o que há de mais comezinho. Pode, assim, dedicar-se calmamente a causas mais nobres. E, se quem tem dinheiro, não é feliz, então não o merece ter porque ele, o dinheiro, não compra a felicidade, mas cria condições para que ela exista, ao contrário dos desgraçados que passam fome ou comem pão a toda a hora!
O dinheiro não compra a felicidade mas tem nela a sua quota-parte que não é pequena. Se isso não é digno de um lugar relevante, então não sei o que o seja.
Por isso meus amigos e compatriotas, deixem-se de tretas e valorizem-no, desejem-no sem vergonha, abertamente. Desejem-no porque têm toda a legitimidade para o fazerem e só quem tem muito é que pode meter na cabeça de quem tem pouco esses disparates de que ele é isto e aquilo; que não faz falta; que não é importante; que não compra a felicidade, e nem a saúde ou o amor. Só a quem tem muito poderá interessar que um povo inteiro assim o sinta; assim se sinta – dele envergonhado.

Produção de fim-de-semana

Qualquer dia não sei estar sem fazer nada, eu! que tanta necessidade tenho de estar quieta e comigo! Bom, como os trabalhos para a faculdade são muitos e o meu tempo é pouco, aproveito o pouco que tenho livre para os ir adiantando, ou pondo em dia, conforme o caso.
Um dos trabalhos pedidos para Tecnologias Educativas era um «piqueno» vídeo que narrasse uma «piquena» história, com algum fim educativo. Uma vez que a história é minha e que a «fazedura» do vídeo é uma estreia absoluta, resolvi partilhar o resultado convosco.
Aqui fica A história de Cib, a esferográfica. Espero que gostem. (Se não o conseguirem visionar aqui, experimentem este atalho).

GoAnimate.com: A história de Cib, a esferográfica by Alda Couto

Like it? Create your own at GoAnimate.com. It's free and fun!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sexta-Feira finalmente!

Que isto há semanas que custam mais a passar do que outras!... Ainda assim não me posso queixar. Não está a acabar mal. Devagar lá se foram desenhando os cenários possíveis de possíveis soluções e o certo é que isso acalma e que quanto mais calmos andarmos, e mais confiantes também, mais hipóteses há das coisas correm bem.


O filhote esteve doente lá naquele ermo por onde anda, mas parece que já está bom; a mãe também já se levantou e já dá um arzinho da sua graça e, pela primeira vez de há um mês (ou talvez mais) a esta parte que se avizinha um fim-de-semana sem deadlines para cumprir, o que é um luxo! Vamos lá a ver se o aproveito para pôr em dia os trabalhos para a faculdade, que já se vão acumulando...


E para celebrar este ar mais limpo que respiro, aqui fica


quarta-feira, 17 de março de 2010

Aos amigos

Recebo muitas vezes e-mail de «amigos». Gente que conheço e gente que nunca vi - «amigos virtuais». Agradeço-lhes a lembrança. Os amigos virtuais são, para mim, muitas vezes, um aconchego. Mas não são Os Meus Amigos. São um aconchego que me remete daqui, da minha individualidade, para o resto do mundo. São o aconchego que me tira da solidão e me dá uma ilusão de pertença, de multidão. Mas não são Os Meus Amigos.
Os Meus Amigos são aqueles que me acodem quando preciso. São aqueles que se levantam às sete e meia da manhã para me ajudar a mudar um pneu; são aqueles que ao ler um manuscrito meu não descansam enquanto uma editora não diz que sim; são aqueles que não hesitam quando preciso de dinheiro emprestado; são aqueles que torcem por mim e que acreditam em mim, muitas vezes mais do que eu mesma.
Que não me levem a mal os meus amigos virtuais mas não posso, não seria justo, usar das mesmas palavras para uns e para outros. Vulgarizar termos como «O Maior Amigo do Mundo» ou, «Bastas-me tu que Vales por Todos», é impossibilitar a distinção entre uns e outros e isso eu não posso fazer. Não, enquanto não for capaz de inventar outras palavras, maiores, mais luminosas, mais extraordinárias, para designar Os Meus Amigos. E, a esses, serei sempre grata do fundo do meu coração porque muito lhes devo. A ti CP e a ti FS a quem devo o que sou, porque nós também somos o que fazemos; a ti VS não sei o que faria sem ti; a ti RC minha querida amiga como eu gostaria de te ver mais vezes!; a ti RJT e a ti CCP, que as nossas tertúlias não acabem nunca; a ti RA a quem tantas vezes devi o meu equilíbrio, tenho saudades tuas; e até a ti MG que apesar dos pesares nunca deixaste de estar não estando. A ti PV pela preocupação, pelo carinho, pela companhia e pelo prazer que tens em me ouvir. E finalmente a ti SC, com quem sei que posso contar porque és família não o sendo e da família nem falo porque as palavras não chegam, teriam de ser maiores, muito maiores. A todos vós o meu mais eterno e profundo obrigada por existirem, serem e estarem presentes quando é preciso.
Quanto aos meus amigos virtuais, não saiam daí. Na vida nada é estanque e o dia de amanhã será sempre o nosso eterno desconhecido. Mas não esperem receber de volta esses e-mails que me enviam, pelo menos não para já…

terça-feira, 16 de março de 2010

Dormir sobre o assunto

Há alturas da vida em que tudo, ou quase tudo, parece correr mal. O dinheiro que se pensava ter afinal não se tem porque o banco diz que está retido para sua salvaguarda; a escritura da casa está aí e a desorientação é grande porque se andou a pagar prestações de um empréstimo que afinal não o foi porque o depósito a prazo lá está, mas retido por conta do dito; os filhos estão longe; os pais adoecem reclamando presença; o trabalho sobeja enquanto os proveitos escasseiam; o tempo não chega, e nem os braços e nem, tão pouco, a cabeça. O desespero instala-se e arrasta consigo mais episódios burlescos ao ponto de um comezinho furo num pneu nos deixar à beira das lágrimas que se enrolam na garganta num não aguento mais! E vencidos pelo cansaço atiramo-nos para a cama e deixamos que o sono nos invada, na verdade o que queremos é morrer… E ele invade. E no dia seguinte, como que por milagre, a cabeça acorda descansada porque desistiu. E nessa desistência abandonou o esforço e nesse abandono uma multiplicidade de cenários alternativos se desenham e compreende-se por fim que nada está perdido, que há sempre uma possível solução e a nuvem negra dissipa-se, o mundo fica mais leve, o corpo relaxa no seu merecido descanso e só a face se comprime num sorriso de esperança.
Vale a pena dormir sobre os assuntos. A vida, ela mesma, encarrega-se de nos mostrar caminhos escondidos no nevoeiro do desespero.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Então muito obrigadinha, sim?

Aos senhores da Junta de Freguesia; das Estradas deste nosso Portugal; da Câmara; do que for...quero agradecer as enormes crateras que abundam por estas estradas fora porque se há coisa que eu preciso é de um pouco de agitação, a minha vida anda monótona como se pode ver e um furo daqueles de estoiro com a jante toda feita num oito era mesmo o que eu estava a precisar hoje às sete e meia da manhã para quebrar toda esta monotonia. Para ajudar à dança uma das porcas recusou-se a sair e nem comigo em cima da chave a porca cedeu, salvo seja que até estava limpa só não se portou foi bem... de telefone na mão gritei por ajuda, já que ao fim de vinte minutos eu ainda não tinha conseguido tirar a roda e já três porcas jaziam na borda do passeio mas a quarta só lá foi de spray que isto na vida pode não se ter nada mas quando se tem amigos tem-se tudo e nem a hora imprópria impediu que fosse em meu socorro. Porca fora à força do dito e vai de se encaixar o sobressalente que é para isso que serve. Com um bocadinho de sorte ainda dava para chegar a Lisboa a horas de entregar na editora o trabalho que ontem me levou pela noite dentro mas assim que se deu à manivela do macaco não é que o estupor do pneu, o sobressalente, se deixou ir abaixo que sem ar não pode ser e eu nunca lhe meti ar porque nunca precisei dele. Vai de meter macaco, outra vez, vai de tirar pneu e correr à bomba de gasolina mais próxima. Eis que chega o amigo com o dito já cheio e com uma hora de atraso lá rumei a Lisboa.
Cansados com a falta de parágrafos? Imaginem eu!...E agora vou ver se janto não vá acontecer-me a mim o mesmo que ao pneu, o sobressalente.

sábado, 13 de março de 2010

Desabafo

Hoje passei cerca de sete horas no hospital com a minha mãe. E se foram só sete foi porque me introduzi clandestinamente nas urgências e consegui chegar à fala com o médico. Constatei que havia um único neurocirurgião de serviço que, segundo as suas próprias palavras, tem apenas uma cabeça e dois braços. É claro que se assim não fosse provavelmente não seria neurocirurgião e não estaria ali.
Mas não é disso que quero falar. É do facto de, apesar de tanta espera, ter saído de lá com uma enorme admiração por todos aqueles que ali trabalham. À excepção talvez do imbecil do segurança que se planta à porta para impedir, sem o mínimo critério, as pessoas de entrar. Mas desde os enfermeiros aos médicos, principalmente ao neurocirurgião de uma só cabeça mas de uma grande alma, aqui fica a minha sincera admiração. Não haverá seguramente neste país lugar mais pandemónico do que as urgências de um hospital público.
E ainda bem que o meu discurso fugiu para aqui. Assim evito pensar na enorme angústia que sinto cada vez que a minha mãe adoece e o meu pai se aflige tanto tanto, porque o que eu queria mesmo era protegê-los para sempre de todos os males que há no mundo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A quem de direito

Há mais de quarenta anos que ando em guerra com a vida, provavelmente como todos nós ou, se não, pelo menos como a maior parte. E, a cada batalha, cerro os dentes e grito, Não me derrotarás!

Contudo, e apesar das tréguas mais ou menos longas que me restabelecem, parto para a batalha seguinte um pouco mais fraca; um pouco mais débil. Desgastada talvez.

A quem de direito, que me esteja a ouvir e tenha poder – Não são tréguas o que agora peço, mas Paz. Uma Paz permanente; definitiva. Paz.

Porque temo como nunca temi, que a minha fragilidade crescente lhe dê a vitória a ela. E ela não a merece tanto quanto eu.

Assembleia da República

Qual será a percentagem, em termos de tempo, que esta gente dedica a trabalhar?
Se trabalhassem mais e se insultassem menos!...
Cada vez que os vejo na televisão só me apetece dizer:
- V. Exas. são umas BESTAS!
Cá para mim o facto do parlamento ser circular não ajuda nada. É que eles pensam que estão no circo!!

quarta-feira, 10 de março de 2010

O computador e as ondas Alpha

Li há uns dias, já não sei onde que as leituras são tantas que se me misturam todas aqui dentro, que a espera pelos sites é causadora de stress. Parece que reduz as ondas Alpha, responsáveis pelo nosso relaxamento.
O artigo, tenho a certeza que se tratava de um artigo, alertava os proprietários/criadores/anunciantes dos sites para o facto de perderem clientes à distância de um clic.
Da maneira como isto está hoje e porque não me posso dar ao luxo de perder as minhas Alphinhas, já de si tão escassas coitadinhas, provavelmente só cá volto lá mais para a noite, e é se voltar...

terça-feira, 9 de março de 2010

O chamamento da terra

Ontem, quando os homens viviam mais perto da terra, era fácil compreender os amuos do espírito; as tristezas das almas. O sol e as nuvens; o vento e a trovoada, carregavam e descarregavam corações como quem carrega e descarrega uma carroça, mas toda a gente sabia que assim era e, quando o céu se carregava, as gentes preparavam-se para serem, também elas, carregadas.

Hoje, atarefados como andam os homens, assoberbados de afazeres; voam mais do que correm, correm mais do que andam e, de pés levantados do chão, já não sentem a terra. Não ouvem os seus lamentos, não lêem os seus sinais. E a terra, abandonada, não se cansa de chamar.

Parabéns meus queridos



Parecem Estrelas de Cinema mas não são. São os meus pais, que 53 anos depois ainda sorriem um para o outro, apesar dos pesares.
Parabéns a eles. Ao seu carinho; à sua força; à fortíssima amizade que foram capazes de construir ao longo destes 53 anos tão cheios de coisas boas e menos boas, como é a vida de toda a gente. Parabéns a eles, por ainda sorrirem, por ainda se zangarem, por ainda olharem nos olhos um do outro. Parabéns por estarem juntos e serem capazes de ser felizes.

A proximidade da morte

Recebi ontem a notícia da morte de alguém que me acompanhou durante muitos anos. Durante toda a minha adolescência, juventude e parte da idade adulta.
Afastámo-nos por incompatibilidade de estilos de vida; de formas de estar; de modos de pensar e de agir que estão para lá do mundano.
Há coisa de uns meses telefonou-me pedindo um encontro, que havia algo para dizer. Respondi que não havia nada para ouvir e recusei.
Morreu sozinho. O seu corpo foi encontrado três dias depois, já em decomposição. Nu; deitado na cama. Foi autopsiado e enterrado em urna selada. A mãe não o pôde ver; ninguém o pôde ver. Na impossibilidade de ser vestido, baixou à terra dentro de um saco de plástico.
Não é a falta que me faz, é a proximidade da morte. Desta morte. Tão solitária; tão anónima; tão precoce. É a proximidade dela que me põe este peso no peito; este mal-estar; esta tristeza.

segunda-feira, 8 de março de 2010

À minha filha

Faz hoje 30 anos que nasceu o meu primeiro filho.
Alguns dias antes sonhei que tinha tido uma menina e que se chamava Diana. Acordei a meio da noite com a convicção que estava uma menina para nascer.
Quando dei entrada na maternidade, fi-lo por imposição médica e não pela vontade de nascer da criança que teimava em manter-se, confortavelmente, dentro de mim. Puseram-me a soro e foi só ao fim de três dias e três balões, na madrugada da terceira noite, que o bebé decidiu que era a hora de sair.
Inexperiente nestas lides de parir um filho (eu sei que é uma expressão algo crua., talvez por isso eu goste dela), achei que não havia no mundo dores maiores do que aquelas e, no meu absoluto silêncio, feito de inspira expira, convenci-me que só podia ser um rapaz… enganei-me. O sonho estava certo e assim que ela nasceu, olhei-a e disse em voz alta – é a Diana. O médico que me assistia parou o que estava a fazer e perguntou – É quem?! - E eu repeti – É a Diana.
E a Diana, senhora da sua vontade desde sempre, faz hoje 30 anos e é uma mulher linda que, como todos nós, sabe mais o que não quer do que o que quer e, por vezes, deixando-se levar por essa indecisão do querer, pensa ser dela o defeito quando é essa a única forma que temos de ir traçando caminhos – afastando o que não se quer.
Para ela, que o mundo se abra a tudo o que tem para dar, que é tanto. Que os seus escritos ecoem aqui e mais além, pelo planeta que cada vez é mais pequeno; que a alegria lhe bata à porta todos os dias e que não desista se for de manhã e a encontrar algo sisuda. Ela acorda sempre assim, é coisa de somenos importância. Que a prosperidade seja sua companheira e, acima de tudo, que o amor a tome nos seus braços, que ela o abrace também e que assim fiquem, bem juntinhos, até ao fim dos tempos, para que a sua alma encontre, então, o seu estado de graça.
Parabéns minha muito muito muito querida. Qualquer coisa estarei sempre aqui, tu sabes, mesmo que já cá não ande. As mães têm destas coisas, caminham connosco até ao fim.

domingo, 7 de março de 2010

É mau de mais!

O que é que fizeram àquela menina que ganhou o festival da canção, que ela em vez de cantar chora?!
Com tantos concursos não havia para aí alguém que cantasse em vez de ir gemer ao lado de um piano?!

Tu não me conheces

Buscamo-nos no outro.
Aquilo a que chamamos amor mais não é do que o reconhecimento de nós no seu olhar.
E a solidão surge no momento em que esse olhar reflecte um estranho que não somos nós.
Poucas coisas me surpreendem tanto como ouvir alguém que me olha há tantos anos falar de um eu que eu não sei quem é. Ou é porque tem olhado sem ver; ou porque sempre olhou outra coisa qualquer.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Da incompetência

A incompetência incomoda-me. Mas aliada à estupidez e/ou à arrogância, põe-me completamente fora de mim. Dá-me cabo dos nervos; transtorna-me; causa-me stresse e rebenta-me com a saúde e esta semana são já três as situações em que o meu coração se exaltou e os meus cabelos brancos duplicaram.
Dou por mim a sentir-me conflituosa que é aquilo que eu até nem sou mas não engulo mais sapos do que os imprescindíveis, que cada vez são menos graças a Deus e à idade que tem o seu estatuto.
A humildade é uma qualidade obrigatória para a evolução em todas as vertentes. Posso até ser incompetente mas deixá-lo-ei de o ser a partir do momento em que escuto os outros e vou adaptando as minhas acções às suas necessidades, fundamentalmente quando a minha actividade é deles que depende ou é a eles que se destina.
Quem não tem isto presente não pode nem deve ocupar cargos de serviços. Quem não está interessado em evoluir, mesmo que apenas humanamente, isole-se; transforme-se em ilha ou vá para o raio que o parta que assim já não chateia ninguém.

quinta-feira, 4 de março de 2010

E para os imbecis que ontem em Coimbra assobiaram a selecção nacional...

...aqui ficam alguns versos de Camões:

«Eis ali seus irmãos contra ele vão
(Caso feio e cruel); mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta.»

Camões, Luís, Os Lusíadas, canto quarto, estrofe 32

Shame on you!

Suicídio parte II

Ao que parece a polícia não foi bem sucedida e o homem que vi a saltar o gradeamento da ponte acabou mesmo por se atirar. Só espero que a alma dele não me persiga por não ter parado mas, assim como assim, também não me considero uma boa negociadora...
Pode ser que agora esteja em paz.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Sentido da Vida

Há dias em que o estupor anda tão escondido que chego a duvidar da sua existência.
Damos o nosso melhor; esperamos que a vida nos retribua e, por vezes, tudo o que ela faz é permitir-nos esta ilusão de controle.
Talvez o sentido seja esse: aprendermos os nossos limites e entregarmo-nos a ela, que afinal é soberana. Entregarmo-nos e deixarmo-nos ir. Pode ser que pelo caminho o encontremos, ao sentido.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Suicídio, ou talvez não...

Hoje, por volta das três da tarde, um homem parou o automóvel a meio do tabuleiro da ponte e, calmamente, trepou a primeira vedação.
Quando parei ao pé do primeiro polícia que encontrei, junto ao edifício da ponte, foi-me dito que alguém já tinha chegado às falas com ele. Que estavam a tentar dissuadi-lo.
Mas o certo é que a sua imagem não me sai da cabeça.