domingo, 10 de julho de 2016

Ser Bom – um conceito decadente


A Bondade é um conceito claramente ultrapassado.

O que é isso de ser Bom?!

Ah você ajudou um velhinho a atravessar a estrada?

Tratou bem o vizinho, apesar de ele não o deixar dormir de noite? Que simpatia!

Deu lugar a uma grávida no autocarro?

Pediu desculpa por não ter reparado em quem estava à sua frente? Que educação!

Há muitos anos, quando eu ainda tinha alguma vergonha de ser eu, houve alguém que se insurgiu contra mim dizendo, alto e bom som:  Ninguém é assim tão boazinha!

Ao longo da minha vida tenho-me deparado, com uma assiduidade considerável, com desconfianças que oscilam entre o descrédito e a certeza de que por detrás de mim existe uma qualquer intenção maléfica destinada a satisfazer as minhas necessidades, sejam lá elas quais forem.

Tenho uma novidade para todos: essa não sou eu.

Não, não sou premeditada.

Sim, sou genuinamente boa.

E mais, desde que adquiri a consciência de que ser boa é, afinal, algo de extraordinário – consciência aliás que me foi dada por todos quantos sempre duvidaram da existência da bondade ou têm feito da sua vida uma campanha a favor da certeza de que todos os seres humanos são genuinamente maus, o que faz dos Bons seres extraordinários -, desde esse momento, dizia eu, que me tenho empenhado em apurar e aprofundar esta minha característica, de modo a que ela se transforme no “absolutamente mim”, libertando-me gradualmente do maior número possível de sentimentos, pensamentos ou actos típicos dos homens maus.

A sensação de bem-estar, de satisfação e realização pessoal é tal que não me deixa compreender esta aversão quase geral que as pessoas têm à existência, e prática, da Bondade.

Desde quando é que ser bom é um ridículo sinal de fraqueza, debilidade ou mesmo estupidez? Quando é que essa ideia começou e quem é que a espalhou? Não faço a mínima ideia. Sei, de fonte segura, que está na hora de desmistificar a Bondade. De deixar que ela saia da concha. De a olhar como ela merece – um bem preciosíssimo capaz de trazer felicidade à mais desgraçada das criaturas.

Se é fácil? Nem por isso. É talvez mais fácil ser-se mau. Mas muito menos compensador. Garanto-vos.

O que me leva a deduzir que a Maldade, essa sim, é própria dos fracos, dos débeis e dos ignorantes. Dos incapazes e dos verdadeiramente estúpidos que ainda acreditam que a felicidade é um somatório de momentos preenchidos por prazeres tão fugazes que até por quem eles passa pouco recorda no dia seguinte.

A Bondade é um conceito claramente ultrapassado? Pode até ser que sim, que tenha vindo a ser. Mas está na hora de ser ressuscitado. Está na hora de ganhar o seu merecido lugar no teatro da vida.

Por isso, criaturas, encontrem-na dentro de cada um de vós – mesmo que esteja muito escondida, ela está lá. Encontrem-na e tragam-na à superfície. Cultivem-na. Desenvolvam-na e sejam felizes.

Está na hora.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Quem quer viver comigo?




Estão a surgir na Alemanha comunidades seniores.

Gente com mais de 55 anos que junta os trapinhos, compra ou aluga uma casa grande e vai viver em comunidade, garantindo ajuda, companhia, entretenimento, amparo.

Chama-se a isso – envelhecimento activo.

Confesso que a ideia me encantou. A pessoa com quem falei, que é de lá, contou-me a história da mãe que tem duas amigas, que vivem mais ou menos próximas umas das outras mas que são pessoas tão diferentes que acabam por passar a maior parte dos dias fechadas, cada uma na sua concha.

Estas comunidades, diz ela, permitem uma variedade de gostos e de opções tão vasta quanto o número de pessoas que as compõem, não descurando a privacidade – cada um tem o seu quarto -, a partilha – tanto a sala como a cozinha são comuns -, a autonomia e a independência – ajudam-se uns aos outros na medida em que cada um pode. E, mais importante ainda, são uma oportunidade para os menos abastados poderem ter uma vida mais atraente dado que as despesas são partilhadas.

Diz ela que um grupo de doze pessoas se juntou para determinar o que cada uma poderia dar/fazer em prol da comunidade – sem menosprezar o prazer porque a partir de uma certa idade o que não se faz por prazer não traz proveito. Depois de todas as revelações e acordos, decidiram comprar uma casa de campo, rodeada de um jardim e com um outro situado entre os quatros blocos que compõem o quadrado que é a casa.

Entre elas decidiram o que cada uma tinha de melhor para rechear a casa. Aquilo que não serviu, cada uma desfez-se do que era seu – vendendo ou dando a quem precisou.

Nem todas entraram com a mesma quantia para a compra pelo que ficou decidido que quem entrasse com menos compensaria com um qualquer serviço doméstico ou profissional de valor previamente estipulado de forma a ser possível, numa dada ocasião, restabelecer a igualdade.

Diz ela que nunca mais ninguém ficou sem companhia, para ir ao cinema, para dar um passeio pela cidade, para ir às compras ou para viajar. Nunca mais ninguém se sentiu sacrificado e a disposição da comunidade é, grosso modo, saudável.

Parece-me uma excelente solução para o nosso país cada vez está mais envelhecido, cuja Segurança Social dificilmente garante uma velhice digna, cujo número de velhos abandonados em suas casas é cada vez maior.

Aqui fica a sugestão de um modelo consideravelmente adaptável às realidades e necessidades de cada um. 

Mãos à obra.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Não matem os malmequeres


Querida Amália quero dizer-te que, afinal, as flores que andaste a colher para ficarem felizes na jarra - e nos fazerem felizes a nós - não são flores, são ervas! Pelo menos foi o que me disse uma senhora que andou aqui com uma máquina a matá-las a todas.

Durante meses a fio andam os passeios escondidos no meio das ervas que crescem desabridas. De repente, alguém protesta. Vêm os trabalhadores da câmara e arrasam com tudo sem fazerem qualquer distinção entre os espaços de circulação e aqueles que foram concebidos para serem jardins. 

Sim, é certo que estão abandonados. Mas também é certo que a Natureza tem esse extraordinário dom de consertar o que o Homem estraga e, nesta época de abundância que é a Primavera, as flores silvestres invadem esses pequenos espaços dando-lhes cor e vida e fazendo deles o deleite de pessoas que, como eu, gostam de olhar os malmequeres.

Ainda há poucos dias vi a alegria da minha neta a apanhar ramos cheios de cor para colocar numa jarra. Hoje, os trabalhadores da câmara, deixaram um campo devastado. Terra coberta de ervas mortas. Sem cor, sem vida. Quando lhes perguntei porquê, responderam-me que estavam a cumprir ordens. Não cumpram, apeteceu-me dizer-lhes. Mas não disse. Disse apenas que me estavam a partir o coração por estarem a cortar todas aquelas flores.

- Não são flores - disse ela -, são ervas.
- Não minha senhora. São malmequeres. São margaridas. Brancas, roxas e azuis.

terça-feira, 26 de abril de 2016

25 de Abril sempre!


Sim, eu sei que parece muito mal dizer mal do 25 de Abril – é anti qualquer coisa – mas como não há um único acontecimento na vida – particular ou colectiva – que seja inteiramente bom ou inteiramente mau, eu, hoje, um dia depois de mais uma celebração dessa revolução a que chamam dos cravos mas que foi, na verdade, de um grupo de capitães cansado de ver gente a morrer em África, na guerra entenda-se porque fora dela pouco mudou por lá, as pessoas morrem na mesma e mais do que noutro lugar qualquer. Enfim…uma miséria como se sabe. Mas, dizia eu, um dia depois de mais uma celebração dessa revolução erradamente dita dos cravos (ainda por cima até houve tiros e só não houve mais porque apareceu um tipo como há poucos que finalmente vai ser condecorado mesmo depois de morto. Sim, parece que finalmente temos um Presidente que vai condecorar o rapaz que mais do que merece – note-se que estou a falar do Salgueiro Maia e não de um cravo!), a 42.ª (se não percebe de onde vem este número vá lá acima, antes do parêntesis anterior a este), decidi que vou falar mal desse dia.

Em primeiro lugar, foi um dia que trouxe um stresse desgraçado ao meu pobre pai que dez meses depois teve um avc que o incapacitou para o resto da vida deixando-nos a todos sem chão – sim, já consigo falar disto com este desprendimento. Também era melhor! Quarenta e dois anos depois! - ; em segundo lugar levei uma canelada de um polícia marítimo – sim, eles também entraram na dança, em terra mesmo sendo do mar. Nesse dia todos os reforços foram bem vindos, não ficou ninguém de fora - , uma canelada tão grande que ainda hoje, 42 anos depois, tenho a cicatriz a adornar-me a canela.

Não, o 25 de Abril não me trouxe grandes alegrias na época. À parte a excitação do feriado inesperado e a enorme satisfação de ver tudo por terra. À parte a sensação de liberdade. À parte a sensação de poder. À parte aquela extraordinária ilusão de que, a partir dali, tudo seria possível, não me trouxe grandes alegrias.

Ainda assim, gostaria que esse dia não fosse esquecido porque afinal, como mulher, eu pouco representava antes dele. Gostaria que esse dia não fosse esquecido, quando mais não seja para que os meus netos nunca venham a saber o que é viver num país fechado, pequeno e mesquinho.

Mas – há sempre um mas, ou talvez dois. Neste caso dois: Mas, mas que a memória desse dia que aconteceu há 42 anos não ofusque uma outra forma de domínio, quiçá mais perigosa, mais subtil. Que a memória desse 25 de Abril, dessa revolução dos cravos (outra vez os cravos, que romântico!) não sirva para encobrir as várias formas de usurpação da liberdade. É que, quando não somos livres como não éramos antes do 25 de Abril de 1974, sabíamos que não o éramos e a vontade de o ser dava-nos força para criar coisas belas como aquelas que tantos artistas criaram inspirados por aquela necessidade que aguça o engenho. Mas quando não somos livres sem sabermos…quando acreditamos que somos não sendo…aí é que a porca torce o rabo. Porque nesse caso continuamos encarneirados, a fazer o que se espera de nós, a tremer de medo que o desemprego bata à porta ou que o dinheiro não chegue para comer até ao final do mês. A pagar tudo o que nos pedem. A deixarmo-nos roubar por bancos e banqueiros, acreditando que somos livres.

Sim, o melhor mesmo é recordarmos o 25 de Abril de 1974. Recordarmos essa maravilhosa sensação de liberdade, de possibilidade, de abertura.

Mas como o poderemos fazer se só quem conheceu o que houve antes pode compreender o que veio depois?

Ah meus caros! É por estas e por outras que a história não faz senão repetir-se. Constantemente. Insistentemente. Infinitamente. Até os homens crescerem verdadeiramente.


E que tal se recordássemos, por exemplo, um dos mandamentos de Cristo, quem sabe o mais importante, o nos amassemos uns aos outros? Isso sim, seria a liberdade total, plena, maravilhosa. Se conseguíssemos isso, conquistaríamos mais do que o mundo, conquistaríamos a vida! Aí sim, teríamos a verdadeira essência do 25 de Abril para sempre! Olhem lá bem para o Salgueiro Maia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A certeza de que um dia morrerei tranquiliza-me

Ainda bem que morremos todos e que nada disto terá a mínima importância daqui a alguns anos porque, se assim não fosse, estaríamos a viver um verdadeiro Inferno.


Espero não vos aborrecer com este pequeno episódio. Conto-o por acreditar que ele é apenas uma sombra do tanto pior que se passa dentro de cada vez mais casas, e pergunto-me até que ponto é que os responsáveis por esta sui generis realidade se lembram que também morrerão um dia e que, dado que não se sabe o que acontecerá depois disso, convém jogar pelo seguro, digo eu...

Por mim, partirei com a certeza de que me esforcei, todos os dias, por fazer o bem.

Cá vai:

Na sequência das alterações económico-financeiras levadas a cabo pelos governos que se seguiram ao início da crise, passei a ter de pagar IRS apesar dos meus rendimentos não terem aumentado.

Em 2014, consegui fazer o pagamento relativo a 2013 mesmo “à rasquinha” mas, em 2015, já não me safei e tive de esperar por Dezembro para conseguir a quantia que as Finanças me pediam e que tem correspondido, grosso modo, a um mês de salário.

Considerando que ele é baixo, gostaria de saber como é que estas pessoas que fazem as leis dormem tranquilas e cheguei à conclusão que elas não fazem a mínima ideia da luta que pessoas como eu travam diariamente ou então, tal como faz sentido nos dias que correm, estão-se nas tintas para as pessoas. O que interessa, verdadeiramente, são os números. Pena é que sejam tão frios. Os números.

O meu azar foi que quem me paga não o conseguiu fazer antes da primeira semana de Janeiro, pelo que foi nessa altura que eu liquidei o IRS relativo a 2014.

Ora, em 2010, por ocasião da compra de um apartamento que me tem dado água pela barba e que me deixou até hoje intrigada com o que levou um banco a fazer-me um empréstimo, chegando sempre à conclusão que só pode ter sido para me perseguir sem tréguas até ao fim da minha vida – considerando que, se não o vender antes, terei de o pagar até aos 80 e tal anos. Por ocasião dessa compra, dizia eu, entrei com um pedido de isenção do IMI que me foi concedido pelo período de oito anos.

Assim, e tal como está indicado no portal das Finanças, eu estou isenta de IMI até ao ano de 2017.

Imaginem então o meu espanto quando, anteontem, ao abrir o dito portal dou de caras com uma etiqueta vermelha, daquelas com que se marcam os piores dos caloteiros.

O que é que tinha acontecido?

Fácil – como eu não tive dinheiro para pagar o IRS antes do final de 2014 e deixei a coisa arrastar-se até à primeira semana de 2015, levantaram-me a isenção não alterando, contudo, a informação que figura no espaço “isenções” do portal das Finanças.

Desta forma, sou castigada por não ter tido dinheiro para pagar o IRS – sendo-me exigido mais daquilo que não tive!

No rescaldo desta aventura, dou de caras com uma notícia quase extraordinária,


“A paróquia de São Martinho das Moitas, em São Pedro do Sul, foi multada em 6.300 euros por prestar apoio social a mais seis pessoas do que estava habilitada pela Segurança Social. O Centro Paroquial ainda recorreu para o Tribunal de Trabalho de Viseu, que baixou o valor da contra-ordenação para 2.500 euros. Um valor “desproporcional”, considera o padre responsável.”


É a lei, dizem as pessoas. É a lei, dizem as Finanças. É a lei, dizem os tribunais.

A quem servem estas leis? pergunto eu. 

Que legado ficará para os nossos filhos? para os nossos netos?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

AMOR


De nada me serve a paixão desmedida que queima as entranhas.
A pele não a sente.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que é profundo.
Que é fogo também, mas não se consome.
Que, tal como a água
não se detém.
Mas quando arrefece,
Tal como ela,
Segura bem firme
tudo o que tem.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que é profundo.
Que dá e recebe.
Que cresce e se funde.
E que é vida também.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que se tem.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Inteireza, verticalidade, unidade e libertação em 2016


A inteireza, a verticalidade, a busca da unidade interior, da coerência possível entre a minha racionalidade e os meus sentimentos por vezes tão contrários e qui ça incompreensíveis até mesmo para mim, sempre me fascinou. Ser inteira apesar do medo sempre foi um objectivo para o meu crescimento e essa vontade um importante atributo naqueles com quem me dou. Nunca busquei, em momento ou lugar algum, justificação ou apoio para essa importância que a minha alma sempre atribuiu a essa qualidade mas hoje ela surgiu-me nas palavras de Tomé:

"Quando fizerdes de dois um e quando tornardes o interior como o exterior e o exterior como o interior, a parte de cima como a de baixo, e fizerdes do homem e da mulher uma só coisa, de modo a que o homem não seja homem e a mulher não seja mulher, quando tiverdes olhos no lugar dos olhos, mãos no lugar das mãos, pés no lugar dos pés, e cara no lugar da cara, então entrareis no Reino!"

Pensem nisto.

Temos uma semana para decidir se 2016 vai ser um ano de Verdade ou apenas mais 365 dias de um faz-de-conta para agradar a todos menos a cada um de nós.

Lembrem-se que aquilo que aceitamos numa espécie de obediência a outros que não nós mesmos não nos atrasa só a nós mas também a esses outros. Sempre que aceitamos a manipulação alheia, mais ou menos descarada, estamos a aceitar que ela pode existir e a dizer aos manipuladores que podem continuar a manipular.

Naturalmente, são sempre aqueles que mais amamos e que mais nos amam que mais recorrem, por medo de nos perder ou de perder a sua ligação connosco, à manipulação. Servem-se de sentimentos profundos para o fazerem e fazem-no, a maior parte das vezes, inconscientemente. Estou a pensar em pais e mãe, em irmãos, em maridos e mulheres, em todos aqueles de quem acreditamos depender a nossa felicidade e a nossa paz. Tantos de nós que vivem presos em caixas no medo de ferir, de perder, de magoar, libertando-se.

Quem ama amará sempre e a libertação dos oprimidos é uma mensagem de amor porque mostra a quem oprime a sua verdadeira humanidade.

Temos uma semana para decidir se 2016 vai ser um ano de uma condescendência que continua a pôr em causa o verdadeiro crescimento que só existe na Liberdade de Ser e na União de quem Somos, ou um ano de libertação.

Lembrem-se que estamos no ano da Misericórdia e que só a Verdade poderá semeá-la nos corações humanos.




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Papa Francisco e a Igreja Católica



Eu poderia ficar aqui horas e horas parafraseando o Papa Francisco, citando os seus textos, as suas palavras, que ainda assim muito ficaria por dizer. Poderia até afirmar, ou imaginar, que foi a sua personalidade que me levou de volta à Igreja. Mas estaria a mentir – creio eu. Não conheço o Papa Francisco suficientemente bem e não foram os seus escritos, as suas palavras ou as suas atitudes que me guiaram os passos até à porta da Igreja da Imaculada Conceição e me fizeram entrar e ficar.

Em Deus sempre cri. Desde que me lembro, que estou naturalmente em contacto com Ele. Sempre me senti bem, dentro de espaços espirituais, independentemente da religião professada.

Raramente ignorei a espiritualidade que há em mim. Ela nunca me assustou, pelo contrário, sempre me deu força nos momentos mais difíceis da minha vida. Sempre me valeu no desespero.

No entanto, nunca me senti à vontade na missa. Ia, eventualmente, a uma ou outra para acompanhar alguém ou homenagear alguém mas, à parte o Pai Nosso e a Avé Maria, nunca soube rezar a não ser por minhas próprias palavras.

Aos sete anos pedi para ser baptizada e fizeram-me a vontade mas não baptizei os meus filhos porque a Liberdade é para mim um dogma e cada um tem o direito de escolher o caminho que quer seguir.

Mas, neste Natal, posso afirmar que me converti e que apesar de todos os erros, dos ímpios erros cometidos ao longo da História por homens e mulheres ditos cristãos, há uma verdade no catolicismo que me toca a alma, que me invade o espírito e que torna obsoleta a minha por vezes excessiva racionalidade.


Como comecei por dizer, não creio que o Papa Francisco tenha algo a ver com esta minha conversão mas, por outro lado, não me surpreenderia se tivesse. Porque os mistérios de Deus são insondáveis e é bem possível que um só homem opere milagres, basta que a Força esteja com ele.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Prosperidade

Presépio feito por um grupo de escuteiros da paróquia da Imaculada Conceição, 
Charneca da Caparica

O Natal está mesmo aí. Mais um Natal! E, logo a seguir, fecha-se um ano mais.

A vida passa a correr e, ao contrário de nós que nos vamos alentando, ela corre mais depressa de ano para ano.

Não me estou a queixar. Apenas a relembrar que há que viver. Há que aproveitar, não no sentido do esbanjamento, mas no do crescimento, no da ascensão, no do conhecimento e das boas práticas que é para isso que por cá andamos, para nos melhorarmos como pessoas, como humanos que somos, como gente de bem.

É costume, nesta quadra, deixarmos os nossos votos a todos os que nos são queridos. Eu tento estar o ano inteiro o mais junto deles possível, por isso, nesta quadra, deixo os meus votos a todos os outros – os que conheço, os que talvez venha a conhecer e os que me são completamente estranhos. É para todos eles esta mensagem. E para mim, este balanço.

Deus ajuda quem se ajuda e não quem perante Ele se ajoelha mas nada faz. Eis o que aprendi este ano. Ele quer ver-nos felizes e proactivos. Actuantes. Alegremente actuantes. Quem Nele confia liberta-se de medos porque se entrega.

Ter fé é ser capaz de confiar na vida, em Deus, no Universo, em si mesmo… de corpo e alma. Ser capaz de o fazer, incondicionalmente, apesar do medo. E, se já os antigos diziam que a fé é que nos salva, eu reitero essa máxima porque só ela nos liberta. Sem fé, ficamos presos aos nossos medos e toda a gente sabe que os medos encerram o pior que há em nós.

Desejo-vos, pois, um Natal de muita Paz, de muito Amor e de muita Harmonia. Desejo-vos uma noite de Luz porque é dela, da Luz, que o medo foge.

Desejo que o Novo Ano seja de reflexão e que a Fé nos liberte a todos, para que a Felicidade entre pelas nossas portas adentro, já que a Prosperidade é isso mesmo – uma vida cheia de Luz, de Fé e de Amor. Uma vida verdadeiramente Feliz.

Bem hajam


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Jornal i – uma morte anunciada



Não faço ideia se é assim com todos os meios de comunicação social mas num jornal a gente afeiçoa-se a tudo – às pessoas; às imagens; ao lugar; ao funcionamento; às regras e desregras e, mesmo que não se esteja lá todos os dias, mesmo que seja só um dia por semana, custa à brava deixar de estar.

Trabalhei no i todos os domingos durante cinco anos, até que deixei de trabalhar mas, ainda assim, o i continuava lá e chamou-me. Voltei mais duas vezes, dias seguidos. Matei saudades e, mesmo voltando só pontualmente, sabia que eles estavam lá. O jornal estava lá. Com aqueles jornalistas do caraças! Com os prémios que recebeu. Com o projeto com que começou. O i ia mudar tudo se vivêssemos num mundo onde vence o que realmente interessa.

Mas não vivemos. E ontem o i acabou. Acabou porque todos os que lá estavam, todos os que acreditaram no projeto quando o i começou,  já lá não estão hoje. E o meu coração está apertado como se alguém que me é querido tivesse partido.


A todos aqueles que conheci no i, a todos com quem tive o privilégio de trabalhar, o meu mais sincero e apertado abraço de obrigada.  Desejo que este país abra os olhos e reconheça o valor de quem o tem. Porque quando isso não acontece as pessoas murcham e podem morrer. E, se duvidam, recuem no tempo e voltem a ler o i de 2009.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

COM TODA A CONVICÇÃO


Cada vez que oiço, ou leio, alguém defender aquilo em que acredita, acho que essa pessoa está cheia de razão. Se eu acreditasse no que ela acredita, também eu defenderia assim a minha posição – com toda a certeza absoluta posta nas palavras. Com toda a convicção.

E é por isso mesmo que a minha opinião sobre as coisas se vai desvanecendo, desvanecendo…até quase desaparecer para o mundo por falta de argumentos – porque as ideias só existem quando há argumentos para as defender -, e fica a opinião guardada cá dentro de mim, com toda a convicção de que qualquer discussão será estéril porque a verdade é que vivemos fechados nas nossas verdades e só a experiência, aquela vivida de corpo e alma, nos pode demover. Nada mais.

Ando assim com a política.

Oiço o meu filho defender veementemente o neoliberalismo, convencido de que não existe no mundo regime mais capaz de trazer justiça e tratar todos por igual, e acredito nele. Acredito que ele tem razão. Acredito que ele defende aquilo em que acredita porque vê o mundo com os olhos dele. Acredito na sua convicção e na sua boa fé e, por isso mesmo, qualquer discussão sobre o assunto transformar-se-ia numa experiência estéril.

Depois oiço a minha filha, mais inclinada para a esquerda, revoltada com o país onde vive. Desiludida com tantas promessas logradas. Revoltada com um mundo onde imperam as injustiças, onde os poderosos, que são menos do que poucos, têm a coragem de exibir os seus galões – ganhos à custa sabe Deus de quê! – perante gente que morre à míngua. À míngua de justiça, à míngua de saúde, à míngua de cultura, à míngua de conhecimento e, tantas vezes, à míngua de comida, de condições básicas de saneamento, de amor, de carinho, de apoio, de companhia…de trabalho. E compreendo-a tão bem! Meu Deus, como a compreendo!

E depois, e este depois é o mais importante de todos, vejo-os defenderem pessoas e partidos, e tremo porque me parece que essas pessoas e esses partidos não têm as mesmas preocupações que os meus filhos. Porque se as tivessem. Se essas pessoas e esses partidos acreditassem, como os meus filhos querem  acreditar que eles acreditam, que muito mais importante do que a satisfação das suas necessidades pessoais, sejam lá elas quais forem, é o bem estar do país – de todos os cidadãos do país -, juntavam-se todos, esqueciam os partidos e lutavam, juntos, para nos tirarem deste buraco onde nos forem enterrando ao longo dos últimos 40 anos.

Se estas pessoas em quem os meus filhos querem acreditar – e eu também -, fossem pessoas em quem se pode confiar,  juntar-se-iam em torno deste governo que está feito e governariam, com todos os poderes que ao parlamento são dados e com um único móbil – o bem estar deste povo que está cansado de míngua e o progresso deste país que já merece melhor sorte.


Governariam. Com os olhos postos em nós que estamos aqui e que carregamos às costas este país que já conta com 870 anos. Governariam. E deixavam-se de merdas de machos que lutam por um território, por ideias, por poder. Governariam. Juntos. E cagavam de muito alto nos partidos que defendem. Não que os largassem. Mas podiam deixá-los em banho Maria, porque nós agora precisamos mesmo é que trabalhem.