terça-feira, 31 de maio de 2011

Do Trabalho e da Vida

Grito para mim mesma, constantemente, que a quem trabalha, a quem se dedica, esforça e luta, nada de mal acontece.

Que quem trabalha não tem de que ter medo.

E desta batalha, entre mim e a vida, sairei vitoriosa, triunfante, única vencedora.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Isto é preciso é fé

Desde que comecei a conhecer-me um pouco melhor e a gostar de mim, p’raí há coisa de 50 anos, que espero sempre o melhor de toda a gente. Pode ser o maior bandido à face da Terra que eu arranjo sempre maneira de ter fé nele. Força nisso! Tu és capaz! Basta não dares ouvidos a essas vozes ranhosas que só querem o teu mal e a tua desgraça.

E é isto. Mais uns aninhos e transformo-me no Padre Américo. Não foi esse que disse que já não há rapazes maus? Ora bem. Precisamente.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Preciso de ler, e corrigir, cerca de 200 páginas e escrever entre trinta e cinquenta até segunda-feira. Uma vez que terei de fazer alguma investigação para a escrita, se alguém tiver alguma sugestão que não passe pela ausência de noites bem dormidas, fale agora ou cale-se para sempre.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O que é que eu aprendi em 53 anos?

Aprendi que enquanto por cá andar o tempo é meu;

que a maior parte das minhas zangas são comigo mesma;

que fico intratável sempre que vou contra a minha natureza;

que no desapego existe mais espaço para a paz e para o amor,

e assim, há mais no menos e menos no mais (mas mesmo assim eu quero mais).

Aprendi que a força é necessária quando se perde, mais do que para se ganhar,

e por isso não entendo porque é que há mais gente a perder.

Aprendi o quão importante é a consciência da precariedade. Porque tudo é passageiro, mesmo aquilo que teimamos em agarrar. Aliás, aprendi a importância da consciência, ponto.

Aprendi que apesar da falsidade do “nunca é tarde” aquilo que podemos ou não fazer depende mais da nossa vontade do que das circunstâncias,

e que sempre que a nossa vontade é fraca nos desculpamos com elas, as circunstâncias.

Aprendi que a paciência é um bem preciosíssimo.

Aprendi que crescer nem sempre é sinónimo de conspurcação, empedernecimento ou sabedoria.

Aprendi que a minha maior aquisição se prende com tudo aquilo que aprendi relativamente à minha pessoa e que tudo aquilo por que passei e passo, e tudo aquilo que me esforço por aprender, tem em vista apenas o conhecimento de mim e da forma como este ser que sou eu quer experienciar este momento que é a vida.

Eis o que aprendi, desde o dia em que nasci até ao dia de hoje. Faz, precisamente, 53 anos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Blue Velvet

Demos-lhe boleia porque vivia sozinha e não tinha com quem ir. Acabou por ficar sentada à nossa mesa no almoço que prosseguiu a cerimónia. Era magra, de pele branca, e surgiu coberta por um vestido de veludo azul que apenas lhe revelava os braços esguios. Achei-o pesado, inadequado à época.

Surpreendi-lhes o olhar numa altura em que ela se afastou de nós e regressou, depois, por um trilho no meio das ervas, como num quadro de um pintor sofrível – as árvores; as ervas e ela, de vestido de veludo azul-escuro.

Soube mais tarde que partilhávamos o impartilhável, havia já alguns meses. Foi quando saí de cena. Mas ainda hoje, de vez em quando, recordo a imagem - esguia, branca, coberta por um vestido de veludo azul.

Gostávamos desta música, ele e eu.


Aos sentimentos? É preciso cultivá-los.

Nos tempos que correm não me parecem muito apropriados os protestos constantes, as insatisfações e as más vontades, quando nos levantamos debaixo de um tecto simpático, num prédio com elevadores; temos comida na mesa e roupa para vestir; quem nos trate as maleitas e dinheiro para a farmácia; quando temos família que nos apoia; sol que brilha; árvores e canto de pássaros. Não me parecem muito apropriados… Deveríamos talvez agradecer. Não a ninguém em concreto se acharmos que não existe a quem, mas alimentar esse grato sentimento que é a gratidão e que nos enche a alma e nos faz acreditar que somos felizes e que temos tudo aquilo que precisamos. Até porque os sentimentos, quer a gente queira quer não; quer acredite quer não, são criadores. São até, provavelmente, as primeiras máquinas geradoras que alguém um dia inventou.

Mas ela não pensa assim. Não sente assim. E a uma maleita outra se segue, às vezes até a própria solução da primeira é motivo de enfado e contrariedade, como se fosse urgente manter esse estado de espírito, e é. E é, porque sempre que ele esvoaça, quem a rodeia tende a esquecer aquilo que verdadeiramente a atormenta e isso é que não pode acontecer. Assim, vai disfarçando o seu mal com outros males menores e mantendo os olhos e os corações fixos nela, não vá ela perder-se nos sentimentos dos outros.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Charlie Chaplin

Lêem-se livros ou vêem-se filmes deste ou daquele autor ou autora, e gosta-se ou não. Tenta-se, nas entrelinhas, adivinhar que pessoa é aquela, porque é que escreveu isto desta maneira; o que sentiu quando o fez? quanto dele, ou dela, está posto no protagonista? que faceta? que vivências? E nestas interrogações acaba o leitor, ou espectador, a escrever um outro livro, um outro argumento transversal que condensa ele mesmo o retrato imaginado daquele autor que não conhecemos mas gostávamos de conhecer.

É por isso que eu gosto de ler o que esses autores escrevem na primeira pessoa. O que não é ficção. Gosto de ler o que por vezes, raras vezes, eles decidem contar quando lhes apetece levantar uma ponta do véu. Fico a saber o que pensam da vida; o que sentem; como a vivem; como a vêem… Transformam-se, de repente, em pessoas reais.

Vai sair um livro escrito por Charlie Chaplin, chama-se A Minha Viagem Pela Europa. Peguei nele há cerca de uma hora. Sempre fui fã do Charlot. Estou agora a conhecer o seu criador.

domingo, 22 de maio de 2011

Momentos

Há momentos em que nada me satisfaz. Nem o que faço, nem o que leio, nem o que sinto ou vejo ou fico a saber. Nada. É como se sofresse de uma insaciável sede de qualquer coisa que desconheço – de tudo e de nada. E se o tudo é inatingível, nada existe, e eu vivo no nada, “no nada que é tudo”.
São esses os momentos em que mais proveito tiro do facto de por cá andar.

Há outros em que desejo tudo o que existe. E mais do que desejar, acredito que tudo é alcançável, tratando-se apenas de uma questão de tempo. Nesses momentos irrito-me com  tudo aquilo que se  atravesse no meu caminho, mesmo que esse caminho exista apenas na minha cabeça. Irrito-me com qualquer percalço que me atrase ou me iniba de fazer ou chegar seja onde for. É um sentimento odioso esse tipo de irritação. Dá-me suores e ansiedades. Coloca-me demasiado próximo do medo. Faço sempre os possíveis por o evitar ou, quando sou por ele apanhada, por fugir a sete pés.

Depois há os intermédios, que não são carne nem peixe mas passagens, meras passagens, entre uns e outros. Aqueles em que ando quase adormecida, inebriada por afazeres que a mim mesma impus ao enredar-me na vida da forma que o fiz. Aqueles em que, precisamente, pareço mais desperta. Aqueles em que sou verdadeiramente eficiente e capaz. Aqueles em que o meu cérebro comanda, tão perfeitamente quanto pode, a minha voz, os meus braços, os meus olhos, as minhas mãos e, às vezes, as minhas pernas. Aqueles em que ponho à prova aquilo que penso ser. Aqueles em que os outros vêem aquilo que querem ver.

sábado, 21 de maio de 2011

Tempo para pensar

Consegui chegar a casa, sã e salva. Não fiquei temporariamente retida no meio da estrada que serpenteia pela mata e que subo e desço todos os dias, apesar do aviso laranja no mostrador do tablier me ter alertado, há mais, bem mais!, de 24 horas, para a fraca autonomia do automóvel. Também acabei por não dar por mal empregues as horas que dediquei a um trabalho que perdi, instantaneamente, por não o ter guardado num local apropriado. E também dessa situação saí ilesa apesar de ter passado pela cabeça dos meus colegas estrangularam-me ali, sem dó nem piedade. Sobreviverei, com certeza, ao facto de não ter pequenos-almoços para os próximos dias por não me ter despachado a tempo de passar pelo supermercado para os comprar, e agora só para a semana, e para a semana vou estar novamente tão disparatadamente ocupada que, mais uma vez, não terei tempo para isso. Vou ainda sobreviver ao assédio da multidão de mediadores que há mais de 12 horas não pára de me importunar porque me enganei na colocação de um anúncio e cliquei no sítio errado.

Mas a pior de todas estas coisas que passam por falta de tempo, é a falta de tempo que tenho tido para pensar. É essa que mais falta me faz. Talvez por isso eu aproveite aqueles momentos “mortos” em que, sentada ao volante, parto do estúpido principio que o automóvel já conhece o caminho e faço como o velho que se deixou conduzir pelo burro e acabou multado. Multada será o menos…

E entre a falta que me faz o pensar, todas as consequências que advêm de não o fazer e decidir pensar nos momentos em que é suposto existir, venha o diabo e escolha.

Tomara que fosse Agosto!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ai que raiva!

Irrita-me sobremaneira a forma leviana como certas pessoas utilizam termos extremados para designar coisas sem importância nenhuma – A saia amarela? Amo de Paixão! – Mas como é que alguém “ama de paixão” uma saia, um vestido, ou mesmo um par de sapatos?! Que palavras utilizam estas pessoas para designar o que sentem pelo namorado, por exemplo?! Será que acrescentam ao termo “amo de paixão” uma escala numérica tipo, amo de paixão grau 1, 2 ou 3?!

E aquelas que, para além de utilizarem termos extremados, os fazem acompanhar por olhares gravíssimos e gestos beatos?! Não há muito tempo dirigi-me a uma pessoa numa paragem de autocarro para lhe perguntar a que horas passaria o dito. Olhou para mim, levou a mão direita ao coração e, de ar gravíssimo, jurou-me por Nossa Senhora que lamentava muito mas que não sabia! Por momentos cheguei a temer ter-lhe transmitido a morte de algum ente querido, ou a notícia de uma catástrofe, escondida atrás de uma pergunta sobre percursos de autocarro.

domingo, 15 de maio de 2011

S,S e Portugal – Os Sofistas, Sócrates (o José, não o grego) e este nosso canto…


Os Sofistas

“Eles mesmos se intitulam ‘intermediários entre filósofos e políticos’ (frg.6 DIELS de Pródico – Hélade, p.259). O Sofista de Platão procura definir o conceito desse nome, até chegar à conclusão de que designa um ‘imitador do sábio’, dotado da arte taumatúrgica dos discursos (268c-d)”. 1

“Não será exagero afirmar que os Sofistas deslumbraram a camada jovem do seu tempo(…). Os mais velhos, porém, encaravam o fenómeno com suspeitosa reserva(…).A arte da dialéctica, que ensinam, pretende a vitória da posição que se defende, ainda que seja preciso, conforme a terminologia da época se exprimia, ‘fazer prevalecer a causa pior sobre a melhor’”.2



Sócrates, o José

Está à frente desta nossa nação desde 2005.

Tem, diria eu, uma extraordinária capacidade discursivo-comunicativa. Que é como quem diz: canta bem e, ao que parece, ainda embala muita gente – gente de mais!



Portugal, este nosso canto

Um país composto de gente que emprenha pelos ouvidos. Gente que adora aparências. Gente que se embebeda com boas falas e figuras jeitosas. Gente que é a sua pior inimiga. Gente cega.

Ó gente! Será possível que os vossos ouvidos mandem mais do que a razão?!

Será possível que neste momento, com tudo de mau que está a acontecer, ainda haja quem apoie quem nos trouxe até aqui, desde há seis anos a esta parte?! Ou vocês acham que o Partido Socialista alguma vez será dirigido por outro que não o mesmo?! Será que não vêem que este que lá está é da raça de “só por cima do meu cadáver”?!

Ó gente, por que carga de água é que quem não soube administrar os nossos recursos durante este tempo todo, o saberá agora?!

De que é que este povo está à procura? da miséria?! da fome?! O que é que esperam que aconteça quando, daqui a dois anos, já tivermos estoirado tudo outra vez?!

Vocês abram-me essa mente! Vocês pensem, carago! PENSEM!


1. Citado por Rocha Pereira, M.H., in Estudos de História da Cultura Clássica – I V. – Cultura Grega, 7º edição, Fundação Calouste Gulbenkian, p.436.

2. Idem. Ibidem pp.440-441.

E não somos todos?



Bom domingo.

sábado, 14 de maio de 2011

Cara e Coroa

Trabalhei todo o dia – das 9 às 20 - mas comi chocos com tinta ao almoço e, ao jantar, enfardei gelado de chocolate e café até estar quase quase a rebentar.


Já larguei as meias e as mangas, mas ainda não me decidi a trocar as calças pelas saias.

Ainda não fui à praia, mas já começo a ganhar uma corzinha só de andar com o vidro do carro aberto.

Não faço a mínima ideia se vou alcançar tudo aquilo a que me propus, mas sinto-me feliz por fazer todos os dias o melhor que sei e posso.

Ainda não foi desta que ganhei o euromilhões, mas esta semana saiu-me o 10º prémio e para a semana posso jogar a custo zero.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Se querem perceber estas palavras têm de ler os dois textos que se seguem a este, na exacta ordem em que aparecem nos vossos écrans.

Pronto! Neste momento está toda a gente a pensar que eu ensandeci! O estupor do texto voltou! Voltou agorinha mesmo! Já a resposta ao comentário, aquela que foi postada ontem, essa ficou pelo caminho. Deve ter visto que tinha lá uma irmã, quase gémea, e achou que o melhor seria ir pregar para outra freguesia.

Teoria da Conspiração

Nunca me tinha acontecido uma destas e não sei se é costume ou não. Por isso, se alguma vez vos aconteceu, por favor manifestem-se, não vá eu acreditar numa qualquer teoria da conspiração.

Ontem postei aqui um texto sob o título: O Muro das Lamentações - Desporto Nacional. O texto era qualquer coisa como isto que se segue, mais coisa menos coisa que eu às vezes escrevo no word e copio para aqui, outras escrevo aqui directamente e, outras ainda, começo lá e acabo aqui. Penso que foi o caso deste que, se bem me lembro, era um pouco maior do que isto. Aqui vai:


Estou convicta que um dos legados que os Árabes por cá deixaram foi este desporto – o Lamento. Mesmo sem muro, é um desporto apreciado especialmente pelos mais idosos. Consiste em dar relevo ao lado negativo de todas as coisas e depois desenrolar o novelo das desgraças por que passaram, passam e passarão. Não, não inventam, estão agendadas. Por exemplo: dia tantos do tal têm de estar às tantas horas em tal sítio – uma chatice! um transtorno! Ganha quem tiver o novelo maior. E ganha o quê? Compaixão, atenção?, penso que não. Ganha importância. Ganha visibilidade. Confere, perante ele próprio e perante os outros, que é uma pessoa atarefada, como manda a lei. Qual lei, perguntam vocês?, pois não sei. Provavelmente a lei que maldiz o ócio e o descanso, e promove o sacrifício e a penitência. Aquela lei que foi feita por alguns para os outros todos.

 
Ora o texto desapareceu! Mas não foi só o texto! Hoje, quando aqui cheguei, tinha um comentário à espera de moderação. Um comentário que, estou certa, não só aprovei como respondi. Voltei, portanto, a responder! É claro que já não como ontem...
 
Como já disse, não faço ideia se estas coisas costumam acontecer. Comigo é a primeira vez e a sensação é estranha, semelhante, provavelmente, àquela que sentiria se um dia acordasse e tudo se passasse exactamente da mesma forma que no dia anterior...
 
Já agora, e só por curiosidade, ontem à noite dei uma espreitadela no mapa mundo dos visitantes aqui do burgo e dei com uma luz verde lá para os lados do Kuwait. Não deixa de ser curioso...até porque já reparei que o número de visitantes balança consoante o tema ou o título. Textos que se refiram a Bin Laden, por exemplo,trazem centenas de leitores num só dia. Pelos vistos aqueles que falam dos Árabes também... Continuo é sem saber como e porquê parte do que foi feito ontem, e não exactamente à mesma hora, desapareceu.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Muro das Lamentações - Desporto Nacional

Estou convicta que um dos legados dos Árabes é este desporto – o Lamento. Mesmo sem muro, é um desporto apreciado especialmente pelos mais idosos. Consiste em dar relevo ao lado negativo de todas as coisas e depois desenrolar o novelo das desgraças por que passaram, passam e passarão. Não, não inventam!, estão agendadas. Por exemplo: dia tantos do tal têm de estar às tantas horas em tal sítio – uma chatice! um transtorno!; o médico manda fazer um batalhão de exames todos os seis meses  - outra chatice! outro transtorno!; as formigas já chegaram à varanda e pouco falta para entrarem pela casa adentro - uma desgraça!...

Ganha quem tiver o novelo maior. E ganha o quê? Compaixão, atenção?, penso que não. Ganha importância. Ganha visibilidade. Confere, perante ele próprio e perante os outros, o facto de ser uma pessoa atarefada, como manda a lei. Qual lei, perguntam vocês?, pois não sei. Provavelmente a lei que maldiz o ócio e o descanso, e promove o sacrifício e a penitência. Aquela lei que foi inventada pelos verdadeiramente ociosos quando se aperceberam que era preciso que alguém trabalhasse. Ou aquela outra que dá relevo aos desgraçadinhos. Também pode ser essa. Aquela que diz, em todas as religiões, que será deles o reino dos céus. Então, no caso de até se viver mais ou menos, dramatiza-se a coisa não vá Deus, Alá ou o Universo, acreditar que somos menos do que outros, tipo os africanos ou coisa assim...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Das ondas e da sintonia com as ditas

Vivemos rodeados de ondas – ondas médias; curtas, provavelmente um número infinito de frequências desconhecidas…enfim, ondas causadas pelo constante movimento da energia que nos rodeia.

Para mim é importante estar bem sintonizada. Há certas músicas que não me caem bem nos ouvidos e me perturbam a razão e o equilíbrio, por isso é mesmo fundamental estar bem sintonizada.

O problema é que nem sempre é fácil encontrar a sintonia perfeita – as interferências são muitas! Daí que tenho andado concentrada nisso – em sintonizar-me com a frequência das ondas que me interessam, que me podem trazer aquilo que eu quero e preciso e é por isso que a coisa pode ficar, temporariamente, um pouco mais fraquinha por aqui. Mas é temporário. É temporário.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Realidades, Construções e Desconstruções

O mundo está quase todo pior do que eu, pelo menos aquele mundo que todos os dias salta do écran televisivo, mas mesmo assim não me consigo livrar deste nó que me embrulha o estômago nem do cavalo que me habita o peito e que, de vez em quando pela calada da noite, desata a galopar sem rumo roubando-me oxigénio e paz.

Em nada ajuda este terror do amanhã. O que é que interessa o amanhã se não for capaz de construir hoje, agora, todos os dias? É disso que o amanhã depende e é isso que não me canso de gritar, ao nó e ao cavalo, mas os estupores apanham-me à noite, à hora em que a mente dorme e assaltam-me, assim…

Não é fácil construir um estado de espírito firme na sua fé, convicto na sua crença, tão convicto que todo o organismo aja dentro de uma realidade positiva porque sabe, de fonte segura, que tudo vai correr bem e nada pode correr mal. Porque sabe, de fonte segura, que seja o que for que aconteça, muito depende de mim e o resto da ausência do medo. Afinal de contas qual é a pior coisa que me pode acontecer?!

domingo, 8 de maio de 2011

Olhares

Olho para uma fotografia com um corte de cabelo que me entristeceu, um corte daqueles que não deixa sossegar enquanto uma pessoa não se vê livre dele. A minha filha, pelo contrário, sempre me disse que era um bom corte, um excelente corte, nunca tinha tido um tão bom. Olho a foto que tem já dois anos e me veio parar à mão, vinda de quem a tirou e a guardou revelando-a passado este tempo, e fico a olhar o tal corte de cabelo e a pensar que sim, que a minha filha é que teve sempre razão mas não é o mesmo corte que eu via todos os dias quando me olhava ao espelho! Nunca é!

Os olhares mudam tanto, mas tanto que chega a ser assustador!, como se os objectos olhados fossem outros e não os mesmos! E como são importantes, os olhares! Eu sou aquilo que em mim vejo e sou mais ainda quando aquilo que em mim é, é visto pelos olhos dos outros.

sábado, 7 de maio de 2011

O cúmulo do optimismo

Há gente que ouve sempre "sim", ou "quero", independentemente do que é dito. O que é óptimo, porque são com certeza os mais felizes - tudo lhes corre de feição mesmo que não. Vivem tão absorvidos pelo optimismo que já não são optimistas - são O Optimismo. E sempre que o esperado "sim" não acontece, não é por ser um "não", não! é porque qualquer coisa está a atrasar o "sim".
Optimista sou eu e não consigo tanto.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dos meus filhos. Aos meus filhos. Para os meus filhos.

Tenho alturas em que me embrenho de tal maneira no trabalho e nas preocupações e nas responsabilidades e naquilo que invento se for caso disso, que me fecho em mim e esqueço, ou antes - faço de conta que esqueço, que para além deste mundo em cuja ratoeira fui caindo, umas vezes consciente outras nem por isso, existe um outro feito de gente, de convívio, de amizade, de amor e de muito, muito carinho.

E quando a minha cegueira me começa a cegar, acordo, respondo aos apelos e vou, e é quando vou que recordo a imensa riqueza que se esconde nos outros e sem a qual na verdade não poderia viver, a não ser talvez durante escassos, escassíssimos, períodos de tempo.

Contudo, e apesar de tudo isto ser verdade verdadinha, é nos meus filhos que habita toda a minha força. Nem preciso de os ver, sempre, basta ouvi-los, basta até saber que estão lá, que estão bem, e nada mais importa, nada mais temo. Foi neles que depositei tudo o que tinha e aquilo que a partir daí cultivei, porque não sei viver cheia de nada mas preciso de ter no meu horizonte a paisagem mais bela, mais abundante e rica, a mais verde, a mais viçosa, a mais tranquila, a mais alta, a mais luminosa, e eles são, muitas vezes, essa paisagem e, por isso, a minha paz.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tão queridos os gajos da Troika!

Vamos lá a ver se sou capaz de organizar as ideias de uma forma coerente. Ultimamente sinto-me uma panela com o conteúdo em ebulição, as partículas todas ao deus dará - para cima e para baixo, para os lados - doidas que só elas, a exigirem-me um esforço titânico para as identificar porque as malucas agem como se fizessem todas parte de um mesmo corpo.

Por exemplo, lembram-se daquela anedota, sem graça nenhuma diga-se de passagem, em que um gajo qualquer dizia a outro que lhe tinha morrido a família toda como intróito do anúncio da morte do pai? Qualquer coisa como: morreu a tua família toda, estou a brincar, foi só o teu pai. Pois ultimamente não me tem saído da cabeça! É que um gajo (neste caso, uma gaja) corre o risco de ficar contente com a novidade!... Ser só o pai sempre é melhor do que ser a família toda. Mas e se o pai for, efectivamente, o principal representante da família?! Se o pai for o coração daquilo tudo e a família sem ele se desmoronar?! Ter morrido o pai não significará que a médio prazo morrerá também o resto da família?!

Estão a ver o que eu quis dizer quando comecei estas linhas? É isto! Uma maçada de ideias!

Uma outra coisa que me tem assolado a paciência é a questão do medo. Já falei aqui várias vezes dele mas, sinceramente, acho-o tão importante que nunca é de mais. Reparem na forma como este tipo pode ser útil! Não só no exemplo acima, esse fará sempre parte dos hors d’oeuvre, mas, por exemplo, no seu contrário. Eu explico: o exemplo acima joga com o choque inicial, o domínio perpetuado joga-se com a capacidade de fazer crer ao outro, ou outros, que, a solução que nos é apontada é o menor dos males; a única capaz de nos manter; de nos semi-salvar (semi porque já não há solução total possível, diz quem nos aponta a dita…). E assim, desta maneira, são as bases enganadas, mantidas numa ignorância conveniente, sossegadas e, por mais uns tempos, obedientes...

...e depois não me saem da cabeça aquelas imagens do Matrix em que as pessoas à superfície andam todas contentinhas, muito direitas e conformadas, convencidas que o mundo é assim...

Bom, vou ficar por aqui. Isto só tende a piorar...(refiro-me, evidentemente, à minha capacidade para organizar as ideias.)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Diz que a gente quando se ri exercita muitos músculos (se eu soubesse quantos, dizia, mas não sei) e a ignorância dos outros é sempre muito mais divertida do que a nossa.

video

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ainda Bin Laden

O dólar subiu. O petróleo baixou.
Porque um homem morreu!
A mim ensinaram-me que a economia estava directamente relacionada com a produção. Mas mentiram-me, está visto! Ela está relacionada com a confiança e desconfiança dos Mercados. E como eu gostava de ver a fronha desses tipos - os Mercados!
Merda de mundo é o que vos digo - Merda de Mundo!

Osama Bin Laden ou Como Eu Gostava de Acreditar Nesta Gente

Nas notícias da RTP anuncia-se a morte de Bin Laden. Obama fá-lo para as televisões de todo o mundo e os americanos rejubilam nas ruas de várias cidades porque Obama é o maior! O herói do momento! Até para quem começava a duvidar…

Mas que foto é aquela?! Não têm fotoshop na Casa Branca?! Aquilo foi forjado com o software mais rasca que circula por aí. E isto?! O que raio é isto?! Na RTP esqueceram-se de mencionar este facto! Aliás Obama também não disse nada sobre isto, ou se disse a gente não ouviu! Deitado ao mar?! Então matam o homem mais procurado do mundo, fazem-lhe um funeral islâmico, deitam-no ao mar e a gente não vê nada disto?! Quando mataram o Jonas Savimbi a foto que veio a público foi esta:





Não engulo a morte do Bin Laden sem que me mostrem algo equivalente. E depois porque carga d'água é que a morte do homem é assim tão vital?! Mas alguém acredita ainda que a Al Kaeda desaparece com a morte dele?!

Os mais perigosos não são os Bin Laden deste mundo. São antes os que forjam e divulgam todas estas notícias. Esses sim, andam a enfiar-nos barretes a toda a hora. Esses sim, são os que devemos temer porque são eles os manipuladores. É nessa gente que eu tenho cada vez mais dificuldade em acreditar. Aliás, já faltou mais, muito mais, para eu começar a duvidar do que os meus olhos vêem…

domingo, 1 de maio de 2011

Trinta anos depois

Alguém se lembrou de voltar a juntar um grupo disperso há cerca de trinta anos. Um grupo de gente que viveu na mesma terra a sua adolescência e o início da juventude. Alguns ainda por lá andam, não chegaram a sair. Outros foram para longe e outros nem por isso.

Há cerca de oito anos fiz parte de um ajuntamento semelhante, de colegas de infância. A adolescência é outra conversa. A adolescência é aquela idade que deixa marcas indeléveis. A idade de todos os disparates, de algumas traições e do egoísmo, próprios de quem procura, por todos os meios, saber quem é, sem disso se aperceber.

Para apimentar um pouco mais as coisas, este grupo, na sua maioria, diria eu, viveu a idade mais perigosa, num dos lugares mais perigosos e na época mais perigosa – aquela que sucedeu ao 25 de Abril de 1974 e à entrada, no país, dos retornados.

Em boa verdade não sei se haveria alguém, para além dos pais de cada um, que gostasse de nós, individualmente ou como grupo – como grupo creio que não haveria unzinho que desse alguma coisa por nós. Nas mentes retrógradas e fechadas dos adultos que espreitavam incessantemente pelas brechas das cortinas havia apenas uma certeza – são uma cambada que não chegará nunca a lado algum.

Vigiavam-nos permanentemente e tinham orgasmos ao telefone sempre que conseguiam informar este ou aquele que o filho ou a filha tinha acabado de passar naquela rua e estava, de certeza, enfiado ou enfiada em casa de sicrana ou beltrana a fazer sabe-se lá que atrocidades – Na escola?! Nem pense nisso, passou agorinha mesmo aqui na rua, ia com este aquele e o outro, sabe-se lá para onde?! fazer o quê!...

Creio que tão pouca fé acabou por ter as suas consequências, como sempre acontece, e houve alguns, de mais porque são sempre de mais, que fizeram a vontade a essa gente. Mas houve muitos, muitos mais, que ainda que tivessem permanecido algum tempo à porta da tão augurada desgraça, não chegaram a entrar ou não passaram do primeiro corredor e acabaram por sair, se não em beleza, pelo menos inteiros, e ontem, trinta anos volvidos, irromperam juntos, mais uma vez, pelas portas da colectividade que tão pouco os suportava, que algumas vezes os expulsou, ainda que não tantas quantas teria gostado de o fazer, irromperam juntos, no mesmo alarido de há trinta anos, eles – os mesmos, mais velhos, mais sábios, os mesmos.

Não sei se ontem alguém espreitou pelas brechas das cortinas, provavelmente já cá não está quem mais gostava de o fazer, mas se, por acaso, houve quem o fizesse, ficou a saber que o tempo é uma coisa extraordinária porque se, por um lado parece correr, por outro é como se não se mexesse e tudo, ou quase tudo, permanecesse mais ou menos na mesma. Ficou a saber que afinal somos heróis porque vivemos mais, muito mais, do que a inveja que tinham de nós alguma vez imaginou, e estamos cá – vivos, inteiros e, no geral, muito melhores pessoas do que eles alguma vez foram capazes de ser.