sábado, 31 de julho de 2010

Das férias

Férias férias, daquelas a sério em que se fazem as malas e se zarpa daqui pelo menos durante uma semana, há muito tempo que não tenho. Eu! Que noutras épocas chegava a apanhar aviões três ou quatro vezes por ano!
Ainda assim tenho conseguido ir para fora cá dentro, nem que seja durante um fim-de-semana prolongado, como fiz o ano passado, e isso já dá para carregar um pouco as baterias que chegam a esta altura do ano e estão tão gastas que trabalham aos solavancos ameaçando parar a qualquer momento se eu não for aproveitando um bocadinho ou outro para as alimentar, num liga-desliga que lá as vai enganando, mas que não dura quase nada.
Este ano está ameaçado por um nonstop que me tem parecido, apesar da aparente inevitabilidade, pouco inteligente. É que apesar da vontade ser soberana, neste caso o que gera a vontade não é um amor transcendente pelo que se faz, mas uma suposta necessidade que pode deitar tudo a perder se acabar em esgotamento físico antes da entrada no novo ano lectivo.
Assim, aguento mais um mesinho e, nas primeiras semanas de Setembro, hei-de arranjar maneira de ir pregar para outra freguesia, nem que seja só por uns dias ou então, há falta de melhor, deixo-me dormir «até vir a mulher da fava rica» que já não consigo suportar o som do despertador às seis e meia da manhã a chatear-me o juízo on and on and on
Enfim, ou uma coisa ou outra. Mas que tenho de ter uns diazinhos de férias, tenho.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio


Lembro-me dele miúdo, tal como eu que a diferença de idades é mínima. Na época corria o boato que era filho do Engº Sousa Veloso e que, só por isso, aparecia na televisão. Dantes, como agora, as pessoas eram mazinhas e se agora é comum, por via das novelas, apareceram crianças a representar, quando éramos miúdos nem tanto. Logo, se uma aparecia, tinha de ser filha de alguém já conhecido...

Nunca achei grande piada às Conversas da Treta mas vi mais do que uma vez a peça Arte. Confesso que sempre gostei mais do José Pedro Gomes. António Feio lembra-me a vida, é tudo. Até na morte, me lembra a vida - a minha. É um raio de uma doença esta! São raros aqueles que ela poupa e, quanto às idades, anda sempre pelas mesmas...mais coisa menos coisa.

Que descanse em paz. Creio que o fará. Teve tempo e espírito para se preparar...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estou tão cansada, tão cansada, tão cansada, que a única coisa que consigo dizer, ou mesmo pensar, é esta - estou mesmo muito cansada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Inconveniências

A não ser que se mude de terra; de nome e de profissão, o risco de nos cruzarmos com fantasmas do passado existe, o que é bom porque é a grande oportunidade de testarmos até que ponto o passado está ou não resolvido e, caso esteja, se muito; pouco ou assim assim…
Gente que fez parte de cenários que caíram; que participou em realidades que tiveram o seu fim, são como barómetros que nos ajudam a calcular até que ponto é que o passado ainda mexe connosco. E não interessa sequer se a mudança foi para melhor ou para pior, até porque isso não é linear – se numas coisas piorou, noutras com certeza que melhorou que nada é perfeito.
Contudo, algo é absolutamente imprescindível – é que essas pessoas nos revejam no nosso melhor. Se estão anos sem nos ver, têm de nos rever num dia de glamour. Já basta o facto de estarmos mais velhos; mais pobres; mais gordos.
Ora, um encontro à saída da piscina, de cabelo apanhado e cara lavada, NÃO é o ideal!…

Acordo Ortográfico

Calhou-me em sorte a primeira revisão de acordo com o Acordo Ortográfico.

Não vou mentir. Fez-me um bocado de confusão ver «ótimo» escrito sem «p»; «ato» sem «c» ou «exceto» sem «p», tanto mais que, neste último, eu sou daquelas que pronuncia o «p» - ex-ce-p-to – agora já não…

Contudo, e contra todos aqueles que dizem ser contra o Acordo, parece-me absolutamente lógico, natural, próprio de todas as línguas vivas, que caiam certas letras e certos acentos. Toda a evolução linguística é feita no sentido da economia, de caracteres, perdão - carateres evidentemente. Se este tipo de Acordo não existisse, ainda escreveríamos «farmácia» com «ph» e, quais Camões, estaríamos ainda a usar, em muitas circunstâncias de que agora não me recordo mas existiram acreditem, três «c» em vez dos dois que temos vindo a usar até agora e que, em certas palavras, passarão para um apenas.

Ora digam lá se, nesta vida de correria, não dá jeito escrever o mesmo com menos caracteres?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tomem lá que já almoçaram...

foi o que pareceu dizer o Primeiro Ministro na comunicação ao país.
Mas uma comunicação ao país não é suposto ter a ver com o país?!...

Eu sei que o tema já chateia, mas...

Haverá algum lugar no mundo em que o sol brilhe, todo o ano, durante o dia e em que a chuva caia à noite para regar os campos? em que as temperaturas oscilem entre os 25 e os 30 graus? em que as flores nunca sequem e nem a relva? em que uma brisa primaveril deslize constantemente e em que o ar seja mais leve?
Qualquer informação sobre a localização de um lugar assim terá o meu eterno agradecimento.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Shiuuu


Quando a coisa é mesmo boa convém manter a cabeça fria e não embandeirar em arco, como dizia a minha avó...

Começar o dia...

... a ver as trombas do Alberto João de chapelinho de palha na cabeça; a ouvir as bacoradas do Paulo Portas no meio da feira e saber que mais de metade do orçamento que a Segurança Social tem para reformas vitalícias já voou para os políticos cujas reformas tiveram um aumento de 14% relativamente ao ano passado, não é fixe. De facto, não é mesmo nada fixe!
Valha-me a Colónia de Férias que me vai arrastar para a praia. Com o calor que está é um excelente sítio para se passar a manhã. Pode ser que me esqueça que ando a trabalhar para alimentar estes gajos...

domingo, 25 de julho de 2010

Das vantagens da idade

A idade tem-me trazido, até à data, mais vantagens do que desvantagens.
Andei anos, muitos, a lutar com um estranho medo que me impedia de resolver pela negativa certas relações que, na verdade, nenhum bem me faziam mas que eu teimava em manter, vá lá saber-se porquê. Sempre que, por qualquer motivo, me deparava com a necessidade de me afirmar e de mandar àquela parte esta ou aquela pessoa, era um pesadelo que me tirava o sonho noites a fio e me ocupava o pensamento durante os dias em que ele me fazia tanta falta para outras coisas bem mais vantajosas. Desde a necessidade de despedir a mulher-a-dias até ao corte com um amigo que afinal não era, iam dias, às vezes meses, de preparação até já não ser possível encarar o dito e as coisas se resolverem por exaustão e abandono.
Quando me libertei desse medo, precisei de refrear todas as angústias guardadas ao longo dos anos e dizer a mim a mesma que passar do oito ao oitenta não é solução para nada e que há que discernir das razões de parte a parte.
Hoje estou mais calma, muito mais calma, e determinada. Enfim em paz comigo mesma, não me custa desligar do que não me interessa ainda que uma certa tristeza não deixe de se instalar, mas por pouco tempo. Se já não é o que antes foi, há que encarar a realidade e tomar medidas. Não deixo de ponderar acerca das minhas razões – há sempre a possibilidade de estar a ver a coisa de um ângulo errado – mas quando tenho razão não há quem ma tire e deixei de ter saco para más criações, burrices ou, o pior de tudo, o mais alarmante – a estupidez. E, se em tempos idos, senti necessidade de «recuperar» aqueles que eu, na minha extraordinária imodéstia, considerava «recuperáveis»; hoje acredito que cada um sabe de si, que cada um tem, com certeza, o seu próprio caminho que não me cabe a mim determinar.
Por isso, se não serve, que seja feliz. Sigam o vosso caminho, que eu seguirei o meu. Até porque quanto mais tempo aguentamos certas situações, menos hipóteses temos de nos cruzar com outros que até podem, quiçá, andar a passear pelos mesmos trilhos que nós…

sábado, 24 de julho de 2010

Das repetições

Há quem diga que tudo aquilo que nos acontece, seja bom ou mau, tem um propósito, uma finalidade que, mais cedo ou mais tarde, nos trará benefícios, sejam eles de que natureza forem.

«Deus escreve direito por linhas tortas» é, talvez, o ditado popular mais relevante dessa antiga tomada de consciência em relação à forma como a vida se processa.

Para quem acredita que Deus habita em cada um de nós é mais difícil a exoneração da responsabilidade própria nas escolhas que se fazem. Ainda assim, muitas delas são feitas inconscientemente, como se o nosso inconsciente tivesse um poder de alcance misteriosamente superior - o espírito sabe mais do que a mente, creio ser já uma verdade pois não há boca de onde não se oiça, pela menos uma vez na vida, que dormindo sobre certos assuntos a solução nos surgirá, como se, para tal, nos bastasse apagá-los, temporariamente, da dita.

Tudo tem, assim, uma lógica muito própria - um propósito que verte a nosso favor. Contudo, de pouco nos serve esse «instinto» que nos empurra para certas decisões se nunca chegarmos a compreender o objectivo do caminho a que cada decisão nos leva.

Pensar sobre o que nos acontece, porque é que nos acontece e onde nos leva exactamente o caminho que escolhemos ou o que é que o nosso espírito espera de tal decisão, é primordial, sob a pena de ficarmos agarrados indefinidamente a decisões que nos param no tempo e nos obrigam a ver uma e outra vez os mesmos episódios de certos filmes que já púnhamos de parte, não fosse a nossa, às vezes escassa, visão.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sou só eu?!

Sou só eu a achar que crianças de 4 anos a dançarem em calções de banho (eles) e bikini (elas), ao som de músicas sensuais, com movimentos pélvicos, é um espectáculo degradante?!
Sou só eu a achar que há educadores/as que deveriam ter ido para o circo amestrar lulus?!
Sou só eu a achar que pais que compram aos filhos de 10 anos revistas de anedotas para adultos deveriam ser castrados? impedidos de exercerem esta tão exigente profissão?!
É por estas e por outras, algumas bem piores, que depois nos deparamos com crianças horrorosas - porque que as há, há -, mal-educadas, com uma linguagem mais própria de adultos ou até, muitas vezes, nem de adultos decentes..., que falam de coisas que não sabem, que se metem em coisas que não devem, em vez de serem, apenas, crianças.
Eu gosto de crianças. Gosto muito até. Mas de vez em quando aparecerem-me uns híbridos que me obrigam a um esforço suplementar e que soltam a fera que há em mim. Hoje não estrangulei um porque não calhou. Se fosse meu levava tanta lambada!
Mas, também, se fosse meu provavelmente não tinha chegado ao ponto a que chegou...digo eu...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Da lei da morte

A gente nasce, luta e morre.
Para aqueles que, como eu, acreditam na existência do espírito, o único propósito lógico será o do crescimento espiritual. Tudo o que cá deixamos, quer a nível material quer afectivo, é com os outros que fica, quando fica, em memória que é, quase sempre, temporária. Mesmo aqueles que «através de obras valerosas se vão da lei da morte libertando», mais cedo ou mais tarde cairão no esquecimento, até voltarem a ser, como o foram os antigos, rebuscados. E isso nem sempre acontece.
Assim, fico-me com o propósito do crescimento espiritual já que é o único que para mim faz sentido. Recordo-me, portanto, amiúde, de que morrerei. E, não sabendo como nunca se sabe quando tal acontecerá, é talvez importante estar para isso preparada em qualquer momento, não vá ela surpreender-me e eu andar, depois, para aí perdida sem eira nem beira…

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Numa quase desistência

São cada vez mais os momentos em que pareço não ter nada para dizer. E não é que não tenha mas tudo me parece supérfluo e superficial, como se as palavras perdessem o sentido face aos acontecimentos ou, se não o sentido, pelo menos a força.
Ou é isso ou a surdez alheia que me cala num «não vale a pena».

terça-feira, 20 de julho de 2010

Das batalhas

É bem certo que as coisas são aquilo que se acredita que são e por muito que tentem demover-nos os milagres acontecem quando quem tenta não é bem-sucedido.
Mantermo-nos firmes nas nossas convicções, visualizando o sucesso e não acreditando noutra coisa que não seja o sucesso, chamá-lo-á e os muros não cairão.
As batalhas são ganhas por aqueles que se acreditam vencedores e não pelos exércitos mais numerosos. Que o digam os Castelhanos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Regresso a Sizalinda

É muito mau! É tudo mau! Mas que raio de voz é aquela que dobra, e se não dobra parece que o faz, o mulato mais pequeno?! Que guião é aquele meu Deus?! Tudo lento, tudo forçado, tudo mole!! Diálogos sem substância nenhuma, pertenças recriações de uma época de guerra que mais parecem anedotas!
Será que o «Conta-me Como Foi» foi a única coisa que se fez de jeito neste país?!

Das caras e das expressões

Nos círculos sociais existem, para mim, três tipos de pessoas: as que julgo conhecer; as que sei quem são; e aquelas de quem tenho uma vaga ideia (geralmente fisiológica). Ontem fui de tal forma surpreendida por uma «sei quem são» que decidi abrir uma subcategoria – a das que julgo saber quem são.
Se a forma como nos relacionamos tem sempre alguma graça, a forma como nos vemos uns aos outros tem mais graça ainda. Criamos estereótipos, ou eles já estão criados – provavelmente já estarão – e vamos, ao longo da vida, enfiando lá para dentro as várias pessoas com quem nos vamos cruzando convencidos que sabemos o que estamos a fazer. Ontem tive a sensação que seria mais sensato classificar, se é de classificar que se trata, as pessoas pelas expressões que carregam no rosto do que por aquilo que elas dizem ou pela forma como manifestam o carácter que, normalmente, não querem revelar.
Os rostos revelam, quando se julgam não observados, o que na realidade vai na alma de cada um. Ele há rostos profundamente tristes, que parecem encerrar profundas perdas; há rostos profundamente plásticos que já se habituaram tanto a esconder o que sentem e o que são que agem como se estivessem permanentemente a ser observados; há rostos agressivos, desafiadores, de quem necessita de provar não se sabe bem o quê; há rostos felizes, alegres, de quem ou não tem ou soube deitar para trás das costas os infortúnios, nem que fosse só por um bocadinho…; há rostos profundamente opacos, ébrios, quase perdidos; e há rostos que emanam uma paz e uma tranquilidade incomuns. Ele há rostos para todos os gostos e olhares para todas as almas que, foi o que me pareceu ontem no meio de mais de cinquenta pessoas, dizem mais do que as bocas quando falam.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Epá! Que Chatice!

Esqueci-me de jogar no euromilhões!!!

Da rotina

A rotina é uma guilhotina que paira sobre as nossas cabeças e cuja corda não precisa de carrasco para ser cortada, qualquer um de nós o pode fazer; qualquer percalço, acidente ou contrariedade. Não há amor, seja a gente ou a ocupação, que lhe resista – a rotina acaba, mais cedo ou mais tarde, com a maior das paixões.
É bastante comum olharmos as vidas alheias e dizermos para os nossos botões, que aquilo sim, é vida, quem nos dera…Mas a verdade é que todos ou quase todos fazemos isso, pelo que só o que é dos outros ou aquilo que já passou é que é bom, sem percebermos que, na verdade, é só porque foge à rotina, à nossa rotina.
Há que reinventar o dia-a-dia e, para isso, nem sempre são necessárias medidas drásticas ou modificações concretas. Muitas vezes basta pensarmos. Pensarmos no que nos aborrecia quando estávamos como já não estamos. Pensarmos quão mal nos sentíamos em momentos que já passaram, em situações que já não são. Esta é uma forma, como qualquer outra, de nos irmos sentindo gratos pelo que temos agora, porque é esse sentimento de gratidão que nos traz felicidade, e não as coisas que acontecem ou deixam de acontecer.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dos pais e dos filhos

Há sempre uma altura da vida em que as relações entre pais e filhos se tornam difíceis.
Quando eles nascem são motivo de tanto orgulho e trampolins para tanto crescimento que julgamos poder manter para sempre uma relação de amor e devoção de parte a parte. Mas a verdade é que chega sempre um momento em que a devoção desvanece, a deles, não a nossa. Um momento em que se tornam críticos e em que acreditam que o mundo é um lugar bem diferente daquele que os pais habitam. Perde-se, deles, a admiração e essa perda dói. Dói porque, de repente, sentimos que todo o esforço foi em vão porque não é reconhecido, e não tem de ser. Eles querem lá saber se sacrificámos isto ou aquilo por eles; se nos esforçámos muito ou pouco; se aquilo que têm e de que desfrutam é devido a mais ou menos esforço. Não querem, nem têm de querer, saber. Só mais tarde, muito mais tarde, quando a vida lhes entrar pela porta adentro; quando os filhos deles nascerem e eles estiverem, por sua vez, no nosso lugar, só então, se aperceberão daquilo que não se aperceberam antes.
Há sempre uma altura em que os filhos desiludem os pais e os pais desiludem os filhos e, nessas alturas, há pais que sentem uma enorme vontade de sair porta fora; de virar costas e dizer – desenrasquem-se; fiquem por vossa conta e vão ver como elas mordem… Mas este sentimento não é fruto de amor, mas de amor-próprio; não existe por vontade de educar, mas por uma estranha espécie de vingança, do tipo – não me reconheces o valor; talvez o faças se deixares de me ter.
É por isso que, nessas alturas, se deve respirar fundo, encher o peito de ar e mostrar de que fibra somos feitos. É nesses alturas que os filhos nos dão, verdadeiramente, a oportunidade de crescer, de provar que somos adultos inteiros, responsáveis, conscientes, e que o nosso amor por eles é incondicional. É precisamente nessas alturas que devemos estar, discretamente, mais presentes do que nunca.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Guerra de Joaquim Furtado

Tenho estado a ver A Guerra de Joaquim Furtado, porventura o melhor e mais completo documento histórico que até hoje se fez sobre a nossa presença em África.
Fomos um bocadinho diferentes dos outros, mas podíamos ter sido tão mais se não tivéssemos tido um chefe de Estado tão provinciano…
Salazar não nos atrasou só a nós. Atrasou nações inteiras.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Patriota?

Se a Portuguesa e o fado me comovem, isso não é ser patriota?
Se quando estou longe sinto saudades e acho que em lugar nenhum do mundo há praias como as nossas, isto não é ser patriota?
Se fico ofendida quando um estrangeiro não conhece ou mal diz o meu país, isso não é ser patriota?
Se apesar de ler perfeitamente em Francês; Inglês ou Castelhano, prefiro fazê-lo na minha língua, isso não é ser patriota?
Se o meu peito incha de orgulho quando leio Camões ou Pessoa, isso não é ser patriota?
Então porque é que uma patriota como eu está tão cansada deste país onde nasceu?!

É tudo a roubar!

Trabalhei, em 1979, cerca de dois anos na Holanda. Trabalhava doze horas por dia, seis dias por semana. Nunca me senti explorada; roubada; abusada.
Neste país, desde os Bancos que funcionam como o melhor mata-borrão, não fosse hoje o dinheiro mera tinta num papel, até à Segurança Social que, reconhecendo o erro em que ocorreu, continua a exigir o pagamento de juros de uma mora que nunca existiu, é tudo a roubar!
Trabalha-se com fé e vontade, acreditando que se vai longe, para um país que nos puxa constantemente para trás por uma corda feita de incompetências, vigarices e abuso de quem mais precisa.
Puta que os pariu a todos!

domingo, 11 de julho de 2010

Waca Waca



Quem realizou este vídeo sabia que o Mundial ia acabar assim - a ser jogado por animais.

Cá por mim dava a taça aos alemães, pelo menos protagonizaram, e ganharam, um jogo muito mais bonito do que esta final.
Trabalhar ao domingo é muito chato. Principalmente com este sol, depois de uma caldeirada e de dois copos de vinho...

sábado, 10 de julho de 2010

Não gosto de sentir raiva, revolta, ódio mesmo, seja por quem for ou pelo que for, mas é isso que estou a sentir neste momento, o meu coração está cheio de ressentimento e, a partir de hoje, há duas ou três pessoas que é bom que não se cruzem comigo porque quando isso acontecer não vai ser bonito.
O que vale é que isto passa que eu não sou de alimentar maus sentimentos. Não é por nada, é só porque é a mim que fazem mal...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E pronto

Tem-me passado pela cabeça que um dia destes aparece-me um adulto à frente e eu não saberei o que dizer. Ando a leste, a viver num mundo de fantasia e de brincadeira, com luas que moram nas varandas, e amigos imaginários. Se não me ponho a pau ainda me esqueço da realidade, já dou por mim a rir com aquilo a que, por hábito e falta de humor, se dá o nome de «coisas sérias».
Entretanto, hoje ao almoço, os meus olhos passearam pelas notícias e fiquei a saber que no Cacém uma fábrica vai fechar e deixar 15.000 trabalhadores na rua, e que o Ministério Público retirou a queixa que tinha, de associação criminosa, contra Mário Machado. Resolvi, assim, olhar para as crianças e manter-me, enquanto me for permitido, no mundo delas. É muito mais divertido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Museu da Electricidade...

...é muita giro!
Claro que toda a gente já deve saber isto, ou quase toda. Mas eu não sabia. É o preço de andar o ano todo sem tempo nem para respirar...Mas hoje levámos lá os miúdos e divertimo-nos, se bem que houve momentos em que me pareceu que eu estava a gostar daquilo mais do que eles. Estou a brincar, eles gostaram muito daquela parte em que podem mexer em tudo e as luzes acendem...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Esclarecimento

Não, não fui de férias. Mas tenho ido à praia todos os dias (hoje foi dia de piscina). Tenho um fardo de palha na cabeça, que é o que acontece ao meu cabelo quando só vê água salgada; sol e cloro; dores musculares como não tinha…sei lá, há vinte anos pr’aí; e descobri que, na verdade, já não sou mãe, sou avó. Não que os meus filhos tenham tido filhos, isso ainda não aconteceu com alguma pena minha diga-se de passagem, mas porque a minha alma é já de avó. Senão vejamos: pergunto sempre aos meninos o que é que querem fazer, ou onde é que querem ir; se um deles diz que não gosta da comida a minha reacção mais imediata é – vamos lá a ver o que é que se pode arranjar para substituir isto; se um deles amua fico preocupadíssima a pensar que algo não está bem; deixei de identificar as manhas e corro sempre que me chamam; se vão para a água, seja no mar ou na piscina (excepto na dos pequeninos, também era melhor…), vou a correr e não arredo pé, deixo que me molhem, que se pendurem em mim, enfim, uma avó…
É claro que a contrapartida é chegar a casa tão derreada, mas tão derreada, que nem forças tenho para ligar o computador e há dois ou três dias que nem para o correio olhava. O resultado são 57 mails…que não vou ler. Faz de conta que estou de férias.

domingo, 4 de julho de 2010

Da dor de não poder Ser

São muito marcantes e dolorosos os estigmas que a sociedade imprime a certas pessoas, nomeadamente aos homossexuais. As alterações nas leis são um começo mas não o suficiente para a sua aceitação no seio de uma sociedade que, na verdade, os teme, não sei bem porquê.
Tenho dois amigos que se amam. São um casal em toda a acepção da palavra; tiveram a felicidade de se encontrar depois de tantos anos de sofrimento, porque esconder quem realmente somos ao longo de uma vida causa sofrimento, e que, apesar de todas as leis, se vêem obrigados a manter o seu anonimato até que a coragem de mandar tudo às urtigas os tome, já que, de facto, quem não aceita este ou aquele por via das suas opções íntimas não merece o epíteto de amigo. Contudo, o seu maior receio prende-se com a profissão de cada um; Se nos descobrem, dizem, corremos o risco de despedimento, de ostracismo.
Não durará muito mais, digo eu, espero eu, que é já tempo de sair desta mediocridade, desta desumanidade, deste atraso civilizacional; desta subjugação à educação judaico-cristã que muito, ou tudo, contribuiu para as frustrações do mundo e, mais grave ainda, para as suas taras.
No que à sexualidade diz respeito, temos tudo misturado na nossa cabeça e não raro associamos pedofilia com homossexualidade quando, atrever-me-ei a dizer, a pedofilia grassa mais entre heterossexuais do que entre homossexuais e, essa sim, é uma tara, uma doença perigosa porque causadora de danos irreversiveis.
A homossexualidade é uma condição que pode existir no seio da mais séria, da mais humana, da mais competente e da melhor das pessoas. A homossexualidade, como a heterossexualidade, só a cada um diz respeito e é tempo de nos libertarmos de falsos valores e de fazermos uma introspecçãozinha acerca do porquê de tanto medo. Porque raio é que há quem se sinta ameaçado?!...

sábado, 3 de julho de 2010

Memórias

Objectos são objectos e valem o que valem, por isso mesmo podem valer muito e tornar mais difícil a separação quando a hora chega.
Sou daquelas que acredita que quando um objecto passa connosco muitos momentos e muita vida, agarra vibrações e marcas indeléveis que, se estão ou não nos materiais não me interessa, mas estão seguramente na minha memória que é acordada cada vez que o revê.
Mesas e cadeiras de madeira, maciças e pesadas, que me acompanharam durante tantos anos; em cima das quais li e revi tantas obras, na sombra do meu jardim ou no silêncio do meu escritório, levaram com eles esses momentos e hoje, se por acaso os revejo, revejo uma parte de mim que, quer eu queira quer não, permanece com eles.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Num carrocel

A vida sucede-se, os acontecimentos atropelam-se de forma mais ou menos intensa, mas estão aí para os vivermos, de forma mais ou menos intensa.
O que ontem foi verdade, hoje deixou de o ser e para quem, como eu, se entusiasma, ela, a vida, assemelha-se muitas vezes a um carrocel.
Podemos escolher sentir o vento a levantar-nos os cabelos, ou sentir o estômago às voltas. Eu escolho os dois, conforme as circunstâncias.
Neste momento é o orgulho que me faz sorrir. O orgulho de ter, afinal, conseguido vencer etapas que julgava perdidas ou, no melhor dos casos, gravemente danificadas. Acabei o ano académico, sem precisar de recorrer à segunda fase dos exames, com média de 14 e consegui, neste segundo semestre, em que mudei de casa e faltei às aulas semanas a fio, um 19 de nota final que me deixou inchada de orgulho; as crianças que ameaçaram não vir neste início de Julho, afinal vieram e, de ontem para hoje, cresceram em número; a aceitação de uma criança diferente das outras, com problemas difíceis de lidar, fez-nos temer esta aventura que é levá-las para praia todos os dias, e para o parque, e para as brincadeiras que os façam felizes, porque se não sorrirem nós também não sorriremos, esse medo não deu frutos e dissipou-se no sucesso do primeiro dia que foi o de ontem; um incidente que considero grave e que existiu em consequência de um quase extremo cansaço e da aceitação de prazos demasiado apertados pôs em risco um trabalho que amo e faço há vários anos, não só pôs em risco como me fez balançar na crença das minhas capacidades, que isto de capacidades próprias nem sempre a consciência acerta, mas tudo se compôs porque afinal, tal como já tive oportunidade de dizer aqui, sou eu que sou mais exigente comigo e tendo a castigar-me mais do que mereço, ainda bem que quem me vê de fora não é assim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Há dias felizes

Dias em que tudo corre de feição; em que as notícias são boas; em que os eléctricos que chegaram a ameaçar descarrilar, entram nos eixos.
Há dias felizes. E hoje foi um desses dias.