quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Um dia muito bem passado


Desde miúda que me sinto em paz se estiver ao pé de livros ou de árvores. Não sei se por as árvores serem livros, se por os livros serem árvores. Nem sequer sei se terá algo a ver com a matéria que têm em comum porque, na verdade, nunca me interessei pela matéria senão pelo conteúdo. É por ele que me apaixono.
Junto às árvores tenho necessidade de lhes tocar como se, com esse toque, as pudesse adivinhar. Não sei, quase nunca, como se chamam. Às vezes, nem para que servem. Só sei que as admiro.
Junto aos livros acontece a mesma coisa, essa necessidade de lhes tocar, de os abrir, de ouvir tudo o que têm para me dizer.
Hoje tive o privilégio de passar o dia em casa de um coleccionador. Hoje foi tu cá tu lá com as primeiras edições de autores como Teixeira de Pascoaes, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Malhoa, Mário de Sá Carneiro, João de Deus…e tantos tantos outros. Foi tu cá tu lá com manuscritos que eu nem sabia que existiam; com cartas trocadas por gente que não conheci e tenho pena.
Hoje tive na mão a 1ª Edição da 1ª Carta Constitucional Portuguesa, e fiquei a saber que os bigodes eram tão importantes que se fabricaram chávenas de chá especiais para aqueles que os ostentavam.

Aqui ficam alguns testemunhos que me deram água pela barba, que não tenho, para os colocar aqui de uma forma mais ou menos decente.



Contas do Funeral da Rainha D. Maria


1ª Ed. do Interregno, Fernando Pessoa


Diário Eclesiástico da Rainha D. Amélia


Estudo para a primeira marca portuguesa de cerveja


Encadernação com embutidos em pele do Paço do Milhafre de Vitorino Nemésio


Encadernação inteira de Chagren com embutidos que representa, em Vila do Conde, a velha casa de José Régio



1ª Ed. Livro de Cesário Verde


1ª Edição R.M. Rilke



1º Fascículo das Pupilas do Senhor Reitor, Júlio Dinis


1º Sermão do Acto de Fé



1ª Ed. dos Contos de Andresen



Fore-Edge Painting

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Melhor momento do dia

Aquele em que me sento em frente à televisão a comer gelado como se não houvesse amanhã. (Kiding...or not...)

É a guerra!

Não quero viver num mundo que premeia a maldade, a mentira e a corrupção. Não quero viver num mundo em que os aldrabões e os prevaricadores, saem vitoriosos. Não quero viver num mundo assim.
Se a justiça não protege os bem intencionados, os justos, os íntegros, mude-se a justiça.
Se os advogados redigem contractos que beneficiam vigaristas, prevaricadores e corruptos, mudem-se os advogados.
Acabe-se de vez com o cinzento. Bardamerda para o que é cinzento. Veja-se o mundo a preto e branco. O bem e o mal, não há cá meios termos. Ou é bom, ou é mau. Se é mau aniquile-se.
É a guerra. Que despertem os justos. Levantem-se todos os corações livres e puros. É a guerra!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ninguém pode

Sabem aqueles filmes lamechas cujos temas centrais são a solidariedade, o companheirismo, a dedicação, a amizade, o amor universal; aqueles filmes em que as pessoas nunca são abandonadas, em que os familiares e os amigos vêm de cascos de rolha, viram o mundo ao contrário, só para os ajudar; aqueles filmes em que nunca ninguém acaba sozinho mesmo que já tenha morrido meio mundo?
Choro sempre. Sempre.
Agora, se choro porque me comovo com tão bonitos gestos, ou se choro porque lamento que algo assim só exista mesmo nos filmes, é outra questão.
Se choro porque filmes destes são, na sua maioria muito antigos, é ainda outra.
Se choro porque acredito que é significativo o facto destes filmes serem antigos, outra.
Se choro porque acredito que os filmes até traduzem uma certa realidade, outra.
Se choro porque sei que a realidade mudou e isso me deixa profundamente triste, a derradeira, realidade evidentemente.
Não se volta atrás no tempo e ainda bem que não. Mas talvez valesse a pena pensarmos seriamente em recuperar certos valores, certas culturas, certas formas de estar, certas honras ou o sentido delas. Ninguém pode mudar o mundo, e cada um de nós é Ninguém…

O País despediu-se ontem de Raul Solnado

Alice Vieira disse às câmaras de televisão que, não há muito tempo, em conversa com Solnado este lhe transmitiu que, quando morresse, gostaria que o seu epitáfio fosse: "Aqui jaz Raul Solnado, mas jaz contrariado".

Mesmo contrariado, está com certeza em Paz porque um homem como ele, que deu sempre tanto, só pode estar em Paz.


domingo, 9 de agosto de 2009

Faz hoje 64 anos...


...que foi lançada, sobre Nagasaki, a segunda bomba atómica que acabaria de vez com a Segunda Guerra Mundial. A primeira tinha sido já lançada sobre Hiroshima no dia 6 de Agosto desse mesmo ano de 1945.
Contra aquilo que me é habitual, deixo-vos com algumas palavras de Albert Einstein:

*«(...)Nós aprendemos, através de dolorosas experiências, que o pensamento racional não basta para resolver os problemas da nossa vida social. Investigações argutas e penetrantes trabalhos científicos têm muitas vezes acarretado implicações trágicas para a humanidade. Por um lado, é certo que produziram invenções capazes de libertar o homem do trabalho físico extenuante, tornando a sua vida mais fácil e enriquecedora; mas, por outro lado, introduziram na sua vida um profundo desassossego, convertendo-o em escravo do seu ambiente tecnológico e – o mais catastrófico de tudo – criando os meios para a destruição em massa dos próprios seres humanos. Isto, na verdade, representa uma amarga e avassaladora tragédia!(…)
(…)Nós, cientistas, cujo trágico destino tem sido o de ajudar a fabricar métodos de aniquilação mais terríveis e eficazes, devemos considerar nossa missão solene e transcendente fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que essas armas sejam utilizadas para o brutal objectivo com que foram inventadas. (…)»

*Pequenos excertos retirados de Uma Mensagem Aos Intelectuais, comunicação escrita por Albert Einstein e que não chegou a ser proferida porque foi recusada pelo Comité Organizador da Conferência dos Intelectuais pela Paz.
Mais tarde, em 29 de Agosto de 1948, a mensagem foi publicada na imprensa.

Einstein, Albert, Como Vejo A Ciência, A Religião E O Mundo, Relógio D’Água Editores, Outubro de 2005.

Gostar à distância é gostar ainda mais

Quando saí do colégio onde andei até à 4ª classe (era assim que se chamava nessa época), fui estrear o 1º ano do ciclo preparatório.
Não havia ainda escolas construídas para o efeito. As que existiam ou eram liceus ou escolas técnicas, comerciais e industriais. Assim, fomos levadas para umas instalações provisórias que pertenciam a um ginásio e que serviram muitíssimo bem os seus propósitos. Eram escolas só de raparigas e entre as várias professoras que me saíram em sorte destacou-se uma de Português e de Francês. Eu tinha então 10 anos e nunca mais a vi até ao momento em que resolvi, muitos anos depois, participar num curso de formação para formadores que a Câmara da minha cidade e a Universidade Nova de Lisboa decidiram promover. De entre as várias disciplinas que compunham o curso, teatro era uma delas. Foi aí que me voltei a cruzar com a minha antiga professora. Reconheci-a imediatamente, ela não, evidentemente, fomos tantas ao longo de tantos anos e afinal eu já não era uma menina. Se ela foi uma professora marcante de Português e de Francês, não o foi menos como formadora na disciplina de teatro. Na verdade ela é uma pessoa marcante. Doce, calma, paciente, linda.
Quando aconteceu publicar o meu primeiro livro não pensei em mais ninguém para a sua apresentação. Levei-lhe a compilação dos poemas em folhas A4; ela leu-as e aceitou. Não me esquecerei disso como não me esquecerei nunca da sua pessoa.
O destino quis que fossemos vizinhas. Vejo-a muitas vezes passar. Conheço o carro que tem.
Hoje, que é já ontem, cheguei a casa já passava da meia-noite depois de um jantar com os meus filhos que me deixou ternurenta como sempre me deixa a companhia deles. Corri para a varanda na esperança de ainda ver a minha filha partir mas, em vez disso, vi a minha antiga professora chegar e estacionar o carro mesmo ao lado do meu, no lugar que tinha estado ocupado pela carro da minha filha. Vi-a sair e caminhar para o prédio dela, mesmo mesmo aqui ao lado, e senti um calor no coração, um gostar tão grande, um desejo de que tudo na vida lhe corra de feição e de que eu a possa ver por muito muito mais tempo. Pensei em chamá-la mas não o fiz, fiquei assim, de cá de cima, a gostar dela, a desejar-lhe tudo de bom, a agradecer-lhe o facto de existir e estar aqui, mesmo ao meu lado.
Acontece-me algumas vezes, gostar de alguém mesmo que não nos dêmos, mesmo que as nossas vidas não se cruzem muitas vezes, que não façam parte uma da outra. Acontece-me às vezes. Não muitas. Algumas. E é precioso.

sábado, 8 de agosto de 2009

Morreu Raul Solnado


Morreu...e eu pensava que ele era eterno! Que nunca morreria porque era único. Porque era único...

A paranóia da gripe suína

Todos os dias se contam infectados como se de uma contagem, neste caso crescente, para um qualquer lançamento ou acontecimento bombástico, se tratasse.
Todos os dias somos assolados por e-mails que nos instruem, nos alertam, nos informam.
É de tal maneira que se torna difícil não nos sobressaltarmos com o primeiro sintoma de um inofensivo espirro matinal, ou com o muco que nos sai das fossas nasais pela manhã.
Se sairmos à noite verificamos que as noites de Verão, aquelas que tão bem conhecemos em tempos que já lá vão, não passam de uma fantasia e mesmo as manhãs que se querem de sol frondoso mesmo que sejam ainda nove horas, hora aliás que eu prefiro para me pôr a caminho da praia, vêm acompanhadas de um ventinho desagradável e o sol emana uma temperatura mais própria de Maio do que de Agosto.
Evidentemente que com o tempo assim o difícil é as pessoas não se constiparem. Mas constipação não é gripe. Pelo menos por enquanto.
Agora, existem outros sintomas a que nenhum e-mail se referiu ainda e que são, ou podem ser, preocupantes. Um exemplo disso foi um ataque de riso que me assolou ontem à noite e que trouxe consigo, no meio das gargalhadas, um rouco suíno que me deixou deveras preocupada. Será que o rouco foi um simples resultado de um certo descontrole no inspira expira exigido pela respiração e provocado pelo gargalhar, ou será que fui atingida pelo terrível vírus dos nossos irmãos roucadores?! Pelo sim e pelo não vou estar atenta durante o dia de hoje, na esperança que o rouco não se repita e que calafrios não me invadam o corpo.
Se por acaso se verificar que o rouco expelido pode ser, ou efectivamente é, um sintoma virológico, informá-los-ei evidentemente, já que nenhum sintoma deve ser menosprezado. (ahahahahahhahahahahahrrrôuuuuuuahahahahahhah).

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cheguei a casa e tinha isto na caixa do correio electrónico

Não tenho apetência, nem competência, para comentários políticos (já devem ter percebido isso); também não gosto de protestar só porque sim, por achar que é politicamente correcto dizer mal do governo e dos governantes, na verdade até acho que não é; não gosto da Manuela Moura Guedes nem do tipo de informação que faz; não gosto da TVI mas...mas...fiquei maldisposta com este vídeo.

Não tenho nada contra o facto das pessoas conduzirem BMWs, Mercedes ou Mazzaratis. Muito pelo contrário, tomara eu que todos nós o pudéssemos fazer. Não tenho nada a ver com a forma como cada um, mesmo que seja político, gasta aquilo que ganha. Mas tenho, temos todos, tudo a ver com a forma como os dinheiros PÚBLICOS são gastos. Querem andar bem sentados comprem com o vosso salário as respectivas cadeiras. Há países, e países bem mais estáveis economicamente do que o nosso, o que também não é difícil, há países europeus, pronto, em que os políticos vão trabalhar de transportes públicos. Num país como o nosso, em que cada vez há mais miséria, em que todos os dias há firmas que entram em falência e fecham as portas, num momento de crise como aquele que se vive, esta gente resolveu renovar a frota porque estava a dar despesa. Ok, tudo bem. Mas por que carga de água é que têm de andar em carros que custam mais de 50.000 euros?! Porquê?!

E o melhor é ficar por aqui porque na verdade o que me está a apetecer é chamar-lhes tudo menos santos...

Escandaloso é isto!

Porque é que eu fico sempre com a sensação que neste país nunca se chega a perceber como é que as coisas aconteceram ou porquê que aconteceram; quem são os responsáveis; quem teve a culpa?!
Será que a culpa é dos meios de comunicação que começam por dar notícias e depois não têm acesso às respostas que acabam por ficar bem guardadas no segredo dos deuses? Ou é porque realmente nem os deuses chegam a perceber o que se passou?
Que interesses estão por detrás deste caso da cegueira dos pacientes de Stª Maria? Não é já tempo de acabarmos com o poder destes lobbies financeiros como os laboratórios e outros que tais?
As notícias começam por ser muito claras – Seis doentes, num hospital, ficaram cegos quando lhes foi administrado determinado medicamento.
A partir daí é só baralhação. Afinal não foi o medicamento, foi erro humano; afinal não foi erro humano, foi qualquer coisa mais parecida com boicote; afinal não foi boicote, a farmácia está a funcionar bem…e neste enrola enrola há-de chegar ao dia em que a notícia se esgota, deixa de ser notícia e nós haveremos de ficar a saber tanto quanto sabíamos antes que é nada, a não ser que seis pessoas cegaram!
Das duas uma, ou não se dá a notícia, o que me parece difícil, ou se leva as coisas até ao fim independentemente das consequências. Nós temos o direito ao esclarecimento! Não somos, já, um povo de gente burra! Não somos!
Ele é assim com tudo ou quase tudo o que, afinal, roça o escândalo! O resultado, ou a ausência dele, acaba por resultar num escândalo que é maior – a sensação de medo que nos fica pelo facto de qualquer coisa poder acontecer e ficar impune. Eu tenho uma pequena cirurgia marcada para o início do mês de Setembro. Apesar de pequena é necessário anestesia geral. Não sou uma pessoa medrosa, que não sou. Mas agora perguntem-me lá se vou descansada! Não vou. E não vou precisamente por isto – porque temo que se algo não correr bem nunca ficarei a saber exactamente o que foi.
Esta ordem de coisas, ou lá como lhe quiserem chamar – esta desordem, será porventura mais apropriado – não dá confiança a ninguém e este é, na minha opinião, o maior problema deste país – Falta de confiança em todos aqueles em quem é suposto, imperativo até, todos nós confiarmos, a começar pela justiça, evidentemente.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Acting

Não sei fingir, não sei. Não tenho jeito para fazer de conta. Sou má no teatro, sempre fui apesar de me terem incentivado bastante quando andava na escola primária, provavelmente porque também éramos poucos e afinal de contas eu até era bonitinha… Não sei mentir, sou uma lousy lying.
Na verdade tenho uma enorme admiração pela verdade, associo-a à coragem e não há característica que eu mais admire que a coragem. Entendo que é preciso uma boa dose dela para passar por esta vida de cabeça erguida e, sobretudo, para se Ser e como não encontro nenhum sentido maior do que a descoberta de nós mesmos, daquilo que somos, de quem somos, não consigo sentir um pingo de respeito por quem se esconde e se disfarça.
Na vida real evidentemente, porque no que respeita aos profissionais tenho uma grande admiração por um bom actor. Ser capaz de encarnar um qualquer personagem é viver várias vidas em simultâneo. É uma arte. Ora vejam:

Pela vossa saúde...

Dêem a primazia ao coito vaginal.
Segundo um estudo publicado na revista científica "Archives of Sexual Behavior" e levado a cabo pelo departamento de Stuart Brody, especialista britânico em estudos sexuais na Universidade de West of Scotland, Paisley, uma boa saúde passa por um bom coito vaginal.
Por bom deprende-se completo e absolutamente satisfatório para ambos os sexos.
Eu não posso estar mais de acordo.
Para mais informações cliquem aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mariquices de mãe

Ontem (parece que tudo aconteceu ontem mas é natural porque hoje ainda não aconteceu nada, pelo menos por aqui...) cruzei-me com a minha filha num restaurante. Eu estava a acabar de jantar, ela apareceu com as amigas. Vieram à nossa mesa para nos cumprimentar e a cada cumprimento era para ela que os meus olhos fugiam. Está tão linda a minha filha! O esforço que fiz para não transparecer a vontade de estar só com ela! De lhe dizer das minhas saudades! A vontade que me deu de a meter no bolso, de a levar, de a trazer para casa!
Mas os filhos não são nossos, apesar de nós gostarmos de acreditar que sim…

Os anos do Presidente (do Obama, não do nosso)


Barack Obama fez 48 anos mas resolveu que a festa deveria ser de uma jornalista da Casa Branca que faz anos no mesmo dia que ele. Helen Thomas, que fez ontem 89 anos, entrou para a Casa Branca no dia em que o presidente nasceu.
Não conheço a lei dos Estados Unidos mas, das duas uma, ou se trabalha até cair para o lado, tipo Manuel de Oliveira, ou o presidente, desejoso de mostrar ao mundo o seu altruísmo ordenou que se procurasse alguém que fizesse anos no mesmo dia, fingindo assim que evitava ser o centro das atenções.
Há falta de melhor encontraram esta senhora que se encontra num estado muito próximo do mumificado, nem forças teve para se levantar deve ter sido por isso que os jornalistas só o fotografaram a ele de bolo na mão, ela estava sentadinha sem se mexer, coitada…Mesmo assim ainda teve forças para desejar a paz no mundo qual candidata a Miss Universo.

Foi assim...

Ontem estive na praia. Não fui de comboio, nem de carro. Fui a pé. Não estava mar chão, estava ondulado. E fui sozinha.
Deixei o saco coberto com a toalha para entrar no mar e hesitei no sentido do meu olhar. Se virasse as costas às ondas arriscar-me-ia a ter uma surpresa; se as virasse ao saco, arriscar-me-ia a outra…assim fui alternando, praia-mar; mar-praia. Entrei de lado.
A transparência da água comoveu-me; a sua frescura e as ondas que sempre temi, impediram-me de mergulhar.
Deitei-me. O sol incomodou-me as feridas que não há meio de sararem, produtos de um ataque fulminante de herpes, sem precedentes! Virei-me de costas.
Ao meu lado uma mulher não se despiu. Nem os ténis tirou. Sentada, não parava de falar ao telemóvel enquanto o marido e os dois filhos iam e vinham, para o mar…do mar…
No meu cérebro os monólogos não paravam. É sempre assim, quando estou sozinha na praia. Remexi o saco à procura da caneta e do papel que não levei. Olhei a mulher ao meu lado e lembrei-me do telemóvel. Foi lá que escrevi na esperança de os calar.
Ao fim de meia hora e três passeios com água pela cintura resolvi tomar o caminho de volta.
Confundi uma mulher com um qualquer cartaz publicitário e assustei-me quando ela se mexeu à minha passagem.
Enfim, posso dizer que dei início à minha época balnear.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Parece anedota!

Mas isto é normal?!
Então um político é condenado a 7 anos efectivos de cadeia e isso dá-lhe tempo, e poder, para concorrer a eleições, esperar ganhar e andar descansadinho porque com todos os recursos muita água, que é como quem diz – muitos anos, ainda vai correr debaixo da ponte até ele ser obrigado a cumprir a pena?!
Mas que raio de justiça é esta? Mas então se a sentença do tribunal não é suficiente para meter uma pessoa atrás das grades para que é que o tribunal existe?! Anda-se a perder tempo e dinheiro com estes julgamentos quando afinal, para as condenações serem válidas só no Supremo! Então porque é que não se vai logo ao Supremo?!
Nos outros países também é assim? As pessoas são condenadas mas é como se não fossem e continuam a fazer a vidinha delas, enquanto recorrem da sentença?! Mesmo que sejam cargos públicos podem candidatar-se?! Será que o Isaltino ainda vai ganhar as eleições?! Não me admirava muito que se há coisa para a qual nós temos jeito é para favorecer este tipo de gente. Aposto em como muitos pensam, está bem, ele até pode ter roubado, mas fez isto e aquilo e aqueloutro…como se o facto de ter enchido os bolsos à custa da autarquia não só não fosse relevante como, para muitos, lá no fundo, ainda é motivo de admiração.
Afinal somos um povo de ciganos, de comerciantes e de jogadores. Como não admirar um gajo que pôs todas as suas artes em prática?! Vai-se a ver e o único motivo de condenação será o facto de ser apanhado!...Parece que até agora se tem safado. Vamos lá a ver o que dirá o Supremo daqui a…10 anos?!...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Das perdas

A vida é feita de perdas.
Perdem-se amigos, empregos, dinheiros. Perdem-se tias e tios, primos e primas. Perdem-se avós. Perdem-se pais. Às vezes, filhos.
Há quem perca uns e não outros. Há quem os vá perdendo e quem os perca de seguida, como se de uma epidemia se tratasse.
Há também quem acredite que são esses os momentos que nos trazem oportunidades únicas de crescimento. E há quem fique zangado com o mundo e com Deus.
Mas por muitas perdas que se sofram, ao contrário do que seria lógico acontecer, cada nova perda é uma nova dor, uma nova surpresa, um novo choque.
Uma amiga, que me é querida, acabou de perder a mãe. Faz sentido. É a lei natural da vida – os mais velhos devem partir primeiro, até porque sofreriam muito mais se ficassem para trás. Ainda assim, sabendo isso, nunca se está preparado. Mesmo que eles, os nossos pais, sejam muito velhinhos já, mesmo assim, quando partem é um pedaço de nós que vai. É um cair que custa a levantar.

domingo, 2 de agosto de 2009

Ossos do ofício

Confesso que por vezes, nesta minha azáfama de correcções de textos, perdida no meio de tantas palavras, me baralho e, por momentos, hesito sem saber se este ou aquele termo se escreve desta ou daquela maneira, se está no lugar certo, se a frase está comme il faut.
Confesso que por vezes tenho dificuldade em separar as palavras de forma a formarem frases e tendo a afogar-me, por décimos de segundo, naquilo que parece ser um imenso mar de letras.
Outras vezes a minha atenção foca-se quase exclusivamente nas palavras repetidas. Os autores e, ou, os tradutores, de vez em quando engraçam com uma palavra e vai de a usar como se não houvesse amanhã. No ouvido silencioso do meu cérebro, ao fim de mais de cem páginas, essas palavras soam como pedras que se atiram à toa, só porque sim. É nesses momentos que paro, dou uma voltinha pela casa, trinco uma bolacha e não penso em nada.

sábado, 1 de agosto de 2009

Há dias assim...

...que se assemelham muito à vida – de manhã chove; à tarde faz sol.
Só quem tem paciência para aceitar a chuva, chega a desfrutar, realmente, do sol.
Hoje foi um dia assim. E nós, de churrasco marcado, recusámo-nos a que a chuva nos estragasse o evento. O churrasco fez-se com a mesma alegria. Não deu para comer lá fora; comeu-se lá dentro. Debaixo do toldo crepitou o lume. E o sol, sentido com a concorrência das brasas, acabou por despontar, magnífico.