terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A nossa vida na vida dos outros

Não sirvo para estar sozinha e não sirvo para estar acompanhada! Não sei para que sirvo! No dia-a-dia nada faz sentido sem aqueles que amo, é por eles que me levanto; que lavo a roupa; que limpo, ainda que pouco, a casa; que vou às compras; que ponho a mesa. É na expectativa da sua companhia que penso no que almoçar, ou jantar; que escolho um filme. E mesmo que ultimamente a vida nos desencontrasse e me roubasse o tempo exigido à dedicação, o certo é que me bastava o saber que a porta se abriria, que uma chave entraria, ou que alguém, no quarto ao lado, descansava.

Dou comigo à espera que a porta se abra mas ela teima na sua mudez de porta e eu antevejo o meu futuro solitário e penso na urgência de mudar de casa, de ter outras condições para a voltar a encher e a dar-lhe vida, porque a vida é nos outros que mora e não em nós. Sem os outros ela não faz lá grande sentido.

5 comentários:

CF disse...

Como te entendo Antígona... Talvez por me identificar tantas vezes com o que estreves, quando te ausentas, tenho saudades de te ler...

Inês disse...

Tivessem todos a humildade necessária para sentir isso. Era bom!

Sabes quem sou disse...

Espero que hoje tenhas sentido que serves para estar acompanhada. Pelo menos eu e o Sputnik tentámos.
Tudo depende é das companhias :)
També não te esqueças que por vezes mais vale só que mal acompanhada. Bjs.

João disse...

Mesmo quando temos uma casa cheia a ausência de algum, perturba sempre a harmonia dos lares...
Querer pessoas traz pessoas.

Leididi disse...

Toma lá um beijinho, mamã, e um abracinho.