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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Com que idade deveríamos morrer?




Com que idade deveríamos morrer?

Qual é o momento, da descida, em que deveríamos partir sem dor para quem parte, sem dor para quem fica?

Aqui estou eu. Mãe. Avó. A bater à porta dos sessenta. Quem, com a minha idade, tem ainda pai ou mãe? Eu tenho os dois. E estou sozinha.

Que sorte! Dirão aqueles que os perderam no tempo das boas recordações. Aqueles que sentem saudades, não daquilo que eles seriam hoje se ainda fossem vivos, mas do que foram ontem, muito antes disso.

Com que idade deveríamos morrer?

Em que momento da descida, da perda de faculdades que só os outros vêem, deveríamos partir?

E quem cá fica? E quem cá está? Com que olhos deve olhar para o que é, sem despedaçar o coração?

Com que coração há-de suportar os olhares de acusação?
 – Não estás a tratar de mim! Não é isto que eu quero! Não estou bem! Nunca estou bem! Sou a pessoa mais infeliz do mundo porque envelheci!

Com que olhos se olha, sem que o coração se parta? Com que braços se abraça, sem sentir a impotência?

Tenho momentos em que detesto a minha mãe. Acho-a má. Infantil. Incompetente. Egoísta…

Tudo isso lhe vejo no olhar. Na indiferença ao meu esforço. No esquecimento de que também sou gente.


E depois, logo a seguir, o meu coração desfaz-se em culpa. Enche-se-me o peito de uma angústia tão profunda que só a memória da minha filha, a abraçar carinhosamente a minha neta, me acalma. Só a certeza desse amor manifestado me tranquiliza. Afinal, nem tudo foi em vão.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

AMOR


De nada me serve a paixão desmedida que queima as entranhas.
A pele não a sente.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que é profundo.
Que é fogo também, mas não se consome.
Que, tal como a água
não se detém.
Mas quando arrefece,
Tal como ela,
Segura bem firme
tudo o que tem.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que é profundo.
Que dá e recebe.
Que cresce e se funde.
E que é vida também.
Eu quero é a paz que se instala tranquila no amor que se tem.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Inteireza, verticalidade, unidade e libertação em 2016


A inteireza, a verticalidade, a busca da unidade interior, da coerência possível entre a minha racionalidade e os meus sentimentos por vezes tão contrários e qui ça incompreensíveis até mesmo para mim, sempre me fascinou. Ser inteira apesar do medo sempre foi um objectivo para o meu crescimento e essa vontade um importante atributo naqueles com quem me dou. Nunca busquei, em momento ou lugar algum, justificação ou apoio para essa importância que a minha alma sempre atribuiu a essa qualidade mas hoje ela surgiu-me nas palavras de Tomé:

"Quando fizerdes de dois um e quando tornardes o interior como o exterior e o exterior como o interior, a parte de cima como a de baixo, e fizerdes do homem e da mulher uma só coisa, de modo a que o homem não seja homem e a mulher não seja mulher, quando tiverdes olhos no lugar dos olhos, mãos no lugar das mãos, pés no lugar dos pés, e cara no lugar da cara, então entrareis no Reino!"

Pensem nisto.

Temos uma semana para decidir se 2016 vai ser um ano de Verdade ou apenas mais 365 dias de um faz-de-conta para agradar a todos menos a cada um de nós.

Lembrem-se que aquilo que aceitamos numa espécie de obediência a outros que não nós mesmos não nos atrasa só a nós mas também a esses outros. Sempre que aceitamos a manipulação alheia, mais ou menos descarada, estamos a aceitar que ela pode existir e a dizer aos manipuladores que podem continuar a manipular.

Naturalmente, são sempre aqueles que mais amamos e que mais nos amam que mais recorrem, por medo de nos perder ou de perder a sua ligação connosco, à manipulação. Servem-se de sentimentos profundos para o fazerem e fazem-no, a maior parte das vezes, inconscientemente. Estou a pensar em pais e mãe, em irmãos, em maridos e mulheres, em todos aqueles de quem acreditamos depender a nossa felicidade e a nossa paz. Tantos de nós que vivem presos em caixas no medo de ferir, de perder, de magoar, libertando-se.

Quem ama amará sempre e a libertação dos oprimidos é uma mensagem de amor porque mostra a quem oprime a sua verdadeira humanidade.

Temos uma semana para decidir se 2016 vai ser um ano de uma condescendência que continua a pôr em causa o verdadeiro crescimento que só existe na Liberdade de Ser e na União de quem Somos, ou um ano de libertação.

Lembrem-se que estamos no ano da Misericórdia e que só a Verdade poderá semeá-la nos corações humanos.




sábado, 12 de dezembro de 2015

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Prosperidade

Presépio feito por um grupo de escuteiros da paróquia da Imaculada Conceição, 
Charneca da Caparica

O Natal está mesmo aí. Mais um Natal! E, logo a seguir, fecha-se um ano mais.

A vida passa a correr e, ao contrário de nós que nos vamos alentando, ela corre mais depressa de ano para ano.

Não me estou a queixar. Apenas a relembrar que há que viver. Há que aproveitar, não no sentido do esbanjamento, mas no do crescimento, no da ascensão, no do conhecimento e das boas práticas que é para isso que por cá andamos, para nos melhorarmos como pessoas, como humanos que somos, como gente de bem.

É costume, nesta quadra, deixarmos os nossos votos a todos os que nos são queridos. Eu tento estar o ano inteiro o mais junto deles possível, por isso, nesta quadra, deixo os meus votos a todos os outros – os que conheço, os que talvez venha a conhecer e os que me são completamente estranhos. É para todos eles esta mensagem. E para mim, este balanço.

Deus ajuda quem se ajuda e não quem perante Ele se ajoelha mas nada faz. Eis o que aprendi este ano. Ele quer ver-nos felizes e proactivos. Actuantes. Alegremente actuantes. Quem Nele confia liberta-se de medos porque se entrega.

Ter fé é ser capaz de confiar na vida, em Deus, no Universo, em si mesmo… de corpo e alma. Ser capaz de o fazer, incondicionalmente, apesar do medo. E, se já os antigos diziam que a fé é que nos salva, eu reitero essa máxima porque só ela nos liberta. Sem fé, ficamos presos aos nossos medos e toda a gente sabe que os medos encerram o pior que há em nós.

Desejo-vos, pois, um Natal de muita Paz, de muito Amor e de muita Harmonia. Desejo-vos uma noite de Luz porque é dela, da Luz, que o medo foge.

Desejo que o Novo Ano seja de reflexão e que a Fé nos liberte a todos, para que a Felicidade entre pelas nossas portas adentro, já que a Prosperidade é isso mesmo – uma vida cheia de Luz, de Fé e de Amor. Uma vida verdadeiramente Feliz.

Bem hajam


domingo, 12 de julho de 2015

A Minha Filha - À Minha Filha


Nunca me senti verdadeiramente importante, disse-me ela ao fim de 35 anos como se disso dependesse o mundo. E dependia. O facto é que dependia. O dela. O mundo dela.

Em que momento das nossas vidas estamos preparados para ser pais ou mães? provavelmente em nenhum, mas há sempre quem consiga superar o desafio de forma mais harmoniosa, mais segura, mais madura até.

Dependerá da idade? Também.

Eu era muito nova quando decidi, pela primeira vez, que seria mãe. Mais nova ainda quando soube que não poderia deixar de o ser. E fui. E teria sido muito mais se tivesse conseguido ultrapassar sozinha - porque foi como sempre me senti, sozinha -, todos os obstáculos que a vida se foi empenhando em colocar-me no caminho.

Se mudaria alguma coisa podendo voltar atrás? Muita! Muita coisa! O que sei hoje é exponencialmente mais do que aquilo que sabia então.


Mas uma coisa é certa - apesar dos pesares, ela ainda vai sendo capaz de me dizer estas coisas. E isso é bom.


domingo, 14 de junho de 2015

Ir aos Figos


Seja lá de que maneira for, ir aos figos é sempre muito agradável - goste-se  ou não dos ditos.

Neste caso a referência pretende ser literal.  É fruta que, sempre que posso, não dispenso. E viver num lugar onde as figueiras abundam e deixam cair os ramos, e os frutos, para fora dos quintais, é um privilégio.

Todos os dias passo por várias. Observo-os, aos figos, e penso que com ou sem companhia lhes hei-de deitar a mão - assim que amadurecerem.

Já consegui saborear dois. Eu sei, é coisa pouca. Mas prefiro deixá-los amadurecer um pouco mais. Prefiro que absorvam todo o sol que puderem porque a fruta, tal como o amor, é boa quando está madura e alberga, dentro de si, o calor e a energia de um raio de sol.

Mas nem tudo é como se espera e os figos, cujo crescimento tenho vigiado, os figos pelos quais pacientemente tenho esperado, estão a sucumbir a esta chuva fora de horas.


Esta água que cai do céu desprevenida e despropositada retrai os frutos e fecha-os, como aos homens, dentro de cascas mirradas deixando-me sem figos e sem homens mas na esperança, sempre na esperança, que haja quem sobreviva às intempéries e, sem medo, amadureça para mim.