quarta-feira, 28 de julho de 2010

Acordo Ortográfico

Calhou-me em sorte a primeira revisão de acordo com o Acordo Ortográfico.

Não vou mentir. Fez-me um bocado de confusão ver «ótimo» escrito sem «p»; «ato» sem «c» ou «exceto» sem «p», tanto mais que, neste último, eu sou daquelas que pronuncia o «p» - ex-ce-p-to – agora já não…

Contudo, e contra todos aqueles que dizem ser contra o Acordo, parece-me absolutamente lógico, natural, próprio de todas as línguas vivas, que caiam certas letras e certos acentos. Toda a evolução linguística é feita no sentido da economia, de caracteres, perdão - carateres evidentemente. Se este tipo de Acordo não existisse, ainda escreveríamos «farmácia» com «ph» e, quais Camões, estaríamos ainda a usar, em muitas circunstâncias de que agora não me recordo mas existiram acreditem, três «c» em vez dos dois que temos vindo a usar até agora e que, em certas palavras, passarão para um apenas.

Ora digam lá se, nesta vida de correria, não dá jeito escrever o mesmo com menos caracteres?

18 comentários:

CF disse...

Antígona, estou contigo. Não me incomoda nadinha, pelo contrário. É tal como dizes, uma evolução.

Escrevinhador disse...

Cara Antígona,

A questão do «ph» ter sido substituído pelo «f» é uma decisão do Acordo Ortográfico de 1911 e não levanta as questões e confusões fonéticas que muitas das alterações do novo Acordo implicam, pois tanto com «ph» como como com « f» lia-se «f», ou seja, em termos de oralidade não havia diferenças.

Com o novo acordo, por exemplo, palvaras como « adopção», se lhe retirarmos o «p», teremos tendência a ler « adução» do verbo « aduzir».


Entre muitas outras palavras onde as chamadas " consoantes mudas" fazem toda a diferença em termos fonéticos, visto que, ao contrário dos brasileiros, nós, portugueses, não temos as " vogais abertas".

Portanto, mexer numa língua é muito mais do que mexer na forma como se escreve é também preciso pensar nas implicaçõs que isso tem na forma como se fala.


Abraço,

Escrevinhador

Jardineiro do Rei disse...

Vocês vão-me desculpar...
Mas eu vou continuar a escrever como sempre escrevi! Não é por nada, não tenho nada contra o tal acordo ortográfico, mas não vou perder tempo a pensar se hei-de escrever "óptimo" ou "ótimo"... "adopção" ou "adoção". Escrevo como sempre o fiz, como me ensinou a minha velha Professora Matilde - é uma última homenagem que lhe presto. Para mim, há tanta coisa muito mais importante em que pensar... E quem não perceber o que tento escrevinhar... desculpem qualquer coisinha.

Cumprimentos

Jardineiro do Rei

MN disse...

Olá!
Nesse caso, escrevinhador, poderia cair o "p" de óptimo e teríamos de inventar uma nova letra para "padeiro", onde uma vogal não tónica está aberta. O acordo não vai ter impacto na oralidade, tal como a alteração de 1973 (remoção dos acentos em "sòzinho", etc.) também não teve.

esseantonio disse...

Eu nem sequer peço desculpa. Como "burro velho não aprende línguas", irei continuar a escrever como sempre. Podem chamar-me 'bota de elástico' que não me importo.

Goldfish disse...

Há coisas que soam mal (aos olhos) mas realmente não fazem falta (se já não se ouvem, ok, desaparecem, faz algum sentido) agora outras... Não me digam que o acento na ordem "Pára já!" não faz falta. Como se distingue a partir de agora "Para já = não te mexas" de "Para já = por agora"?

Antígona disse...

Goldfish, que eu saiba o acento de «pára» não desapareceu!
Não me levem a mal mas também me parece que, provavelmente, há alguma falta de informação ou alguma informação enganosa. Aqueles que lutaram, e continuam a lutar, para que o Acordo não avance ( o que não faz sentido uma vez que já está assinado), dedicaram bastante tempo e bastantes energias a espalhar por aí generalizações que não existem.
Atenção, por isso, às generalizações. A Porto Editora tem um bom dicionário com o aA e dA :):) (são aqueles cor de laranja) :).
Mas, mais uma vez, lembrem-se que sempre houve alterações nas línguas (em todas as línguas) e que elas, mais cedo ou mais tarde, pegam. Daqui a uns anos já ninguém se lembrará de escrever «óptimo» com o «p», e a língua ficará mais fácil e mais próxima da sua sonoridade :)
Obrigada a todos pelo entusiasmo :)

Antígona disse...

Goldfish, as minhas desculpas. Afinal o acento da forma verbal do verbo parar, caiu. É considerada homógrafa da preposição «para». Enfim, é possível que gere alguma confusão no início. Depois habituar-nos-emos como nos habituámos já a tantas outras, homógrafas como estas.
Os mais novos é que batem palmas uma vez que detestam acentos...
Já agora - existem alterações que aceitam grafia dupla.

Jardineiro do Rei disse...

E porque razão toda a gente tem de estar de acordo com toda a gente?
Ora digam-me lá???

Goldfish disse...

Posso estar enganada, e quanto às letras que já não "soam", não podia concordar mais. Mas vou investigar a história do "pára".

Escrevinhador disse...

MN,

Desculpe mas o seu argumento segundo o qual afirma taxativamente que as alterações gráficas não implicam alterações fonéticas não me parece, de todo, sustentável.

Pela última vez, vou tentar explicar que a questão do «ph» é um caso à parte, pois «ph» era, na oralidade, um «f». Outro argumento é que o PH é neutro. ( só para descontrair).

Basta reparar na forma como os brasileiros abrem as vogais e os portugueses não, daí a importância das consoantes mudas.

Goldfish disse...

Aqui está, num local oficial: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=lemma&lemma=12430&highlight=^para$

E não faz sentido nenhum. (Eu sei, sou teimosa e quando amarro o burro não desando antes de provar a minha razão.)

Anónimo disse...

Pois...vou dar centenas de erros, porque não tenciono, a caminho dos 60 anos, para escrever uma carta ter de estar a consultar o diccionário, (será que ainda tem 2 "C"??).

E "Mudasti" já está faz parte do acordo?? sinceramente...

Neste tempo que se perde com as discussões do novo acordo ortogáfico, será que já pensaram nos milhares de crianças que morrem de fome diariamente???

T.F.

Antígona disse...

Anónimo, não se preocupe com os erros :) não serão considerados erros, apenas palavras fora de moda :):) e, não, «dicionário» já não se escreve com dois Cs :)

P.S. - Tem toda a razão no que diz respeito ao grau de importância de certos valores.

Sputnick disse...

Aqui declaro o que já declarei em outros lugares - escreverei como aprendi, não por teimosia, mas pelo entendimento da coerência e da identidade. Por isso abomino o Caipirão e adoro a Caipirinha, se outros poréns não houvessem.

Anónimo disse...

Antigona, para que conste apenas, quem a Lê e segue com muito gosto, T.F. é uma mulher, portanto uma "Anónima"..:))

Continue e descanse esse cansaço imenso, está na altura de tirar ferias.

T.F.

masquediabo disse...

Eu não estou de acordo com o acordo.
Tenho 33 anos, e sinto dificuldade, mas tenho que tentar acompanhar.
Penso que é normal sentir dificuldade porque é uma mudança, uma mudança bastante grande para quem já nem se lembra da gramática que estudou. Até aqui as mudanças (evolução)eram feitas de forma lenta, agora,as mudanças são mais rápidas e maiores.
Sinais do nosso tempo?

Antígona disse...

TF as minhas desculpas que não reparei nas iniciais no fim do comentário :):)