domingo, 22 de janeiro de 2012

Relógios de luxo em Genebra


Num mundo em crise, onde se exigem aos trabalhadores avultados sacrifícios, existem listas de espera para a compra de relógios de luxo que custam acima dos 200 000 euros e que têm, necessariamente, de ser pagos em dinheiro.

Estou convencida que a maioria de nós abre a boca de espanto perante esta realidade. De espanto pela beleza e pela inacessibilidade, aquele espanto que dedicamos aos deuses no Olimpo. Tão distantes! Tão belos! Tão maravilhosamente inalcançáveis!

Talvez a devêssemos abrir por ultraje. Talvez devêssemos determinar, de uma vez por todas, que os muitíssimo ricos só têm direito a existir num mundo de ricos; que os ricos só podem sobreviver num mundo de remediados e que, num mundo de pobres, o mais longe que se pode voar é até ao remedeio. Isto sim, seria justo. Isto seria humano. Isto seria equitativo. Não a absoluta igualdade, que não existe. Não esta disparidade obscena.

5 comentários:

CF disse...

Mas o nosso mundo não é assim :(

Antígona disse...

Mas devia ser :):)

Sputnick disse...

Alguns desses objectos, são objectos de sonho. Mas porque ver horas é básico, qualquer pato-bravo, pode ter um relógio desse valor. O que me dana mesmo é que as melhores (e as mais caras também) guitarras do globo estão nas mãos desses mesmos patos-bravos, quando, alguns deles, nem sequer nem as sabem afinar, e muito menos tocar :( Mas agora me lembro, alguns desses patos, também acompanham com mulheres de sonho, mas quem lhes acerta as horas e as (des)afina, são outros. Os que o sabem fazer, e isso não se compra :)

Anónimo disse...

A Antígona e este seu pensamento parece o Presidente Cavaco e as últimas declarações sobre os próprios rendimentos

Antígona disse...

Anónimo: Pelos vistos tanto eu como ele temos de cair na real, como dizem os nossos irmãos brasileiros. Infelizmente será a única coisa que temos em comum (eu e o Cavaco, entenda-se):)