O que me entristece, é não poder dizer aos meus pais, e aos
meus filhos, Não se preocupem, vai correr tudo bem. Isso é que me entristece! E
saber cada vez mais diminutas as probabilidades de ver sorrisos nos rostos dos
meus amigos. Isso é que me entristece!
Sei lá eu se vai correr tudo bem! Espero que corra. Mas sei
lá eu se vai correr! Portugal andou anos e anos a acreditar que a sua salvação
estaria na fé e olha o que aconteceu – no momento, praticamente no momento, em
que tudo se concretizava, pimba. Tudo por água abaixo. Está visto que isto não
vai lá com fé. Não, não me parece que seja a fé a salvar-nos.
Acho que temos de fazer mais qualquer coisa para além da
reza – temos de mostrar que estamos verdadeiramente empenhados. Verdadeiramente empenhados em andar
para a frente. Verdadeiramente empenhados em crescer. Verdadeiramente empenhados em não nos deixarmos
governar por outros interesses que não os nossos – os da maioria que somos nós;
os de quem realmente trabalha. Os nossos. Os nossos interesses. Os interesses
dos portugueses; e dos gregos; e dos espanhóis; e dos italianos; e dos
franceses; e dos holandeses… Os interesses de quem trabalha e não de quem não
sabe, nem nunca soube, o que isso é. Não os interesses de quem tem construído a
vida à custa de especulações, compadrios e vigarices. Não os interesses da
bolsa ou dos mercados, essas entidades virtuais e anónimas que encerram em
cápsulas meia dúzia de vampiros que sabem que no momento em que de lá saírem sucumbirão.
Mas os interesses de quem trabalha. De quem é gente que nasce e morre; que come
e dorme e ri e chora e ama e luta e pensa e cria e É. Os nossos interesses.
2 comentários:
BELISSIMO TEXTO. TOMEI A LIBERDADE DE PUBLICAR EM aputadacarraca.blogspot.pt
AGRADEÇO
JR
Muito bom, Amiga. E claro, partilha da mesma tristeza.
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