terça-feira, 25 de maio de 2010

O mundo dos ricos e dos poderosos

Organizámos, a minha sócia e eu, uma Colónia de Férias para os meses de Julho e Agosto. O programa é ambicioso. Decidimos que não nos limitaríamos a levar as crianças à praia e a fechá-las uma tarde inteira entre as mesmas paredes, por isso levá-las-emos a todos os lugares possíveis: parques; museus; espaços de divertimento e de faz-de-conta...
A organização está feita. E bem feita. O problema agora é como passar a mensagem. Sem dinheiro para anúncios televisivos ou mesmo radiofónicos, valemo-nos dos nossos braços e da nossa imaginação. Temos consciência que o programa que elaborámos ultrapassa os bolsos da maioria dos pais dos meninos que frequentam o nosso Centro, pelo que se impõe chegar perto dos mais abastados.
Como diz Eulália Barros num texto que li há pouco tempo, eu ainda não vivi tudo mas já tenho muita coisa para contar e posso afirmar que há poucos mundos que me são estranhos. Continuo, no entanto, a ser uma pessoa voluntariosa e a acreditar que não me caem os pergaminhos na lama quando me movo de cima para baixo. Decidi, portanto, munir-me de alguns folhetos e plantar-me à porta de um dos mais conceituados colégios lisboetas, alguns minutos antes das oito da manhã.
Não foi apenas a chuva, que em protesto caiu copiosamente, que me fez desistir, foi um certo agravamento de humilhação que ela trouxe consigo. É que uma coisa é receber olhares de alto e «não obrigado, os meus filhos vão para a Colónia XPTO», com o sol a brilhar; outra é recebê-los de guarda-chuva na mão debaixo de um quase dilúvio.
E assim, a minha ideia de que há gente a quem faria, talvez, algum bem, cair do pedestal, saiu reforçada.
Mais tarde, junto à hora de almoço, uma simpática professora incentivou-me a ir falar com a directora do dito colégio. «Diga que vai da minha parte». E fui. E disse. Bem recomendada, claro que fui recebida mas a resposta foi não. Não. Apesar de fecharem em Agosto; apesar de não terem Colónia de Férias, cumprem escrupulosamente um princípio ancestral: Não divulgar internamente nada que não seja da sua própria lavra. «Bem vê», dizia-me a honorável directora, simpática sem dúvida, «não podemos abrir nenhuma excepção porque se o fizéssemos a si, teríamos de o fazer a toda a gente que nos bate à porta.» Compreendo. Compreendo que quando a escolha é entre o sim e o não, é porque o critério anda pelas ruas da amargura; e compreendo que um estabelecimento que está garantido; que existe há anos com um prestigio inabalável e que, mesmo nos tempos que correm, não corre riscos nenhuns, quando se recusa a divulgar internamente seja o que for que parta de terceiros, sem sequer tentar averiguar da validade, seriedade e competência desses terceiros, na verdade o que está a fazer é a fechar portas, a negar ajudas, a ser sovina, elitista e tudo aquilo que é contrário à política que a família que o gere apregoa e que o nome que tem defende. Ser moderno é ser aberto. Ser socialista é ser do povo, é apoiar os mais fracos, é dar força a quem precisa. Ou deveria ser...
Portanto, e mais uma vez, estamos por nossa conta e risco neste mundo do salve-se quem puder.
E como derrubar não é vencer, amanhã estarei, provavelmente, a pregar numa outra freguesia.

7 comentários:

Inês disse...

E que tal enviar um programinha para mim que talvez me dê um jeitão, com a garantia que passo a mensagem!
Beijinho!

XR disse...

Olha que há coisas para que esta rede malvada que nos põe a ler coisas uns dos outros até dá jeito.

Cria um novo blog para a Colónia! Cria uma página no Facebook! Se há coisas em que uma dose alargada de exposição até ajuda será talvez o teu projecto.

Epá, se há gente que se faz fã de uma página dedicada a pedir aos tipos da gasolineira nacional para meter as vuvucoisas no orifício ao fundo das costas e baixar o preço da gasosa... porque não fazermo-nos fãs da tua Colónia e recorrer ao bom velho passa-palavra aplicado a redes sociais?

Há coisas piores - e ao menos não tens que apanhar chuva nem ver gente snob a falar-te de critérios da treta.

Abreijos

(e se por acaso esta mensagem aparecer repetida, a culpa é do blogger, pelo que agradeço que dês um pontapé aos clones ;) )

Antígona disse...

:):) Por acaso apareceu repetida sim senhor XR.
Muito obrigada pelas vossas sugestões.
A página no facebook já está criada e vou enviar o programa para a Inês :).
Beijinhos às duas

CF disse...

Já vislumbrei qq coisa do vosso trabalho, porque o blog do desassossego levou-me lá. Espero que consigam, pois parece-me muito bem. Quanto à divulgação, bom, é uma tarefa árdua, julgo eu. Se nos colégios de elites não surte efeito, tenta nos outros, que são mais abertos, e existem várias classes. Deixem uns panfletos em sitios chave, como centros desportivos para miúdos. Mil sorrisos para as duas. E já agora, gostei de saber o teu nome :)

Antígona disse...

Obrigada CF :):)

XR disse...

Sugestão complementar:
Coloca o link para a página do facebook por aqui, no Antagonices, ou na página da Viagem.
Assim é fácil quem tiver conta por lá subscrever e ajudar a divulgar...
Já que se mandam convites para coisas tão parvas, ora que se mande para algo que até é bom para os miúdos! Eu por mim espalho logo uns quantos ;)

Abreijos!

Antígona disse...

Boa XR :):)Obrigada