quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Irra para os papéis

Não gosto de papéis. Chateia-me ter de lidar com eles. Gosto de livros. Mas não gosto de papéis. Ele é o papelinho do restaurante, o papelinho do Visa, o papelinho do multibanco, mais o papelinho da farmácia e o do supermercado, o papelinho da bomba de gasolina, o papelinho do chocolate, o papelinho da livraria e o outro que nem dá para ler e eu não me lembro. O papelinho do clube de vídeo e o da frutaria. Já nem me lembrava de ter estado aqui! Mas que papelinho é este?
Tenho esta estúpida mania de tomar nota de tudo mas como me falta o tempo para o fazer em tempo útil, vou acumulando papelinhos pela carteira fora. Um dia destes arrisco-me a desaparecer no meio deles.
Se estiver uns dias sem aparecer, procurem-me no meio dos papéis.
Quando, finalmente, me disponho a pôr as coisas em ordem, é o fim do mundo em papelada. Descubro papéis de coisas que nem me lembro ter comprado. Descubro papéis que já não se lembram o que pagaram porque, entretanto, já os números desapareceram, e as letras e toda a informação. O que, hoje em dia, também não faz grande falta. Uma coisa é o que dizem os papéis e outra o que aparece no extracto bancário. Se não houvesse uma quantia em jogo tenho sérias dúvidas se conseguiria confrontar a informação de um e de outro.
Raios partam os papelinhos.

1 comentário:

Miguel disse...

Efectivamente, o papel é a forma mais irónica e irritante de burocracia. Parece leve, inofensivo, imaculado, e, quando damos por ele, já domina inteiramente a nossa vida. Cuidado! Afinal o Simplex é preciso em tudo!!