segunda-feira, 4 de julho de 2011

O amor e as mensagens subliminares

Durante anos enviei, a quem eu queria, mensagens subliminares. Incapaz de verbalizar, às vezes até para mim mesma, os meus sentimentos e as minhas vontades, tentava comunicar através deste ou daquele livro, deste ou daquele texto, deste ou daquele filme. Estas mensagens, evidentemente, não chegavam ao destinatário – perdiam-se pelo caminho. Quantas vezes o vi adormecer em frente à televisão, ignorando em absoluto o som dos meus gritos mudos! Lembro-me que cheguei a ver uma peça de teatro três vezes em dias quase contíguos, sozinha ou em outras companhias para não se perder o bilhete já comprado! Patético! Eu! que tanto me apego à coragem, fui cobarde tantos anos! Desajeitada. Ignorante.

É estúpido desejar que o outro veja o mesmo que nós quando nem sequer lhe explicámos, na linguagem dele evidentemente, o que vimos! É estúpido e, sobretudo, muito muito frustrante. Uma terrível perda de tempo. Há que ser objectivo. Objectivo e prático. Posso não ter aprendido mais nada, mas isso aprendi – a ser prática e objectiva. Deixei de ter paciência para caminhos tortuosos e, sobretudo, abandonei os males de amor. Deixo-os para os jovens, que ainda não compreenderam que amar é ser feliz.

2 comentários:

Tomás disse...

Pois, pois...

Clara disse...

Parabéns, "objectivo e prático" quer dizer que aprendeste a colocar-te a ti em primeiro lugar!

As mensagens subliminares são bonitas para usar com quem as merece e entende. Tenho aprendido ao longo dos meus 36 anos que não vale a pena usá-las com quem não as compreende, não por mal, mas por desconhecimento.

Talvez seja por isso que dizem que os ignorantes são mais felizes...que seja ;)

Gosto da tua escrita, continua!!!