sábado, 14 de novembro de 2009

Da Cidadania

Cidadania é uma palavra muito in, pelos menos nos meios educativos – educação para a cidadania. No fundo o que se quer dizer é que urge educar as pessoas para serem aquilo que elas realmente já são mas não sabem – cidadãs. Cidadãs de plenos direitos, quer para exercerem a sua liberdade, quer para se responsabilizarem por cada milímetro de terra desta Terra que é, afinal, a nossa única casa, pelo menos por enquanto.
A ideia de que vivemos no mundo do salve-se quem puder é, para além de estúpida, suficientemente destruidora para dever ser considerada por todos nós como uma excelente candidata à pena de morte já que ninguém se salva sozinho e mesmo que o fizesse duvido que sobrevivesse e mesmo que sobrevivesse gostaria de saber o que ficaria por cá a fazer sem ninguém com quem falar.
Andamos há anos a enganarmo-nos, quer no que diz respeito à nossa natureza, quer no que diz respeito às nossas normas de conduta. De facto, temos tanto de bom quanto temos de mau, sendo que tendemos a seguir os procedimentos que estiverem mais na moda - que forem mais «elogiados» socialmente. Tal como os carneiros, gostamos de viver na ilusão que fazemos parte daqueles que são seguidos e não dos que seguem, quando na verdade nos deslocamos todos ao molhe de nariz colado no rabo do que vai à frente, sendo que trocamos amiúdas vezes de lugar sem sequer darmos por isso.
Neste momento andamos todos, ou quase todos, de nariz colado aos média que insistem em nos levar pelos piores caminhos, mostrando-nos diariamente o que de pior existe neste mundo. A cultura constrói-se todos os dias e se aquilo que vimos, todos os dias, é o pior do que há em nós, então é esse o lado que aceitamos e até achamos natural que seja essa a faceta a ser usada não apenas nas mais altas esferas, mas no nosso dia-a-dia. Porque é normal, porque o mundo é mesmo assim, porque anda meio mundo a enganar outro meio e por aí adiante as desculpas para os maus procedimentos não têm fim e são sempre encontradas ao dobrar de cada esquina.
Em 1979, quando cheguei à Holanda, encontrei um país onde o consumo de drogas estava mais entregue à responsabilidade de quem as tomava do que à justiça. Em Portugal tinha-se tornado numa verdadeira praga que matou muita gente da minha geração. Das drogas leves passava-se para as pesadas e era tudo «o máximo» porque estava na moda. Num país que tinha acabado de sair da escuridão, a moda, fosse ela qual fosse, era sinónimo de vanguarda quase elitista. E que elite se formou!... Na Holanda, porque não havia exactamente proibição, o consumo de certas drogas era tão mal visto pela sociedade, mesmo a mais jovem, que só o pronunciar de certos nomes era o suficiente para que se olhasse de lado com aquele desprezo que arruma qualquer um.
Assim se trabalham e se constroem mentalidades.
Quando resolvermos realçar e ressaltar aquilo que de bom existe em nós, a falta de ética envergonhar-se-á porque deixará de ser comum. Quando começarmos a ver todos os dias os exemplos daqueles que por aí andam a lutar pela justiça e a combater o que está mal, a injustiça e a corrupção envergonhar-se-ão porque deixarão de ser comuns. Quando as vidas dos nossos heróis começarem a entrar diariamente pelas nossas casas, o que está mal envergonhar-se-á.
É de bons exemplos que precisamos. De exemplos de gente de bem, de gente direita, de gente íntegra.
A educação faz-se todos os dias em todo o lado, não apenas nas escolas. Um cidadão para ter consciência da sua importância precisa de se sentir rodeado de outros cidadãos como ele, responsáveis e justos, conscientes do seu papel no todo que formamos e sobretudo esclarecidos ao ponto de compreenderem que estamos todos no mesmo barco e que quando este se afundar, afundar-nos-emos todos com ele.

2 comentários:

Sputnick disse...

Lá vens tu com essa da Holanda, pá!
A Holanda está na Europa!!!
Europa, entendeste? Ou queres um mapa?

Antígona disse...

E nós estamos onde? Em África?!