segunda-feira, 6 de julho de 2009

Karmas

Existe nas mulheres da minha família uma incapacidade crónica para se apaixonarem. É genético. Não há volta a dar.
Momentos há em que a coisa parece estar mesmo mesmo para acontecer, só que logo a seguir ele arrota, ou cospe para o chão, ou olha para nós com aquele olhar de carneiro mal morto, ou comenta o rabo que acabou de passar e pronto, está tudo estragado. É como se uma nuvem negra viesse tapar o sol que estava quase quase a aparecer. A partir desse momento é sempre a descer. Cada defeito é um drama, cada dia um esforço, cada jantar um adiamento.
No nosso coração já sabemos que a coisa acabou mas temos sempre aquela esperança que não, que pode ainda ser que as coisas se componham e quando damos por nós, só a presença incomoda.
E não são só as mais novas porque daquelas que rondam hoje os 80 anos, e sim é uma família maioritariamente feminina, metade divorciaram-se! A outra metade não tem sido muito feliz, diga-se em abono da verdade, nem mesmo a minha mãe que tanto se tem esforçado, ainda que por motivos diferentes.
Provavelmente tudo começou com a minha avó que foi tão mal tratada que deve ter amaldiçoado todos os homens das nossas vidas sem saber que, na verdade, nos estava a amaldiçoar a nós.
Há mulheres que se queixam da incapacidade que os homens têm de manter uma relação. Nós nem lhes damos essa oportunidade. A maioria das vezes somos nós que corremos com eles.
Se somos felizes? Não creio. Mas quem o é?! De facto vivemos na esperança, independentemente da idade de cada uma, de que um dia apareça um príncipe encantado que quebre o feitiço. Até lá, há aquelas que se vão contentando com duques e aquelas que não se contentam com nada.

3 comentários:

ClaudiaMar disse...

A Pipoca publicou (tb li em 2 dias) mas tu também deverias tentar fazê-lo. Tens qualidade. Eu comprava! ;) Pensa nisso!
Kiss

CF disse...

Bom, eu se calhar não sei, mas tenho por ai uma costelazita. Só pode. A minha mãe costuma dizer, que sou tão esquisita que vou acabar sozinha. Eu costumo rematar, que ou sózinha, ou muito bem acompanhada... Não sou cá de meios termos :)

Antígona disse...

Obrigada Claudia :)
Na verdade eu tenho 3 livros publicados. Não são textos de blog mas romances e poesia. Este blog é ainda muito recente. Sendo uma escrita bem diferente daquela a que me habituei, tem servido para testar a minha capacidade de síntese :) Creio ser cedo ainda para pensar numa publicação. Não tenho leitores que justifiquem o investimento e é isso que atrai as editoras :)
Mais uma vez obrigada pelo apoio :)