quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cultura de cauda

Estão enganados os que pensam que a cultura vem apenas dos livros que se lêem, das escolas que se frequentam, dos espectáculos a que se assiste.
A cultura vem, em catadupa, das vivências que se têm, das viagens que se fazem, dos conhecimentos que se cruzam.
Se fizéssemos um inquérito ficaríamos surpreendidos com o número de pessoas que nunca se afastaram mais de meia dúzia de quilómetros do local onde cresceram.
Se fizéssemos um outro inquérito ficaríamos ainda mais surpreendidos com o número de crianças que nunca viajaram. Que só sabem da existência de outros lugares pela televisão ou pelos livros da escola. Que nunca cheiraram outras terras. Nunca sentiram outros ventos. Nunca provaram outras iguarias. Nunca passearam noutros passeios.
São outras realidades que nos abrem os horizontes, que nos afastam do provincianismo. E é "de pequenino que se torce o pepino".
Não criar condições para que as nossas crianças possam "sair de casa" é adiar a cultura.
E uma cultura adiada marchará sempre na retaguarda. E, como todos nós sabemos, à retaguarda fica a cauda.
Teremos, portanto, uma cultura de cauda.

2 comentários:

Maria disse...

Também existe uma cultura que não vem das viagens e dos livros, será mais um "saber" que nos dá um certo conforto e aceitação das coisas e que até pode ser provinciano, mas sabe bem!

Antígona disse...

Um "saber" só é provinciano quando nos fecha a outros "saberes" e a cultura é necessária, não para "nos" saber bem mas para melhor compreendermos os outros. :)